Notas iniciais
Oiieee!!! Nossa a força de um review ou recomendação faz milagres! Queria agradecer do fundo do meu pequeno coração as recomendações da Sheilinha e da Julyana para a historia, os reviews lindos e todo o carinho de sempre Aqui vai mais um capítulo (ficou enorme por sinal) e queria avisar que ele tá meio tenso e um tanto revelador e ANTES QUE ME CRUCIFIQUEM mimimi, sim o Hyoga vai penar um pouco nessa fic tbm porque eu não aguento com essa carinha de maria do bairro dele

Já fazia uma semana que os novos recrutas estavam na divisão. Alguns estranharam que eles permanecessem separados de todos, com um pavilhão inteiro apenas para os três soldados, Radamanthys, Aiacos e Minos e para o médico Albáfica e seus assistentes. Milo conversou apenas com os seus próximos que aquelas eram ordens do Patriarca, não que fosse do seu agrado, porque todos sabiam que ele não fazia distinção de ninguém. Hyoga teve um vislumbre do porque dessa diferença mais cedo que os outros.

Era tarde da noite quando enfim resolveu ceder aos apelos do seu coração e foi procurar Ikki. Não aguentava mais aquela distância, sabia que precisavam ter uma conversa séria e no dia seguinte Hyoga partiria em missão com Shaka e Milo e quem poderia saber se voltaria com vida ou não? Queria ao menos deixar claros seus sentimentos ao moreno antes de partir, se voltasse com vida veria o que fariam dali em diante. Andou do pavilhão A que era o seu até o D que era onde o moreno ficava junto com os outros oficiais, passando pelo pavilhão B que agora era de uso exclusivo dos novos recrutas e do oficial médico Albáfica. A noite estava fria e escura e àquela hora não havia luz se não nos pavilhões de modo que ao redor estava escuro, talvez por isso Hyoga não tenha notado a silhueta escura encostada a um dos pilares do pavilhão B.

Hyoga atravessou o pavilhão e chegou ao quarto do Major Amamiya silenciosamente, não encontrara ninguém nos corredores e estava aliviado. Seria complicado explicar a Kannon e o Ângelo o que fora fazer ali. A porta estava entreaberta e o quarto na penumbra, porém o loiro pode distinguir claramente Ikki na cama com Pandora, a moça gemia e arranhava as costas largas enquanto o Major arremetia fundo nela.

O loirinho ficou estático por um minuto indeciso se devia denunciar sua presença ou não, mas resolveu que não valia a pena. Deu meia volta e saiu pelo corredor correndo sem se importar em ser silencioso agora, só queria sair dali.

Ikki ouviu o barulho e parou os movimentos trocando um olhar intrigado com Pandora até que resolveu se levantar e verificar o que era. Olhou pela porta entreaberta e viu Afrodite sair pelo corredor, achou que fosse ele e fechou a porta voltando para a morena na cama, mas ainda com uma sensação estranha no peito.

Fora do pavilhão Hyoga apenas andava apressado tentando segurar as lágrimas e respirando para tentar se acalmar, não poderia chegar assim ao dormitório ou Shaka e Mu o encheriam de perguntas. Passou a mão nos olhos e continuou andando até esbarrar em uma parede.

— Eh... O que? – Não era uma parede, era um dos recrutas novos e ao levantar seus olhos para encará-lo, Hyoga vislumbrou um leve sorriso na escuridão.

— O que faz andando sozinho por aí recruta? – disse Aiacos em voz macia, as mãos foram para os ombros de Hyoga e o rapaz se surpreendeu com aquilo. Em um ato reflexo ele tentou se desvencilhar e logo o afago passou para aperto – Não é muito perigoso?

— Me solta! – arquejou o russo, se debatendo ainda mais, porém o nepalês era estranhamente forte demais. Tudo bem, ele poderia ser mais alto e mais musculoso que Hyoga, mas o russo estava achando a força dele um tanto maior que o normal.

— Não se faça de difícil. – Aiacos enfiou o nariz na curva do pescoço branco do menor e aspirou o cheiro, de um jeito animalesco – Nós podemos brincar um pouco o que acha? Foi procurar alguém para trepar com você?

