Space Dementia
10 Capítulo 11
Notas iniciais
A tarde caia melancólica no regimento da Divisão de Intervenção, poucos soldados estavam no pátio e mesmo assim apenas para fumar, conversar ou olhar o movimento, a preferencia de cada um. As atividades daquele dia estavam encerradas e todos estavam livres por algumas horas.
Radamanthys e Minos olhavam a movimentação encostados às pilastras do pavilhão B enquanto fumavam um cigarro. Depois de um banho revigorante e algumas horas de sono Griffon se sentia novo em folha. Viram Hyoga atravessar o pátio com as mãos no bolso até eles.
— Primeiro dia fora do laboratório e você já quer voltar? – Radamanthys disse quando o loiro mais jovem se colocou ao lado deles – Que foi? Outro apaixonado pelo Albáfica?
— Meu dormitório é quase uma extensão de um motel então acho que ficar aqui com vocês é quase tão bom quanto às baterias de testes do Albáfica! – gracejou o russo e os três riram, Minos estendeu a carteira de cigarros para o russo que recusou.
— Ah é. – Minos revirou os olhos e começou a falar imitando o médico geneticista – “Sem substâncias tóxicas nos primeiros três meses!”. – eles voltaram a rir era quase como ver Albáfica falando – Talvez agora eu consiga me mudar para outro dormitório. Tem vaga no seu loirinho?
— Acho que sim agora que o Mu vive nos alojamentos dos oficiais. – Hyoga deu de ombros – Fale com o Milo.
— E você vai deixar o Albáfica, Minos? – Radamanthys riu de lado – Está mesmo encantado pelo ruivinho?
— Não diga bobagens, o ruivo usa até a placa de identificação o general. – Minos inclinou a cabeça uma expressão moleque – Eu não tenho chance, nem se quisesse! E o Albáfica só me vê como a cobaia quatrocentos e cinquenta e três, ele vive para o projeto HIBRIDOS.
— E isso o deixa feliz? – havia certa tristeza no tom do russo que fez Minos e Radamanthys se encararem, era tudo novo para o garoto eles estavam naquela vida há muito tempo por isso tratavam o assunto com naturalidade.
— Nós só aprendemos a conviver com isso Hyoga. – Minos soltou um suspiro e por fim jogou o cigarro fora – Eu preciso beber alguma coisa! Sair daqui e ver alguém que não esteja vestindo um uniforme.
— Vamos à cidade. – Radamanthys jogou o seu cigarro também – Vem garoto, você não pode beber, mas vai gostar de sair um pouco. Eu falo com o Albáfica.
— Não sei se é uma boa ideia... – Hyoga coçou a cabeça e olhou para o pavilhão dos oficiais, mas precisamente para a janela de Ikki. – Eu não estou com um humor muito bom...
— Besteira! Vá se trocar e encontre a gente no portão em quinze minutos.
Os outros dois subiram as escadas do pavilhão B e Hyoga ainda ficou pelo pátio tentado em não ir, mas por fim decidiu que não havia nada melhor para fazer ali. Seus amigos estavam todos ocupados e namorando, matando a saudade dos seus namorados que estavam em missão, ele estava sozinho. Enfim bufou e foi para o seu dormitório se trocar rapidamente, escolhendo uma calça jeans, blusa de malha fria branca e uma jaqueta sintética preta com aplicações na gola e nos pulsos em vermelho. Andando para o portão ele encontrou Afrodite.
— Ei russo aonde vai assim tão bonito? – perguntou o sueco ao cumprimentá-lo
— Vou à cidade com o Rada e o Minos. – explicou o russo sem jeito.
— Você vai andar sempre com eles agora? Sabe que não precisa ser assim. – Afrodite o olhou de cima abaixo e seu tom de voz era um tanto magoado – Nós somos seus amigos, não eles.
— Deixe de besteira Dite! – Hyoga abraçou o amigo – É só que... – suspirou e decidiu falar a verdade – Está difícil ficar no regimento ultimamente com todo esse “love is in the air” e sabe que eu não gosto de ficar incomodando.
— Você é mesmo um idiota. – Afrodite apertou ainda mais o abraço, mas entendia que em parte o afastamento do loiro era por conta do Major Ikki Amamiya.
