Space Dementia
14 Capítulo 15
Notas iniciais
Os feridos foram levados para o hospital assim que o jato pousou, houve muita correria, pois boa parte dos soldados da missão haviam se machucado nos ataques, muitos gravemente. Milo liderou uma equipe de varredura para a velha Londres com Máscara e Ikki com a intenção de localizar mais Engies, mas todos que existiam lá estavam mortos e Aiacos não foi encontrado. Agora todos estavam na Divisão de Intervenção analisando os estragos da missão Londres e reavaliando os ataques.
Shaka foi diagnosticado com uma concussão leve e Saga achou por bem sedá-lo para ele melhor se recuperar dos ferimentos, boa parte dos soldados ficaram no hospital como ele, o resto foi despachado para o necrotério e uns poucos sobreviventes para os dormitórios.
– Ainda bem que você está aqui, eu fiquei tão preocupada... – Marin enlaçou Shina pelo pescoço livrando-a do quepe e do elástico que mantinha seu rabo de cavalo – Nem acredito que foram atacados! O que aconteceu com "Londres está livre de alienígenas!"
– Prova da incompetência das tropas de infantaria! – Shina acariciou o rosto bonito da ruiva e estalou a língua – Esse pessoal do Patriarca é uma vergonha, nos levaram direto para uma armadilha!
– Vamos para o nosso dormitório para eu cuidar de você.
Shina e Marin saíram da enfermaria e foram para o dormitório da Primeiro-Tenente onde depois de um banho e troca de roupas, Macqueen recebeu uma massagem relaxante da companheira. Marin ficou verdadeiramente preocupada dessa vez e ao ver os tantos soldados feridos entrando pelo hospital temeu muito pela mulher que amava.
– Acha que Aiacos está morto? – perguntou para Shina, ambas deitadas na cama estreita enroscadas uma na outra apenas aproveitando o calor dos corpos.
– Duvido. Ele não foi encontrado, não se esqueça que ele é um hibrido e sabe deus o que os Engies fizeram com ele.
– Então acredita que ele virá até nós?
– Estamos contando com isso... Vem cá um pouco deixa eu te sentir, daqui a pouco tenho que me reunir com Milo e os outros para traçarmos as linhas de defesa. – Shina tomou para si os lábios macios de Marin – Quanto antes acabar esse pesadelo melhor.
No hospital, Minos estava em uma maca recebendo avaliação de Albáfica. O Capitão estava ferido por conta das duas explosões e graças a sua condição hibrida o estrago não fora maior, apenas alguns estilhaços de bombas pelas costas e retirá-los era o que Albáfica ia fazer assim que acabasse os exames. Kannon estava ali também preparando medicações para os soldados e Shura que resolvera ajudar no socorro dos feridos também.
Hades saiu da sala de exames a qual estava sendo examinado com a sua escolta. Parou na enfermaria quando viu Griffon sentado em uma das macas com Albáfica, avaliando se precisaria realizar uma cirurgia para retirada dos vestígios ou não.
– Capitão Griffon. – cumprimentou Hades e Minos só respondeu com grunhido baixo porque Albáfica remexeu algo nas suas costas.
– Nós vamos ter... – Albáfica tirou os olhos do ferimento e foi quando viu Hades – Vossa Excelência!
– O capitão não devia estar sendo tratado no centro especializado? — interpelou o Patriarca à Albáfica – Acredito que na sua condição...
– Condição de híbrido Patriarca?! – Minos rangeu os dentes ao se virar para encarar Hades – Só porque sou híbrido eu devo ficar separado dos demais?
– Perdoe-o Excelencia, ele está com dor... Os ferimentos não são graves, mas são dolorosos e...
– Capitão Griffon não era isso que eu ia dizer. – eles se encaravam agora e Hades podia ver raiva no olhar violáceo o que estranhou e fez com que surgisse nele uma vontade de se explicar. – Estava apenas imaginando que o centro especializado lhe acolheria melhor...
– Rá! – Minos bufou se levantou da maca não sem um esgar de dor – Eu poderia tirar essas coisas com uma pinça Senhor Patriarca, no espelho do meu dormitório! Não preciso da sua preocupação. Não precisa agradecer por ter lhe salvo a vida é o meu trabalho.
