Space Dementia
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Camus teve sua segunda oportunidade com o “Chefe Milo” mais rápido do que imaginava. Depois de algumas semanas de treinamento surgira uma missão importante na fronteira dos Cinturões do Equador e do Sul então sua divisão teria que fazer uma intervenção para resgatar alguém importante para o Patriarca. O General Savalas estava escolhendo a equipe que o acompanharia.
— Tenente Chevalier se apresente ao General Savalas na sala de teorias táticas, você foi selecionado para a equipe de intervenção na missão Equador. Ele lhe dará as instruções. – o Major Adams informou Camus ao termino do treinamento de tiro daquela manhã.
— Primeira missão com o Chefe hein? Volte vivo tenente. – Mu disse quando soube.
— É tão critico assim?
— Você verá. Ele não pega qualquer missão, só as missões criticas lidera pessoalmente. Se passar nessa missão pode apostar que você vai ganhar status aqui no regimento e o respeito do Savalas.
— Só por sobreviver?
— E ainda se sinta grato por isso. – Mu assentiu.
“Cristo aonde ele vai nos enfiar agora?” pensou Camus. – E você não foi convocado?
— Não e isso é um mau sinal. – ele pegou a mochila que estava ajudando Camus a arrumar – A equipe de intervenção é pequena, é para resgate e só vão peritos em combate, a maioria é pelo que eu saiba. Sinal que não é apenas uma missão de resgate simples e se é no cinturão do Equador isso significa uma encrenca gigantesca.
— Mutações?
— Classe C para ser mais exato.
Camus franziu o cenho. Quem diabos ia fazer o General Savalas colocar uma equipe de resgate na merda de uma selva cheia de mutações classe C? Pensou irritado. Mutações classe C são o que a genética e a mistura do DNA dos insetos terrestres e dos Aliens resultou. Eles são enormes, inteligentes e altamente letais. Era tudo que Camus precisava para a sua primeira missão.
Sendo assim seu animo não estava dos melhores quando topou ainda no corredor com o Chefe. Ele vinha sozinho e era a primeira vez que o ruivo o via em uniforme de combate, ou pelo menos parte dele porque ele não usava o macacão de fibra especial que era mais grosso e térmico. Ele usava apenas calça e a blusa de malha ajustável preta e Camus se viu observando demais como a malha modelava os músculos, tentou não ficar olhando, mas era impossível já que ele vinha na direção oposta. Parecia-lhe selvagem e ao mesmo tempo sensual, os movimentos felinos do homem que vinha à sua frente.
— Tenente. – ele cumprimentou com um aceno de cabeça e Camus bateu continência sem olhá-lo – Animado para a sua primeira missão?
— Não muito. – soltou Camus sem pensar e depois se corrigiu – Eu... Claro senhor.
Ele deu um meio sorriso e juntos chegaram à frente da sala de teorias práticas. Milo segurou a porta e pareceu hesitar, por fim entrou na sala e Camus o seguiu indo sentar no canto esquerdo para esperar as instruções. Incluindo ao Primeiro Tenente eram dez pessoas na sala: General Savalas, oficiais Shaka Parker e Saga Papadopoulos; dois sargentos que Camus conhecia apenas por nomes: Sargento Hyoga Romanov e Primeiro Sargento Ikky Amamiya; Três capitães peritos em combate corpo a corpo e que Camus conhecia vagamente do seu pavilhão dormitório: Aldebaram Marconi, Ângelo (conhecido carinhosamente como Máscara da Morte) Da Villa e Afrodite Strauss. Havia um oficial de inteligência do Cinturão Norte também, ele conversava com o General Savalas e parecia preocupado. Um oficial do Próprio Patriarca é sinal de que alguém muito importante está naquela fronteira.
— Obrigado por se apresentar tão rapidamente. – Milo tomou a palavra – Nós fomos requisitados pelo Patriarca para realizar uma missão de alto risco na fronteira do Cinturão Sul com o Cinturão do Equador. Um jato presidencial caiu na região e precisamos resgatar as pessoas que sobreviveram à queda. Como sabem a área é classificada como área de risco nível amarela por causa das mutações Classe C, então a intervenção lá precisa ser de forma rápida e invisível. Entramos lá resgatamos os feridos e saímos. A equipe é pequena e exclusiva para proteção, portanto não teremos margem para falhas. Alguma pergunta?
— Os feridos? Quantos sãos? – Tenente Saga Papadopoulos perguntou.
— Dois. – o homem do Governo informou e o general não ficou feliz pela interrupção e Shaka deu um meio sorriso pelo bufo do amigo e general – Você é o responsável médico da missão?