Nesse momento Radamanthys e Minos se aproximaram em duas Kawasaki Ninja H2R.
— Anda loirinho. – Radamanthys disse quando estacionou perto dos dois – Sobe aí você quer um capacete?
— Vai nos jogar na primeira arvore que encontrar? – Hyoga arqueou a sobrancelha.
— Não seja tão otimista. – Radamanthys olhou para Afrodite e o sueco tinha que admitir que o híbrido fosse uma tentação – E aí belezinha? Não quer dar uma volta com a gente? Nós vamos a Birmingham.
— Minha garupa está vazia... – galanteou Minos e Afrodite teve de rir.
— Obrigado pelo convite, mas terei que recusar. – Afrodite viu Hyoga subir na garupa de Radamanthys, o inglês puxar a mão do loirinho para que ele se segurasse na sua cintura, achou o contato intimo demais – Ei inglês cuidado com o meu amigo. Hibrido ou não dou um jeito de quebrar a sua cara.
— Eu vou cuidar bem dele. – piscou Radamanthys e em seguida os dois arrancaram nas motos levantando poeira. Afrodite saiu da portaria correndo para o pavilhão dormitório e ao subir as escadas trombou com Kannon.
— Ei rosa aonde vai com tanta pressa?
— Acabei de ver o Hyoga sair com o Minos e o Radamanthys. – disse atropelando as palavras – O loirinho na garupa da máquina do inglês e eles pareciam tão à vontade Kannon! Acha que pode estar rolando alguma coisa? O Hyoga pode ter deixado o Ikki de lado de vez?
— Como... – Kannon piscou confuso pela enxurrada de palavras e então olhou para Afrodite, incrédulo – Com o Radamanthys? Ah não o Hyoga não vai me passar à perna assim onde já se viu perder para aquele moleque?! Ninguém tem mais respeito por nada? Eu hein!
Afrodite não teve tempo de entender nada porque foi puxado pelo braço escada acima.
***
Minos escolheu o lugar, no centro de Birmingham antigo distrito de Londres que agora não passava de uma cidade murada e de segurança máxima. Uma das poucas cidades fora do Cinturão Norte que possuía alguma estrutura. A chegada à boate causou frisson, pois os três não tinham como passar despercebidos, dado ao porte altivo e beleza. Radamanthys alto e másculo com aqueles olhos dourados desafiadores e o cabelo louro repicado apontando para todos os lados. Minos e seus cabelos platinados, a franja cobrindo parcialmente os olhos violáceos e emprestando um ar misterioso ao rosto delineado e belo. Por fim Hyoga com aquele rosto de anjo os cabelos loiros repicados mais compridos que os de Radamanthys e apesar de menor possuía uma sensualidade latente. Fazia bem ao ego dos três ter aquela atenção para si.
— Primeira parada: Ao bar. – Minos esfregou as mãos, satisfeito – Loirinho você vai ficar na água hoje eu sinto muito não poder acompanhar você.
— Tudo bem. – foram ao bar e depois de pegar as bebidas escolheram uma mesa um pouco mais afastada da pista de dança.
A música que tocava era uma batida eletrônica que reverberava por toda a boate ensurdecedora, música pré-catástrofe. Em todos os lugares só rolavam musicas de antes da tragédia, depois da invasão alienígena a única coisa que os humanos faziam era sobreviver. Ter lugares para diversão era algo muito recente.
— Vou dançar vocês vem? – Minos tomou o seu uísque e deixou o copo na mesa olhando os outros dois em expectativa.
— Ficarei aqui. – riu o russo sem graça – Sou um péssimo dançarino.
— Farei companhia ao Hyoga, você pode ir lá rei da pista e mandar ver. – Radamanthys piscou e Minos revirou os olhos enquanto Hyoga gargalhava.
Hyoga ficou observando Minos na pista de dança, tentando parecer indiferente ao olhar de Radamanthys sobre si.
— Vai ficar me olhando a noite toda? – perguntou enfim encarando aqueles olhos dourados hipnóticos. O inglês tinha um sorriso nos lábios finos.
— Não, mas não tenho pressa. Quando se sentir confortável nós passaremos para o próximo passo.
— Convencido. – Hyoga torceu os lábios vermelhos em uma careta de desdém, mas acabou rindo – E se eu não quiser?
