Sozinho
5 Capítulo 4
Já era fim de tarde quando saí do consultório. Meu psicólogo está me dando nos nervos ultimamente. Acha que estou ficando louco. E como eu não ficaria louco? Perdi minha esposa, não tenho mais criatividade para meus pojetos, mal consigo dar atenção à minha filha e minha mente me castiga trazendo de volta as memórias de minha esposa. Ela me fez muito feliz enquanto esteve viva.
Na frente do prédio, meu carro estava à minha espera. Entrei e liguei o rádio, procurando uma boa música, mas nada me enteressou. Então liguei o carro e fui para casa.
Quando cheguei em casa, minha filha me recebeu com um abraço, e então voltou a assistir desenhos com sua babá, que me cumprimentou com um aceno de mão e um sorriso. Marie é uma mulher bonita, seus cabelos cacheados chamam a atenção de qualquer homem.
Fui à cozinha, apoiei minhas mãos sobre a mesa. Minha cabeça doía. Não consigo parar por sequer um minuto de pensar em minha esposa, nossas boas lembranças, as noites em que estávamos embaixo dos edredons nos esforçando para não acordar Esther com nossos gemidos de prazer enquanto transávamos, de todos os prazeres juntos, o momento em que nossa filha nasceu e quando eu estava sempre ao seu lado fazendo-a sorrir quando estava triste. Era tudo como um filme. As lembranças que me faziam sofrer. Eu estava a ponto de explodir com o mundo, estava prestes a chorar. Eu só queria dar um jeito em tudo isso e me livrar de todo o sofrimento.
Ouvi passos vindo em direção à cozinha. Era Marie.
–Têm sido difícil para Esther passar por tudo isso – Disse ela – Ela anda muito calada, triste... E... Eu também perdi um marido há alguns anos. Ele tinha câncer. Infelizmente não resistiu, mas estive ao lado dele a todos os momentos.
Eu estava à beira das lágrimas.
– Eu amava tanto minha esposa... Ainda amo.
– Eu entendo como é. Eu fiquei deprimida, não queria sair de casa. Foi muito difícil superar – ela baixou a cabeça, estava triste por reviver tudo isso em lembranças – Tem café pronto. Vai ajudar um pouco – virou as costas e voltou para a sala, onde Esther ainda estava sentada no sofá assistindo algum desenho que não reconheci.
Bebi um pouco de café, subi para o meu quarto e e deixei Esther e Marie na sala.
Minutos mais tarde acordei assustado. Tive um sonho horrível. Era como se eu estivesse ao lado de Helena. Estávamos em um avião. Luzes oscilaram e desligaram. Todos ao redor olhavam espantados, inclinando suas cabeças para o corredor escuro. Ouvimos uma explosão, o som da voz do piloto gritando desesperado pelas caixas de som foi abafado pelo pânico. Pessoas desesperadas se debatiam em suas poltronas, outras choravam, outras rezavam. Mas eu estava ali, imóvel observando minha esposa em nosso último momento de vida quando acordei.
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