— Eu falei me solta! – Hyoga se debateu. Não estava armado, pois costumava andar pelo regimento sem se preocupar com aquele tipo de coisa. Ali era a Intervenção e todos se respeitavam, não havia espaço para estupradores e arruaceiros. Impulsionou as pernas e desferiu uma cabeçada em Aiacos que não teve tempo de recuar, mas Hyoga o atingiu no queixo e não no nariz como queria. No entanto para o seu desespero o golpe nem ao menos fez com que o moreno afrouxasse o aperto, tudo que Aiacos fez foi soltar um dos seus braços e com a mão livre o socou duas vezes o deixando atordoado e Hyoga caiu no chão. Aiacos o segurou pelo pescoço e o arrastou até embaixo do pavilhão, apoiando-o em um dos pilares e o prendendo entre o pilar e ele.

— Eu ia deixar você escolher, mas já que quer assim... – Aiacos tirou sua faca da bota e passou a lamina pela blusa negra fina do uniforme da intervenção. Hyoga arregalou os olhos de terror voltando a se debater, mas Aiacos voltou a surrá-lo. Colocando a faca próxima ao quadril do russo – Agora quieto se gritar eu vou enfiar ela em você até o outro lado.

Afrodite desceu as escadas do pavilhão no exato momento em que viu Aiacos encurralar Hyoga. Voltou correndo até o dormitório e chamou por Ângelo.

— Ângelo me ajuda! – era um ótimo lutador, mas sentia que precisaria de toda a ajuda possível contra o novo recruta. – Um daqueles novos recrutas está atacando o Hyoga embaixo do pavilhão B!

Máscara nem precisou ouvir uma segunda vez, sem camisa mesmo seguiu com Afrodite. Estava entalado com aqueles novos recrutas e se eles pensavam que poderiam fazer o que quisessem na Intervenção estavam muito enganados.

— Suba e vá chamar o Ikki. – disse para o amante, Afrodite olhou um momento para ele e depois assentiu voltando correndo para o pavilhão – Aquele filho da puta vai ver uma coisa.

Quando chegou ao pavilhão B o que encontrou fez seu sangue ferver. Hyoga estava com as calças abaixadas, imprensado entre o pilar e Aiacos com o corpo sacudido pelas arremetidas violentas do outro, o nepalês tinha uma das mãos segurando os antebraços cruzados do russo enquanto a outra puxava os fios loiros com selvageria. Parecia um animal e o rapaz que tinha lágrimas escorrendo pelos olhos apertados e se debatia em desespero, na vã tentativa de impedí-lo de continuar. Aiacos voltou a bater nele e Hyoga urrou, sua cabeça pendeu e ele ficou desacordado.

Máscara da Morte não era chamado assim por nada. Órfão italiano mesmo antes da Grande Catástrofe foi criado nas ruas e conheceu o pior lado da raça humana muito cedo, nas divisões de treinamento era matar ou morrer e aos quinze anos ele já estava familiarizado com a morte. Na divisão de Intervenção ele pode pela primeira vez encontrar algo como o calor da amizade e do amor ao lado dos amigos e Afrodite e jamais alguém poderia fazer mal aqueles que lhe eram caros.

Aiacos sentiu quando o porrete desceu na sua cabeça e largou o russo que caiu no chão se virando um segundo antes que o segundo golpe se concretizasse, mas Máscara preparou outro golpe e com as duas pernas deu um chute poderoso no nepalês que foi de encontro à pilastra arquejando. Máscara era um tanque, forte e implacável e tinha uma selvageria como poucos a raiva o tornava ainda mais impiedoso.

Ikki, Pandora e Afrodite chegaram no momento em que Aiacos revidava e ele e Máscara caiam embolados no chão. Afrodite e Pandora foram socorrer Hyoga e Ikki interveio na briga tirando Aiacos de cima do outro com dificuldade, o nepalês se levantara e pisou na perna de Ângelo quebrando-a e o italiano urrou. A confusão chamou a atenção dos outros no pavilhão B e logo Albáfica, Minos e Radamanthys apareceram e quando o médico olhou o loirinho machucado no canto com Pandora e Afrodite ele compreendeu o que estava acontecendo.

Rapidamente Albáfica tirou um dispositivo do bolso e se aproximou de Aiacos colocando o dispositivo nele, o nepalês gritou e em seguida caiu no chão com um baque surdo. Máscara e Ikki ofegantes olharam para o medico com uma pergunta no olhar.

