Sozinhos, juntos
5 Na biblioteca
Notas iniciais
O Cálice de Fogo: Capítulo 18-
“-Furnunculus! – berrou Harry.
—Densaugeo! – berrou Malfoy.
Feixes de luz saíram de cada varinha, colidiram e pleno ar e ricochetearam em ângulo – o de Harry atingiu Goyle no rosto, e o de Malfoy, Hermione. Goyle berrou e levou as mãos ao nariz, de onde começaram a brotar furúnculos enorme e feios – a garota, chorando de dor, apertou a boca.
—Mione! – Rony correu para ela para ver o que acontecera.
Harry se virou e viu Rony tirando a mão de Hermione do rosto. Não era uma visão agradável. Os dentes da frente da garota – que já eram maiores do que o normal – cresciam agora a um ritmo assustador (...)
—E que barulheira é essa? – perguntou uma voz suave e letal. Snape chegara.
Os alunos da Sonserina gritavam tentando dar explicações. Snape apontou um dedo longo e amarelado para Malfoy e disse:
—Explique.
—Potter me atacou, professor...
—Atacamos um ao outro ao mesmo tempo! – gritou Harry.
—...e ele atingiu Goyle, olhe...
(...)
—Ala hospitalar, Goyle – disse o professor calmamente.
—Malfoy atingiu Hermione! – disse Rony. – Olhe!
O garoto obrigou Hermione a mostrar os dentes a Snape (...)
Snape olhou friamente para Hermione e disse:
—Não vejo diferença alguma.
Hermione deixou escapar um lamento, seus olhos se encheram de lagrimas, ela deu meia-volta e correu, correu pelo corredor afora e desapareceu.
Foi uma sorte, talvez, que Harry e Rony tenham começado a gritar com Snape ao mesmo tempo; sorte que suas vozes tenham ecoado tão forte no corredor de pedra, porque, na confusão de sons, ficou impossível o professor ouvir exatamente os nomes de que o xingaram. Mas ele captou o sentido.
—Vejamos – disse na voz mais suave do mundo – Cinquenta pontos a menos para a Grifinória e uma detenção para cada um, Potter e Weasley. Agora, entrem ou será uma semana de detenções.”
Rony se sentara em uma mesa da biblioteca. Não falava com Hermione desde o dia anterior quando o feitiço de Malfoy a havia atingido. Quando ele chegou na sala comunal naquele dia, Hermione não estava. Provavelmente ainda estava na enfermaria. E no dia seguinte, ela acompanhara as aulas ao lado de Harry, então eles dois não conversaram, já que ele preferia ficar as aulas ao lado de Dino e Simas para evitar contato com seu “ex” melhor amigo.
Após as aulas, ele subira para biblioteca. Não é que Dino e Simas não fossem legais... eles eram, bastante. Mas a companhia deles não chegava aos pés da de Harry e Hermione. E, como não falava com Harry no momento, sabia que Hermione iria para a biblioteca um momento ou outro, então Rony fora lá para ler o artigo de Rita Skeeter que havia acabado de lançar.
Imaginava que Harry havia dado a entrevista a Skeeter no dia anterior, quando foi chamado após a aula para uma pesagem de varinhas. A bruxa realmente era rápida, para ter feito o artigo tão grande em apenas um dia.
Rony revirou os olhos logo nas primeiras linhas. “As lágrimas marejavam aqueles olhos espantosamente verdes quando a nossa conversa se voltou para os pais de quem ele mal se lembra”, em todos os anos que foram amigos, Rony nunca vira os olhos de Harry marejados por falar de seus pais. Uma pontada de tristeza passou pelo seu peito quando ele pensou como se divertiria com Harry, fazendo piadas sobre as bobagens que Skeeter escrevera.
—O que você está fazendo aqui?
Uma voz conhecida fez Rony tirar os olhos do artigo, que ele já estava na metade. Ele levantou a cabeça e lá estava Hermione de pé, com um livro entre os braços, o olhando curiosa.
—É tão estranho assim me ver na biblioteca? – Ele perguntou, levemente ofendido.
Ela nem hesitou ao responder:
—Sim. Normalmente eu que tenho que obrigar vocês a virem aqui.
