Space Dementia
9 Capítulo 10
Notas iniciais
DISTRITO DE ATENAS, COVIL DE ENGIES 894AB5.
— A equipe Alpha está em suas posições. – informou Camus pelo comunicador, tinha a posição dos seus vinte homens pelo visor eletrônico e a olho nu podia ver Marin, Shina e Aldebaram mais à frente.
— Equipe Alpha retirada em... – Shaka consultou o computador de pulso e ajustou a mira do rifle de laser – Dez minutos! Chevalier há movimentação ao norte, posição da equipe Alpha mudar para noroeste, vou mandar uma equipe de apoio.
Haviam conseguido instalar as bombas nos arredores do covil e a equipe de Camus conseguira se infiltrar no próprio complexo dos aliens para instalar as bombas nucleares com explosões de maior alcance. Agora só restava a eles sair dali.
Shaka acionou Ikki e sua equipe pelo rádio e chamou os outros para dar cobertura, Shina ficou na base de operações controlando a movimentação.
— Traga o ruivo em segurança Major ou o Chefe não vai perdoar você! – gritou Shaka para Ikki que já ia longe com outra equipe.
— Com o humor que ele está ele vai acabar fuzilando você no campo de batalha. – disse Shina pelo rádio e todo o batalhão riu.
Apesar da tensão, a descontração e união daqueles homens era que fazia a diferença em missões como aquelas onde a vida estava por um fio. Isso foi colocado à prova assim que as bombas começaram a explodir e os aliens começaram a jorrar do covil como formigas de um formigueiro. Era um covil enorme, um dos principais e por isso era tão importante destruí-lo. A equipe de Camus já ultrapassara a linha das primeiras bombas, mais alguns metros e eles estariam livres! O problema surgiu quando um esquadrão de aliens cruzou o caminho deles entre a penúltima linha de bombas e a última, tinham apenas dez minutos para passar antes das bombas explodirem.
Os tiros não afastaram os aliens então a luta corporal começou. Na equipe de Camus Shaka colocara os híbridos Minos e Aiacos e agora ambos estavam provando o que o melhoramento genético e a combinação com os aliens havia feito com eles. Aiacos era tão o mais feroz que os aliens que combatia, tinha um esgar no rosto que mostrava o quanto adorava aquela carnificina, Minos por outro lado era frio e sem emoção, prático ao matar colocando o soldado racional em ação. Estavam conseguindo avançar e a equipe de Ikki chegava a apoio deles equilibrando as coisas.
De repente Camus se viu cercado de aliens e mesmo que ainda lutasse para se desvencilhar não conseguia de todo. Ikki e Shaka viram o francês ser cercado, mas não estavam em melhores condições.
Três minutos.
Minos correu até Camus no momento em que o ruivo era atingido pelo feixe de laser da arma de um aliem, o tiro atingiu o braço da arma que Camus soltou com um urro e caiu em seguida. Os aliens convergiram prontos para matá-lo então Minos saltou no meio deles e pegou o tenente ferido saindo de lá usando a força física extraordinária, se aproximando da zona de segurança que limitaram para as bombas. Porém não foi rápido o suficiente, pois quando as bombas explodiram ele e Camus foram jogados para longe com a força da explosão.
No Cinturão do Norte Dégel sentiu um estremecimento e sua visão escureceu Kárdia estava ao seu lado. Eles conversavam trivialidades enquanto preparavam um jantar, passaram a tarde juntos em meio aos lençóis perdidos no corpo um do outro depois de uma conversa difícil onde Dégel enfim admitiu que amava Kárdia. O grego estava exultante e ambos decidiram ir atrás dos irmãos na Intervenção para convencê-los a sair de lá e quem sabe viver uma vida normal.
— Dégel! – Kárdia o amparou e o aquariano piscou algumas vezes para clarear a visão, sua pele estava fria pelo suor gelado que o tomava agora.
— Camus! – Dégel olhou para Kárdia, o segurando pelos ombros – Meu irmão!
***
Milo olhou para a noite e a angustia que tomava o seu peito só piorava, ele não sabia bem definir o que era só que sentia uma desolação e uma sensação de perda. Camus veio a sua mente e ele o afastou rapidamente, não querendo ligar o francês e o dono dos seus pensamentos aquela sensação ruim.