— Voltem para os seus dormitórios. – disse o médico sem se abalar – Radamanthys, Minos tragam Aiacos para dentro.

— Voltar para os dormitórios porra nenhuma! – Ikki segurou o braço do médico – Que merda aconteceu aqui?! Esse cretino atacou um dos meus homens eu quero explicações e exijo AGORA!

— Só dou explicações ao seu General, portanto me largue Major Amamiya ou vai se ver com o Patriarca. – Albáfica olhou para a mão de Ikki que segurava o seu braço e o moreno o largou – Darei as explicações que tiver que dar ao seu General, apenas a ele.

Albáfica acompanhou os outros dois que arrastavam Aiacos escada acima e suspirou pesado quando fizeram a curva da escada.

— Eu sabia que isso ia acontecer. – Minos estalou a língua – Era só uma questão de tempo, o Aiacos é um louco!

— Péssima escolha para o seu programa doutor. – comentou Radamanthys sério. Albáfica apertou o canto dos olhos, sentia-se esgotado e furioso. Aiacos estava lhe saindo uma decepção e se não tomasse uma atitude logo ele em breve ficaria incontrolável.

***

No pátio Afrodite e Pandora tentavam carregar o sargento inconsciente.

— O que foi que aconteceu?! – Ikki perguntou exasperado olhando o loiro daquele jeito e ficando ainda mais furioso

— Será que eu vou ter que desenhar?! – Afrodite retrucou ríspido, amparava o amigo de um lado enquanto Pandora estava do outro, o loiro recuperou momentaneamente os sentidos e entreabriu os olhos vendo que Pandora estava o ajudando o russo se desvencilhou da médica e Afrodite quase caiu junto com ele.

— Você precisa ir para a enfermaria. – Pandora o fitou desconcertada pelo olhar estranho e frio que o russo lhe lançava.

— Eu vou ficar bem – Hyoga olhou para Máscara que fazia uma careta de dor enquanto era amparado por Ikki – Dite, você tem que levar o Mask para a enfermaria. Eu vou ficar te devendo essa grandão... – tentou ser amável enquanto se desvencilhava do amigo sueco para em seguida cair desmaiado no chão outra vez.

— Nada disso! Você vai com a gente os dois irão para a enfermaria agora! – ditou o pisciano irritado – Aquele cretino! Anda Ikki carrega o Hyoga Pandora faz alguma coisa e vá chamar os gêmeos!

No pavilhão hospital Afrodite permanecia com Ikki e Pandora no corredor esperando os gêmeos terminarem de examinar Ângelo e Hyoga, Milo e Shaka também estavam lá para esperar o russo falar. Milo tinha o maxilar tenso, estava revoltado porque além de Hyoga ser um amigo querido era um de seus homens e desde que ele estava no comando da Intervenção estupros não aconteciam. Estava cada vez mais irritado com aqueles projetos do Patriarca.

— Ele estava com você Ikki? – perguntou Milo

— Não, – Ikki trocou um olhar com Pandora que desviou sem graça – eu não sei o que ele foi fazer lá.

— Provavelmente ele foi atrás de você e o encontrou “se divertindo” não é Amamiya? – Afrodite interveio venenoso – Pobre garoto, ele está apaixonado por você! – o belo capitão retorceu os lábios em desagrado – Eu vi o Hyoga correndo pelo corredor quando abri a porta do meu dormitório para sair e fumar e resolvi ir atrás dele e perguntar o que tinha acontecido e vi quando Aiacos o interceptou... Subi de novo e chamei o Ângelo porque aquele cara é um armário e eu ia precisar de ajuda, Mask pediu que eu fosse chamar o Ikki e quando chegamos embaixo do pavilhão B ele estava atracado com o cara! Hyoga estava jogado como um saco de esterco próximo à pilastra. – a voz de Afrodite embargou e ele continuou num murmúrio raivoso – Vocês não viram como ele ficou? Aquele cara é um animal! Conheço Hyoga desde as Divisões de treinamento e ele é perito em contenção e combate corpo a corpo, ninguém o subjuga fácil e, no entanto aquele cretino quase moeu os ossos do meu amigo...

Todos ficaram em silencio Ikki cruzou os braços e andou para longe dos outros, precisava colocar a cabeça no lugar e controlar a vontade quase insana de ir até o pavilhão B e matar Aiacos com as próprias mãos. O major só via tudo vermelho agora.