Minos estava verdadeiramente furioso. Não acreditava no que descobrira e também a sensação de impotência com relação à Aiacos o deixava com raiva, mesmo que soubesse que não havia muito a fazer. Mas descobrir que o homem por quem Aiacos nutria um amor quase doentio e que lhe abandonara no pior momento, era seu grande ídolo o deixava furioso. Sempre admirou O Patriarca, por tudo que ele havia feito pela Nova Terra, por todo o esforço de sobrevivência. Nas poucas vezes em que se cruzaram Minos nunca deixava de admirar aquele homem que achava acima de qualquer julgamento porque imaginava que Hades era o mais humano dentre muitos ali. Mesmo que recentemente Albáfica fosse aquele que lhe despertara o desejo pela primeira vez de construir algo, nutria secretamente por Hades um sentimento platônico que guardava a sete chaves e que agora parecia vil, porque amava alguém sem coração assim imaginava.
"Mas que insolência!" pensou Hades consternado. O que teria acontecido para... Então lembrou do ocorrido nas ruínas de Londres, as palavras de Garuda para ele e na expressão de Minos. Estava claro que ele chegara rápido a conclusão de que era Hades o amante de Aiacos.
– Minos... – Hades levou no braço do híbrido que se retesou ao toque e Albáfica olhou estarrecido para os dois sem entender aquela conversa. O médico olhava para a mão de Hades em Minos. Desde quando o Patriarca tocava nas pessoas? Ainda usando aquele tom amigável e aquela intimidade ao dizer-lhe o nome?
– Capitão Griffon volte a sentar na maca. – interrompeu o idílio com rispidez – Vou levá-lo à cirurgia.
– Cirurgia?! – exclamaram os dois ao mesmo tempo e Albáfica perdeu o controle de vez.
–Senhores já chega! Vocês estão dificultando o meu trabalho agora se vossa excelência nos der licença vou preparar o capitão para a cirurgia.
Hades se recompôs e lançando um último olhar a Griffon e se foi com os seus seguranças, Albáfica mesmo empurrou a maca de Griffon quando este se deitou e foi para o bloco cirúrgico com o "paciente".
Shura e Kannon que estavam por perto olhavam tudo de soslaio.
– Albi com ciúmes. – comentou Kannon voltando aos medicamentos que preparava – Tá algo que não se vê todo dia.
– O Patriarca interagindo com um híbrido é o que nunca se vê. – Shura comentou de passagem terminando o curativo no paciente sedado – Ah você resolveu aparecer Kannon Papadoupolos.
– Eu sempre estive aqui. – tentou desconversar o geminiano, Shura soltou um risinho
– Não se faça de desentendido, vou relatar sua falta.
– Eu precisei resolver algo urgente!
– Sei! – Shura cruzou os braços musculosos sobre o peito – Um problema alto, loiro com olhos dourados misteriosos...
– Eu não tenho culpa se vocês são irresistíveis. – Kannon deu de ombros, já sabia que não adiantaria negar agora que Shura descobrira sua "escapada". Seria sua terceira suspensão aquele mês e Saga ia tirar o seu escalpo.
– Somos? – Shura sorriu malicioso – Espero que essa “não resistência” seja de família.
– Nós podemos negociar isso.
– Está vendendo seu irmão por meu silêncio subtenente? – Shura olhou Kannon pelos olhos semicerrados .
– Estou apenas dando uma mãozinha. – piscou Kannon malicioso e Shura teve de rir.
Aquela Intervenção era cheia de pervertidos, pensava Shura e Kannon pensava com seus botões que se conseguisse juntar aquele espanhol de sorriso arrasador ao irmão, Saga deixaria de pegar no seu pé.
***
– O que houve entre você e o Patriarca?
Albáfica tirava os estilhaços de bomba das costas de Minos em silêncio até aquele momento, mas aquela pequena discussão entre o capitão e o Patriarca estava lhe incomodando. Mentira sobre a cirurgia, não fora preciso embora tenha feito questão de ir para uma sala isolada com Minos e ele mesmo cuidar do híbrido.
– Nada. – Minos respondeu em voz abafada, estava de bruços com a cabeça apoiada nos braços – Eu só o acho um escroto, só isso... Albi, você sabe que ele era o namorado do Aiacos? Era ele o companheiro que o Aiacos disse que o abandonou. – concluiu num sussurro.
Albáfica largou as pinças e pousou os olhos claros no rosto parcialmente coberto pelo braço forte. Aquela nova informação era realmente surpreendente,mas explicava muita coisa.
– O Aiacos disse lá... Ele está caçando o Patriarca e eu não o culpo, talvez eu fizesse a mesma coisa. Ele é um escroto Albáfica! Simplesmente não se importa... Você acha que alguém que abandona assim quem diz amar só porque ele se tornou um híbrido tem algum sentimento bom?
