Notas iniciais
Psé, escrevi isso agora, aqui mesmo no Nyah! e bom, tava com isso na cabeça desde que postei aquela última coisa fofa lá. Espero que curtem, já que eu escrevi com muito carinho.
Boa Leitura.

Senti o vendo frio do inverno bater contra meu rosto e alguns flocos de neve pipocarem no meu nariz. As lágrimas caiam dos meus olhos intensamente, fazendo meu coração bater aceleradamente. Eu não estava com medo, estava apenas pensando em quem eu iria deixar para trás e pensando que eu era muito egoísta por estar fazendo isso com ele. Havia o prometido que ficaria, que jamais o abandonaria, seria diferente de todas aquelas pessoas que foram embora e o deixaram para trás. Fraco e sangrando.

Sentia-me um monstro fazendo aquilo com o meu irmão mais novo, mas sabia que era para o seu próprio bem. Eu o machucaria, o deixaria sangrando. Não era capaz de reerguê-lo do chão, era apenas capaz de deitar ao seu lado e ficar ali, esperando alguma coisa para nos levantar. E tudo o que Bill precisava, era alguém totalmente diferente de mim.

Alguém forte. Alguém que além de suportar a própria dor, o ajudaria a suportar a sua própria. Alguém que além de levar a sua cruz nas costas, pegasse a de Bill e a levasse também. Ele precisava de alguém e esse alguém não era eu, infelizmente.

Enxuguei as lágrimas e sentei no parapeito daquele prédio, rindo sarcasticamente, pensando no quão covarde eu era. Afastei todos aqueles pensamentos de minha cabeça e me foquei na minha própria dor, desligando-me do mundo. Estava tão acostumado com ela, que era ainda um pouco difícil a distinguir de outras coisas.

Senti alguém sentar ao meu lado e suspirei pesadamente. Tinha sido idiota pensar que ele não viria atrás de mim. É claro que ele viria. Ele sentiria a minha dor e saberia exatamente o que fazer. Vir atrás de mim e me convencer a não pular.

–Vamos embora daqui? — Perguntou em um sussurro, pegando a minha mão fria.

–Não — Disse simplesmente, passando um braço por sua cintura e trazendo o seu corpo magro juntar-se ao meu. Iria sentir falta daquilo.

–Você não vai fazer isso — Disse calmamente, estendendo a mão direita para frente e tentando pegar alguns flocos de neve.

–Você não vai me fazer ficar — Disse em um sussurro fraco. Saberia que se ele insistisse mais, eu acabaria ficando, como o lindo idiota que eu era.

–Não, eu não vou — Disse pegando meu rosto entre suas mãos e depositando um beijo singelo em minha testa. — Eu vou com você — Disse sério.

Fechei os olhos e quis gritar. Sabia que aquilo aconteceria e não estava pronto para isso. Ele não pularia. Eu não deixaria.

–Não, está louco? — Perguntei ainda com a voz baixa. — Eu vou fazer isso, você fica, continua com a banda e continua sendo quem você é — Disse acariciando seus cabelos.

–Se você pular, como eu você continuar? Eu não vou conseguir — Disse em meio a um soluço. — E não adianta insistir, nós vamos fazer isso juntos, entendeu? — Disse decidido, levantando e puxando-me junto a si.

Ficamos ali, de pé, pensando em tudo e olhando para a escuridão que estava abaixo de nós. Logo, ela iria nos engolir e fazer as coisas ficarem tudo bem.

Senti quando Bill tomou fôlego e pegou minha mão com mais força. Sabia que se eu o deixasse pular, junto comigo, eu estaria acabando com sua vida, mas eu não o forçaria a ficar. O forcei a tantas coisas que não quero mais fazer isso agora. O forcei a esquecer de o que sentíamos um pelo outro, a tentar seguir uma vida onde eu não existia e agora, olhando fundo em seus olhos, eu podia ver o tamanho do estrago que havia feito.

Tomamos impulso e fomos. A escuridão nos engolia e nos nossos rostos, tinhamamos sorrisos iguais. Nossas mãos continuavam juntas e nós estávamos lembrando de todos os momentos bom que tivemos.

Quando, finalmente, atingimos o chão, pudemos sentir a dor. Uma dor forte chegava quase a superar a dor que estava em nosso peito. Olhei fracamente para o lado e ele já estava quase inconsciente.

–Ninguém, nunca, ira poder nos acusar de amar — Disse sem forças, sentindo o sangue escorrer pela minha boca.

–Nunca — Respondeu fracamente.

Senti a morte nos engolir e naquele momento eu soube que tudo ficaria bem. Estávamos juntos, como sempre quisemos ficar.

Juntos para toda a eternidade.

Notas finais
Bom, tá ae. Espero que tenham gostado e é, eu gostei.
Até o próximo.