— Eu não sabia... – murmurou Pandora condoída – O Ikki me disse que ele estava sozinho e eu saio em missão amanhã, Ikki é um lance antigo achei que não tinha...

— Se soubesse que o Hyoga ia fazer a estupidez de procurar o Ikki eu nem tinha permitido que ele saísse do dormitório! – respondeu Afrodite, alto o suficiente para que Ikki escutasse – Se fosse eu a encontrar você com o Ângelo, Pandora, eu cortava a sua garganta e o pau dele fora! Mas o Hyoga é um estupido e tudo que ele fez foi correr choroso pátio afora para cair nas garras daquele estuprador filho da puta!

— Afrodite menos. – pediu Shaka e Milo continuou em silencio porque entendia a revolta do sueco e achava que ele estava absolutamente certo. Há muito que a relação de Ikki e Hyoga passara de um simples caso para algo mais sério, só o moreno que não admitia.

— Vá se ferrar Shaka! – vociferou o sueco – Não me venha com essa de que não sabia! Eles se amam Pandora, você não devia se meter entre eles.

Pandora foi impedida de retrucar porque nesse momento Saga e Marin, que assim que soubera do ocorrido tinha ido correndo para o hospital, saíram da sala de emergência e todos se viraram para eles até Ikki voltara para junto do grupo.

— Dite vá ver o carcamano e convença-o a parar de xingar deus e o mundo porque ele vai ter que ficar sim alguns dias fora de combate. – Saga suspirou e pousou a mão no ombro do sueco que rapidamente se apressou a atravessar as portas duplas da emergência.

— E o Hyoga? – Ikki não se aguentava de aflição era nítido nos olhos índigos e expressão preocupada.

— E o Hyoga, Major Amamiya. – Marin foi para cima do outro que apesar de Ikki ser maior foi obrigado a dar um passo para trás por que a pequena mulher estendia o dedo na sua cara – Meu amigo está sedado porque aparentemente foi atacado por uma mutação! E a culpa é toda sua! – o empurrou com o dedo – Ele saiu do dormitório dizendo que iria conversar com você porque não aguentava mais guardar tudo que sentia e eu e Mu demos a maior força para ele encontrar você com aquela “zinha”! Eu devia matar você.

— Como você sabe disso? – chiou Pandora desolada. Em minutos aquilo seria a conversa do regimento.

— O Mask contou. – Saga deu de ombros – Explica porque o Aiacos pegou o garoto daquele jeito, o russo nunca foi pego desprevenido assim e mesmo que o cara seja mais forte que o normal se o Hyoga tivesse em seu estado normal ele poderia ter se livrado dele. – Saga se aproximou de Milo e Shaka e falou mais baixo – Milo o garoto quase foi estraçalhado, parece que enfrentou dez homens ao invés de um ele foi praticamente moído! Sorte o Ângelo aparecer ou então o hibrido rasgaria o Hyoga ao meio se continuasse a estuprá-lo.

— Puta merda Saga! – e para o sempre educado Major Shaka Phalker estar falando um palavrão era porque estava verdadeiramente chocado.

— Ikki aonde você vai? – gritou Milo vendo que o Amamiya saia pelo corredor como uma locomotiva. Saga e ele correram para segurar o japonês que parecia enlouquecido.

— Eu vou matar aquele filho da puta! – gritou Ikki ainda preso entre os dois amigos.

— Ikki se controla porra! Não vai adiantar nada você ir até lá agora, vai arrumar problemas ainda maiores deixe que Milo resolva isso. – argumentou Saga.

— Amamiya eu juro que vou fazer o Aiacos pagar pelo que fez ao Hyoga. – Milo apertou os braços em volta de Ikki – Eu juro! Só me dê um tempo e uma missão – Milo falou mais baixo apenas para os três ouvirem – Missão Atenas. É tudo que peço.

Ikki respirou fundo algumas vezes e depois assentiu e os outros dois o largaram. Confiava em Milo pra fazer justiça, ele beberia o sangue de Aiacos na missão nem que para isso ele tivesse que desertar.

— Venha Shaka, vamos realinhar a missão de amanhã. – Milo disse quando voltaram para o grupo – Amamiya vá descansar que agora que Ângelo está impossibilitado é você que vai à missão Atenas amanhã. O resto dispersar!