— O que tem a perder? Estamos sozinhos e a não ser que você queria aproveitar um desses corpos fugazes em volta. – fez um gesto com as mãos para a boate lotada – Pode me escolher e seria tudo mais simples.
Hyoga tomou sua água ponderando as palavras do amigo. Admitia que Radamanthys estivesse certo, um corpo quente junto a si era o que precisava naquele momento e já fazia algum tempo que estava sozinho. Antes mesmo de se tornar um hibrido estava longe de Ikki e depois da combinação não tivera cabeça para pensar naquilo, mas reconhecia que apesar da fachada fria era um homem ardente e que necessitava de carinho. Mas havia Ikki...
Pensar em Ikki o fazia se sentir ainda pior, o modo como o olhara no pátio na chegada da missão Atenas e todos aqueles dias sem lhe dirigir ao menos alguma palavra mostravam que o que restara deles em Ikki era ojeriza. Qualquer possibilidade de eles ficarem juntos se perdeu em algum lugar antes de Hyoga se tornar um híbrido.
— Pelo menos você está sendo mais sutil que o Aiacos embora eu ainda me sinta como um pedaço de carne.
Radamanthys se aproximou mais no banco acolchoado ficando muito próximo do loiro, estavam em uma mesa com bancos imitando os antigos cafés dos anos 70. Os olhos não deixavam o rosto de Hyoga na aproximação e o russo suspendeu a respiração quando sentiu a mão de Wyvern se erguer lentamente e segurar o queixo com delicadeza, a outra foi parar em sua coxa debaixo da mesa. O inglês parou a centímetros da boca carnuda e havia um pedido de permissão em seu olhar, Hyoga ergueu mais o rosto permitindo-se e os lábios de Radamanthys moldaram os seus em um beijo lento e sensual. Primeiro só os lábios se provaram até que a língua exigente do inglês impôs passagem entre os lábios do loiro em busca da sua igual e provando e sugando minando a resistência do russo.
— Um apetitoso pedaço de carne. – Radamanthys disse quando apartearam o beijo.
Hyoga sorriu e Radamanthys também então trocaram mais um beijo, com o russo agora ousando mais tocando o inglês, entrelaçando os dedos nos fios repicados do outro loiro e mordendo o lábio de Wyvern. Ficaram assim um tempo até se juntarem à Minos na pista de dança, ideia de Radamanthys que o russo acatou por ainda estar sem jeito com o outro mesmo que tivessem trocado beijos molhados. O inglês por seu lado deixaria que as coisas fluíssem naturalmente, não queria pressionar Hyoga. O teria quando o russo tivesse pronto.
Ikki relutou muito em sair do regimento e agora olhando para a pista de dança a sua frente tinha certeza que deveria ter ficado por lá. Ter acatado a ideia de Ângelo e Kannon sobre “espairecer” tinha sido a pior decisão da sua vida. Talvez se estivesse no dormitório sozinho e pensativo não estaria vendo Hyoga nos braços de outro.
“Um traidor!” fora seu primeiro pensamento enquanto estendia a mão para pegar a cerveja que Afrodite lhe estendia, enquanto Kannon e Ângelo ainda estavam no bar esperando as suas. “Não Hyoga esses sorrisos são meus, esse olhar é meu, essa boca é minha”, pensava o Major Amamiya magoado “Por que oferecer o que é meu a outro?”.
Era mesmo seu?
Estava no regimento há dias e não se atrevera a falar com o russo em nenhum momento. Vira-o nos treinamentos, com Mu e Camus quando o ruivo não estava com o General que parecia de quatro pelo o francês na opinião de Ikki, e com os outros híbridos. Agora que Aiacos estava em hibernação tudo estava mais calmo embora Ikki não tivesse esquecido que o Garuda lhe devia duas, uma por ter atacado o russo e outra por ter deixado o japonês em uma emboscada alienígena no covil de Atenas da qual Ikki só conseguiu escapar com a ajuda de Aldebaram e Shaka. Esperava que tivesse outra oportunidade com o nepalês.
Admitia que aquela nova condição de Hyoga ainda fosse um empecilho mesmo que aparentemente o russo não tivesse mudado tanto assim, é claro que se antes as brincadeiras e deboches com o loiro eram raros por conta da indiferença e nem tanto “timing” do loiro gelado para elas, agora eram todas nulas. Ninguém ousava mexer com um cara que podia atravessar paredes ou arremessar bolas de novecentos quilos de chumbo como se estivesse carregando um quilo de batata.
