Soulmate - Spideypool
11 "...ele me odeia agora?" P.P.
Quando a segunda-feira finalmente chegou, Peter podia jurar que uma noite nunca demorou tanto para passar.
O embate de Wade e Quentin rodou seus pensamentos, assim como a marca escura dos cinco dedos de energia demoníaca no pescoço do seu irmão mais velho. Quentin e Wade compartilhavam um passado que Peter não conhecia plenamente e por algum motivo, isso o irritava.
Tentou ir para a cama cedo imaginando que quanto mais cedo fechasse os olhos, mais rápido a segunda-feira chegaria e mais rápido Peter poderia correr para encontrar Wade e lhe pedir desculpas. Ele havia até mesmo ensaiado o pedido enquanto estava deitado, mas não teve a oportunidade de usá-lo.
Como sempre, Peter foi um dos primeiros a chegar no colégio e esperou seus amigos no portão. Mary Jane é a primeira a se juntar ao anjinho esperando os outros amigos. Jhonny Storm chega logo depois e, apesar de ser um pacificador, não deixa Peter em paz até que o mesmo conte tudo o que aconteceu em seu final de semana.
— Espera, espera, espera, então o Quentin, repito, o Quentin, espião, capitão, soldado condecorado e anjo, não conseguiu se livrar do Wade Wilson? – Jhonny pergunta pela terceira vez, completamente embasbacado.
— Você é surdo? – Mary Jane ralha. – Ele já falou que sim umas dez vezes.
— Está bravinha porque, Jane? – Jhonny levanta uma das sobrancelhas se divertindo. – Ah é, você acha um ultraje que um demônio de ensino médio possa derrotar um soldado.
— Não é isso! — A garota tenta se defender. – Eu só fico pensando, se ele consegue usar tanta energia demoníaca assim, o que ele está fazendo aqui ainda? Devia ter sido mandado para a guerra uma hora dessas e, para pra’ pensar, e se ele se descontrolar? Todo mundo sabe que o Wade não é uma figura correta de aluno, muito menos de autocontrole.
— Não é verdade. – Peter vem em defesa de seu aluno. – Bom, aluno correto ele não é mesmo, mas ele pelo menos tenta manter as notas. Ele tem uma bolsa acadêmica sabia? E, ele não é descontrolado.
— E ir para cima de um oficial é ser controlado? – Mary tomba a cabeça para o lado, encarando Peter.
— Mas não foi culpa dele, você ouviu o que eu disse, o Quentin começou a falar dos pais dele...
— Ah nem me fala. – Jhonny interrompe, fazendo o sinal da cruz três vezes pelo corpo. – Eu fico arrepiado só de pensar no que ele teria feito com você ou com o Quentin se seus pais não tivessem aparecido.
O castanho hesita, se lembrando novamente da cena do cemitério e também da sensação de perigo que seu corpo sentiu por toda a parte. Suas asas se encolhem só com o pensamento, porém ele deixa sair o que estava pensando desde o encontro daquele dia.
— Eu não acho que ele teria feito nada comigo. – Peter revela com um tom fino de voz.
— O que? – Mary olha para ele incrédula. – Eu preciso te lembrar dos boatos que rolam pelo colégio?
Peter suspira. Não, ela não precisava. Mas eles não estavam lá quando Wade avançou sobre Quentin. Eles não sentiram a verdadeira aura de ódio e terror que Peter havia sentido. Eles não haviam visto o mesmo monstro que Peter havia visto.
A passos largos e rápidos, Gwen Stacy se junta a eles afobada. Era de praxe que a menina estivesse atrasada, mas hoje havia se superado.
— D-d-desculpa. – Ela consegue pedir na terceira tentativa, mas logo depois cobre o nariz e boca, como se fosse melhor se proteger de algo que estava sentindo do que recuperar o fôlego perdido. – Pelo Santo Lobisomem, qual de vocês está puto da vida?
Os amigos olham a garota com pontos de interrogação nos olhos.
— Mas ninguém está bravo? – Jhonny franze as sobrancelhas, como pacificador, ele conseguia saber quando emoções estavam variando, como linhas de uma harpa sendo puxadas em sua cabeça, porém tudo estava calmo.
Gwen descobre o nariz só por um segundo para se aproximar dos amigos e cheirá-los. Peter recua porque tinha cócegas inexplicáveis no pescoço, Gwen nem mesmo está perto o suficiente e ele já começa a rir.