— Não seja tolo de morrer francês! – murmurou baixinho segurando as placas de identificação que usava no peito, eram de Camus.
Na noite anterior a viagem o ruivo havia ido ao seu quarto se despedir, mas ele não estava lá porque estava no pavilhão hospital logo que soubera do incidente com o Hyoga. Então o francês numa brincadeira tola deixara suas placas de identificação e um aviso escrito à faca na sua escrivaninha que voltaria para pegá-las, que Milo não se livraria dele tão fácil. Aquele francês estava enlouquecendo-o! Pensou com um sorriso.
No dia seguinte enquanto Camus estava visitando Hyoga ele deixou as suas próprias placas de identificação na mochila do tenente com um bilhete avisando-o para não perdê-las que ia querer as placas de volta quando Camus retornasse. Sentiu-se bobo e estupido por fazer aquilo, mas ao se despedir de Camus e o ver usando as placas quase não conseguiu manter a expressão séria. Quando aquele ruivo arrogante voltasse eles teriam uma longa conversa.
***
Enquanto havia uma imensa cratera ao fundo e muita fumaça e fuligem caindo pelo céu, além de pedaços de aliens para todos os lados o grupo estava em volta de Minos que fazia uma massagem cardíaca no primeiro tenente Chevalier desacordado. O corpo delgado era sacudido pelos movimentos firmes do hibrido que parecia incansável. Marin estava agachada ao lado do corpo do ruivo também preparando o desfibrilador para tentar fazer o coração de Camus voltar a bater. Todos estavam apreensivos esperando que o ruivo desse sinal de vida.
— Afaste-se Minos. – pediu a mulher colocando o aparelho no peito de Camus – Agora Shaka!
Primeira descarga e o corpo foi sacudido violentamente, mas o coração ainda permanecia parado, Marin pediu que aumentassem a voltagem e nova descarga do desfibrilador. Minos havia saído dali e agora voltava com algo na mão.
— Injeta a adrenalina! – disse alguém aflito – Direto no coração!
— Não! – Minos se agachou próximo ao ruivo e afastou os tecidos do uniforme tateando as costelas até encontrar o que queria – Marin você vai colocar o desfibrilador aqui – apontou para os pontos próximos ao coração – Eu vou injetar o soro H1614 direto no coração dele, mas vou precisar da descarga para fazer o soro agir mais rápido você entendeu?
— Entendi Minos, mas...
— Confie em mim! – Minos ajustou o aparelho e posicionou a seringa finíssima no local que ia injetar – Vamos lá francês eu não tive um trabalho imenso para salvar você daqueles aliens para você morrer assim! Pronta Marin?
A ruiva assentiu e então pressionou o aparelho no peito aberto de Camus e Shaka liberou a descarga no exato momento em que Minos injetava o soro que havia trazido. O efeito foi que o corpo de Camus foi sacudido violentamente pela descarga alta e o soro entrou no coração de uma vez com a descarga elétrica fazendo-o circular e ativar todas as células do órgão ao mesmo tempo fazendo-o bombear o sangue. Camus engasgou e abriu os olhos tossindo e todos quase gritaram de felicidade. Marin e Minos se olharam arfantes e aliviados, Shaka se deixou escorregar para o chão meio tremulo.
— Por deus francês nunca mais faça isso! – Marin bateu de leve no ombro de Camus
— Que susto em ruivo? – Minos ajudou Camus a se sentar, mas ele fez uma careta de dor e ainda parecia pálido e desnorteado – Eu levo você.
— Não precisa Minos.
— Vamos embora dessa merda pessoal! – Shaka se levantou e gritou em volta – Nossa missão aqui acabou.
Urros de comemoração pipocaram em volta e todos começaram a se dispersar, mesmo sob os protestos de Camus Minos o carregou o tirando dali. O indiano olhou em volta tentando localizar Ikki e não o encontrou, mais uma rápida verificada e encontrou Aiacos subindo em um dos carros de resgate e aquilo o intrigou.
— Aldebaram cadê o Ikki?