Ikki se sentia incomodado com o fato de Hyoga ser agora um híbrido, mas naquele instante vendo o russo tão próximo a Radamanthys com o inglês segurando-o junto a si e lhe segredando algo que fazia seu pequeno sorrir daquele jeito moleque e ao mesmo tempo malicioso que ele conhecia tão bem, Ikki percebia que aquele estranhamento de saber que Hyoga era um híbrido não chegava aos pés da sensação sufocante que sentia agora.
— É Kannon acho que você dançou dessa vez. – Afrodite comentou de passagem, olhando para o grego e para o japonês com um olhar irônico.
— Não acredito que me tiraram da base para ficar fofocando sobre a vida alheia! – Ângelo estalou a língua olhando na mesma direção que todos olhavam e vendo o russo conversando com Minos, o loirinho tinha o braço do inglês enlaçando sua cintura de forma possessiva – O que é? Não quer tem quem queria não é assim?
Direto no alvo. Ângelo não era de meias palavras quando queria dizer o que pensa e com Afrodite aprovando tudo ele ficava ainda mais afiado. Era uma dupla muito sincera e não ajudava nada na opinião de Ikki.
— Vamos até lá. – decidiu Kannon, podia não ter dito sucesso aquela noite, mas não era homem de se dar por vencido. Ainda mais sabendo que no fundo Hyoga só queria esquecer Ikki, se o loirinho quisesse realmente ficar com o hibrido inglês ele tiraria o time de campo. Teriam uma conversa sobre isso assim que pudesse.
— Olá pessoal, aproveitando a folga também? – falou quando estava junto dos híbridos, Minos e Radamanthys levantaram os copos de uísque – Agora estou vendo que todas aquelas visitas e atenção no hospital não eram apenas pelo meu charme grego.
— Kan você é muito cara de pau! – Hyoga riu desconcertado e o grego deu de ombros rindo também e foi quando viu Ikki e Máscara com Afrodite – Oi pessoal!
Seguiu-se uma série de abraços e cumprimentos que morreram quando Hyoga chegou a Ikki e o moreno estava em uma postura tão agressiva que o loiro recuou, voltando-se para Radamanthys que apenas para provocar enlaçou o loiro de novo pela cintura.
— Boa noite Major. – cumprimentou o inglês de forma polida, porém fria – Vejo que está melhor. Tem uma boa resistência.
— Mais do que imagina inglês. – Ikki retrucou do mesmo modo e Afrodite e Hyoga se olharam confusos.
— Russo vem aqui no banheiro comigo. – Afrodite puxou Hyoga de Radamanthys e o loirinho saiu com o sueco rapidamente. Os outros ficaram juntos em um silencio tenso tomando suas bebidas até que Ikki perguntou.
— E aí Wyvern qual é a sua com o Hyoga?
O inglês deixou sorriso moldar os lábios finos para encobrir a surpresa pela pergunta do major. Havia um interesse genuíno nos olhos índigos e Radamanthys se perguntava até que ponto aquele interesse era pessoal de Ikki, ouvira algumas conversas sobre um rápido caso entre o Amamiya e Romanov, porém o russo já estava só antes do ataque porque Aiacos indagara a respeito. E depois do retorno de Ikki da missão Atenas, eles não haviam se falado.
— Por que major? – Radamanthys fez questão de usar a patente do regimento como forma de deboche – Algum interesse pessoal no caso?
— Não fuja da pergunta capitão...
— Como você foge de Hyoga?
Calaram-se e o desafio estava claro no olhar de ambos. Máscara da Morte e Minos acompanhavam tudo com expectativa do que iria sair dali, Kannon parecia mais receoso.
— Acho que a gente...
— Grego quer dançar? – Minos convidou Kannon com um sorriso e fez sinal para Máscara, então os dois saíram de lá arrastando o grego com eles deixando Ikki e Radamanthys sozinhos.
— Escuta aqui Wyvern...
