Space

10 Saturn


Notas iniciais
Olá olá pessoal! Antes de mais nada, tenho algumas considerações sobre este último capítulo: 1- Esse é o penúltimo capítulo da fanfic, então preparem seus corações para o final dela. 2- Como vocês devem ter percebido, o nome dessa songfic é Saturn, igual ao meu nome no Nyah, que é uma homenagem à essa música perfeita que regeu muitos momentos da minha vida, então eu fiz o possível para que ela ficasse perfeita. 3 - Por favor, comentem. Na véspera do último capítulo da fanfic, eu gostaria muito de saber e conhecer com quem eu compartilhei esse projeto que eu coloquei tanto tempo e dedicação. Sem mais delongas, vamos ao capítulo! A música, para quem quiser ouvir (O que eu recomendo muitíssimo! E o clipe também é a mais pura obra de arte): https://youtu.be/dzNvk80XY9s Enjoy it!!

You taught me the courage of stars before you left

How light carries on endlessly, even after death

With shortness of breath, you explained the infinite

How rare and beautiful it is to even exist

Ela sempre fora minha maior fonte de coragem. Era ela que tinha me ensinado que olhar para o céu quando tudo parecia perdido era a solução para muitos dos problemas, que antes, pareciam impossíveis.

Lembrava de certa noite, onde eu estava quebrando a cabeça tentando achar a solução para um problema particularmente difícil enquanto estava com o olhar perdido, analisando as estrelas brilhantes pela janela de um dos corredores mal-iluminados do castelo, quando ela se aproximou e disse que a luz das estrelas permaneceria, mesmo após a morte delas, tendo em conta a distância de que estávamos dos corpos celestes. Foi um pequeno fato curioso, mas que clareou minha mente confusa e, desde então, sempre usei aquele fato como uma espécie de mantra quando estava preso em uma situação complicada.

Lily gostava muito de me explicar as coisas que eu desconhecia, fosse a última matéria de poções, astronomia, cultura trouxa ou o último livro que ela tinha lido. Ela explicava o infinito com seus lábios perfeitos movendo-se sem parar um segundo sequer, suas bochechas ficando vermelhas conforme o ar lhe faltava por falar rápido demais e seus olhos brilhando com empolgação.

E conforme ela explicava o infinito, com seus cachos ruivos escapando do lápis que ela costumeiramente usava para prender seus cabelos, eu a admirava, pensando em quão bela ela era e em como eu tinha sorte por tê-la em minha vida. A jóia mais rara de todo o mundo, e ela estava comigo.

I couldn't help but ask you to say it all again

I tried to write it down

But I could never find a pen

I'd give anything to hear

You say it one more time

That the universe was made

Just to be seen by my eyes

Conforme ela falava, seu tom de voz me embalava e me fazia sentir seguro. Eu normalmente pedia para ela repetir o que ela dizia apenas para ouvi-la durante mais tempo, sob o pretexto de tomar notas de sua fala, porém, coincidentemente, eu nunca encontrava uma pena para anotar nada, então apoiava o rosto na mão e a admirava falar, sem jamais cansar da dança que suas palavras faziam, de seus olhos verdes reluzindo conforme a luz fraca do Salão Comunal, de seus cabelos que refletiam as brasas e chamas fracas que ainda brilhavam fracamente na lareira.

Quando a madrugada chegava, era o pior momento da noite, onde eu tinha que me levantar da confortável poltrona e a voz dela se silenciava, fazendo parecer que todo o brilho do meu mundo tinha se apagado.

Eram nesses momentos que eu daria tudo para ela continuar a falar, para que ela me explicasse o universo, para que eu a admirasse com sua inteligência e beleza singular.

