Sozinho
1 No Silêncio da Noite
Notas iniciais
Estou aqui, mais uma vez, trazendo uma Taibani quentinha.
Acho que estou orgulhosa de mim mesma! Escrevi uma ontem e outra hoje, sendo que essa escrevi em uma sentada!
Bem, deixo claro que não sou muito boa com drama... Não tenho muita experiência nessa área. Então estou aberta a críticas construtivas :3
Ah, é! A fanfic foi baseada na música "Sozinho" do Caetano Veloso. Recomendo que leiam enquanto a ouvem ^_^
Espero que gostem.
Boa leitura
Capítulo Único
Encarou a lata de cerveja meio vazia sobre a mesinha de centro.
Um riso irônico deixou seus lábios rosados.
“Meio vazia”.
Aquela expressão servia para a sua vida também.
Tomou a lata, já quente, em mãos e a ergueu na altura de seus olhos verdes.
— Por que eu não consigo ver você meio cheia? — sussurrou como se aquele objeto inanimado pudesse lhe responder.
Suspirou, tornando a colocá-la sobre o móvel e relaxando o corpo esbelto no sofá.
Pensou que beber álcool o ajudaria a se sentir melhor. Ledo engano. Cerveja o lembrava dele. Ele adorava aquela bebida amarga. Na verdade, aprendera a beber com ele.
Sorriu com as lembranças que invadiram sua mente sem permissão. Ele era um bêbado engraçado. E terrivelmente sincero. Pois foi sempre nos momentos de embriaguez que se abriu, que contou trechos de sua história, encantando o jovem loiro sem ao menos perceber.
Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
Foi numa noite de bebedeira que descobriu que o parceiro era viúvo. Sentiu-se um monstro por ficar feliz com a notícia, já que a aliança prateada sempre o incomodou. Chegou a permitir-se imaginar como seria se declarar e, por que não, ser correspondido!
Um sorriso amargo pintou seu rosto ao pensar em como era inocente.
Lembrava-se que no dia chegou a abrir a boca para dizer como se sentia, mas recebeu um balde de água fria quando o herói veterano continuou a confissão, contando-lhe que tinha uma filha. Uma filha de dez anos de idade!
Por que um homem com mais de trinta anos, com uma filha para criar e viúvo se interessaria física e emocionalmente por um moleque de seus vinte e poucos? Era pretensão de sua parte tentar qualquer coisa. Por isso desistiu.
Ou tentou.
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Tentou, da maneira mais infantil e tola, chamar a atenção de Wild Tiger para si: fazendo ciúmes. Tentativas, obviamente, frustradas e dolorosamente ignoradas.
A primeira vítima — sim, eram vítimas, e não cúmplices — foi uma pobre assistente da Hero TV. O loiro não hesitou em by Text-Enhance\">jogar charme para ela e puxar conversa, apenas porque estavam no mesmo camarim que seu parceiro.
Qual não foi sua surpresa quando, logo após a garota sair do camarim, vermelha até as orelhas, seu parceiro bater em suas costas e dizer:
— “Ela é bem bonitinha, Bunny-chan. Não sabia que gostava desse tipo de garota!”
Quis morrer.
— “É... Ela dá para o gasto” — foi sua resposta seca enquanto ajeitava a máscara.
— “Oe, como assim?” — os olhos cor de âmbar lhe avaliaram. — “Ela me parece uma garota séria. Não brinque com os sentimentos dela.”
Sentiu-se a pior das bactérias.
Além de ser inegavelmente ignorado, foi encorajado a sair com a garota e ainda tomou uma bronca. Ótimo! Agora o parceiro acreditava que ele era um homem inescrupuloso e volúvel.
A escolha da segunda vítima deixou claro todo o seu desespero e afobação.
Era mais uma tarde na academia da empresa. Keith, o ex-Rei dos Heróis, malhava as pernas avidamente enquanto ouvia qualquer coisa com os fones de ouvido. Nathan ajudava Antonio com supino, mas parecia que ele estava se aproveitando um pouco... Em um canto, mais afastados dos outros, Pao-Lin e Ivan treinavam golpes de lutas asiáticas que Barnaby nunca se preocupou em prestar atenção. E lá, na esteira, estava o objeto de sua adoração.
Mas não estava sozinho. Karina estava ao seu lado, tagarelando algo que ele não ouviu. Não ouviria nem se estivesse perto. Naquele momento viu tudo tingido de vermelho.
E foi ali, com a raiva correndo por suas veias, que praticamente se atirou para cima de Sky High.
E, pela primeira vez, sentiu que causava alguma reação nele. Mesmo que fosse repulsa.
