Notas iniciais
Gente ufa!!!! Vou confessar que: Tive maior block da minha vida, nem sei se posso chamar de block porque eu só estava desanimada mesmo. Queria dedicar o capítulo aos leitores que deixaram review no caps passado, a Blind e a sheilinha que cobraram pela atualização. Meninas obrigado pela força.

I won't stand in your way

Let your hatred grow

And she'll scream

And she'll shout

And she'll pray

And she had a name

Yeah she had a name

And I won't hold you back

Let your anger rise

And we'll fly

And we'll fall

And we'll burn

And no one will recall

No one will recall

Eu não vou ficar no seu caminho

Deixe seu ódio crescer

E ela gritará

E ela vai berrar

E ela irá rezar

E ela tinha um nome

Sim, ela tinha um nome

E eu não te reprimir

Deixe sua raiva se elevar

E nós voaremos

E nós cairemos

E nós queimaremos

Ninguém se lembrará

Ninguém se lembrará

Stockholm Syndrome – Muse

Pandora abriu os olhos e continuou a não enxergar nada em meio a escuridão em que se encontrava, o cheiro de podridão e coisa velha que chegava as suas narinas fazia seu estomago revirar. Tentou se erguer e seus ossos doloridos protestaram, mas mesmo assim continuou até conseguir ficar parcialmente em pé com a ajuda da parede. Precisava sair dali.

Quando conseguiu se por em pé Pandora viu a luz invadir o cômodo apertado e a silhueta de Aiacos e por instinto se encolheu junto à parede na vã tentativa de não se fazer notar. O hibrido não precisava de subterfugio para enxergar na escuridão e não teve dificuldades em alcançar a mulher saindo com ela do cubículo fétido aos tropeções, Aiacos não fazia questão de ser delicado.

A segundo-tenente piscou para acostumar os olhos à parca claridade e verificou que estavam em uma rua estreita e cheia de escombros, uma olhada para o céu estrelado e alguns cálculos rápidos e Pandora deduziu que estavam na velha Londres. Tremeu ao constatar isso porque há muito que a antiga Londres era amontoado de escombros e um ninho de mutações e Engies, mesmo que a ofensiva mundial tivesse dado cabo dos centros de controle dos alienígenas, não era seguro ainda voltar para as cidades.

Chegaram ao que era antes o palácio de Buckingham e que agora eram apenas destroços de uma base Engies. Pandora Bellow tampou a boca para sufocar um grito ao ver os Engies surgirem sob a luz da imensa lua dos destroços e Aiacos ficou parado vendo-os se aproximar, um esgar insano se via no rosto do hibrido.

Um Engie com a MARCA ficou frente a frente com o hibrido encarando-o com sua face humanoide, o corpo desproporcional e enorme, ainda maior que o do hibrido. Os olhos totalmente negros brilharam na escuridão e as mãos com dedos longos e garras tocaram na face de Aiacos que trincou o queixo ao sentir o corpo vibrar com o toque do alienígena.

Os outros Engies circundaram Pandora que se arrastou no chão, mas estacou quando o círculo se fechou sobre ela. Não haveria como lutar contra tantos, eles iriam trucidá-la.

O grito de Pandora cortou a noite quando os Engies avançaram sobre a mulher enquanto a gargalhada de Aiacos se misturava aos urros dos alienígenas transformando tudo em uma sinfonia de terror.

***

Hyoga abriu os olhos em meio ao sono e Ikki ao seu lado se remexeu ao perceber os movimentos do russo, se erguendo apoiado em um cotovelo ainda tonto de sono para olhar o loiro que se sentava ao seu lado na cama estreita. Quase pulou da cama ao ver o brilho azul nos olhos de Hyoga e então segurou o russo pelos ombros e o sacudiu, o sargento começou a murmurar em uma língua diferente até que Ikki o sacudiu novamente gritando.

– Hyoga! – gritou Ikki.

– Os Engies Ikki! – o loiro sussurrou com os olhos arregalados, mas já havia voltado ao seu normal embora seu olhar estivesse cheio de assombro – Aiacos está com os Engies!

***

No dormitório do General, Camus sufocava em meio ao sono e Milo precisou sacudi-lo para despertá-lo. O ruivo fincou as unhas curtas nos antebraços que o sacudiam e abriu os olhos que brilhavam ferozmente e Milo se assustou.

– Argh Camus! – gritou o General e Camus pareceu voltar a si, piscando os olhos que voltavam ao normal. O francês balançou a cabeça como que acordando de um pesadelo voltando a olhar Milo que estava totalmente confuso.