— Pensei que ele estivesse aqui? – o brasileiro olhou em volta e depois trocou um olhar receoso com Shaka – Cadê o Garuda? – Shaka apontou com o queixo para os carros de resgate e Aldebaram viu o hibrido – Puta merda Shaka!
— Vem vamos procurar ele.
Os dois voltaram para a zona do covil para procurar Ikki com receio em seus corações. Aiacos viu os dois saírem e sorriu meio de lado.
***
Os dois soldados lutavam entre si no pátio deserto, mas eram observados atentamente pela equipe médica que estava em uma sala no segundo andar. O louro maior incidia os golpes no mais baixo com ferocidade e recebia de volta com na mesma medida, ambos estavam bem e apenas um pouco cansados apesar de estar há horas lutando. A flexibilidade e rapidez do soldado menor eram vistas como um ponto positivo no teste.
— Ele já era muito bom em combate corpo a corpo mesmo antes da combinação, mas podemos observar que agora a agilidade e flexibilidade estão bem acentuadas, Radamanthys está tendo um trabalho dos diabos! – comentou o assistente médico de Albáfica.
— Reflexos também melhorados em cinquenta por cento. – informou o outro.
— Ótimo – Albáfica bateu as mãos e chegou próximo ao microfone – Estão dispensados soldados, para o chuveiro!
Albáfica deixou o centro de treinamento e foi para o seu alojamento estava cansado, mas satisfeito. Os progressos alcançados com o Sargento Romanov foram excelentes e esperava que dessa vez ele conseguisse a autorização do Patriarca para começar a voluntariar os soldados para o projeto HIBRIDOS. Tirou o jaleco e as roupas e foi para o chuveiro aproveitar a ducha quente para relaxar os músculos, ficou um tempo no banho tentando não pensar em nada e nem em Minos.
Tinha plena convicção que Minos voltaria da missão bem, mas não deixava de se preocupar com ele. Não queria se preocupar Minos não passava de uma cobaia e ele como médico responsável pelo projeto não devia criar laços emocionais por ele. Porém era inevitável quando via o sorriso moleque dele ou aquelas tiradas sarcásticas que ele sempre fazia a respeito de algum procedimento ou de Albáfica estar sempre sério e distante. Às vezes se pegava observando Minos a distancia, no modo franco e animado em que ele parecia se relacionar com todos com facilidade. Apesar de conhecer tudo no corpo de Minos Griffon, o norueguês para ele ainda era um mistério que sentia cada vez mais tentado em desvendar.
“Não seja tolo Albáfica!” repreendeu-se saindo do banho e se vestindo rapidamente. Ouviu o barulho dos jatos da intervenção e olhou para o pátio onde muitos já se amontoavam para esperar os companheiros que voltavam de mais uma missão. Suspirou e pegou o jaleco outra vez vendo que sua tarde de folga fora para o limbo com a chegada de novas possíveis cobaias.
Assim que apareceu no pátio a tropa da Missão Atenas entrou também embaixo de vivas dos companheiros e a um olhar rápido Albáfica percebeu que pareciam não ter tido baixas.
— Isso mesmo carniceiro. – Máscara da morte passou por ele indo receber os companheiros com Afrodite e os gêmeos. Recuperara-se perfeitamente da fratura na perna graças ao soro que Albáfica não ficou muito feliz em utilizar nele – Nenhuma carne para você brincar de deus! Acho melhor procurar outro curral.
Afrodite também o olhou com desdém e se foi com Máscara cumprimentar os amigos.
Shaka vinha à frente com Ikki, Aldebaram, Marin e Camus todos aparentemente bem apesar de exaustos e feridos. Ikki era o que estava pior.
— Como foi tudo Amamiya? – Máscara perguntou abraçando o amigo e também Major que grunhiu por conta da dor, não utilizara o soro mesmo com a insistência de Minos.
— O Camus teve que ser ressuscitado, eu cai dentro do covil dos aliens por causa de um pequeno “acidente”. – Ikki olhou de relance para Aiacos que passava direto por todos indo até Albáfica e sua equipe – Mas nós explodimos a porra toda. Bom não?
— Realizada com sucesso eu diria. – Milo apareceu também e abraçou Ikki e em seguida Shaka.