— Gwwwen, p-para! – O garoto pede rindo e seus amigos riem juntos, contagiados.
Ela parte para Jhonny e depois Mary Jane, que só se dá ao trabalho de bater no nariz da loba com o dedo do meio.
— É você, Peterzinho, não sabia que você conseguia sentir tanta raiva assim. – Ela volta a cobrir o nariz e procura um casaco dentro de sua bolsa. – Aqui, coloca isso ou quando você entrar na sala, todos os lobos vão querer desmaiar.
— Mas eu não... Ah. Ok, obrigado. – Ele arruma os óculos no rosto, envergonhado enquanto coloca o casaco da amiga, apesar de não estar tão frio.
Os amigos não questionam, era raro que Peter realmente conversasse sobre o que estava sentindo. Ele não odiava os amigos, mas tinha dificuldade em entender o que se passava em sua mente e coração quando se tratava de sentimentos tão mundanos como amor, raiva ou felicidade.
Era de fato normal que anjos tivessem uma dificuldade maior em compreenderem sentimentos pecaminosos. Alguns se adaptavam melhor do que outros quando estavam na Terra, mas aquilo com certeza não se aplicava a Peter. Esse era um dos motivos do garoto ser chamado de ingênuo por muitos.
Ele suspirou, os amigos podiam não ter perguntado, mas ele sabia. Aquele cheiro que Gwen estava reclamando, não era seu. Era de Wade. Ele se arrepia com o pensamento, “como alguém pode deixar uma marca tão forte de ódio, apesar de já ter passado tantas horas?”
Os amigos retiram Peter de seus questionamentos quando engajam em uma explicação do que Peter estava lhes contando e o que eles mesmos fizeram no final de semana, enquanto se voltam para dentro do colégio. Pelo canto do olho, Peter consegue ver o grupo de Wade se aproximando. Ele se acende com a perspectiva de combinar um horário para se desculpar com o loiro, já que dali a 5 minutos o sinal bateria, mas para sua surpresa, Wade não está ali.
Vanessa, Colossus e Ellie passam por si, menos energéticos do que o costume, a falta de Dopinder não passa desapercebido pelos olhos do castanho. O trio adentra as portas, todos muitos concentrados em seu próprio mundinho para perceber os olhares do anjo. Peter, ainda atordoado com a falta de dois membros no grupo, acaba que perde a chance de pará-los e perguntar sobre o loiro.
Seus amigos o olham de forma preocupada, já que não é do feitio de Peter ficar preso tanto tempo assim na porta do colégio. Ele se desculpa e os segue, mas sem realmente prestar atenção em muita coisa. Sua mente trabalhando em quais as possibilidades de Wade não ter aparecido logo após um dia perturbado como aquele.
{...}
No primeiro período, ele conclui que Wade deve só ter demorado para sair da cama. Não podia negar que isso sim era do feitio do loiro. Se atrasar em plena segunda-feira.
Quando o sinal para o intervalo passa e ele não vê o loiro e nem mesmo seus amigos sabem se ele compareceu a alguma aula hoje, o trio tenta pensar junto de Peter qual seria o motivo da ausência do demônio, já que ele podia se atrasar, mas raramente faltava. E agora que não havia comparecido, era um dia a menos para que o trio tentasse adivinhar quantas vezes Peter tinha pego o loiro olhando para si.
Ao final do intervalo, Peter estava mais tranquilo com as ideias retiradas dos amigos. Ele pode se concentrar melhor em seus afazeres e tinha um alivio em sua mente, já que, dali ele poderia partir para a casa do demônio, já que sabia seu endereço, e então poderia se desculpar de verdade antes de voltar para suas aulas extras.
Ao final das aulas, Peter se despede dos amigos e por fim pode se alegrar ao começar a andar rumo ao apartamento do loiro. Seu celular vibra antes que ele possa sair dos portões do colégio e Peter não consegue acreditar.
— Ele...ele...ele está cancelando as aulas por uma semana?! – O castanho grita para si mesmo.
O anjo manda uma resposta a mensagem que recebeu e espera, espera e espera mais, porém uma resposta à sua pergunta não vem até que ele tenha desistido da ideia de ir atrás de Wade para conseguir as respostas cara a cara e tenha voltado para suas aulas.
“Eu estou bem, só não vou poder ter aulas essa semana. Nos vemos no colégio :)”
Peter lê e relê a mensagem até seus olhos doerem quando a aula termina. Ele retira os óculos do rosto e aperta os olhos contra as palmas. O que raios era aquilo? Ele tinha ignorado completamente a pergunta de Peter se podia encontra-lo em seu apartamento ou se podia ajudar de alguma forma.