— Escuta aqui você Amamiya. Não me interessa seja lá o que você quer com o russo, eu não dou a mínima! Não tenho medo de você! – Radamanthys chegou mais próximo para que Ikki ouvisse suas palavras muito bem – Você já teve sua oportunidade e perdeu, é hora do russo seguir em frente. Se você não conseguiu superar esse nojo estúpido sobre o fato de que Hyoga agora é um hibrido, problema seu! Quer saber se eu quero apenas uma foda com o Romanov? Não, faça com essa informação o que quiser.
Ikki segurou o loiro pela gola da camisa com vontade crispando os punhos prontos a esmurrar Radamanthys até cansar, mostrar aquele inglês arrogante que ele não tinha o direito de lhe dizer aquelas coisas, mesmo que estivesse coberto de razão. O loiro permaneceu fitando o moreno com um olhar insolente, instigando-o a prosseguir e agredi-lo. Por fim Ikki o soltou e saiu dali antes que fizesse uma besteira.
***
— Aconteceu a mesma coisa com o Aiacos. – Minos falava para Ângelo e Afrodite, Kannon já tinha ido falar com o inglês assim que viu Ikki sair de perto dele – Ele tinha um companheiro antes da combinação o Garuda era louco já naquela época, mas o cara sabia colocar um freio nele, mas depois da combinação o cara simplesmente sumiu e o Aiacos surtou de vez.
— Ele o deixou por que ele se tornou um hibrido? – questionou Afrodite chocado. Tentava se imaginar naquela situação, talvez se fosse aquele italiano louco por quem se via apaixonado que precisasse do projeto “HIBRIDOS” para continuar vivo ele o apoiaria porque afinal o amava. Porém nem todos pensavam daquela maneira.
— Eu meio que entende porque não é qualquer pessoa que aceite. – Minos falava com os olhos fixos no liquido transparente do seu copo de vodca tônica – Muita gente não entende que apesar do melhoramento genético com o DNA alienígena nós ainda somos humanos, somos nós mesmos... Comigo e com o Rada foi mais simples porque não tínhamos ninguém, éramos livres e estávamos praticamente mortos! Não me arrependo de ter escolhido me tornar um hibrido, faria de novo sem pestanejar. O Hyoga queria apenas continuar vivo isso é um crime tão grave assim? Será que o Ikki não gosta dele o suficiente para aceitar isso? Vocês também são amigos dele e aceitaram, porque o japonês não?
— Por que a família do Ikki foi morta por aliens e ele não sente nada além de um ódio extremo por aliens. – Máscara falou com um suspiro – Mas você está certo, não é justificativa... Mas ele precisa aprender isso sozinho isso, ninguém pode forçá-lo.
— Até ele cair em si estará tudo perdido pelo visto. – Afrodite mexeu nos cabelos fartos com irritação.
— E afinal o que o Radamanthys quer com o loirinho Minos? – Ângelo perguntou, queria verdadeiramente saber, Hyoga era seu amigo se preocupava com ele também – Independente de estar fazendo do jeito certo, ainda está cercando o garoto e o Hyoga não precisa de outro problema agora.
— Não se preocupe Mask, com o Radamanthys é diferente. – Minos estalou a língua – Diferente porque o Rada não é tão fácil de aproximar, ele é um poço de arrogância e não é qualquer um por quem ele se interessa e quando o faz, é pra valer! Não é um interesse de “uma noite”.
— O Ikki tá ferrado.
Minos assentiu para Afrodite que suspirou contrafeito, Máscara tinha uma expressão complacente ambos estavam desanimados com o que Minos disse. Não havia dúvidas que entre esperar Ikki se decidir e tentar com outra pessoa, Hyoga havia escolhido a segunda opção.
***
No banheiro Hyoga lavava o rosto e molhava a nuca para aplacar o calor e o nervosismo, estava se sentindo agitado e desconfiava que fosse por ter visto Ikki ali. Odiava como o moreno ainda mexia com ele daquela forma, não devia ser assim! Ikki mal trocara com ele duas palavras, o moreno não queria mais qualquer coisa com ele Hyoga e devia se conformar.
Deixou que a mão gelada ficasse um pouco na nuca e ergueu o rosto para o teto de olhos fechados tentando respirar para se controlar. O melhor a fazer era ir embora e se afastar de Ikki, Radamanthys... Voltar sozinho para o regimento e pensar sobre o que queria a partir dali, tentar esquecer Ikki Amamiya. De olhos fechados não percebeu que a jaqueta escorregou do ombro revelando um pouco da marca Engies que possuía agora que ia desde o inicio do pescoço até a cintura, um desenho estilizado em negro na pele alva.