Em meio às felicitações e comemorações Milo viu Camus e Minos se despedirem com um abraço caloroso e o hibrido foi para junto dos companheiros e Albáfica, no caminho sendo ovacionado pelos outros membros da equipe da missão e parecendo feliz sempre que olhava para Camus. Assim como Milo, quem estava achando tudo muito esquisito era Albáfica.
— Porque você agora é o herói do regimento Griffon?
— Ah por nada não. – Minos coçou a nuca sem graça e desviou o olhar dos olhos frios de Albáfica.
— Ele salvou a putinha do general de morrer. – Aiacos falou passando pelos dois, indo em direção ao pavilhão B até que estancou e um sorriso felino e cruel abriu os lábios cheios – Você o integrou ao projeto.
Hyoga saia do pavilhão B calmamente em direção ao pátio vestia o uniforme de treino da Intervenção os cabelos claros mais curtos agora repicados em volta do rosto de anjo agora perfeito sem marca nenhuma da agressão sofrida semanas atrás. Parecia mais alto e mais forte, mais ameaçador como os outros híbridos, a regada preta não escondia uma espécie de tatuagem no braço esquerdo. Eram marcas semelhantes as dos Engies, mas só apareciam no braço e iam até o cotovelo. Todos os soldados sabiam que Engies que possuíam aquela marca eram Engies do esquadrão de comando, especialistas em telecinese.
Aiacos e Hyoga se encararam, na expressão fria do russo nada havia enquanto Aiacos transmitia pura satisfação de vê-lo novamente. Seria ainda mais interessante subjugar o sargento agora que estavam em pé de igualdade.
Todos viraram para ver o russo se aproximar, Ikki e Milo que conversavam rindo pararam e fitaram o Hyoga que se aproximava devagar os olhos antes em Aiacos agora estavam em Ikki e se antes o japonês se sentia perdido quando olhava fundo naqueles olhos de céu agora sentia-se temeroso pela falta de emoção que via naquele olhar.
— Ei garoto você apareceu! – Máscara tentou passar o braço sobre os ombros de Hyoga quando ele chegou perto deles, mas algo na atitude do russo o impediu de prosseguir. Ele parecia um bloco de gelo.
— Olá Hyoga que bom que está bem. – Camus disse devagar e estendeu a mão para o russo que desviou seu olhar de Ikki para Camus e então ele apertou a mão dele, um aperto forte e passageiro.
— Estão todos bem? Eu soube que você quase morreu. – perguntou de forma educada e baixa.
— Estamos todos bem sim. – Camus respondeu ainda receoso, Hyoga olhou em volta e cumprimentou os outros com a cabeça sem olhar para Ikki, mas Marin se adiantou e se jogou nos braços dele, segurando seu rosto com as mãos pequenas.
— Fale comigo direito! Seu estúpido eu quase morri de preocupação. – ela o fez encará-la estava irritada com toda aquela formalidade e estranheza – Hyoga!
— Mulher você é muito irritante! Como a Shina aguenta você? – o louro revirou os olhos e todos riram entre aliviados e felizes ao ver o sorriso enviesado do russo e Marin voltar a se jogar nos braços dele quase chorosa. Hyoga a apertou com carinho.
Camus se afastou um pouco olhando tudo até que sentiu bater em alguém e antes que se virasse Milo o segurou pela cintura e o virou para ele sem dar chance do francês fugir.
— Que história é essa de morrer hein francês? E que intimidade era aquela com o Griffon? – Milo o olhou indignado, os orbes azuis de supernova estavam crispados de irritação e algo que Camus quando notou ficou desconcertado – Eu pedi para que se cuidasse?! Será que agora vou ter que ser sua babá?
— Vai sonhando Milo. – Camus riu sarcástico – Agora me solta que está todo mundo olhando.
— Vou soltar sim, mas não aqui. – Milo o estreitou ainda mais junto a si e gritou para todo o pátio – Estão dispensados! Pelo resto do dia e amanhã também por ter explodido aquele covil maldito de Engies, agora vão cuidar das vidas de vocês! – e puxando o ruivo sussurrou no ouvido dele – Agora senhor Chevalier você vem comigo!
Milo saiu arrastando o francês que estava da cor dos próprios cabelos. Depois de mais alguns abraços os grupos começaram a diminuir e os soldados começaram a voltar para os pavilhões.
