Space Dementia
6 Capítulo 6
Notas iniciais

Setor 8 divisão de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias de combate – Cinturão Norte
— Níveis de serotonina, oxigênio estáveis. – a voz anasalada da enfermeira indicava os níveis vitais enquanto três soldados continuavam a série de exercícios sob o olhar atento da equipe médica. – Batimentos cardíacos estáveis, níveis de glicose e pressão também estáveis.
— Adrenalina? – Albáfica tinha os braços cruzados olhando a tela de vidro que exibia a outra sala.
— Radamanthys e Minos: Níveis de adrenalina e serotonina ok, Aiacos: Nível de adrenalina dois por cento acima, serotonina crescendo.
— Devagar Aiacos. – Albáfica falou pelo microfone e o soldado de cabelos escuros riu de lado, mas diminuiu a corrida na esteira – Nada de dificultar o meu trabalho.
— Quando vamos sair da jaula de vidro e parar de brincar Alba? – Minos flexionou os braços, logo as três esteiras pararam. Radamanthys permanecia calado e indiferente.
— Em breve.
Albáfica foi se juntar a eles no laboratório de analises onde os três passavam pela bateria de exames de praxe. Minos observou com interesse o médico vir e falar com os outros integrantes da equipe médica na sua voz grave e baixa. Albáfica parecia tão delicado para estar no meio de tudo aquilo!
— Quando vamos integrar as equipes de combate? – Radamanthys enfim falou, pousando os olhos dourados no médico chefe e Albáfica retribuiu o olhar sem se abalar.
— Ainda não sei, mas agora que estamos longe do Cinturão do Equador sãos e salvos isso é o que menos importa.
— Acha que seremos encaminhados para a intervenção? – Aiacos quis saber.
— Provavelmente. – Albáfica retorquiu – Embora não seja uma perspectiva muito boa ver todo o meu trabalho ir para o ralo com vocês na Intervenção.
— Soldados voltem para os seus dormitórios e apresentem-se no hangar nove amanhã de manhã. – Dégel entrou no laboratório olhando os três homens – Vocês serão transferidos.
— Divisão de Intervenção? – perguntaram juntos Minos e Aiacos ao que Dégel assentiu e Radamanthys olhou o outro atentamente estalando a língua depois. Logo os três partiram.
— Divisão de Intervenção? Você não está falando sério está? – Albáfica se virou para Dégel – Eu não acredito que todo o meu projeto...
— Ordens do Patriarca. – Dégel levantou as mãos em sinal de redenção – Aproveite para reclamar sobre você ser transferido para a Divisão de Intervenção também Doutor Albáfica Magnusson.
Dégel se fosse mais expansivo teria rido da cara de terror de Albáfica naquele momento, como não era, apenas se limitou em um arquear de sobrancelha. Conhecia a aversão que o doutor e amigo tinha da guerra e ficar na linha de frente não era uma perspectiva agradável.
— Por quê? – foi tudo que conseguiu falar o médico.
— Precisaremos de novos recrutas para o projeto Híbridos e o melhor lugar para encontrá-los é a Intervenção! – Dégel deu de ombros – Deveria saber disso, já que é o médico chefe do projeto, caro amigo.
— Quero vê-lo tão tranquilo quando eu mandar para o laboratório seu tão amado irmão, Dégel Chateaubriand! – o grego rebateu venenoso, tirando a franja clara da testa e estreitando os olhos.
— Você não se atreveria Albáfica! – Dégel chegou mais perto do outro e o pegou pelo pulso delicado, vociferando – Deixe Camus fora disso! Ele não pode entrar no projeto, eu falarei com Hades, mas você tem que me dar certeza que não incluirá Camus nos possíveis candidatos.
— Todos na linha de frente são possíveis candidatos Dégel e você sabe disso! – Albáfica se soltou rudemente e então se empertigou e saiu do laboratório.
Dégel suspirou e passou as mãos no cabelo, sabia que o grego tinha razão e nada que pudesse fazer impediria isso. Qualquer soldado na linha da Intervenção era um candidato em potencial para o projeto “Híbridos”, pois era treinado em combate extremo e suscetível a morte ou ferimentos graves assim ficando apto a passar pelo procedimento médico que o tornava um Hibrido. Só esperava que Camus ficasse livre de incidentes.
Saber que Camus integrava a Divisão de Intervenção fez com que Dégel desejasse que ele tivesse morrido na Grande Catástrofe.