Ikki saiu de um dos boxes privativos naquele momento e deu de cara com o loiro ali de olhos fechados frente ao espelho enorme do luxuoso banheiro hich-tec, a marca dos Engies que se insinuava pela jaqueta chamou-lhe a atenção. Deu um passo a frente e Hyoga se virou imediatamente em uma postura ameaçadora que logo mudou para uma de espanto.
Ikki continuou a avançar com os olhos fixos no russo que também não conseguia tirar os olhos do Amamiya, Hyoga não pode deixar de pensar que mesmo recém-recuperado de uma missão, o moreno ainda era uma perdição principalmente vestido à paisana daquela forma. Jeans escuro e justo moldando as pernas poderosas, uma camisa cinza de tecido fino e maleável estava por baixo da jaqueta de couro. Hyoga lambeu os lábios de repente secos e o movimento da língua rosada foi seguido por Ikki atentamente.
— Não te incomoda? – Ikki se permitiu estender a mão e tocar no ombro parcialmente desnudo do loiro, afastando ainda mais a jaqueta para exibir a marca Engies. Estavam tão próximos agora que Hyoga podia sentir o calor do corpo do moreno.
— Não. – Hyoga fechou os olhos ante o toque, o moreno deixou os dedos percorrer a marca escura sentindo a textura na pele branca, uma leve massagem quase uma caricia. – Incomoda você?
— Sim. – antes que o russo se afastasse Ikki o segurou no lugar, o aperto firme nos braços do loiro – Me lembra de que se eu não fosse tão estúpido você não estaria assim.
— Eu ainda sou o mesmo Ikki. – Hyoga afastou as mãos do Amamiya de si com delicadeza, mesmo que por dentro tivesse querendo esmurrá-lo – Isso significa também que eu ainda quero as mesmas coisas.
— O que vai ser diferente com o Radamanthys?! Diga-me que o que você vai ter com ele não é nada além de uma foda Hyoga! Por que é isso que ele quer, só isso! – Ikki se exasperou, não gostava daquelas cobranças. Era assim antes no relacionamento deles, Hyoga cobrando fidelidade, compromisso algo que ele não poderia dar e isso o deixava nervoso.
— É DIFERENTE PORQUE EU AMO VOCÊ PORRA! – rebateu Hyoga quase gritando e se amaldiçoando por ter dito aquelas palavras à Ikki, ele não as merecia, mas já que começara iria até o fim – É eu amo você seu cretino estúpido e não quero ser só mais um na sua cama! Você não merece o que eu sinto por você, mas não posso evitar e não vou me contentar com pouco ou é tudo ou é nada Ikki Amamiya porque eu não sou homem de me sujeitar a migalhas! Se você não pode ENTÃO ME DEIXE EM PAZ!
Radamanthys abriu a porta do banheiro encontrando os dois homens se encarando como se fosse partir para a briga a qualquer instante. A interrupção foi providencial para Hyoga que se afastou do moreno, voltando-se para o inglês que acabara de entrar ali.
— Algum problema? – perguntou o inglês encarando Ikki que devolveu o olhar desafiando Radamanthys a dizer ou fazer alguma coisa.
— Não. Vamos embora. – Hyoga colocou a mão no peito de Radamanthys e o inglês pegou a mão do menor com carinho levando-a aos lábios e depositando um beijo no dorso surpreendendo o russo que corou encabulado, Radamanthys o puxou e o levou dali. Ikki ficou no banheiro passando a mão nos cabelos repicados tentando controlar-se para não ir atrás deles e esmurrar aquele hibrido arrogante até não querer mais embora a vontade de esmurrar a si próprio fosse tão grande quanto.
Saiu e foi se juntar aos amigos depois de dar uma volta na boate à procura do loirinho, mas Hyoga não estava mais ali. No bar pediu uma bebida que tomou em um gole só e pediu mais uma, sem conversar com ninguém em especial, ficou apenas calado e bebendo tentando parecer indiferente. Aparentemente tentava manter uma atitude de descaso mesmo que por dentro ele estivesse gritando.
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