Todos os outros começaram a sair, mas Ikki permaneceu ali no corredor e por fim decidiu entrar na emergência para ver o loiro, que se encontrava sob os cuidados dos gêmeos. Ficou um tempo observando Saga e Kannon mexendo nos aparelhos e no soro do rapaz machucado e fez uma promessa silenciosa a si mesmo e ao anjo que dormia que se ele voltasse a ficar bem ele não deixaria mais nada ficar entre eles.

***

— Então você vai colocar o Ikki do jeito que está em uma missão no covil de aliens que é Atenas, com o Aiacos na equipe e eu vou ter que ir junto é isso? – Shaka cruzou os braços e revirou os olhos – Era só o que me faltava.

— O Ikki vai de qualquer forma porque com o Mask machucado eu preciso ficar aqui para resolver essa merda e não confio no Ikki sozinho comandando uma missão do jeito que ele está!– Milo estalou a língua – Vou ter que por o Camus no lugar do Hyoga porque o Afrodite já vai partir com a missão Tóquio e eu vou ficar sem um homem de infiltração que entende de bombas na equipe. – Milo não parecia nada satisfeito com esse novo arranjo – Mas duvido que o nepalês vá à missão de amanhã depois do sossega leão que pegou da rosa venenosa. – Shaka bufou ao ouvir o apelido que Milo arranjara para Albáfica – Provavelmente ele ficará e o médico indicara um dos outros dois. Imagina deixar o Mask e quinhentos homens aqui com esse nepalês? Nem pensar, melhor que você vá para Atenas! – Milo se inclinou sobre a mesa com um sorriso maroto nos lábios, ambos estavam no gabinete do general – Eu cuidarei do seu carneirinho Shaka não se preocupe!

— Por Buda onde você arruma esses apelidos?! – Shaka o fitou indignado, mas levemente corado pela insinuação de Milo

— Esse tibetano está deixando você Mole Phalker. — grqcejou o general.

— Só porque eu não sou estúpido como você e Ikki? – foi direto. A melhor defesa era o ataque. Um sorriso insinuante entreabriu os lábios finos do indiano – Não se preocupe Chefe, eu cuidarei do ruivinho para você. – e piscou antes de se levantar e sair do gabinete de Milo assobiando.

***

Na manhã seguinte antes de se juntar aos outros no deck de embarque, Camus foi ver Hyoga e ficou ainda mais chocado quando viu o russo. Ele ainda estava sedado, Kannon explicou que as fraturas eram muitas e seria doloroso demais se ele estivesse acordado, de modo que era melhor que ele ficasse o tempo todo sedado. Com o episódio, o clima que já era tenso entre os novos recrutas e o regimento inteiro ficou ainda pior. Camus achava que se a missão Atenas seria complicada por se tratar de uma infiltração dentro de bases alienígenas em uma cidade em ruínas, agora parecia uma missão de confronto porque Ikki parecia apenas pensar em morte e não era o único.

Ao se juntar a equipe reparou que de oficiais seriam apenas ele, Shaka, Ikki e Aldebaram, além de Shina e Marin e havia outros cem soldados com eles. Era uma missão simples, mas ainda sim perigosa: Eles teriam que explodir a base alienígena de dentro para fora, por isso a Intervenção foi chamada.

— Volte vivo, por favor. – Mu o abraçou com carinho e depois foi abraçar Shaka se demorando um pouco mais no indiano que brincou com os cabelos violáceos o fitando com carinho – Você também trate de voltar para mim!

— Não fique pensando besteiras e ajude Hyoga, ele vai precisar de toda a ajuda possível. – Shaka pediu ao tibetano – Me prometa que vai ficar seguro e nunca vai sair do pavilhão durante a noite eu não estou aqui não tem porque você ficar perambulando pelos pavilhões.

— Nossa como ele é ciumento. – debochou Camus ao lado e os dois olharam feio para ele que desviou o olhar e se deparou com o olhar intenso do general Savalas sobre si.

— Nada de se meter em encrencas ruivo. Tente não se morrer e me ajude a cumprir a promessa que fiz ao Dégel.

— Vou fazer um esforço Chefe... – Camus se interrompeu quando viu Albáfica e Minos chegarem juntos com Aiacos que parecia muito bem. Todos olharam para Ikki que permaneceu impassível olhando o nepalês de onde estava, os braços cruzados e a cara fechada na sua habitual atitude intimidadora.