Rony riu pelo nariz enquanto ela se sentava a sua frente, botando o livro na mesa, ela estava certa, ele sabia.
—Eu estava esperando você.
Hermione pareceu surpresa.
—Sério?
—Claro, ué. – Rony não entendeu a surpresa dela. – Eu sabia que uma hora ou outra você ia aparecer aqui. Só esperava que não acompanhada do Harry, já que vocês vivem grudados agora...
—Ciúmes? – Ela perguntou rindo.
Ele olhou pra ela. Instantaneamente sentiu suas orelhas ficarem vermelhas. O que ela queria dizer com isso?
—O que?
—Ciúmes de que eu posso pegar seu lugar como melhor amiga do Harry. Porque antes você que viva grudado com ele.
—Ah... – Rony disse desviando o olhar, para evitar que ela percebesse que estava constrangido de ter entendido errado. – Não, claro que não. Ele pode andar grudado com quem quiser agora, não somos mais amigos.
—Até parece. – Hermione riu.
Rony voltou seu olhar a ela. Reparou que havia algo de diferente em Hermione enquanto ela ria. Algo havia mudado.
—Que foi? – Ela perguntou vendo que ele a encarava.
Rony franziu a testa.
—Seus dentes...
—Ah... – Ela levou a mão a boca, os tocando. – Sim, eu deixei a Madame Pomfrey dar uma diminuída do que eram originalmente.
—Ficou... – “bonita” foi a primeira coisa que veio à mente dele. Mas não queria passar a Hermione uma intenção errada, principalmente após ter se confundido com o “ciúmes” que ela disse segundos antes. – legal.
—Obrigada... eu acho. – Ela riu novamente, abriu o livro que trazia consigo quando entrara e começou a ler.
Não era como se ele achasse Hermione bonita. Quer dizer, ela definitivamente não era feia. Mas bonita? Isso seria dizer demais também... A menina de Beuxatons era bonita. E Hermione não se parecia nem um pouco com ela.
Ele olhou para o rosto da amiga. A cabeça dela estava levemente abaixada, concentrada, lendo, mas ele conseguia observar suas feições.
Chegou à conclusão que os dentes menores a haviam deixado mais atraente. E, apesar de ser diferente do que a maioria das garotas tinha, ele gostava do cabelo cheio dela, formavam umas ondas que ele achava legal de olhar. Gostava quando ela os prendia, deixando o rosto mais a mostra.
Também gostava dos olhos castanhos dela. O jeito como eles fechavam como ela ria ou arregalavam quando ela ficava brava.
Ela também tinha pequenas sardas em volta do nariz, visíveis apenas se você prestasse atenção e olhasse de perto. Ele estava reparando nelas agora. Achou bonito também.
Ok, talvez ele realmente achasse Hermione bonita. Ela podia não se parecer com Fleur, mas era bonita de um jeito diferente.
Mas ele pensou que não fazia diferença se Hermione era bonita ou feia. A aparência dela não mudava a amizade deles. E era só isso que eles tinham: uma amizade. E era só isso que Rony queria ter, ele pensava ter certeza disso.
—Ah, é ele de novo. – Hermione bufou olhando para o lado. Sua fala tirou Rony de seus pensamentos.
Ele tossiu, disfarçando, torcendo para que ela não tivesse percebido que ele a encarara esse tempo todo, perdido num monologo interno sobre a aparência dela. Sabia que ela não ia gostar nada disso.
Ele olhou para o lado para ver onde a amiga olhava. Lá estava Viktor Krum sentado numa mesa mais próxima a parede. Atrás da estante, um grupo de garotas o observava, cochichando e dando risinhos, provavelmente achando que ele não as via. Mas Rony achava difícil que o jogador não as ouvisse, achava que ele simplesmente fingia que não sabia que elas estavam lá.
—Ele vem bastante aqui, não é?
—Bastante. –Hermione revirou os olhos irritada. – E sempre acompanhado do fã clube dele, patético. Como elas se prestam a esse papel?
—Bom, ele é O Viktor Krum. Você viu o que ele faz em campo, dá para entender a admiração.
Ela o fuzilou com os olhos.