– Milo... – Camus baixou os olhos para os sulcos nos braços de Milo que ele próprio fizera – Me perdoe...

– Foi um pesadelo Camus. – Milo fez uma careta, mas tomou o rosto alvo entre as mãos grandes e beijou o francês – Tudo bem.

– Não eram pesadelos Milo... Aiacos está com os Engies!

– Quê?!

– Escuta Milo! – Camus segurou a mão de Milo e olhou o grego de modo incerto, mordendo o lábio vermelho até que por fim resolveu falar – Eu vi.

***

– Eles estão acionando as pessoas por toda a terra, mas por algum motivo nem todos responderam ao chamado.

Shaka tinha os olhos azuis arregalados cravados no tibetano a sua frente que contava isso aos sussurros, abraçado as próprias pernas. Mu tinha tal expressão de desalento que o indiano teve ímpetos de abraçá-lo e coloca-lo no colo, beijando os cabelos violáceos, aflito enquanto ouvia aquela história macabra.

– Por favor, Shaka não me odeie. – pediu Mu em lágrimas e Shaka só conseguia abraçá-lo mais forte junto ao peito largo.

***

– Nós vamos dar um jeito de contar isso a Milo sem falar de você belo. – Máscara beijou o rosto banhado de lágrimas do sueco e o apertou junto a si, também estava temeroso, mas faria de tudo para proteger Afrodite e não permitiria ninguém tocá-lo.

– Eles estão recrutando todo mundo, Aiacos se juntou a eles! Quantos de nós ainda existem por aí, não consigo senti-los o que será que aconteceu com os outros Mask?

***

Hades e sua comitiva desceram do jato presidencial no pátio do regimento da Divisão de intervenção sob o sol forte do meio dia para serem recebidos por todo o batalhão de quatrocentos homens e seus oficiais. O Patriarca vestia seu uniforme militar de combate completo lembrando os tempos em que ele liderava a ofensiva que revolucionária a guerra entre alienígenas e humanos. A calça negra com riscos finos vermelhos na lateral moldavam as pernas bem torneadas, por dentro a blusa negra de tecido maleável e por fora o abrigo negro com as insígnias de sua patente e condecorações, não usava quepe e os cabelos negros voavam soltos e caiam lisos sobre as costas largas.

“Corrupt,

You corrupt,

Bring corruption to all that you touch

Hold,

You behold,

And behold'en for all that you've done

Corrupto

Você é um corrupto

Traz corrupção para tudo em que você toca

Contemple

Você contemplará

E os contemplará por tudo que você fez”

Em sua comitiva vinham Dégel e Kárdia juntamente com outro Major de expressão sisuda e indecifrável, além de mais duzentos homens.

Milo se adiantou e cumprimentou o Patriarca com uma continência, os outros bateram continência também em uníssono. Além dos oficiais estavam Albáfica ainda na cadeira de rodas e o trio de híbridos em uma linha à esquerda de Milo.

– Seja bem-vinda excelência. – disse Milo.

– General como estão as buscas pela cobaia? – Hades não gostava de rodeios, era sempre direto e metódico e não estava ali para uma visita de cortesia. Mas apesar da frieza na voz semblante era cansado.

– Venha senhor, conversaremos na sala de reuniões.

– Ah sim. – Hades parou por um momento e indicou o major que vinha com ele – Esse é o Major Shura Aguille, o responsável...

– Pelo treinamento do sargento Romanov, já fomos informados. Excelência sem querer ser desrespeitoso, mas precisamos deixar as formalidades de lado agora por que temos assuntos mais urgentes a tratar e creio que a intervenção do Major Aguille seja primordial. – Albáfica interrompeu.

– Não se preocupe já identifiquei a situação. – o major recém-chegado disse. Usava o uniforme igual ao do Patriarca, definitivamente Aguille era espanhol a notar pelo sotaque cadenciado e as feições bem marcadas apesar disso, belas junto ao porte intimidador. O rosto viril e sério junto com os olhos castanhos insondáveis completavam um belo e exótico conjunto.

Andou até a linha de oficiais e ficou em frente a Camus, tocando-lhe levemente a fronte para surpresa do francês que imediatamente se retesou e ia retrucar algo quando Shura falou alguma coisa na língua Engies e então um brilho avermelhado surgiu nos olhos do Primeiro-Tenente Chevalier causando assombro a todos. Shura fez a mesma coisa com Mu e Afrodite para então voltar-se para Hyoga e voltar a falar na língua dos Engies ao qual o russo retrucou na mesma língua, os olhos brilhando. Até Albáfica estava estarrecido com o que presenciara.