***
Kárdia viu o namorado entrar no apartamento com um semblante pesado e resolveu que aquele não era um bom momento para cobranças. Dégel fora para o Cinturão do Equador, seu jato sofrera um acidente e ele passou dias desaparecido, mesmo assim ele só retornava para a casa deles quatro dias depois de ter sido encontrado. Não se preocupou com Kárdia, com o fato de que o escorpiano estava louco de dor e preocupação nem nada disso.
Mas agora ele estava ali com aquela cara de enterro o olhando como se pedisse colo, mas Dégel não pediria Kárdia teria que adivinhar. Ele já estava ficando farto!
— Eu achei o meu irmão Kárdia. – foi logo dizendo Dégel, não daria margem ao descontentamento do escorpiano ou ele provavelmente destilaria aquele sermão de mil dias sobre o seu sumiço e o aquariano não tinha forças para brigar naquele momento – E ele está na Divisão de Intervenção.
Kárdia mordeu o lábio para segurar a enxurrada de repreensões que tinha para Dégel ao ouvir aquilo. De todos sabia muito bem da luta do namorado para achar o irmão do qual fora separado treze anos atrás e descobrir que ele estava à frente da guerra era um golpe tão doloroso quanto qualquer outro. Milo estava na Divisão de intervenção, Kárdia acordava todo dia sobressaltado com sonhos em que ia buscar apenas os restos mortais do irmão mais novo ou recebia uma ligação no meio da noite avisando que seu amado Milo havia desaparecido em uma missão.
— Eu sei que você está furioso comigo, que eu deveria ter ligado, mas eu precisava tentar fazer alguma coisa para tirá-lo de lá. – Dégel arriou os ombros – Não consegui!
O russo sentiu os braços fortes de o grego o envolver e se deixou ficar naquele abraço porque embora toda a sua vida fosse trabalho, Kárdia era seu porto seguro. Aquele grego difícil era a única coisa que o mantinha são e precisava mais do que tudo dele agora.
— Como foi que você descobriu?
— Ele estava na equipe de Milo que me resgatou. – Dégel ergueu o olhar para Kárdia e viu o mar azul que eram os olhos do grego cintilarem à lembrança do acidente do jato – Ah Kárdia eu não podia contar! É um projeto secreto do governo.
— Tudo bem Dégel, você não pode me contar, você não pode me ligar... – Kárdia se afastou e mexeu irritado nos cabelos loiros – Você não pode nada!
— Não Kárdia agora não eu...
— Agora EU não quero brigar Dégel! – Kárdia despejou raivoso – Eu não quero mais porque eu estou cansado!
Dégel ficou olhando o namorado em silencio enquanto o via respirar fundo para se acalmar, Kárdia era um barril de pólvora e quando estourava era difícil contê-lo. Dégel achava que ele compreenderia que agora precisava de alguém que o escutasse, não o julgasse. Kárdia por outro lado, estava farto de ser apenas o consolo de Dégel quando as cobranças de Hades ultrapassavam o limite, quando Dégel se sentia desolado e sozinho. Ele queria mais, muito mais e Dégel não poderia lhe dar.
Kárdia pegou as chaves da sua moto e foi em direção à porta, Dégel acompanhou tudo sem se mover embora sua vontade fosse segurar o grego ali. Kárdia esperava que Dégel o impedisse e quando percebeu que não, teve vontade de chorar. Dégel não o amava tanto quanto ele Kárdia, o amava e isso doía.
***
— Soldados! Atenção marche!
Camus e Mu continuaram a marchar debaixo da chuva fina, porém insistente como se o frio e a fome fossem irrelevantes. Estavam numa intensa sessão de exercício para situações extremas. Cortesia dos recém-condecorados Majores Mascara da Morte e o Ikki Amamiya que pareciam imunes ao frio e a fome. Levando em consideração as atividades de treino da divisão de treinamento, o exercício daquele momento era tão agradável quanto um chá às cinco.
— Hyoga eu juro que eu mesmo vou foder você se receber mais uma dessas sessões de treinamento do Ikky. – resmungou Aldebaram na fila deles para o loiro russo e apenas deu de ombros e riu de lado sem se importar com a ameaça do outro.
— Tente chegar perto de mim Capitão e eu faço um sorriso maior na sua cara.
— Se as mocinhas já pararam de fofocar, nós podemos começar a série de flexões? – Ikki tinha os braços musculosos cruzados e o rosto fechado, ele era intimidador daquela maneira e com o humor que estava ultimamente à voz grave e dura arrepiava a pele até dos mais corajosos – NO CHÃO! Material nas costas, cinquenta flexões AGORA!
