Soulmates
2 Angust
Notas iniciais
Revirei-me na cama um pouco, sentindo algo incomodo dentro do peito. Fazia poucos minutos que havia mandando alguma fã embora depois de um sexo rápido e de apenas uma noite. Havia tomado um banho e deitado na cama. Mas não havia conseguido dormir. Era como se alguma coisa realmente importante faltasse. Era como se ficar com várias mulheres em uma noite só não fosse o suficiente. Não era também como se eu precisasse de alguma delas para amar. Mas era como seu eu precisasse ser amado; ser de alguém não apenas por uma noite.
Sentei impaciente na cama e bufei. Andei lentamente pelo quarto e liguei a luz, vendo o quarto de hotel desorganizado, com roupas e mais roupas jogadas pelo chão. Pensei em arruma-las, pois iriamos embora dali pela manhã, mas quando peguei a primeira peça de roupa para dobrar, desisti. Olhei no relógio e notei que eram 01h15min da manhã de um sábado.
Peguei meu travesseiro e fui até a porta. Caminhei lentamente até o quarto ao lado e não hesitei ao bater com o punho fechado na porta duas vezes. Demorou alguns segundos para um ser descabelado, com os olhos fechados e apenas de boxer abrisse a porta com o humor péssimo.
–O que você quer, Tom? – Perguntou meu gêmeo, querendo minha cabeça em uma bandeja, com toda a certeza.
–Quero dormir com você – Disse simplesmente, como se comentasse o tempo.
–Que foi? Sua cama pegou fogo? Foi infestada por pulgas? – Perguntou irônico.
–Claro que não né – Disse revirando os olhos.
–Então não tem motivos para dormir comigo. Boa noite – Disse sorrindo.
Segurei a porta com a minha mão livre e o olhei com a melhor cara de cachorro abandonado que eu tinha.
–Por favor, Bill. Eu não quero dormir sozinho hoje – Disse olhando para baixo, completamente envergonhado.
–Tudo bem Tom, entre – Disse suspirando.
Entrei no quarto e fechei a porta, vendo como o cômodo estava arrumado, muito diferente do meu.
Bill deitou-se em um lado da cama e se cobriu até a cabeça, me mandando desligar a luz de uma vez. Fui até o interruptor, desliguei-a e caminhei até a cama. Joguei meu travesseiro no lado esquerdo e deitei, cobrindo-me um pouco.
Virei para o lado e vi a silhueta do meu gêmeo. Cheguei um pouco mais perto e fechei os olhos. Tentei de todas as maneiras dormir, mas aquela sensação de solidão ainda estava impregnada no meu peito. Suspirei e pensei se algum dia iria dormir sem aquela sensação. Virei-me novamente e pude perceber pela respiração de Bill que ele não estava dormindo. Tranquei a respiração e tentei ficar parado, pois sabia que irritar meu gêmeo quando ele estava com sono não era uma coisa muito inteligente de se fazer.
–Tom, teria como virar essa sua bunda para o lado e dormir de uma vez? – Perguntou virando-se para mim. Estava irritado.
–Eu não consigo dormir – Disse em um fio de voz, suspirando cansado.
–Por quê? Está sentindo dor em algum lugar? – Perguntou preocupado.
–Não chega a ser uma dor, é só um desconforto aqui – Disse apontando para meu peito, fechando os olhos.
Era incrível o fato de eu conseguir falar sobre sentimentos tão bem com meu irmão.
–Aqui? – Bill perguntou tocando o lado esquerdo do meu peito. Assenti – Quem sabe eu consiga fazer parar – Disse em uma voz delicada.
Sorri e cheguei mais perto. Bill passou o braço por debaixo de meu pescoço e o outro por minha cintura, puxando-me para mais perto de seu corpo. Fechei os olhos quando senti sua respiração quente em meu pescoço e sorri.
–Está melhor? – Perguntou, entrelaçando seus dedos nos meus.
–Não, mas pode continuar me abraçando – Disse fazendo-o rir.
–Não quer tentar explicar o que está sentindo? – Perguntou enquanto fazia um carinho inocente em meu braço.
–Acho que não consigo – Fiz um careta.
–Ao menos tente.
–Eu, bom, não sei o que é. Mas é uma coisa aqui dentro, sabe? Incomoda e não me deixa dormir. Eu sinto isso todas as noites, sempre que deito na cama. É como se eu estivesse sozinho, entende? Mas durante o dia eu nem me lembro dessa coisa – Disse gesticulando – É como se eu precisasse me sentir seguro, sentir que sou de alguém. É estranho, eu sei – Disse suspirando.
–Você se sente sozinho – Disse constatando o óbvio.
–Mais ou menos isso ai. Acho que preciso ser amado – Disse assustado.
–Mas você é amado – Disse me apertando forte.
–Mas não dessa forma – Suspirei.
–Você é amado dessa forma – Sussurrou, beijando meu ombro.
Fechei os olhos e procurei o desconforto dentro de mim. Sorri ao perceber que ele não estava mais presente. Sorri ao perceber que era amado e que nunca estaria sozinho. Eu tinha meu irmão gêmeo, afinal. E tendo ele, sozinho era uma coisa fora de questão para se estar.
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