— Sargento você está dispensado dos treinos por hoje também. – Albáfica disse – Já voltou ao seu antigo dormitório?
— Já sim. – retorquiu Hyoga ainda com Marin em seus braços, Albáfica assentiu e se foi com Minos e Aiacos que ainda relanceou um olhar para Hyoga e se foi também.
— Como você está? – Shaka perguntou colocando a mão no ombro do rapaz mais novo.
— Bem é sério. Foi complicado nos primeiros dias, mas os treinamentos estão ajudando e tudo parece um pouco confuso... Mas eu estou andando e sem nenhum outro problema e no fim nem foi tão ruim.
— Que bom. – Shaka o apertou pelos ombros – Vamos para o nosso dormitório conversar mais e eu preciso de um banho.
— Precisa mesmo.
— Hyoga. – os dois interromperam a risada ao ouvir a voz de Ikki e Hyoga finalmente se dignou a falar com o japonês.
— É melhor você ir para o seu dormitório e descansar Major Amamiya. – frio e objetivo, não havia nada mais daquele calor emocionado de antes e Ikki sentiu um nó na garganta por isso. Não conseguia tirar os olhos da marca dos Engies no braço do russo e sentia que não via mais o loiro com os mesmos olhos de antes – Deveria passar na enfermaria e pedir para ver essas costelas, não seja teimoso e use o soro. Ele não é feito com nada além de proteínas e antibióticos superpotentes além anticoagulantes e vitaminas, não tem com que se preocupar.
— Aí está você! Ei aberração fique longe da minha garota. – Shina se aproximou olhando feio para Hyoga, o tom era divertido, mas a brincadeira não foi engraçada para o russo que largou Marin e sem dizer mais nada se afastou dos outros. Era comum ele e Shina trocarem farpas porque adoravam implicar um com o outro, mas chama-lo de aberração tocara dessa vez num ponto dolorido para Hyoga e mesmo esperando aquilo não conseguiu deixar de se incomodar.
— Hyoga não precisa... – tentou consertar Marin.
— Não se preocupe ruiva, está tudo bem eu preciso ir mesmo só passei para dar um “oi” – Hyoga acenou para os outros e se foi todos olharam para Shina que ficou intrigada com tudo aquilo.
— O que foi?
— Você tem uma boca enorme isso que foi! – Marin puxou a companheira pela mão e saíram as duas.
— Por que ninguém me disse nada?! – acusou Ikki olhando diretamente para Shaka.
— Não podia, a missão era mais importante. – Shaka deu de ombros cansado – O que importa é que ele está bem apesar de tudo.
— Não ele não está bem! Ele virou uma aberração como pode estar bem?! – explodiu o leonino – Porque deixaram isso acontecer?!
— Era a única chance dele Ikki. – Afrodite interveio – Não podíamos fazer nada era isso ou virar um inválido e o Hyoga não queria isso ele decidiu sozinho.
— O Garuda praticamente trucidou o garoto se não fosse a combinação o Hyoga estaria em Oslo jogado em um daqueles abrigos do governo para os soldados inválidos, sozinho porque ele não tem ninguém fora da Intervenção... A maioria é assim você devia saber! – Máscara apertou o ombro do amigo – Ikki o deixe em paz agora. Deixa o russo tentar assimilar essa nova condição dele e se for demais aceitar ele dessa maneira então não o importune mais... Vá conversar com ele quando estiver pronto para aceitá-lo, não julgar as decisões dele.
— Faça o que o Mask esta dizendo. – Shaka reforçou – Dê um tempo a ele e a você também... Eu vou falar com ele. – e saiu em direção aos dormitórios.
Eles se dispersaram e apesar do esforço de Afrodite e Ângelo para distraí-lo, Ikki passou o dia introspectivo e isolado pensando na nova condição de Hyoga e nas suas próprias convicções. Lembrou-se do ocorrido entre ele e Garuda em Atenas e lamentou não poder ter dado fim naquele hibrido maníaco por lá, ver Hyoga bem outra vez e o olhar de Aiacos ao constatar que poderia ter uma “nova oportunidade” não lhe fez nada bem. Tiveram seu momento em Atenas, mas foram interceptados por uma horda de mutações Classe B no covil dos aliens e Garuda o deixara sozinho para cuidar delas, talvez a intenção dele fosse que as mutações o matassem.