—É só uma pessoa, Ronald, como outra qualquer.
—Você realmente deve estar irritada para me chamar pelo nome. – Rony levantou as mãos como se se rendesse e pedisse paz. – E olha que eu nem te mostrei o artigo que eu estava lendo, achava que esse seria seu motivo de irritação hoje.
—Da Skeeter? – Ela perguntou e ele assentiu com a cabeça. – Eu já li essa bobagem, não vou deixar me atingir. Além do mais, ninguém vai acreditar nisso mesmo.
Rony riu. O artigo realmente era cheio de bobagens. Palavras que ele sabia que jamais sairiam da boca de Harry. Além de dar a entender que Harry e Hermione teriam algum tipo de romance, o que fez Rony rir pelo nariz quando leu. A ideia dos dois amigos namorando era absurda e ele jamais acreditaria por um segundo. Na verdade, a ideia de Hermione namorando alguém parecia absurda para ele, não conseguia imaginar a amiga de mãos dadas com alguém pelos corredores, beijando alguém... Parecia algo impossível de acontecer. A amiga não se interessava por garotos, ela tinha coisas mais importantes para se preocupar, ou pelo menos que ela considerasse mais importantes, como os elfos domésticos e os NOMs, que só ocorreriam ano que vem, mas Rony sabia que ela já estava preocupada com isso adiantadamente.
O grupo de garotinhas soltaram risinhos em volta de Krum.
Hermione bufou.
—Vamos embora daqui. – Disse.
Ela agarrou o livro e saiu pisando forte. Rony olhou para o lado e viu que Krum os observava. “Claro, com esse barulho todo que Hermione fez para sair” pensou. Levantou a mão e deu um aceno rápido, Krum o olhou e apenas balançou a cabeça, como se o cumprimentasse também e voltou os olhos para o livro.
Rony saiu da biblioteca e alcançou Hermione nos corredores.
—Mione, ele falou comigo! – Falou animado.
—O que? – Hermione se virou para olha-lo.
—O Krum! O Krum falou comigo.
—Você só pode estar brincando... – Ela fez uma expressão de quem não acreditava no que ouvia.
—Não, é sério! Eu acenei pra ele e ele viu e fez assim. – Rony então imitou o movimento que Krum fez com a cabeça.
—Não, não é isso. Não acredito que você ficou animado com uma bobeira dessas, Rony! – Ela virou as costas para ele e continuou a andar.
“Ela não entende” ele pensou e então se acelerou para andar ao lado dela.
—Bom, provavelmente Krum ouviu os boatos.
Hermione não o olhou. Os dois caminhavam olhando para frente apenas.
—Boatos?
—É, de que eu e Harry não somos mais amigos. Agora ele está se apressando para preencher essa vaga. Bom, vai ter que deixar currículo, é um cargo realmente disputado.
Ele olhou pelo canto do olho e viu que Hermione ria baixinho.
—Tenho sorte de ter conseguido uma vaga no primeiro ano então. – Ela disse.
Eles chegaram no buraco do retrato, Rony disse a senha “Asnice” e abriu a porta para a amiga passar.
—Tem sorte mesmo. – Ele completou, entrando na sala comunal. –Mas, sabe, se alguém for enfrentar um trasgo montanhês recentemente e precisar da minha ajuda, existem chances de você ser substituída, então, cuidado.
Hermione olhou para ele e revirou os olhos rindo.
—Terei cuidado. – Ela falou e se sentou na poltrona na sala comunal da Grifinória para continuar a ler o livro.
Rony sorriu olhando a cena e sentou ao lado dela. Ele sabia que não importa quem enfrentasse qualquer trasgo existente no mundo, nada faria ele deixar de ser amigo de Hermione. E, por mais que não parecesse no momento, ele sabia que nem de Harry.
—Rony... – A amiga o chamou, fazendo-o olhar para ela. Pensar em Harry doía, esperava que ela fosse o distrair.
—Sim?
—Você não tinha uma detenção com Snape agora a noite? – Ela perguntou.
—Ah, por Merlin! – Ele falou se levantando e indo se apressando para sair da sala comunal. Não era esse o tipo de distração que ele esperava.
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