— Eu quero entrar na fila para matar o Hyoga se sobrevivermos a essa sessão. – Mu deixou-se cair pesadamente na lama para só então começar as flexões.
Hyoga Romanov deu de ombros e começou a série de exercícios também. Havia uma comoção geral sobre sua pessoa de que a causa do mau humor não, péssimo humor, do Major Ikki Amamiya fosse culpa sua. O russo achava que estava certo em mandar o (ex) primeiro sargento pastar ao invés de deixá-lo frequentar a sua cama como se ele fosse um puto de primeira. Ikki achava que era o rei do pelotão? Pois ele que ficasse com seus inúmeros amantes.
— Que tal também incluir o Camus no fuzilamento também já que a cara do Chefe não é das melhores desde a última folga.
— Não me inclua nessa conversa russo. – cortou Camus entredentes, os braços estavam começando a ficar dormentes. Os meses de convivência e duas missões já lhe davam coragem para desdenhar dos companheiros, principalmente quando estava com fome, com frio e prestes a ter um colapso – Você não tem moral para falar nada se geme como uma cadela quando está nos braços de Ikki.
— Ora seu! – e ninguém foi rápido o suficiente para conter o russo que avançou tão ágil quanto um felino sobre o francês, mesmo este estando a três homens de distância. Romanov era conhecido por não levar muito na esportiva as brincadeiras, principalmente quando estava prestes a um ataque de estafa.
A despeito da fome, dor nos músculos e frio os dois se engalfinharam na lama e os companheiros apenas se afastaram para deixá-los extravasar. Ângelo e Ikky continuaram a olhar tudo impassíveis mesmo que um meio sorriso de mofa bailasse nos lábios do italiano.
— Vamos intervir? – Mascara perguntou sem tirar os olhos da confusão. Camus estava agora sobre o russo desferindo socos, mas o loiro girou as pernas longas e inverteu rapidamente a posição passando ele a socar o francês. Ikki trincou o queixo tentado a intervir, mas por fim deu de ombros ainda com os braços cruzados, o uniforme negro estava colado a pele morena por estar molhado, mas ele e Máscara não pareciam se importar. – Seu russo está apanhando Sargento.
— Amamiya! – gritou Milo da janela do seu gabinete e Ikky suspirou Máscara estalou a língua e ambos foram apartear a briga.
Máscara segurou Camus pelo pescoço o tirando de cima do russo e Ikki pegou Hyoga com o menor ainda se levantando para partir para cima do francês outra vez, mas o Primeiro Sargento foi mais rápido e prendeu o russo entre os braços.
— Os dois. – Máscara soltou Camus, mas Ikky ainda permanecia com o lourinho preso em seus braços firmemente – Para o chuveiro! O resto está dispensado.
Camus cuspiu sangue no chão e pegou suas coisas espalhadas pela lama, saindo marchando pesado em direção ao pavilhão dormitório, todos começaram a se dispersar também até Máscara resolveu sair deixando Ikki e Hyoga sozinhos e só então o moreno soltou o rapaz russo que pegou suas coisas com a cara ainda fechada o rosto de anjo machucado e começando a ganhar a cor arroxeada em alguns pontos.
— Hyoga...
— Vá se foder Amamiya! – gritou já distante e Ikki olhou para o céu cinza praguejando.
Pensava em porque ainda insistia com aquele loiro difícil. Depois de muita insistência e charme o russo enfim se entregou e o japonês teve uma das melhores noites de sua vida, isso se repetiu mais algumas vezes até o loiro descobrir que ele não era o único rei da cama do antigo primeiro sargento e agora major Amamiya, eles tiveram uma briga homérica! Agora o russo era um bloco de gelo em tudo que se referia a Ikki Amamiya e o moreno se ressentiu com isso, achando um absurdo que Hyoga exigisse exclusividade dele vivendo do modo como viviam. Ikki era livre por natureza e se o russo o quisesse teria que ser dessa maneira.
O que Ikki não contava era com o fato de que o russo era tão frio e arrogante a ponto de mesmo desejando-o desesperadamente não dar o braço a torcer. Ikki estava furioso porque o loiro continuava indiferente e frio enquanto ele não conseguia mais pensar em ninguém que fosse aquele russo idiota.