– Você tem aqui doutor Magnusson, quatro híbridos originais. – explicou Shura enquanto andava na frente da fileira de homens – Uma porcentagem enorme se considerarmos que desde que começamos a procurá-los só encontramos dez espalhados pelo globo inteiro e eu me incluo entre eles. Quatro originais e aparentemente com defeito. – Shura deu um meio sorriso – Mas íamos à sala de reuniões não? Sugiro chamar seus oficiais e médicos para reunião, além dos híbridos é claro.

Milo dispensou o resto do pelotão e junto com os oficiais e Albáfica com os híbridos e o Patriarca e Dégel, juntamente com Kárdia e Shura, todos foram para a sala de reuniões.

– Continue a falar major. – exigiu o grego com seus olhos cravados no espanhol. Já não bastava ter descoberto aquelas coisas acerca de Camus ainda saber que o Governo sabia de tudo e não falara nada tornara tudo pior.

Todos estavam apreensivos, Mu estava teso ao lado de Shaka com seus enormes olhos verdes acompanhando o Major Aguille andar pela sala de reuniões. Afrodite tinha suas mãos seguras por Ângelo que mantinha uma atitude totalmente hostil como se estivesse prestes a avançar em alguém que tocasse no seu belo. Camus mantinha a fleuma, mas Milo sentia a tensão em seu corpo inteiro e quase esticou o braço sobre o ombro do ruivo, mas algo na atitude dele o fez recuar. Hyoga por sua vez permanecia calmo, já sabia que era um hibrido embora aquela novidade sobre híbridos originais atiçasse sua curiosidade.

Antes de começar a falar para a pequena plateia que ainda incluíam Ikki, Saga e Kannon; Albáfica, Radamanthys e Minos; Shura olhou para Hades e Dégel como que pedindo autorização que foi concedida com um aceno de cabeça. Kárdia permanecia à parte borbulhando em expectativa.

– Há muito tempo houve algumas táticas de guerra utilizada entre poderosas nações inimigas na antiga Terra – começou o espanhol – Uma dessas táticas, uma tática muito eficiente por sinal, era implantar células dentro do território inimigo. Essas células eram agentes “adormecidos” como podemos dizer preparados para entrar em ação a qualquer momento em caso de necessidade.

– Como os agentes infiltrados soviéticos?

– Sim sargento Romanov, como os agentes soviéticos. – Shura sentou-se à mesa de modo displicente – Esses agentes eram criados dentro do território inimigo e incorporados a ele em todos os níveis, às vezes eram treinados desde crianças! Eram acima de qualquer suspeita... Digamos que os Engies fizeram bem a lição de casa.

– Eles... – Afrodite se interrompeu quando Ângelo apertou suas mãos.

– Há dez anos uma intervenção da Brigada do Governo descobriu um covil secreto de Engies em Tóquio e dentre muitas coisas que encontramos lá, encontramos também planos de invasão alienígena além de experiências envolvendo humanos. – Dégel explicou tomando a narrativa para si – Elas foram o ponto de partida para o projeto HIBRIDOS. Mais tarde analisando o material encontrado e depois de todas as informações descobrimos também que o projeto Engies era ainda mais complexo do que o que achávamos, a combinação de DNA se dava ainda em embrião e muitos desses embriões se desenvolveram e foram enviados a Terra, se desenvolvendo em ventre de humanas.

Choque por toda a sala e os quatro, Mu, Camus, Afrodite e Hyoga se entreolharam aturdidos.

– Híbridos originais nós o chamamos. – continuou o espanhol – Homens e mulheres que cresceram no meio de nós como humanos normais, muitos nem sabiam de sua própria origem o que me leva a crer que o projeto tem uma falha enorme ou foi simplesmente abandonado. Eu mesmo só descobri que era um hibrido quando fui procurado na resistência espanhola e depois de todos os testes, embora no fundo eu soubesse que era um pouco “diferente”. – fez um gesto vago com as mãos – Nunca se perguntaram por que possuíam reflexos mais apurados, sentidos mais fortes? Aquela espécie de deja-vu em batalha? Garanto que cada um de vocês é o melhor soldado na sua equipe.

– Onde estão os outros híbridos? – questionou Camus em voz monocórdia.