— Oficial médico Saga Papadopoulos senhor. – Saga se apresentou – Serei o responsável médico sim.
— Preciso passar instruções especificas para os resgatados em particular. É importante que siga todas as minhas recomendações.
— Logo poderá passar todas as informações necessárias assim que eu terminar de informar minha equipe sobre a missão Sir Rupert.
O oficial olhou para o general indignado e Milo retribuiu com um arquear de sobrancelha um tanto insolente e então começou a informar detalhes da missão. Camus estava surpreso por estar nela porque todo mundo ali parecia se conhecer e ele não, também porque como especialista em bombas não achava coerente ir a uma missão de resgate. Mas talvez fizesse parte do treinamento.
— Tenente Chevalier. – Parker veio falar consigo depois que foram dispensados para o hangar de embarque – É bom conhecê-lo finalmente.
— Você queria me conhecer? – Camus não conhecera muitos além de Mu, principalmente os oficiais os quais só convivia durante o treinamento e via no refeitório.
— Na verdade todo mundo quer. – Shaka pousou seu olhar celeste sobre o ruivo e Camus se perguntou como aquele anjo era major especialista em armas brancas e imobilização – Todo mundo quer saber se você faz jus à fama que tem. Chame-me de Shaka, pare de chamar todo mundo aqui pelo sobrenome, nós não somos assim.
— Então vocês sabem o quanto eu sou encrenqueiro? – Camus devolveu ainda sério fazendo Shaka sorrir. O francês não deixou de se perguntar se Shaka tivera uma vida tão dura quanto ele já que era bonito daquela maneira, pelo leve sotaque ele parecia inglês, mas havia uma cadencia diferente no ressoar das vogais que Camus não soube identificar a origem.
— Eu vou te contar um segredo. – ele se aproximou mais e falou baixinho – Todo mundo aqui é encrenqueiro. O General Milo é o maior! Só os encrenqueiros são loucos o suficiente para estarem na Divisão de intervenção.
Dessa vez foi à vez de Camus rir, rir não gargalhar e chamar a atenção de Milo que se surpreendeu com aquele som bonito e divertido que chegava até ele vindo do sempre sisudo Primeiro Tenente Chevalier. Acompanhara aquelas semanas o desenvolvimento daquele novo recruta de perto e nunca vira Camus tão à vontade nos treinamentos ou mesmo no refeitório. Suspeitava que o ruivo fosse o novo amante de Mu, mas apenas porque o tibetano era a constante companhia do ruivo.
Entraram no avião com Shaka ainda conversando com Camus contando que era do Cinturão Índico até ser transferido para Greenwich.
— Vamos resgatar quem Par... Shaka? – Camus apressou-se em corrigir sob o olhar de Shaka.
— Eu tenho um palpite. – ele remexeu nos cordões da bota – O jato presidencial que caiu lá estava sendo perseguido por aliens e depois de se livrar da perseguição, eles fizeram um pouso forçado no meio da mata. Só duas pessoas sobreviveram e eu nem estou muito certo se são pessoas. – Camus o olhou espantado – Viu os mapas da área Camus? Você percebeu como vamos ter dificuldade para chegar lá e ainda sim há sobreviventes? Não faz muito sentido... Um humano normal não sobreviveria.
Híbridos. Camus já tinha ouvido falar deles, embora nunca tivesse visto um. Não era segredo que os centros de pesquisa médica estavam criando humanos modificados como uma nova força de resistência. A justificativa era que em breve os jovens não seriam necessários nos campos de treinamento e mesmo aqueles que são órfãs e não tem onde viver como ele não precisariam mais ir para as Forças especiais.
— E a instrução específica para o oficial Saga...
— Eram para prevenção e contenção de híbridos. – Shaka falou mais baixo isso, o General os olhava do seu lugar – Mas o agente do Patriarca foi bem subjetivo sobre as vítimas serem híbridos ou não.
— E aí temos o nosso motivo de o “Chefe Milo” estar tão feliz com a missão. – o francês comentou irônico. Não era segredo no regimento que o General odiava essas missões ultrassecretas cheias de segredo.
— Fazendo amizade Shaka? – ele falou do seu lugar, Shaka o olhou de soslaio e se endireitou no seu lugar – Não escute o oficial Parker Tenente, ele adora fantasiar coisas.
— Eu nem entendi o que eu estou fazendo aqui. – Camus ignorou Milo e continuou a conversar com Shaka – Sou especialista em bombas não em resgatar pessoas!
— Você degolou dois soldados durante a noite num cubículo fechado usando um canivete – o indiano deu de ombros – Acho que isso já diz o quanto você está preparado.
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