O que um “eu estou bem” podia significar nesse sentido? O castanho, que chega mais exausto do que o costume, se joga na cama, já podendo ver o brilho das estrelas em sua janela. Por algum motivo ele não se sentia bem com aquilo.
O incômodo continuou enquanto Peter fazia suas lições, enquanto tomava banho e enquanto jantava. A sensação não passou até que ele foi se deitar. Quando já estava enrolado nos cobertores e com os olhos fechados a ideia passou por sua cabeça:
“Meu Deus, será que ele realmente me odeia agora?”
E assim, Peter abre os olhos, passando a ser corroído pelos pensamentos mais inúteis que poderia ter antes de dormir e não consegue mais pegar no sono.
{...}
— Meu Deus o que aconteceu com você? – Gwen se espanta ao ver as olheiras no rosto do anjinho no dia seguinte. – A gente nem está em semana de prova.
— Eu sei. – Peter afirma com uma voz manhosa, querendo se arrastar por ai da maneira mais miserável possível.
— O que aconteceu com ele? – A garota pergunta a Jhonny e Mary que esperavam a loba em frente ao colégio como fazem todos os dias.
Ambos dão de ombros.
— Ele só disse que não dormiu direito. – Jhonny responde. – Todo mundo tem um dia ruim as vezes.
E apesar do que disse, seus olhos – que passam acima da cabeça de Peter com facilidade – vão de um par de olhos verdes para os olhos azuis de Gwen, claramente dizendo que nem ele havia acreditado nisso.
Com um esforço conjunto, os amigos conseguem desmarcar as aulas extras de Peter que ainda sobravam e bolam um plano para animá-lo. Era raro, mas Peter sempre parecia mais feliz quando todos se juntavam em sua casa.
O castanho não parece muito afim no início, na verdade, ele parece preso em um ciclo de auto piedade e desespero, como se tivesse sido chutado pelo namorado ou namorada, mas isso era impossível, já que Peter nunca tinha namorado antes.
Mary Parker também não ficou muito feliz vendo o filho perder suas aulas extras, mas diante a presença de seu sempre fieis e leais amigos, a mulher se questionou se talvez seu filho que nunca dava trabalho estava passando por alguma coisa que ela devia saber.
— Ok. – Ela se dá por vencida. – Acho que não tem problema fugir da rotina de vez em quando. Estou indo para o laboratório, não fiquem conversando até tarde. Pet, não esqueça de oferecer-lhes jantar se eles forem ficar.
— Ok, mãe. – O castanho agradece, apesar de também não ter gostado da ideia de fugir de suas aulas extras.
Peter gostava de ter uma rotina, ele gostava de dar aulas e gostava de estudar. Era no que ele sempre fora melhor. Isso não queria dizer que ele gostava menos dos amigos, mas imaginava que manter sua cabeça focada na rotina o faria se livrar dessa sensação de desespero descendo por sua garganta.
Seus amigos fazem o melhor que podem. Jogos de tabuleiro, filmes, livros e até mesmo propõem um estudo em grupo – ideia ao qual Jhonny odeia -, porém nem mesmo se concentrar nos livros de estudos parece algo que está aliviando o castanho.
— Ok, isso não está ajudando. – O pacificador joga o livro para o alto e se vira no tapete da sala de Peter. – O que mais falta?
— Bom, já tiramos quase tudo da lista, só existe mais uma coisa para tirar um anjo da... – Gwen olha para Peter e é quase visível um paredão azul escuro com listrinhas acima de sua cabeça. – O que quer que isso seja.
— Não existe fórmula mágica para concertar sentiment-
Mary Jane é obrigada a parar quando Gwen sai da cozinha com potes e mais potes de sorvete. O rosto de Peter se alivia na mesma hora e até mesmo a ruiva pode sentir a boca salivar em expectativa.
— Ok, talvez tenha. – Mary Jane engole em seco e lambe os lábios como um predador avistando sua presa.
— Porque isso é mais assustador do que qualquer coisa que eu já tenha visto? – Jhonny comenta receoso, fazendo Peter dar um risinho.
Os amigos sorriem, felizes por finalmente retirar um sorriso do garoto.