– Você queria que ele tivesse Minos? Sentimentos por Aiacos ou por você? – Albáfica perguntou ríspido. Estava percebendo algo ali? Minos queria que o Patriarca o notasse além de uma cobaia? A raiva cresceu em si que o surpreendeu – ACORDA MINOS! Ele é o Patriarca, vocês são cobaias e se não fosse isso seriam mortos! Quantas vezes eu já não falei que vocês estão aqui para cumprir ordens, são soldados foram criados para a guerra e mais nada!
– Você faria a mesma coisa Albáfica? Faria algo assim? – perguntou Minos sério e Albáfica entendeu o que ele quis dizer.
– Minos... Você cria expectativas de algo que não vai acontecer. Acha mesmo que a guerra vai acabar assim? Não seja tolo, nós estamos nisso há tempos e só o que melhora é o jeito de nos defender.
– Você está usando a guerra como desculpa.
– Ah então você quer que eu fique brincando de playground como esses caras aqui da Intervenção fazem? Eles são estúpidos eu não Griffon! Eu sou um geneticista renomado que depois que toda essa merda acabar vou ter a minha tese sendo aclamada por todo o globo terrestre – Albáfica fez um gesto de desdém – E mesmo que o projeto não tenha dado certo com Aiacos, deu certo com vocês. Isso significa que eu tenho duas cobaias sadias e perfeitas para mostrar o quanto a minha tese é perfeita!
– Então é isso que eu sou para você Albáfica? Uma cobaia?
Ficaram em silêncio ainda se olhando, havia mágoa nos olhos violáceos de Minos, mas ele nada disse e nem interpelou mais o geneticista, o silencio do grego lhe disse tudo. Albáfica terminou os curativos e preparou e preparou um injetável sedativo para o capitão.
– Vou sedá-lo para que você descanse e não se mexa muito para não comprometer os curativos. Há H1613 no soro então você estará novo em folha amanhã de manhã.
Depois de aplicar o sedativo Albáfica saiu para chamar outro enfermeiro ordenando que levasse o capitão Griffon, mas acabou seguindo os dois para a enfermaria. Minos foi colocado na enfermaria dos oficiais que possuía dois leitos, o outro estava ocupado por Shaka que tinha o sono velado por Mu. O indiano estava sob observação por causa da concussão. Enquanto observava o enfermeiro ajeitar Minos, Albáfica olhava também o zelo e o carinho que Mu dispensava ao namorado. Tinha inveja deles admitia, mas achava que aquele tipo de relação fadada ao fracasso e sofrimento por isso evitava a todo custo.
– Com licença. – Hades entrou na enfermaria e todos se empertigaram a chegada do governante que a um gesto dispensou as continências e se aproximou da cama onde Minos estava adormecido.
Hades fitou o soldado adormecido admirando o perfil de Griffon suavizado pelo sono, deixando a face jovem ainda mais bela sem aquela inexpressão fria que o hibrido usava usualmente. Pouco vira os híbridos depois que deixara o comando do projeto a cargo de Dégel, depois dos primeiros problemas com Aiacos, Hades achou que sua presença direta no projeto prejudicaria o mesmo então resolveu se afastar. Apesar de a primeira intenção ser de salvar seu grande amor, o ingresso de Aiacos no projeto se mostrou uma catástrofe.
– Estão todos dispensados, inclusive o senhor Dr. Magnusson. – disse Hades com os olhos ainda em Minos.
– O paciente está sedado senhor e vai dormir por toda a noite... – ousou ainda Albáfica com o estranho desejo de afastar Hades dali.
– Não pedi sua opinião. – Hades olhou em volta e até Mu entendeu que ele queria ficar sozinho com o Minos, então achou melhor intervir.
Deixou um beijo na testa de Shaka e foi até Albáfica já que o enfermeiro ao primeiro sinal do Patriarca havia saído. Albáfica se deixou levar por Mu chocado demais para pensar em fazer outra coisa. O que o Patriarca queria com Minos?
Na enfermaria Hades se permitiu um suspiro cansado. Sentia que precisava se explicar à Minos, mesmo que não entendesse o porquê daquela necessidade. Por que se justificar àquele garoto? Não se justificara ao próprio filho então porque a opinião daquele hibrido de olhos enfeitiçados e sedutores era tão importante?! Estava acostumado aquele sentimento de adoração e respeito que os soldados tinham pela sua figura, mas Minos o olhava de forma diferente e talvez fosse isso que mexesse com ele de um jeito que Hades não entendia.