Quase aconteceu se Aldebaram e Shaka não tivessem voltado para auxiliar Ikki. Estava com Aiacos de Garuda atravessado na garganta e mais do que nunca queria ter a oportunidade de acabar com a vida do maldito. Por causa dele Hyoga agora era um hibrido e talvez tudo entre eles tivesse um fim.
***
— Eu não morreria antes de ver essa sua cara de cachorro que caiu da mudança Chefe. – Camus murmurou junto aos lábios de Milo. O escorpiano havia levado o francês para o próprio dormitório, não queria saber de interrupções e como comandante do regimento tinha certos privilégios como um dormitório exclusivo. Levaria uma facada ou aquele ruivo difícil para a sua cama, mas resolveria as coisas com ele aquele dia!
— Muito engraçadinho tenente – Milo mordiscou os lábios finos e sentiu o francês se arrepiar sob suas mãos – Que história é essa de ser amigo daquela aberração?
— “Aquela aberração” – Camus retrucou com ironia e reprovação – Salvou a minha vida, foi fundamental para que a missão fosse um sucesso e tem mais caráter que muitos “humanos” que eu conheço, portanto mais respeito.
— Vai ficar defendendo o seu grande herói agora? – Milo largou o ruivo irritado e Camus soltou um risinho – Está apaixonado por ele Chevalier?
— Ciúmes Chefe?
A resposta de Milo foi bufar e se afastar de Camus indo sentar na cama estreita olhando um ponto distante, pensara em algo completamente diferente para a volta do ruivo não eles conversando sobre aquele hibrido insosso chamado Minos. Sim! Estava se roendo de ciúmes, mas não admitiria nunca.
— O que você quer Camus? Quando vamos acabar com esse jogo de gato e rato? – Milo enfim perguntou vencido – Estou enlouquecendo! Quase surtei a dois dias ao saber que você tinha sido praticamente ressuscitado no campo de batalha e antes eu dizia a mim mesmo que era por causa da promessa que fiz ao Dégel, que estava aflito porque não sabia o que diria ao seu irmão se você morresse.
— Então é isso Milo? Essa preocupação toda é apenas porque você se preocupa com o que Dégel vai dizer? – Camus cruzou os braços e o encarou sério – Então estamos resolvidos.
— Resolvidos o caralho Camus!
— Eu não vou ser mais um na sua cama general!
— VOCÊ NÃO É! – gritou Milo, Camus abriu mais surpreendido os olhos acastanhados– Eu não paro de pensar em você! Desde a maldita hora que eu te vi entrando na minha sala eu te desejei e isso só aumenta cada dia mais, porém não é só isso! Quando Shaka me disse que você quase tinha morrido eu...
Nesse momento Camus abriu um de seus raros sorrisos e não era qualquer sorriso, era um sorriso enorme que pareceu iluminar tudo ao redor para Milo, que sentiu algo se aquecer dentro de si. Nunca experimentara aquelas sensações que o francês lhe despertava e ao mesmo tempo em que se sentia temeroso sentia aquela sensação de exultação maravilhosa de saber que poderia ir mais além do prazer com alguém. O ruivo se aproximou e ambos se encararam até Milo levantar e enveredar a mão bronzeada e quente pelo uniforme do outro e pegar a corrente de identificação. Agora foi a sua vez de sorrir imensamente pela constatação boba que tinha nas mãos.
— Isso e... – enlaçou o ruivo pela cintura com a mão livre, a outra puxando a corrente, até deixar o rosto de Camus mais próximo de si – Isso me pertence. – enfatizou a fala em voz rouca apertando o francês bem ao corpo e Camus o enlaçou pelo pescoço – Não faça mais isso ruivo, não fique mais longe de mim!
O grego tomou os lábios do ruivo com ardor e Camus entregou-se permitindo que Milo explorasse sua boca como bem quisesse e lhe livrasse do uniforme no processo, fazendo o mesmo com ele. Em Atenas quando quase morrera por conta da explosão seu ultimo pensamento foi Milo e no quanto se arrependia de não ter ao menos um momento com o general que lhe fazia perder a cabeça e agir como um adolescente! Então agora que teve uma segunda chance não a desperdiçaria e se deixaria arrebatar por aquele grego sensual e quente e deixaria para pensar nas consequências depois.