— General Savalas eu estou apresentando Minos Griffon e Aiacos Garuda para compor sua equipe. – Albáfica falou um tanto profissional – Eles ficarão sob suas ordens? Quem é o líder dessa missão?

— Sou eu. – Shaka se apresentou – Major Shaka Phalker, Major Magnusson, eles trocaram continências – Está tudo sob controle.

— Está mesmo? – Albáfica olhou de relance para Ikki e Shaka riu de lado.

— Volte para os seus experimentos doutor que nós cuidamos do resto – Shaka se afastou com um ar arrogante que fez Albáfica torcer os lábios em desagrado, mas se afastou como o outro Major pedira e Shaka começou a gritar ordens para todos e começaram a subir para o jato.

Aiacos passou por Ikki e ambos trocaram um olhar, o primeiro tinha um sorrisinho de escarnio nos lábios enquanto o japonês permanecia com a expressão inalterada mesmo que seus olhos cintilassem debaixo dos óculos escuros. Camus estava próximo e mordeu o lábio ao notar o desafio velado entre os dois e seu olhar foi encontrar o de Minos que parecia tão preocupado quanto ele. Houve um momento de entendimento mutuo entre ambos e quando se sentaram juntos no avião trocaram um sorriso nervoso.

— Preparado tenente? – perguntou Minos à Camus

— Nenhum pouco – e ambos suspiraram assentindo.

***

Enquanto isso Radamanthys se esgueirava silenciosamente pelo hospital da base até chegar ao quarto do russo, tão silencioso quanto um fantasma. Kannon estava sozinho com o rapaz monitorando os sinais vitais e avaliando os últimos exames, a sua preocupação só aumentava. Avaliava a possibilidade de transferir o garoto para o Cinturão Norte e a base da Intervenção em Oslo para que ele fosse tratado lá, aparentemente não haveria outro jeito.

Quando levantou os olhos para observar a cama onde o russo dormia na UTI viu a figura loira próxima a Hyoga e não pensou duas vezes em pegar a arma e ir até lá.

— Saia de perto dele agora! – ordenou em voz firme a arma apontada para a cabeça do inglês e quando este se afastou Kannon viu uma seringa vazia em sua mão – O QUE APLICOU NELE?!Eu exijo saber o que está fazendo aqui!

— Soro H1613. – respondeu Radamanthys em voz grave e baixa, os olhos dourados tinham um brilho peculiar e ele os mantinha firme nos orbes verdes do grego – Vai ajudar na cicatrização, acelerar o processo de renovação das células dos ossos e fazer com que ele se cure rápido, vai ajudar na hemorragia também. Ele ficará bem não se preocupe.

— Por que eu deveria acreditar em você?! – Kannon perguntou agressivo para esconder o desconforto de ter aquele ser peculiar e perigoso ali tão próximo. Não havia duvidas no quanto Radamanthys era perigoso, era um hibrido e toda a sua atitude fria era uma ameaça.

— Por que nem todos somos animais – respondeu sem hesitar – Não diga nada a ninguém, Albáfica não vai gostar de saber que usei um de seus preciosos soros no garoto. Ele tem sérios problemas de ética.

— Eu ainda exijo saber o que é! E se ele ficar pior? Se o deixar...– Kannon hesitou, mas por fim disse – Se ele ficar como vocês?

— Não vai ficar. – assegurou o inglês se aproximando de Kannon um pouco mais e o grego deu um passo para trás – Não precisa ter medo de mim grego. Estou do mesmo lado que você, eu sou apenas uma versão melhorada de mim mesmo.

— E o Aiacos o que é? Um brinquedo com defeito? – Kannon arqueou a sobrancelha.

— É digamos que o Aiacos foi um produto defeituoso. – Radamanthys soltou um risinho contornando a cama do russo e olhando para ele – Mas não podemos dizer que ele não sabe escolher. Eu espero que seu amigo mate o Aiacos lá em Atenas porque se ele voltar o loirinho não vai ter paz... O Garuda tem alguns problemas de obsessão que são discutíveis!

Radamanthys se foi e deixou Kannon para trás intrigado com aquele inglês que parecia esconder muitas coisas naquele olhar dourado. Foi olhar os sinais vitais de Hyoga e ficou aturdido ao ver os níveis melhorarem consideravelmente.