– O que está fazendo aqui? – ouviu a voz um tanto grogue do Capitão e se surpreendeu, Minos ficou de lado para olhar melhor Hades ainda que estivesse com os olhos baços.
– Dr. Magnusson disse que você estava sedado.
– O sedativo é leve demais, minha condição hibrida queima o remédio com mais rapidez do que em uma pessoa normal. – explicou Griffon, Hades se sentou na poltrona próxima a cama olhando o rapaz ferido – Eu não vou apagar só ficar meio grogue, o que não me impede de perguntar de novo. O que está fazendo aqui?
– Sinceramente não sei, mas precisava vê-lo. Sei que está pensando um monte de coisas sobre mim e não o culpo. – Hades se recostou no espaldamar os olhos cinzentos ainda em Grifon — Só queria a chance de me explicar. Sei que não preciso mal nos conhecemos, mas ainda sim quero.
– Se acha que não precisa então vá embora! Não me deve nada a quem deve está muito longe do seu alcance.
– Vocês eram muito amigos? Você e Aiacos?
– Não deu tempo! Ele surtou assim que saiu do procedimento da combinação e foram mais três procedimentos até que ele ficasse instável, mas aí ele era mais Engie que humano e o que você espera de alguém assim? Você o deixou lá para morrer... – Minos suspirou fechando os olhos, precisava se manter acordado.
– Eu o integrei no programa justamente para que ele pudesse sobreviver! Só não imaginava que a sua captura pelos Engies tinha acabado com a sua razão... Eu pessoalmente fui tirá-lo do Covil em Tókio acha mesmo que eu queria que ele morresse? Achei que estava fazendo o certo integrando-o no programa e como eu sabia do sucesso que havia obtido com você e Radamanthys as minhas esperanças eram de que Aiacos também pudesse ficar bem... – Hades respirou fundo apoiando os cotovelos nos joelhos – Minos ele foi meu companheiro por seis anos, era mais do que isso e eu o amava profundamente.
– O amava?
– Acha mesmo que eu ainda posso acreditar que aquela criatura que nos atacou nas ruínas era o meu Aiacos? A pessoa que eu partilhei a minha vida? – o sorriso que tomou os lábios finos e bem feitos do governante era triste – Aiacos morreu no dia em que eu o coloquei no HIBRIDOS e tudo que sinto com relação a ele é culpa! Percebi isso no momento que o vislumbrei ter aquele ataque na base do Cinturão do Norte, você viu estava lá!
Ambos os homens ficaram em silencio, Minos refletindo nas palavras do Patriarca e se sentindo um tanto culpado por tê-lo julgado sem conhecer sua versão da história. É bem verdade que Aiacos foi um problema desde que acordou da combinação e que Minos não o conhecia antes disso, talvez o que aquele homem torturado pela culpa à sua frente estava dizendo fosse verdade.
– E porque me explicar tudo isso?
Hades olhou para o lado um tempo e depois de ponderar o que iria responder, virou-se para Minos e decidiu falar a verdade.
– Por que me incomoda que pense mal de mim, que me odeie. Não tenho algo para justificar isso, só sinto.
Não havia nada para justificar, mas o sorriso que Minos lhe presenteou mesmo que parecesse um tanto incerto era luminoso e pareceu aquecer seu coração de forma inexplicável como tudo em relação aquele hibrido. Sentia que traia Aiacos, mas não conseguia evitar que aquilo acontecesse.
***
– Nós vamos reforçar a segurança nos portões A e B e arredores da floresta, – Milo indicou os pontos no mapa gráfico na mesa computadorizada – aqui e aqui. Quero soldados experientes aqui, nada de recrutas. Está todo mundo de sobreaviso, acabou a folga.
– E as operações de rastreamento dos Engies? – Ikki indagou Dégel.
– As divisões de Combate Aéreo, marítimo e terrestre estão tomando conta disso além das Brigadas de fronte do esquadrão de elite do Patriarca. Para segurança vamos permanecer aqui na Intervenção com o Patriarca, a srta. Kido e o sr. Solon concordaram que se Aiacos estiver vivo aceitamos que ele está atrás do Patriarca e se formos para a capital colocaremos a vida de milhões em risco.
– Eles estão usando o Presidente como isca? – Máscara arqueou a sobrancelha trocando olhares com Ikki e Milo – E sobrou pra gente garantir a segurança dele? Isso vai dar merda!
– Ordens. – Milo estalou a língua.