Caíram na cama trocando caricias sôfregas Milo explorando o corpo do francês com a língua fazendo-o se arquear e gemer, as mãos fortes do grego apertando e acariciando o corpo delgado de músculos firmes quase em adoração.
Trocaram um olhar cheio de luxuria e amor e então Camus acomodou Milo entre as pernas com Milo ondulando o quadril e roçando as ereções provocando e aquecendo ainda mais o sangue do francês. Camus segurou ambas as ereções e começou a masturbação dupla lentamente, mas num aperto firme e Milo grunhiu e arqueou as costas para voltar e atacar o pescoço do ruivo com lambidas e mordidas.
— Vai me fazer a piada do regimento General? – Camus indagou sem parar o que estava fazendo vendo que com a voracidade de Milo ficaria todo marcado.
— Apenas demarcando território. – retorquiu Milo sacana apertando as nádegas brancas com ambas as mãos – Vire-se – ordenou rouco e aquela ordem agiu em todas as terminações nervosas de Camus.
— Vai sonhando Chefe.
Camus segurou nos ombros de Milo e ele inverteu as posições se sentando sobre o quadril do grego colocando a potente ereção de Milo entre a junção das nádegas roliças, o grego gemeu alto e apertou a carne branca mais uma vez ondulando os quadris e eles ficaram nessa provocação sensual, conectados pelo olhar. Camus o encarava e seus olhos eram brasas de desejo percorrendo seu torso suado as mãos se apoiando no abdômen forte até que ele se inclinou e beijando Milo pegou o lubrificante embaixo do travesseiro.
— Como adivinhou?
—É obvio demais. – disse rouco enquanto despejava uma porção generosa e começava a estocar o pênis do grego devagar, a mão indo e vindo lentamente, mas em um aperto firme que enlouquecia Milo.
— Pare de me torturar. – o general quase implorava e a risada baixa do ruivo se fez ouvir – Seu sádico.
Quando sentiu Camus se remexer em seu colo Milo segurou os quadris do ruivo e o ajudou a descer sobre o falo lubrificado, Camus se apoiando na cama com os joelhos e no abdômen de Milo e ainda sim a descida foi feita devagar a dor era muita já que fazia um tempo que Camus não estivera com alguém. Milo apertava o lábio inferior nos dentes se segurando e procurando ser paciente mesmo que sua vontade fosse se enterrar de vez no francês, mas seria paciente porque queria que Camus sentisse prazer com ele, era a primeira vez que desejava o prazer do outro e não apenas o seu.
Enfim Camus sentiu Milo todo dentro de si e mesmo com os olhos fechados pela dor se sentia completo pela primeira vez na vida, Milo se sentou e começou a distribuir beijos cálidos pelos ombros e peito do ruivo. Mordiscava e lambia os mamilos sensíveis procurando relaxar o amante que ainda apertava firmemente seus ombros. Trocaram um beijo profundo e então Camus começou a se mover.
A dor foi arrefecendo e logo Camus cavalgava Milo com vigor, o barulho das nádegas sobre o quadril do grego se misturavam aos gemidos roucos de ambos. Milo deitou na cama e Camus se inclinou sobre ele mordiscando a boca carnuda e o queixo enquanto Milo investia dentro dele elevando o quadril com força indo fundo e rápido no corpo do francês.
— Caralho. – grunhiu Camus com as investidas vigorosas.
Milo sem sair de dentro do ruivo girou o corpo e deitou Camus na cama erguendo o quadril os quadris dele e voltou a investir rápido e profundamente, pegando o pênis do ruivo e o masturbando entre as investidas. Camus urrou com o gozo que lhe fazia sentir quase uma sensação extracorpórea, Milo veio logo em seguida preenchendo o amante com seu sêmen. O grego deixou-se cair sobre Camus quase sem forças.
— Caralho. – murmurou Milo e Camus assentiu de olhos fechados ambos ofegantes e mesmo sem se olharem, trocaram um sorriso luminoso e satisfeito.
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