A situação só melhora realmente lá pela quinta tigela de sorvete, já que é quando Mary Jane está atolada com açúcar em suas veias e propõem que eles saiam da casa do anjo e voltem para a Terra, para poderem visitar o melhor lugar que eles conhecem. Os olhos de Peter brilham instantaneamente e eles sabem que acertaram na decisão.
Peter ainda parece meio morno quando chegam no Arcade, porém lá pelo quinto ou sexto jogo que Peter está demonstrando suas habilidades de competição e seu espirito nada esportivo, todos percebem que, o que quer que estivesse incomodando o anjo antes, estava longe de sua mente no momento.
Os três amigos combinam um hi-five no ar para se auto parabenizar, enquanto fazem Peter dar pulinhos tentando se juntar a eles.
— Não é justo! Só porque eu sou pequeno! – O anjinho ralha quando pula outra vez e seus amigos continuam com as mãos juntas no ar impedindo que ele os alcance.
Peter junta todas as forças em suas panturrilhas e pula, finalmente encostando os dedos na mão dos amigos.
— Rá! – Ele comemora enquanto cai de volta para o chão, mas acaba dando um encontrão com alguém atrás de si.
— Ai! – Uma voz masculina reclama. – Mas que caralho...
— Meu Deus, mil perdões. – Peter se desculpa com a figura masculina, antes de ver alguém que conhece. – Vanessa?
— Peter? – A garota estica a cabeça para ver o anjo e o trio de amigos próximos a ele. – Que coincidência.
— Você conhece ele? – O cara com Vanessa questiona, não parecendo muito feliz.
Peter esquece a surpresa por um segundo, tentando organizar a bagunça que ele havia se tornado depois do esforço que emprenhou jogando. O trabalho que seus amigos tinham tido em lhe tirar Wade da mente, sendo jogados no lixo assim que o castanho coloca seus olhos na moça e sabe que precisa perguntar a ela sobre ele.
— Olá. – Peter meio que se apresenta. – Sou Peter Parker, conheço a Vanessa do colégio.
— Colégio? — O homem fica azul com a revelação. – Seu perfil dizia que você tinha 21!
— E eu tenho. – A garota mente.
— Como você pode ter 21 e ainda estar no colégio? – O homem age de forma agressiva.
— Já ouviu falar de repetente, querido? – Vanessa faz sua melhor cara de quem realmente teria sido reprovada cinco vezes no colégio.
— Hum...Eu não... – O homem parece nervoso sob o olhar do grupo de Peter, como se fosse pego fazendo algo errado. – Vou te esperar no carro.
O homem sai sem dar tempo de Vanessa ou os outros dizerem qualquer coisa. Eles olham entre si em um silêncio constrangedor, até que todos caem na risada.
— O que acabou de acontecer? – Gwen questiona.
— O velhinho foi pego no flagra. – Jhonny brinca rindo ainda mais.
— Me desculpa, Vanessa, eu não queria fazer seu namorado se sentir constrangido. – Peter pede, se sentindo mais constrangido do que o homem, porém Vanessa só ri ainda mais.
— Oh, Peter, você é realmente um anjinho. – Ela coloca a mão sobre o peito, como se não pudesse aguentar aquilo. – Ele não era meu namorado, é meio que o meu trabalho.
— Seu trabalho? – Peter questiona confuso.
— Ela sai com eles por dinheiro. – Mary Jane explica.
— Dura na queda. – Vanessa contempla, mas não parece envergonhada. – Porém é verdade. Por mais que, o cara me trouxe para um arcade, não é como se ele tivesse muito o que me dar pelo jeito.
— Não é? – Gwen concorda, como se fosse melhor amiga de Vanessa a anos. – Tão pão duro.
Logo o silêncio volta ao grupo. O reconhecimento de seus territórios diferentes no colégio, assim como o fator “amiga de Wade Wilson, possível assassino de Peter no futuro” estar quase brilhando nos olhos dos três amigos do anjinho.
— Ok. Bom ver vocês, se divirtam. – Ela sorri se despedindo.
— Espera! – Peter interrompe antes que perca a chance novamente. – Eu queria perguntar, o Wade está bem?
Vanessa inclina a cabeça, não entendendo em que sentido o castanho perguntava isso.
— Digo, ele cancelou as aulas da semana toda. – Peter se explica, tentando se lembrar de voltar ao seu clima profissional que usa no colégio. – Ele não deu nenhuma explicação e sei que não é da minha conta, mas uma mensagem dizendo que está bem não deixa ninguém menos preocupado.