– Mortos. – Shura retorquiu sustentando o olhar do francês sem se abalar com a comoção que sua palavra causou aos soldados. Shura era um soldado e muito objetivo, não gostava de subterfúgios – Todos que responderam ao chamado Engies há duas noites foram mortos. Foi uma medida preventiva para conter uma nova infestação.

– E porque você não foi morto Major Aguille? – Milo rebateu com desprezo. Estaria disposto a lutar até contra o Patriarca para manter seus amigos e seu ruivo vivo, não deixaria que ninguém tocasse neles.

– Por que estou com defeito! – Shura riu deliciado, parecia muito a vontade dizendo aquelas coisas e com o clima hostil que parecia emanar para ele – Assim como os seus amigos General Savalas, não se preocupe eles não precisam ser mortos.

– Que merda espanhol pare de enrolar e fale logo de uma vez o que aconteceu! Que porra de defeito é esse?! – Ikki enfim explodiu o que estava demorando muito na opinião de Saga e Kannon que se entreolharam complacentes.

– A ligação Engie foi cortada, ainda precisamos fazer alguns testes não posso dizer com precisão. Mas garanto que se eles não estão na velha Londres agora comendo carne humana, então não há nada mais a temer dos híbridos encontrados aqui no regimento.

– Shura comece os testes imediatamente e solicite tudo que precisar para Kárdia e Milo, ele tem carta branca para tudo ouviram?

– Ei calma lá! – Hyoga interrompeu o Patriarca que o olhou com uma sobrancelha arqueada. Estavam no meio de uma crise, mas aqueles rompantes de mau comportamento na divisão de intervenção iriam ser cobrados mais tarde por ele – Eu não posso ser um hibrido original porque eu só me tornei um hibrido depois da combinação! O Albáfica pode confirmar isso não pode?

– Encontrei apenas uma anomalia genética não identificável no DNA do Romanov, mas nada que indicasse que... – Albáfica começou a se explicar.

– Meu caro sargento você só se tornou um Gran Engie, um engie que usa a telecinese, por causa da sua condição primária de hibrido, caso isso não existisse você estaria morto. – Shura deu um meio sorriso de escárnio – No Cinturão do Norte tentamos fazer essa combinação trezentas vezes, trezentas tentativas trezentas falhas. Todas as cobaias morreram logo após a combinação!

– Quer dizer que ele não sabia que ia dar certo até o momento em que fez a combinação? – Dégel olhou Shura com os olhos arregalados, a sua indagação parecia ser de todos porque todos os olhares convergiram para o homem na cadeira de rodas que apenas deu de ombros e disse.

– Era uma experiência, precisávamos testar não é assim?

Imediatamente Ikki foi contido por Milo e Shaka que estavam ao seu lado, mas ninguém foi rápido o bastante para segurar o russo, nem os híbridos Radamanthys e Minos ou eles simplesmente deixaram que Hyoga desferisse um chute potente na cadeira de rodas fazendo Albáfica cair no chão num baque surdo. Todo mundo se olhou e entendeu que Milo e Shaka só seguraram o Amamiya porque com ele o estrago seria bem maior.

– General Savalas porque sua divisão parece mais um colegial de adolescentes rebeldes do que uma divisão do exército?! – Hades franziu o cenho e disse irritado indagando Milo com o olhar frio.

Minos e Radamanthys permaneceram impassíveis em posição de sentido, mesmo que o primeiro tivesse muita vontade de ajudar Albáfica que tentava se firmar com muito esforço no chão. O russo foi até o médico e o ergueu pelo colarinho.

– Eu vou estraçalhar você como o Aiacos fez comigo! – disse entredentes.

– CHEGA! – Dégel interveio e segurou o braço de Hyoga – Milo, por favor! – pediu.

– Queria ver você manter a ordem quando a sua divisão é tratada como cobaia de laboratório Patriarca! – Milo também não era conhecido por sua disciplina – Já não é suficiente morrer nas trincheiras enquanto vocês ficam sentados lá no Cinturão do Norte comendo e bebendo como se não tivéssemos aliens infestando nosso planeta?! Ainda preciso ter Albáfica Magnusson brincando de deus com os meus amigos, com a minha família?! Veja o que as experiências desse louco fizeram com Aiacos?! Diga-me Patriarca em que somos melhores que os Engies?

“And spell

Cast a spell

Cast a spell on the country you run”

“E enfeitice

Lance um feitiço

Lance um feitiço sobre o país que você governa”

“And risk

You will risk

You will risk all their lives and their souls”

“E coloque em risco

Você colocará em risco

Você colocará em risco todas as vidas e as almas deles”

– General Savalas você está se excedendo... – Kárdia tentou chamar Milo à razão, era seu papel de irmão mais velho embora concordasse com tudo.