Sim, pois foi isso que viu naqueles olhos da cor de topázio enquanto forçava sorrisos ao ouvir o loiro contar como prendera uma equipe de sequestradores sozinho em seus dias de glória.
Kotetsu sentia nojo, foi o que notou. Tentou fugir dos olhares dos outros heróis, que estampavam surpresa. Keith, entretanto, parecia não perceber suas — fingidas — segundas intenções.
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Os meses foram passando e Kotetsu pareceu ter esquecido aquilo. Nunca tocaram no assunto. Mas, vez ou outra, Barnaby notava seu olhar indagador. Simplesmente fingia não perceber.
O que diria? Que sim, era gay, mas não, não estava interessado em Sky High e sim nele? Não. Não poderia dizer isso.
Decidiu que se contentaria com aquela amizade. A primeira amizade que teve na vida e que não soube aproveitar. Não soube manter porque era egoísta e queria àquele homem mais do que a um amigo.
Tinha vontade de abraçá-lo. Diversas vezes quis tomar coragem e envolver aquela cintura num abraço apertado e demorado. Porém, nunca o fez.
As sextas eram sagradas para os dois. Geralmente no apartamento do mais velho, eles bebiam e conversavam. E nesses momentos Barnaby se sentia quase que leve. Contava quase todos os seus segredos. Quase todos.
Agora que parava para pensar, aquela era a primeira sexta-feira em muitos meses que passava sozinho. E não havia conseguido beber nem uma lata.
Talvez não gostasse tanto do álcool. E sim da sensação de entorpecência. Entorpecência que ele, erroneamente, julgou ser causada pela bebida, mas agora descobria existir unicamente pela presença daquele homem que abalava sua estrutura.
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Não sabia precisar quando aquilo começou. Talvez tenha sido depois de o Tiger lhe ajudar a acabar com Jake. Quem sabe até mesmo antes disso, quando foram obrigados a conviver juntos como uma dupla. Ou então... Riu com o pensamento. Podia ter sido desde o primeiro dia, quando ele caiu de presente em seus braços. Literalmente.
Sempre sentiu necessidade de protegê-lo. O jeito desastrado e altruísta de Kotetsu o preocupava. Muitas vezes ele colocava a própria vida em risco para salvar outras pessoas. E isso fez crescer em Barnaby um desejo insano de cuidar dele.
Entretanto, ele também tinha uma vontade enorme de ser cuidado por alguém. De sentir-se amado e protegido. Coisa que ele não era há mais de vinte anos.
Sentiu uma lágrima morna escorrer por seu rosto. Logo vieram outras. Ele não se importou em controlá-las. Deixou que elas fossem livres, que morressem no canto de seus lábios delicados.
Em determinado momento, seus longos cílios já estavam molhados e embaçavam as lentes dos óculos.
Seu peito doía de saudades. O que não era normal, já que o vira normalmente no trabalho. Mas sentia-se traído. Sentia-se necessitado. Era sexta-feira. Já era quase meia-noite. Eles tinham um pacto mudo. Um pacto que não podia ser quebrado.
Contudo, fora ele mesmo. Fora o próprio loiro a quebrar aquele acordo mudo entre eles. Simplesmente, em um momento de dor e sofrimento, dissera ao veterano que essa noite não poderia beber com ele. Que sairia com alguém.
Uma jogada desesperada de alguém que via todas as suas peças serem devoradas. Mas também uma tentativa fuga de um homem machucado, que não aguentava a sensação de estar tão perto e tão longe de quem amava.
As palavras dele ainda ecoavam em sua mente:
— “Ah, entendo” — sorriu. — “Divirta-se, Bunny-chan. Ahhh, como é bom ser jovem.” — a última frase pareceu ser dita mais para si próprio do que para o parceiro.
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Deitou-se encolhido no sofá, sentindo o cansaço — tanto físico quanto mental — se apoderar de seu corpo. Poderia dormir ali mesmo, vestido como estava.
Apenas tirou os óculos, colocando-os entre a lata de cerveja e o telefone celular vermelho com flip.
Demorou a conseguir cair no sono, sua mente trabalhava muito rápido e os pensamentos giravam e giravam. Todos eles ao redor de Kotetsu. E foi seu rosto a última coisa de que vislumbrou. Seu rosto sorridente, aquele mesmo sorriso bobo de sempre, com aquela barba engraçada e os olhos mais bonitos que já havia visto.
Foi engolido pelo estado inerte da inconsciência segundos antes de seu celular vibrar, anunciando que recebera uma mensagem. Mas apenas na manhã seguinte, leria aquelas palavras.
No visor, em letras garrafais, era possível ler: Kotetsu.
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Notas finais
Me contem nos comentários!
Beijos
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