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12 Capítulo Doze - Confusão
Notas iniciais
— Eu não vou ficar recepcionando vocês se for para vocês ficarem em silêncio. — Nathanaël disse irritado com a situação em que estavam.
— Na noite passada Chat deixou um cidadão em perigo.
— Eu já pedi desculpas para ele e para você, my lady! — o herói disse visivelmente triste pelo que havia supostamente feito.
— Isso não muda os fatos! — ela disse irritada.
— Ladybug. — o ruivo chamou sua atenção — Se o cidadão aceitou as desculpas, é suficiente, não acha?
— Mas… — ela olhou para o ruivo, depois para o loiro e suspirou — Tem razão. Eu estou sendo ignorante. — murmurou mas pegou seu ioiô e jogou de leve nas costas de Chat Noir — Que isso não se repita.
— Não irá. — ele prometeu com um sorriso e suas orelhas e cauda se movimentaram.
— Muito bem. Acho que agora estamos em paz, podemos conversar tranquilamente. — o ruivo disse mais tranquilo.
— Você ficou irritado. Mas não parecia realmente irritado. — comentou Chat.
— Não entendi. — o Kurtzberg respondeu.
— Não sei. Você parecia irritado, mas não parecia cem por cento.
— Eu não ficaria cem por cento irritado por isso. — explicou.
— Ah, mas então temos uma missão. — disse Ladybug, surpreendendo ambos.
— Temos, bugaboo?
— Claro. Precisamos ver algo diferente.
— Boa sorte para vocês. — debochou o ruivo.
— Eu tentaria te irritar tentando fazer você falar de quem gosta, mas isso seria muito indelicado. — comentou o herói.
— Chat, você está tendo ideias muito idiotas essa semana.
— E você está sendo uma pessoa rancorosa, Ladybug. — retrucou o ruivo, deixando a heroína sem graça. Duas broncas dele em uma noite.
— Tem razão. Me desculpa, Chat.
— Não se preocupe. Eu mereço. — o loiro respondeu e a heroína negou com a cabeça.
— Não. Você não merece, gatinho. Isso poderia ter acontecido comigo. — ela admitiu — E eu estou errada em achar que isso é um erro exclusivo seu. Me desculpa.
— Não precisa se desculpar. — disse o gato balançando a cauda incomodado pela conversa.
— Acho que agora vocês se entenderam mesmo. — concluiu Nathanaël — Agora posso mostrar o que eu queria.
— Se você disse que receberemos uma recompensa, eu vou concordar. — o herói respondeu, fazendo o ruivo rir da situação.
— Certo. — apoiado na mesa em que sempre desenha pegou seu caderno e procurou por algo nele — Não é exatamente uma recompensa, mas eu tenho esse desenho para mostrar. — comentou envergonhado e entregou o caderno para os heróis que ficaram encarando a arte.
— Nath… Está lindo. — Ladybug comentou admirada — Eu tenho esse olhar? Ele é…
— É o seu olhar quando está determinada. — os dois rapazes explicaram juntos, então se entreolharam e não puderam evitar um sorriso.
— É interessante. — admitiu — Eu nunca tinha me visto dessa forma.
— Eu acho bonito. — admitiu Chat — Representa muito bem sua força.
— Obrigada… — a heroína parou para analisar melhor o parceiro também presente na obra — Você também realçou o olhar dele… Sinto uma mistura de…
— Inocência e malícia. — o ruivo disse junto.
— Me pergunto onde você viu a inocência no Chat. — comentou ela em tom de brincadeira.
Mas Ladybug e Nathanaël conheciam ambos os lados de Chat Noir, que aquele lado atirado não era um lado que se destacava se comparado a seu lado inocente. A heroína acreditava que aquele lado se devia a transformação, afinal, ela também mudava quando estava com uma máscara.
— Não é porque eu tenha o poder da destruição que eu seja assim. — justificou Chat e recebeu um afago na cabeça e sorriu com aquilo.
— Nós sabemos. — Ladybug disse e retirou sua mão.
— Já é esse horário? — o loiro questionou assustado, havia perdido a noção, mesmo que boa parte da noite tenha ficado quieto por estar de mal com a companheira — Eu preciso ir. — concluiu ele se levantando, tinha uma agenda cheia no dia seguinte e precisava estar bem disposto.
Sem despedidas com flertes, sem beijos nas mãos, apenas um gato correndo pelos telhados das construções da cidade.
— Ladybug. — o Kurtzberg chamou.
— Diga. — pediu retirando seu olhar da janela e encarando o garoto.
— A forma como você estava brava com Chat... O cidadão parece ser importante para você. — comentou o ruivo com um pouco de ciúmes — Quem era o cidadão?
— O cidadão era o Adrien. — explicou Ladybug sem graça.
— Você gosta dele. — concluiu ele.
O que deveria fazer em uma situação como essa? Gostava de Adrien e gostava de Ladybug, mas se a heroína gostava do Agreste… Céus! Marinette também gostava dele! Que confusão enorme sua mente estava…
— Mas eu não me importo sobre gostar dele, porque ele não faria nada comigo. — ela explicou o que sentia que para si era óbvio.
— Por que diz isso?
— Porque ele me conhece sem máscara, e jamais iria me querer. Mas mais importante que um amor, é a proteção dessa cidade. — ela concluiu voltando a olhar para a janela, onde via o céu noturno recheado de estrelas.
E por um momento o olhar decidido de Ladybug fez Nathanaël lembrar de Marinette. Sua mente estava tão confusa que estava confundindo as duas?
— Você pode estar precipitada. — sugeriu ele.
— Não se preocupe em tentar me consolar, Nath. Eu não preciso disso.
Porque se continuasse a ouvir palavras como aquelas, mudaria de ideia, iria continuar achando que Marinette poderia conquistar Adrien e provavelmente desabaria, porque no fim, sabe que é tudo uma ilusão.
Mas nada a impedia de tirar a máscara e voltar a gaguejar na frente dele e fazer seu grande papel de trouxa que sempre fazia. Se bem que agora exercia o papel em dobro, porque começava a ficar nervosa na frente do ruivo também.
Por isso gostava de conversar com eles estando como Ladybug: porque era mais fácil.
— … Bug. — ela acordou de seus pensamentos.
— Ah. Desculpa. — ela pediu sem graça.
— Não tem problema. Você está bem?
— Estou. — disse se levantando — Acho melhor te deixar em paz por hoje. Me desculpa por te envolver entre eu e Chat…
— Não peça desculpas, eu vou ficar lisonjeado em poder ajudar quantas vezes forem necessárias, se eu puder.
— Você sempre vai poder, porque é o nosso tomatinho. — brincou ela rindo.
— Não me chame assim.
— Por quê?
— Porque… Por nada, esqueça.
— Se não quiser, eu não chamo. É que você nunca reclamou.
Se sentia incomodado quando chamavam os heróis de Paris o chamavam daquela forma, lhe lembrava que Marinette e Adrien também o chamavam assim. E não sabia o que pensar a respeito.
— Eu não reclamei, está bem?
— Está bem. — concordou ela e o abraçou, como se fosse um ritual — Durma bem.
— Durma bem. — ele repetiu o ritual a abraçando também.
Pegando seu acessório, saiu pela janela e sumiu em direção a seu quarto.
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