A diabinha quase sente o coração saltar do peito. Peter era realmente uma preciosidade. Difícil o caso em que alguém se preocuparia tanto com um demônio, mais raro ainda isso vindo de um anjo. Ela suspira, feliz por ver esperança em pelo menos alguns seres.
— Não se preocupe, ele só está...hm...doente. – Ela conclui, como se a real razão de sua ausência fosse difícil de explicar.
— Oh. – Peter deixa os ombros caírem.
— Ele deve estar tomando os remédios e cuidando de si. – Mary Jane coloca a mão sobre o ombro do castanho. – Ele deve estar evitando te passar o que quer que ele tenha contraído.
— É, mais ou menos isso. – Vanessa concorda e por algum motivo, ela parece querer rir com essa ideia, mas logo pigarreia. – Bom, se você estiver muito preocupado, é só mandar outra mensagem pra’ ele.
— Ok. – Peter concorda, mas não sabe o que é aquele sentimento que o está puxando pra baixo.
Demônios tinham uma saúde quase tão perfeita quanto anjos, era praticamente impossível que Wade estivesse resfriado ou com alguma doença mundana. O castanho sente o coração apertar, isso queria dizer que Wade devia estar com alguma doença muito séria, certo?
Assistindo Peter entrar em um looping de preocupação novamente, os amigos tentam resgatá-lo antes que seja tarde.
— H-hey, amigo, se você está tão preocupado assim, porque não vamos até a casa dele? Se todos formos juntos, não acho que seja mal. – Jhonny propõem, mas Vanessa o interrompe antes que Peter tenha as forças para ficar feliz novamente.
— Não! – Ela percebe o grito que dá e se afasta. – Não. Não importa o que façam, não vão visita-lo, é melhor deixa-lo em paz com relação a isso. Sério. Estou avisando.
— Ok. – Gwen recua com os sentidos em alerta, Vanessa fedia a uma camada gigantesca de preocupação. Demônios eram os mais fáceis de ler pelo cheiro. – Não vamos.
— Me prometam que não vão deixar ele ir. – Ela pede, não confiando nas palavras da loba.
— Relaxa. – Jhonny afirma, com seriedade. – O Peter nunca iria na casa de alguém assim, só por ir.
A mulher olha para os quatro ainda desconfiada, porém suspira.
— Ele vai voltar em uma semana, então não precisa se preocupar. – Ela fala isso mais para Peter do que para os outros. – Só confia que ele vai melhorar, ok? Até mais.
O grupo se despede da moça que volta ao seu trabalho.
— Você está bem, Peter? – MJ questiona ao olhar para o outro anjo.
— Acho que sim. – O castanho força um sorriso nada convincente.
“Qual seria o motivo para Wade nem mesmo querer ver seu rosto?”, Peter se questionava. Eles não se viam desde o dia no cemitério, talvez o castanho tivesse levado a situação levianamente demais. Talvez Wade o estivesse culpando sobre algo? Peter esfregou os olhos por debaixo dos óculos, aquele sentimento ruim no estômago novamente o perseguindo.
Os amigos se encaravam novamente sem que Peter percebesse.
— Que tal voltarmos para a área de fliperama? – Jhonny propõem.
— Eu quero uma revanche no Mario Kart! – Gwen concorda.
— Vamos? – Mary Jane lhe ofereceu a mão.
Peter sente o peso em seu peito se aliviar um pouco. Ele sabia exatamente o que seus amigos estavam fazendo. Ele sorri, aliviado por ter amigos que cuidam de si.
“Talvez Wade esteja precisando do mesmo...” Ele pensa antes que sequer tenha percebido.
Estaria tudo bem tentar aparecer na casa do loiro mesmo se Vanessa tivesse lhe alertado para não fazê-lo? Peter aperta as mãos, nervoso, porém balança a cabeça tentando se livrar das dúvidas. Às vezes você precisa de ajuda, mas não sabe a quem pedir.
Assim como seus amigos estavam lhe ajudando hoje, Peter também desejava fazer o mesmo por Wade, mesmo que agora o loiro o odiasse.
Com um sorriso determinado no rosto, ele olha para o seu trio favorito.
— Eu vou tão vencer todos vocês de novo.
E eles partem para a área do fliperama com a esperança de que Peter esquecesse o assunto Wade Wilson, pois ali, naquele instante seus amigos haviam finalmente presenciado e percebido que, àquela curiosidade platônica de Peter já não era somente curiosidade e, com certeza era o que o levaria a morte.
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