I couldn't help but ask you to say it all again

I tried to write it down

But I could never find a pen

I'd give anything to hear

You say it one more time

That the universe was made

Just to be seen by my eyes

A nossa despedida de toda noite seguia um roteiro, onde nos levantávamos das poltronas macias e quentinhas, recolhíamos os livros, pergaminhos e penas, juntávamos nossos lábios em um beijo apressado e partíamos cada um para o seu dormitório, comigo xingando em alto e bom som os NIEM’s que tiravam de mim todo o tempo que eu tinha com a minha tão recente namorada.

Mas naquela noite foi diferente. Ela levantou-se da poltrona, puxou a caneta que prendia seus cabelos em um coque charmosamente mal feito, fazendo os fios ruivos despencarem pelas suas costas com tanta graça que nem uma Veela seria capaz de reproduzir, então ela deixou o material organizado em uma pilha bem arrumada em cima da mesa onde estávamos estudando e dirigiu-se até a janela, admirando o céu limpo e repleto de pontos brilhantes.

Ela me dissera anos atrás que olhava as estrelas quando tinha que tomar uma decisão, e eu me perguntava qual era a questão que ela estava tentando decidir. Me aproximei de seu pequeno corpo, abraçando-a pela cintura e depositando um longo beijo nos seus cabelos, ficando em silêncio por alguns minutos, admirando as estrelas junto com ela, até que eu não suporto mais ficar sem ouvir sua linda voz, e sussurro baixinho:

— Um galeão pelos seus pensamentos.

Ela se inclina um pouco e vira-se minimamente para ficar frente a frente comigo, e então fala:

— Você deve ter muitos galeões para desperdiçar com os meus pensamentos — Sorrimos, aquela era uma antiga piada interna nossa. Mas então ela suspira e volta a ficar séria — Estou preocupada. Com a guerra, com os NIEM’s, com tudo.

Seu corpo volta a se virar para a janela e seus olhos voltam a se perder nas estrelas. Eu a abraço por trás, pousando meu queixo no topo da sua cabeça e falando:

— Não se preocupe, ruiva. Você vai atingir a nota perfeita em todos os NIEM’s e nada irá acontecer contigo na guerra. Eu darei minha vida para proteger a sua, se necessário.

Suas delicadas mãos, que estavam brincando com a manga do meu suéter azul, param de repente e ela, com a voz tremida, me responde:

— Eu também daria a minha vida para proteger a sua, Jay. — A garota se vira para mim — Eu te amo, James.

Eu congelo no lugar, tentando entender se tudo aquilo não passava de um sonho. Como quando ela me explicava qualquer assunto, senti uma vontade imensa de pedir para que a garota repetisse, e, pela primeira vez, realmente escrever o que ela falava. Esquadrinhei a sala com o olhar inconscientemente, procurando uma caneta e só então me dou conta que fiquei muito tempo calado, enquanto a garota mexia nervosamente os pés na minha frente, olhando ansiosa para o chão.

Puxo a garota pela cintura, juntando nossos lábios em um beijo desesperado e febril, como se ela fosse uma corda atirada para um homem preso em um poço escuro durante anos. Quando me separo dela, ofegante, sem deixar que ela se afaste muito de mim, lhe respondo baixinho:

— Eu amo você, Lily.

With shortness of breath

I'll explain the infinite

How rare and beautiful it truly is that we exist

Ela sorriu para mim, sem fôlego e me beijou mais uma vez, fazendo todas as antigas preocupações que lotavam minha cabeça, sumirem. Eu sabia que tudo ficaria bem. Sabia como era belo e raro o que sentíamos um pelo outro, que ela, explicando o infinito, continuava a dizer, de seu jeito, que ela me amava tanto quanto eu a amava.

E que a amaria para sempre.



Notas finais
E então, gostaram? Não vou mentir, toda vez que eu leio essa songfic ouvindo a música, eu me arrepio. Eu realmente acredito que consegui expressar o que eu queria nessa songfic que reescrevi pelo menos oito vezes para sair como eu queria. Comentem, favoritem, acompanhem e recomendem! Também preparem seus corações para o último capítulo, que inevitavelmente vem aí. Até quarta-feira que vem, Um beijo:*