– Foda-se! – para estarrecimento geral fora Shaka que soltara o sonoro palavrão, se até o sempre centrado Major Phalker estava soltando palavrões era sinal de que a indignação era geral e séria – Não importa ele está certo! Acha que ficaremos quietos e obedientes quando nossas vidas são menos que merda? Qual a finalidade disso?! Hyoga poderia ter morrido nesse maldito procedimento e ninguém dá à mínima! E ele quase foi morto por aquele lunático que agora se juntou aos Engies! – Shaka puxou a franja com irritação – Tudo uma imensa merda!

Ao contrário do que se esperava Hades não rebateu a nenhuma das acusações com palavras duras ou algo do gênero, ele apenas fitou a todos com um misto de cansaço e decepção. Decepção por si ou por todos ninguém saberia dizer. Um silêncio tenso e triste se estabeleceu na sala de reuniões, serviu para acalmar os ânimos mesmo que a revolta ainda permanecesse.

– Senhores sabem que nada do que eu diga justifique as coisas que aconteceram, não vou pedir a vocês que compreendam as atitudes do governo, só que entendam que tudo que fizemos foi para um bem maior. – disse enfim o Patriarca, reassumindo sua postura fria, mas havia certo abatimento em seu semblante – Só fiquem cientes que não foram os únicos aos quais foram exigidos sacrifícios.

– Bem vindo ao nosso mundo Patriarca. – Camus se levantou e se curvou num cumprimento cheio de ironia.

– Vamos dispensar todos hoje, é muita informação para um dia só. – Milo suspirou – Amanhã nós voltaremos a nos reunir.

– E quanto a Aiacos? – questionou Dégel olhando o pai de soslaio.

– Deixe que venha até nós Chateaubriand. – quem respondeu foi Shura – Sabemos que ele está na velha Londres e que seu próximo passo será voltar à intervenção. Deixe que venha, estaremos preparados, vamos cuidar para que os híbridos originais o recepcionem muito bem.

***

Depois que o Patriarca saiu com Shura e Kárdia, Albáfica também achou por bem não ficar no mesmo lugar que aqueles soldados enfurecidos, o resto dos oficiais da Divisão de Intervenção se permitiram respirar fundo e soltar o ar e a raiva contida.

– AQUELE FILHO DA PUTA! – Ikki arremessou a cadeira próxima na parede oposta – Eu devia torcer aquele médico de araque.

– Ficar furioso não vai resolver, nós temos que começar os testes logo e saber sobre... Sobre isso. – Mu suspirou pesadamente.

– Você nunca desconfiou?

– Não Shaka, eu nunca tive problemas, agia normalmente... – Afrodite e Máscara trocaram olhares apreensivos e Mu percebeu – Vocês notaram alguma diferença?

– Não. – Afrodite balançou a cabeça – Mas sempre tive sonhos horríveis e depois que os Engies chegaram ficou mais forte... Mas é só. – disse o sueco se aconchegando à Máscara.

– O Camus nunca foi um exemplo de simpatia, mas ele nem quando criança demonstrou qualquer indicio de que fosse diferente. – Dégel deu de ombros – Eu não estou acreditando...

– Nem desconfiava ruivo? – Milo passou o braço pelos ombros de Camus que corou e sem se importar com os outros em volta enlaçou o ruivo pela cintura, tascando um beijo estalado nos lábios vermelhos – Vai ficar tudo bem, eu não vou deixá-los tocarem em você.

– Vai ficar sim, principalmente quando eu esclarecer esse detalhe. – as aspas no tom de Dégel eram tão evidentes que era como se tivessem sido escritas no ar – Assim que eu e Milo nos livrarmos do planejamento para a captura de Aiacos porque eu e principalmente Hades não vamos ficar esperando aqui de braços cruzados como você e Shura querem. – Camus e Milo se afastaram, o primeiro com um rubor tão forte quanto os cabelos no rosto bonito – Mas eu vou querer saber que história é essa senhor Milo, vou sim!

– Ótimo e então você aproveita para me contar como seu melhor amigo, se tornou seu namorado e você não teve a decência de me contar para agora estar exigindo satisfações da minha vida como se tivesse pleno direito. – Camus rebateu mordaz e Dégel enrubesceu se de raiva ou de vergonha não se sabia, mas os olhos verdes ficaram arregalados diante da resposta atravessada do ruivo que se afastou de Milo e recolocou o boné do uniforme se dirigindo a porta sem falar com ninguém.

