Sozinha? Não mais...
2 E DAÍ?!?!?!
— E eu com isso? Nome de velho! — exclamou Malena, num tom até agressivo demais.
— Cê vai ver só, sua ridícula! — avisou Lauro, pulando nas águas trêmulas que agora refletiam um céu obscuro.
Malena nem se moveu com a ameaça, sabia que ele não se atreveria a lhe atirar naquele lago gélido. Como se conhecesse a peça! Malena era confiante demais, para ela suas suposições nunca falhavam, sempre rolavam como o esperado.
Lauro nadava muito rápido e logo estava ali, bem diante da garota, ensopado e ofegante, como se estivesse pronto para atacá-la feito uma criatura marinha selvagem. Malena então se assustou, congelou onde estava.
O intruso foi se aproximando... De repente, jogou-se nos braços dela e lhe deu uma lambida no rosto, inesperada e fria. Ainda que perplexa, Malena percebeu que seu tempo estava acabando e se afastou de Lauro, ligeira.
— O que diabos você fez? — gritou, mas não conseguiu esconder que de certo modo gostou daquilo, pois um micro sorriso se desenhou em sua face.
— Isso é para você aprender, oras! Esperava que eu fosse ficar parado aguentando a metida à proprietária deste lugar fabuloso?
— Este lago me pertence mesmo!
— Que nada, ele é público! PÚBLICO!
— Eu digo que não é não! Poucos são dignos dele, talvez nem mesmo eu.
— E eu vou ter que te dar uma lição de novo?
— Você é lamentável!
— Você tem um gosto amargo!
— Você gosta de jiló!
— Quem te disse tal coisa, tá louca?
— Minhas fadas perseguidoras! Olha que você está me cansando, não gosto de gastar minha saliva atoa!
— Sua saliva deve ser amarga como veneno, se tua pele já é puro fel.
— Sua lambida é horrível como pão com ervilhas e doce de leite!
— Sua textura é dura como pedra!
— Sua língua é áspera como a de um gato!
— MIAU!
Isto foi o suficiente para emputecer Malena. Seus olhos agora estavam vermelhos e assustadores! Foi como um touro para cima do enxerido, que estava se divertindo ao tirar a garotinha do sério.
— Olé! — zombou, abrigando-se atrás de uma grossa árvore centenária. — Venha! Derrube esta triste árvore!
— Vou matá-lo, quero sua cabeça para ostentar por aí!
— Nossa, que ultra, mega, hiper, super MEDO!
— Argh!
— Uau, que rosnado!
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