– Deixe que Aiacos venha, eu ainda tenho algo pendente com o Capitão Garuda. – Ikki riu de lado e estalou o pescoço, Dégel procurou o olhar de Milo que apenas deu de ombros – A única coisa que quero saber é se vamos apenas capturá-lo ou podemos resolver tudo por aqui.
– Morto. – O General Savalas foi incisivo o que deixou Ikki e Ângelo muito felizes a julgar pelos sorrisos felinos que moldaram os rostos de ambos. Amamiya ainda não engolira o ataque de Hyoga e a emboscada em Atenas, sentia que Aiacos estava lhe devendo. Máscara só queria ver aquele híbrido trucidado.
– Você não...
– Meu regimento, minhas regras Chateaubriand! Eu quero aquele filho da puta morto, chega desse inferno por conta desse hibrido maldito. – Milo respirou fundo e tirou o quepe – Chega de experiências loucas, de mortes! A guerra acabou e espero que nossa última missão pra valer seja livrar a Nova Terra de Aiacos Garuda.
Dégel olhou para os soldados ao seu redor e suspirou derrotado. Não adiantaria nem o pai argumentar agora, sabia que Milo estava certo, conhecia a tática de menores danos muito bem w depois do último ataque à Hades duvidava que Aiacos pudesse ser apenas capturado, era obvio que ele era uma ameaça ao Patriarca da Nova Terra.
– Está acionando o toque de recolher as oito e estado de prontidão. – Ângelo tomou a frente dos preparativos internos, era muito prático e Milo confiava plenamente nele –Vamos separar os soldados em grupos e revezá-los para os treinamentos. Ikki formará seis grupos e quero um híbrido em cada um, vou solicitar ao Major Aguille acompanhamento dos treinamentos dos grupos com os híbridos. Aquele espanhol deve ser mais do que aquele rostinho bonito.
– Deixa o Afrodite ouvir isso. – Milo gracejou.
– Estamos tentados a convidá-lo para uma festinha de comemoração depois da captura do Aiacos. – Máscara lambeu os lábios malicioso.
– Cristo vocês são tão pervertidos! – Dégel revirou os olhos.
Ikki depois de passar as instruções de treinamento e dividir os grupos para os pavilhões foi para o seu pavilhão planejando uma ducha quente e procurar o seu loiro que não via desde os testes. Não estava preocupado com um possível ataque de Aiacos, estava até ansioso para que assim fosse.
Chegou ao pavilhão e encontrou Hyoga encostado na pilastra do pavilhão dos oficiais olhando a noite escura com uma expressão taciturna. Ao perceber que o moreno se aproximava, Hyoga sorriu para o Ikki.
– O que você não atende sobre "o toque de recolher se inicia agora, todos os soldados para os seus dormitórios". – Ikki enlaçou o loiro pela cintura e deu um beijo estalado nos lábios avermelhados.
– Vai me punir por desobedecer Major Amamiya? – o loiro sorriu junto aos lábios do moreno.
– Gostaria imensamente e você tem muita sorte por meu turno começar em algumas horas. Teria muito prazer de puni-lo de forma severa.
– Severa... – Hyoga disse languidamente, a mão escorregando sobre o membro de Ikki –
Gostaria de vê-lo tentar Major.
– Vamos embora daqui porque eu preciso de um banho e a minha cama. Uma massagem não seria mal também.
– Vou ver o que posso fazer. Vá para o banheiro e me espere lá, vou pegar algumas coisas.
Em alguns minutos Ikki apreciava os benefícios da água quente relaxando os músculos e aliviando a tensão. Apoiou-se na parede e deixou que o jato quente passasse nos músculos firmes dos ombros até que sentiu alguém entrar no banheiro.
– Até que enfim! Nada de sexo... – as palavras morreram no major ao ver o que atravessava o banheiro em sua direção em um passo arrastado e pesado.
Uma sirene soou pelo pavilhão, mas Ikki permaneceu com os olhos fixos na criatura que estava prestes a lhe atacar. O corpo humanóide possuía uma pele escorregadia como das rãs, os olhos totalmente negros eram ovais, mas a boca era grande com varias fileiras de dentes afiados que se abriam em uma bocarra horrenda e de onde saia um sibilar estridente.
Três tiros ecoaram pelo banheiro quase vazio e Ikki viu depois que o corpo da criatura caiu guinchando. Hyoga se aproximou e descarregou a arma na cabeça da mutação enquanto jogava uma calça de moletom para Ikki.
– Ela te atacou?
– Não...
– Anda major, vista isso e desça que a intervenção está cheia de mutações! – Hyoga abriu um sorriso frio e cruel – E Aiacos está esperando por nós.
Fale com o autor