– Eu vou atrás dele. – Milo começou a dizer, mas foi impedido pela mão de Shaka no seu braço.

– Deixe-o sozinho, temos trabalho a fazer. – disse para o grego, mas seu olhar estava em Mu que entendeu e foi atrás do ruivo – Ikki e Máscara, vamos nos reunir ao Patriarca e decidir a operação de amanhã, o resto está dispensado. Ngapoi, Strauss e Romanov procurem Chevalier e fiquem juntos até que o Major Aguille mande chama-los, acredito que os testes se iniciem ainda hoje. Marin vai supervisioná-los não se preocupem.

– Você devia ser o general desse regimento Phalker. – comentou Ikki dando um beijo na testa do russo e seguindo o indiano e o italiano que se despedia também de Afrodite – É mais sensato do que todos nós.

– Ainda bem que reconhece. – disse Shaka um tanto arrogante e Ikki revirou os olhos.

Em seguida todos saíram da sala de reuniões, Kannon deixou que todos saíssem e antes que Radamanthys se fosse puxou o inglês pelo braço.

– O que pensa que está fazendo? – murmurou Radamanthys o olhando de canto de olho, Kannon riu de lado e em seguida puxou o hibrido pelo corredor oposto ao que todo mundo tomara. Saga observou as ações do irmão com um olhar reprovador.

“O que esse idiota está aprontando?” mordeu o lábio apreensivo e depois seguiu os outros.

***

Shaka voltou ao alojamento no fim da tarde cansado e tenso pela missão que tinham logo cedo. Acertara os detalhes com o próprio Patriarca que lideraria a operação pessoalmente, tanto que escolheu os homens que quis e isso significou quase ninguém do regimento. Só Milo e ele foram escolhidos, o que era uma pena porque o indiano preferia ficar no regimento ao lado de Mu quando os testes começassem.

Encontrou o tibetano enxugando os cabelos naquele tom exótico violáceo em frente à janela pequena do quarto que dividiam agora, quarto do major Shaka Phalker, vestido apenas com a calça de moletom dos treinos. Sem dizer nada o indiano enlaçou a cintura estreita de Mu e juntou os corpos em um abraço aconchegante, afundando o nariz nos cabelos molhados e cheirosos.

– Você está bem?

– Você está? – Mu acariciou os braços em volta de si – Já soube da missão amanhã, embora não veja no que vai adiantar... Aiacos virá até aqui, ele espera a oportunidade de confrontar o Patriarca e será aqui, na Intervenção.

– Vamos pelo menos resgatar Pandora. – Mu se virou nos braços do namorado olhando naqueles olhos de céu tão plácidos que agora estavam cheios de pesar e refreou o que ia dizer. Ele, Afrodite, Camus e Hyoga concordavam que aquela altura não havia salvação para Pandora infelizmente.

– Quero saber como você se sente. – Shaka acariciou o rosto delineado de Mu com os dedos longos, olhando naquela imensidão verde para tentar descobrir o que o outro estava sentindo realmente.

– Estava com medo que você me rejeitasse. – confessou Mu baixando os olhos e abraçando Shaka – Medo de perder você quando soubesse que eu sou...

– Shiu... – Shaka levantou o rosto de Mu e tomou os lábios carnudos em um beijo a mão grande enredando-se pelos cabelos da nuca do tibetano, encaixando-se para que Shaka degustasse daquela boca como quisesse e desejava. Queria mostrar que nada mudara que ainda amava e desejava Mu com a mesma intensidade de antes e que descobri-lo também um hibrido não mudara nada entre eles. Que importância tinha aquilo uma vez que ele conhecia a alma e o coração daquele tibetano como a si próprio?

Mu gemeu em meio ao beijo seus dedos inquietos desabotoando o uniforme de Shaka que o estreitava junto a si.

– Não precisa ter medo Mu, eu amo você. – disse Shaka e o ariano deu um sorriso lindo e radiante, o olhar brilhante de emoção.

– Quero você. – Mu mordiscou o queixo afilado e passou a língua pelo pescoço de Shaka que gemeu apertando a carne dos quadris sobre o moletom.

Afastaram-se apenas para se livrar das roupas, o corpo forte de Shaka se sobrepôs ao de Mu e os fios de sol fizeram uma cortina iluminada pelos raios avermelhados da tarde à esquerda deles. Shaka ainda com os olhos cravados no rosto de Mu começou uma trilha de beijos sensuais e lentos pelo corpo delgado e alvo abaixo de si, fazendo Mu se contorcer e gemer deliciado.