Nos chuveiros Hyoga encontrou Camus de costas deixando que a agua quente escorresse pelo corpo amolecendo os músculos tensos e doloridos, a cabeça pendendo entre os braços e os olhos fechados apreciando o calor. O russo foi para um chuveiro ao lado dele e se colocou debaixo do chato forte buscando também o conforto da agua, mas fria porque sentia seu sangue ferver e não era pelo companheiro de banho.
Camus abriu os olhos de esguelha para o russo que tomava banho ao seu lado, o outro retribuiu o olhar e ambos trocaram um sorriso enviesado que se transformou em gargalhada nervosa até que ambos estavam saciados pelo riso. Na mente de ambos a certeza de que eram muito estúpidos.
— Desculpe. – disse Hyoga meio constrangido – Eu não queria...
— Tudo bem Hyoga, não era você que eu queria socar. – e os dois riram mais um pouco então trataram de terminar o banho.
***
— Ai Kannon porra!
— Fica quieto, já estou terminando.
Kannon continuava bem próximo ao russo atento aos pontos que dava no supercilio esquerdo do mais novo que reclamava contrariado por estar na enfermaria. Mesmo depois do banho o corte não queria parar de sangrar de modo que ele precisou levar uns pontos. Camus só estava com uma luxação séria nas costelas então ficaria de repouso no dia seguinte. Ambos estavam suspensos pela briga, determinação do General Savalas.
— Porque entrou em uma briga Hyoga?! E ainda com o Camus? – Saga repreendeu.
— Você e o francês brigando vai ser o assunto do ano no regimento. – Kannon soltou um risinho – Para você ver como isso aqui anda um tédio! Até os blocos de gelo estão brigando entre si.
— Isso não tem a ver com certo Major tem? – Marin encostou-se à maca e viu com satisfação o rapaz corar – Ah Hyoga você se apaixonou por ele! Eu falei que você não podia se apaixonar pelo Amamiya ele é um cretino.
— Deixa só ele ouvir você falando assim Marin, ele vai fazer você cortar batata na cozinha por um mês. – Hyoga xingou em russo quando Kannon puxou a linha cirúrgica mais um pouco.
— Quieto russo ou eu deixarei esse lindo rostinho com uma marca bem feia!
— Olha Hyoga se consola você o Ikki parece também muito incomodado para alguém que não está nem aí. – Marin continuou – A Shina e a Pandora disseram que ele anda sozinho há um tempo, até Shaka notou que o novo Major está mais solitário do que usualmente.
— Então porque não admitir? – Hyoga fez uma careta e Kannon se afastou olhando seu trabalho com animação – Não Marin, aquele cabeça dura nunca vai admitir e sendo assim ele que vá para puta que pariu!
— Credo que boca suja! – Marin olhou para Saga que deu de ombros – Nem acredito que você beija sua mãe com essa boca menino!
— Minha mãe está morta e eu faço muitas outras coisas com essa boca dona Marin – Hyoga piscou sacana – Quer experimentar?
— Rá! Que cafajeste. – Marin revirou os olhos e mexeu nos cabelos ruivos – Você esta andando muito com esses dois, são uma influência terrível esses gêmeos! Não esqueça benzinho, continue firme com o Amamiya e faça-o rastejar. Se ele quiser mesmo algo com você ele vem atrás. Até logo fracassados.
Marin saiu da enfermaria e os três soldados ficaram olhando a ruiva deslumbrante se afastar com olhares sonhadores, como gatos que observam os passarinhos voarem.
— A Shina é uma mulher de muita sorte. – comentou Hyoga descendo da maca
— É uma pena que seja ciumenta, nós nos divertiríamos muito a três. – comentou Kannon guardando as coisas e jogando fora o material descartável enquanto o seu gêmeo revirava os olhos – Não me olhe com essa cara Saga, você já é santo por nós dois.
— Até mais pessoal, vou até o dormitório do Camus e do Mu, Shaka disse que vai levar alguns filmes apareçam por lá.
— Festa do pijama? Nem pensar! Eu não sou uma garota. – Kannon fez uma careta.
— Vou lá com vocês depois Hyoga.
Kamus estava deitado no beliche do seu dormitório com um livro em francês no colo quando viu pelo canto do olho alguém encostar-se ao batente da porta. Continuou a ler indiferente mesmo que sentisse certo incomodo com a presença de Milo ali.
— Brigando hein francês?! O que diria Dégel?
— Que sei me defender? – respondeu calmamente com os olhos ainda no livro.
