Soulmates
1 As Tatuagens
Connor acordou em seu aniversário de 16 anos, era apenas um dia normal, seu cabelo estava uma bagunça, como sempre, e ele podia escutar sua família conversando na cozinha no andar de baixo. A única coisa que não era familiar ao garoto, era a pequena tatuagem verde em seu braço esquerdo.
O garoto soltou um "merda" baixinho, colocando seu casaco preto por cima da tatuagem, jeans cinza-escuros e seus tênis de sempre, seguindo para o banheiro e escovando os dentes. Ele desceu as escadas, seguindo para a cozinha e abrindo a geladeira, retirando de lá uma garrafa de leite, abrindo-a e tomando um grande gole.
— Mãe! O Connor está tomando leite direto da garrafa de novo! — Zoe disse, sentada à mesa, comendo algumas torradas.
— Cala a boca, isso não é problema seu. — o garoto resmungou, tirando uma mecha de cabelo do rosto, irritado. — Vou pra escola sozinho hoje, é meu aniversário, o melhor presente que eu posso ter no momento é não ter que lidar com você tagarelando.
Antes que qualquer um pudesse reclamar, Connor pegou um waffle, mordendo um pedaço e saindo pela porta rapidamente. O garoto caminhou até o colégio, segurando sua bolsa com força ao lado do corpo, até chegar aos enormes portões.
— Mais um dia nesse inferno! — comemorou ironicamente, entrando no prédio.
Ele caminhou pelo corredor, desviando de outros alunos e lançando olhares mortais para cada um que passava, até chegar em seu armário, pegando os livros de química e cálculo. Correndo para a sala de aula ao ouvir o sinal tocar.
Apenas quando a primeira aula começou, Connor voltou a pensar em sua tatuagem, a imagem de um pequeno pinheiro gravada em seu braço esquerdo, um pouco acima do pulso. Quem poderia ser sua alma gêmea? É claro, a tatuagem mostrava algo que sua alma-gêmea gostasse muito, mas... por que uma árvore?
Se a tatuagem de Connor fosse um piano, ou um violão, ele saberia por onde começar, a escola possuía uma banda, e um clube de música, seria fácil começar por lá, mas, uma árvore? Onde ele poderia começar a procurar? O jardim?
Assim que o sinal tocou, o garoto pegou sua bolsa, correndo para a secretaria do colégio, apoiando no balcão e esperando que a secretária percebesse sua presença. Ela era uma mulher bem jovem, provavelmente havia acabado de sair da universidade ou algo do tipo.
— Oh, do que precisa, garoto emo? — ela perguntou, sorrindo.
— Hahah, realmente, muito engraçado, meu estômago está doendo de tanto rir. — ele deixou escapar uma risada obviamente falsa, mexendo na manga do casaco. — Preciso saber se esse lugar tem um clube de jardinagem ou alguma merda desse tipo.
— Ei, ei, calma aí. Não, nós não temos nenhuma "merda desse tipo", desculpe. — ela respondeu, olhando para o braço do garoto. — Procurando sua alma-gêmea?
— Não interessa pra você, — murmurou, seguindo na direção da porta. — tenha um bom dia. — exclamou, deixando o sarcasmo correr em sua voz.
— Você também! — a mulher respondeu, usando o mesmo tom.
Connor estava realmente estressado, como ele seria capaz de encontrar sua alma-gêmea com ESSE tipo de tatuagem?! Ele deixou escapar um suspiro frustrado, andando para sua próxima aula.
O que Connor não sabia era que, duas salas à frente, um garoto baixinho estava lidando com o mesmo problema.
◕‿↼
— Mas, Jared, como raios eu vou encontrar minha alma-gêmea com... isso? — Evan apontou para o borrão preto em seu braço, suspirando.
— Eu não faço ideia, Garoto Árvore. — o outro garoto respondeu, arrumando os óculos. — Talvez demore, olha pra mim, minha tatuagem é a droga de um piano, e até agora eu não achei minha alma-gêmea!
— Mas pelo menos você tem uma pista, minha tatuagem nem mesmo faz sentido! — o menor comentou, cruzando os braços.
— Talvez sua alma-gêmea seja o psicopata da escola, ele parece alguém que combinaria com essa tatuagem. É estranha, e assustadora ao mesmo tempo, exatamente como ele.
— C-Cala a boca! — Evan corou. — Talvez minha alma-gêmea esteja passando por algo difícil, talvez ela esteja morta e eu vou ficar sozinho pro resto da minha vida! Ah meu Deus, Jared, e se minha alma-gêmea já é feliz com alguém e eu estou só atrapalhando o relacionamento deles?! — ele começou a mexer os dedos, nervosamente.
— Evan, se acalma, ok? — Jared riu, colocando uma mão no ombro do amigo. — Eu ainda acho que minha teoria é verdade, mas, ei, você disse que a tatuagem apareceu hoje, certo? Então, como você ainda tem 15 anos, vamos ver quem fez aniversário hoje.
— O-Ok, na verdade essa é... uma ótima ideia! — ele sorriu. — Obrigado, Jared!
Os dois garotos começaram a perguntar a data do aniversário de todos que passavam no corredor(na realidade, apenas Jared perguntava, Evan apena ficava parado ao lado do amigo, ouvindo as respostas), sem resultado algum.
— Talvez sua alma-gêmea não seja do nosso colégio, ou algo do tipo. — Jared sorriu, tentando acalmar o amigo. — Mas, agora, nós temos que ir para a aula, ok?
— Ok... — Evan murmurou, seguindo o amigo.
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