Shaka ficou de pé e começou uma exploração lenta que ia desde os dedos dos pés alvos aos quais sugava lentamente até a panturrilha que percorria com a língua deixando um rastro quente. Mu gemeu arqueando o corpo deliciando também os ouvidos do major Phalker.

Quem poderia imaginar que o rígido e um tanto arrogante Shaka Phalker poderia ser aquele amante ardente e sensual Mu sempre se perguntava. Começaram de forma tão boba e divertida, apenas uma carona ao ver que Milo e Camus pareciam estar se entendendo e logo conversar com Shaka era a melhor hora do seu dia. Então veio mais um convite para sair do regimento e enfim a paixão veio tranquila e lenta como era da natureza daqueles dois homens, mas nem por isso deixou de ser avassaladora.

Os lábios de Shaka brincavam agora com a pele sensível da virilha do tibetano que tinha as unhas fincadas nos ombros largos do loiro e então um gemido alto ressoou no quarto quando Shaka tomou o falo de Mu inteiro na boca de uma só vez, sugando a carne turgida com voracidade. Mas Shaka não se demorou ali, queria provar cada centímetro de pele daquele ser que lhe fazia perder os sentidos.

Mu estava febril de desejo, queria logo e parecia-lhe que Shaka gostaria daquela deliciosa tortura por muito tempo ainda. Com um movimento rápido e firme puxou o indiano para ficar sobre si e enlaçou as pernas na cintura estreita, fazendo-os mudarem de posição. A risada grave de Shaka se fez ouvir ao perceber o quanto Mu estava ansioso para tê-lo dentro de si, enquanto as línguas se tragavam em um beijo intenso Mu ondulou os quadris, as nádegas roliças roçando sobre o falo de Shaka instigando-o a penetrá-lo.

– Vem! – pediu Mu em um sussurro angustiado, se posicionando sobre o falo, Shaka segurou-lhe os quadris a preocupação da não preparação em seus olhos claros. Mas Mu não aguentava mais esperar! O queria!

Lentamente, com o lábio inferior preso nos dentes, Mu desceu sobre o falo hercúleo sentindo-o abrir caminho pelo seu corpo e a dor se misturar com o prazer de ter Shaka daquela maneira. Concentrou-se e expirou várias vezes para livrar-se do incomodo enquanto Shaka mordiscava seus mamilos, a língua provava sua pele e as mãos do indiano acariciavam seus quadris. As carícias levando pouco a pouco a sensação da dor embora e ficando a urgência do desejo.

– Shaka... Eu preciso... – ofegou Mu quando Shaka ondulou os quadris e Mu fechou os olhos apoiando-se na barriga do loiro com as mãos, Mu começou a se mover de forma lenta e sensual, os olhos verdes se abriram para fitar os olhos de céu nublados pelo desejo e ambos trocaram um sorriso.

– Aaahh! – Shaka jogou a cabeça para trás quando Mu começou a acelerar o ritmo, sentindo se perder nas sensações avassaladoras que sempre sentia quando estavam juntos.

Olhava em livre arrebatamento o amante de olhos fechados e os longos cabelos violáceos jogados para trás enquanto subia e descia sobre o falo que o golpeava quase de forma furiosa, os gemidos de ambos se misturavam pelo quarto até que Shaka deitou Mu na cama e com mis algumas estocadas firmes Mu chegou ao clímax e Shaka também se derramando dentro dele e o tibetano entre os corpos suados e marcados pelo prazer que ambos compartilhavam. Shaka deixou-se cair sobre Mu que o abraçou entrelaçando as pernas e os braços unindo ainda mais os corpos, o indiano afundou o rosto na curva do pescoço delgado de Mu e deixou-se ficar ali aconchegado.

– Eu amo você, não importa o fato de você ser um hibrido ou não. – Shaka saiu do seu lugar confortável para fitar o rosto de Mu que fitava o teto, os dedos brincando com as mechas douradas.

– Eu amo você. – Mu o fitou – E quando tudo isso acabar eu quero ir embora daqui e ter uma vida com você, quando a guerra acabar. Você vem comigo?

– Tem certeza? Vai conseguir uma vida inteira Mu?

– Podemos tentar – Mu revirou os olhos e Shaka riu o outro acabou por rir também. Fariam planos sim, porque não ter esperanças em um amanhã melhor?