Depois do episódio no pub Camus e Milo pouco se falavam, Milo resolveu ignorar o francês que parecia muito senhor de si ao achar que ele Milo Savalas ia rastejar por ele. Camus por sua vez não tinha interesse em um joguete de gato e rato com o general de modo que continuou com sua vida metódica e certinha sem se preocupar se afetava o outro com sua frieza ou não. Porém, Milo tinha o sangue quente e impaciência demais para continuar com aquele “gelo” com o aquariano, então precisava acabar com aquilo.
Milo assim como Ikki se perguntava por que aquele súbito interesse, talvez porque Camus fosse aquela força selvagem e fria quase impossível de domar. No caso do amigo japonês sabia que o que impelia Ikki a Hyoga era a impetuosidade e arrogância do rapaz, o fato de que o russo era tão senhor de si a ponto de achar que poderia amarrar um homem como Ikki Amamiya. E pelas provas incontestáveis, estava conseguindo.
O que instigava em Camus era a autossuficiência e indiferença. O ruivo parecia imune ao seu charme e isso incomodava o seu ego, havia outra coisa também, mas ele não sabia definir muito bem. Ele só queria aquele francês e o teria!
— Ruivo o que eu faço com você? – se viu perguntando em voz alta ali na frente de Camus que finalmente se dignou a olhá-lo, largando o livro e sentando na cama.
— O que quer de mim Milo Savalas? – Camus fez questão que a impessoalidade impregnasse a sua voz. Não! Jamais daria aquele gosto ao grego, saber que apenas a sua presença o abalava a ponto de fazer Camus pensar coisas... Querer coisas!
Milo entrou no quarto e se sentou ao lado de Camus, que ainda o encarava sem se intimidar. O grego pensou que era impossível desviar a visão daquela boca vermelha que se fechava em uma linha dura agora, que não conseguia não desejar afundar as mãos naquela carne branca que era o corpo do ruivo e se deleitar nela. Ainda pensando nisso ele se aproximou um pouco mais e entendendo as intenções do loiro Camus recuou, mas Milo antes que ele se afastasse demais o imprensou entre a cama e seu corpo forte, ficando por cima e Camus gemeu por conta do peso do outro sobre a sua costela machucada e Milo se distraiu com aquele gemido.
Num segundo Milo estava a centímetros daquela boca perfeita e no outro tinha uma lamina afiada na sua jugular.
— Durante a noite, eu só tinha quinze anos, fui acordado com o peso estranho sobre o meu corpo – Camus começou a falar calmamente como se ambos não estivessem naquela situação – A primeira coisa que vi quando abri os olhos foi o esgar do soldado que estava sobre mim vasculhando minhas roupas, tentando tirá-las e ao olhar para o lado eu vi mais dois se masturbando. “Seria uma festa” ouvi-los dizer – Camus pressionou o a faca mais fundo no pescoço de Milo – E foi, quando as luzes se acenderam no dormitório havia três cadáveres degolados no chão e eu estava coberto de sangue.
— Não diga que não quer tenente. – disse Milo rouco. Ele só podia ter enlouquecido por ainda provocar Camus daquela maneira com uma faca na garganta – Eu sei que você quer tanto quanto eu.
— Chefe... – Camus disse num sussurro rouco e sedutor, os olhos castanhos avermelhados estavam semicerrados e um meio sorriso nos lábios – Quando eu quiser, você vai saber. Mas só quando eu quiser.
— Está me desafiando ruivo? – Milo não podia deixar de sorrir perante aquela petulância, o sorriso dos dois era tão ambivalente quanto às emoções que sentiam um pelo outro.
— Ah é... Desculpem – Mu falou baixo e ambos viraram para fitar o ariano que olhava para todos os lados menos para os dois.
— Os novos soldados chegaram e o Major Phalker pediu para informá-lo general – continuou Mu. Milo se levantou e Camus também, o loiro passou a mão no pescoço e pude verificar um filete de sangue na mão.
— Afiada como a sua língua tenente. – ele cumprimentou a Camus e saiu em seguida e foi quando Camus se deixou cair na cama novamente, o coração descompassado.
— Mas o que... – Mu falou surpreso e aflito para Camus – Você e o General...?
— Não é nada disso que você está pensando – o francês rebateu ríspido – Agora me deixe sozinho Mu.
— Não! Vem comigo vamos ver os novos recrutas. – e Mu saiu puxando Camus mesmo que a contra gosto deste.
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