Milo procurou Camus por muito tempo até achá-lo na sala de treinos praticando muay thai sozinho. O General atravessou a sala vazia e sentou na beira do tatame fitando o seu ruivo golpear o saco de areia com as pernas longas vestidas na calça de tactel azul. Eram pernas poderosas Milo gostava de notar o modo como elas se entrelaçavam a ele quando eles faziam amor, o mesmo agora quando o via golpear o saco de areia com tanta fúria. O grego se perdia olhando as formas firmes dos músculos delgados, do quadril estreito da bunda firme e roliça... Era muito belo o seu ruivo.

Definitivamente seu. Dégel lhe dera um sermão da montanha sobre namorar seu irmão, que Camus mesmo que tivesse crescido nas divisões de treinamento não era qualquer um e que Milo se veria com ele caso magoasse Chevalier. Tivera que ouvir tudo isso com o som de fundo da risada de Kárdia que estava achando tudo aquilo muito divertido.

Camus parou seus movimentos e fitou o grego jogado no lado do tatame de forma displicente, o uniforme do General Savalas havia sido trocado pela roupa de treino e isso significava que aquele grego vaidoso e exigente havia se banhado e perfumado como Camus gostava. A vaidade de Milo era uma das coisas que Camus adorava embora não admitisse do quanto gostava do cuidado que Milo desprendia àquele corpo e rosto perfeitos, da perfeição dos cachos loiros... Era piegas demais admitir que estivesse amando aquele grego arrogante e egocêntrico também.

– Chega de socar esse saco ruivo, vem aqui. – Milo chamou e Camus foi se sentar ao lado dele não confiante para tentar algo mais íntimo visto que estava suado – Porque tão longe Camus?

– Eu preciso de um banho.

Milo revirou os olhos e num movimento fluido jogou Camus no chão e ficou sobre ele, um sorriso arrasador bailava nos lábios cheios.

– Sabia que eu recebi um sermão de mil dias do Dégel por causa de você?

– E?

– Achei que deveria saber. – Milo começou a distribuir beijinhos delicados pela face corada do ruivo – Não acha exagero demais?

– Acho. – disse Camus deslizando os dedos pelo cabelo comprido de Milo – Mas acho que você merece também.

– Assim você me magoa. – Milo puxou o lábio inferior de Camus com os dentes delicadamente e isso levou fisgadas ao baixo ventre do ruivo – Que tal uma transa de boa sorte ruivo? Vamos atrás do Aiacos amanhã.

– Sem necessidade porque ele está vindo para a Intervenção, devíamos esperá-lo aqui. – Camus estalou a língua e Milo continuou com os beijos agora descendo pelo pescoço e ombro, as mãos por baixo da regata preta de Camus – Pandora está morta, não á muito que fazer.

– Sabia que o Hades é o amante que deixou o Aiacos depois da combinação? – Milo parou tudo de repente e Camus arqueou a sobrancelha àquela interrupção e ao que o grego dizia – Sim, Kárdia me contou. Parece que Hades quer pegar Aiacos, capturá-lo para tentar salvá-lo.

– Não acho que vá adiantar alguma coisa agora que ele está com os Engies... Hades teve sua oportunidade e perdeu.

– Acho que ele não deve perder as esperanças Camus. – eles se levantaram, Milo puxou o ruivo para junto de si olhando enigmaticamente – Se fosse você eu não perderia.

– Se for eu Milo, você vai me matar. – Camus pediu olhando firmemente naqueles olhos azuis tempestuosos – Me prometa Milo, que se eu sucumbir aos Engies você me matará e não permitirá que eu seja usado por eles.

– Não vai acontecer Camus...

– Me prometa Milo! – o francês pediu entredentes e Milo viu no olhar dele medo. Tomou o rosto afilado entre as mãos morenas e Camus deixou que as suas cobrissem as de Milo.

– Eu prometo que não vai acontecer! Juro pela minha vida que não permitirei que você se esqueça de quem é que é meu ruivo, Camus Chevalier! Que é humano antes de qualquer coisa! Isso eu juro!

Beijaram-se, Camus aflito e temeroso pelo futuro nebuloso que tinha pela frente, Milo angustiado por saber que Camus estava tão angustiado daquela maneira. Se ele era tão forte e duro na queda estava apreensivo, como ele Milo ia ajudá-lo. Só tinha certeza de uma coisa: Que ninguém, sejam os Engies ou qualquer um iriam lhe tirar o homem que amava.

Notas finais
As músicas do caps são do Muse Stockholm Syndrome e Take a bow escutem são boas demais!