Soulmate

1 What's a Soulmate?


Notas iniciais
Olá, meus lindos e alocados leitores! Tudo bom com vocês?
Estou aqui, de volta com mais uma one-shot de Gintama. Dessa vez é minha primeira OkiKagu! Ai, que nervoso!
Principalmente porque ela é um presente para a pessoa que praticamente MANDA nesse ship!
Bats, Batsu, Batmina, menina!! Espero mesmo que goste e se divirta lendo a fic ^^ Admito que não foi minha maior obra, mas fiz com muito carinho ♥

Aproveitem todos e boa leitura!

Mitsuba inclinou a cabeça para o lado com um olhar tristonho, pensando em como deveria iniciar o assunto com seu irmão. Sougo estava à sua frente, sentado na varanda de casa e recostado em uma das vigas, sem encará-la.

— Sou-chan. – Arriscou-se a começar, sua voz soando hesitante e entristecida. – Por que você discutiu com a pobre garota?

Havia pouco ela fora atender a porta e deparou-se com o irmão, que tinha ido brincar no parque próximo e agora retornava, acompanhado de uma garotinha chorosa e sua mãe. Ao que parece, a menina tentara brincar com o pequeno Okita, mas Sougo facilmente perdeu a paciência por algo e uma discussão começou.

Mitsuba desculpou-se pelo comportamento do mais novo e precisou pedir mais de uma vez para que Sougo se desculpasse também. E embora a mãe e a menina tenham ido embora sem maiores causos, Mitsuba desconfiava de que a pequena não tentaria mais se aproximar de seu irmão para brincar.

Como sempre acontecia.

Sougo abaixou mais a cabeça; não queria causar problemas para sua irmã e muito menos vê-la triste, mas o que podia fazer se aquela menina era mais tonta que uma porta? A culpa não havia sido dele e o menino precisava deixar isso claro:

— Foi ela que começou, aneue. – Ergueu a cabeça para fitar a irmã, ainda fazendo bico. – Eu falei pra ela que não queria brincar de casinha, mas ela era muito chata e começou a chorar quando eu tentei mostrar pra ela como se joga bola! – Sougo cruzou os braços, indignado só de lembrar.

Mistuba não conseguiu conter um leve sorriso pela expressão do irmão, mas não durou muito tempo, pois ela precisava explicar para o menor o que ele havia feito de errado.

— Sou-chan, você tem de entender que garotas são mais delicadas que garotos.

— Eh? – Sougo não entendeu. – Mas se até você joga bola comigo de vez em quando, aneue!

— Eu não estou falando só da bola. – Mitsuba fez uma pausa, novamente pensando um jeito melhor para se expressar com o pequeno. – Veja bem, você deve sempre ser cuidadoso com uma garota, tratando-a com gentileza, paciência e nunca usando a violência. Eu já lhe disse isso, não?

Sougo vasculhou rapidamente sua memória e balançou a cabeça, concordando. De fato, Mitsuba já lhe havia explicado como tratar uma garota antes, que elas não eram tão bruscas como os garotos e coisas do tipo. Mas isso queria dizer o que? Que ele precisaria agir o tempo todo como um cavalheiro, falando macio e nunca podendo se falar umas verdades para não magoar a menina? Se assim fosse, Sougo já tinha chegado a uma conclusão:

— Garotas são um nojo! – Gritou emburrando a cara. Se bem que...: – Só você que é legal, aneue. – Foi rápido em acrescentar.

A mais velha não fez mais do que sorrir em agradecimento ao elogio. Esperava que Sougo houvesse entendido o que estava tentando dizer apesar da conclusão a qual chegou. Ele ainda tinha oito anos, era normal para um garotinho dessa idade achar as meninas chatas ou sem-graça.

— Obrigada, Sou-chan. – Agradeceu verbalmente, fazendo o irmão sorrir também. – Embora eu tenha certeza de que você mudará de ideia quando crescer, principalmente no dia em que conhecer sua alma gêmea.

— Alma gêmea? – Foi a vez de Sougo pender a cabeça para um lado, em dúvida. – O que é uma alma gêmea?

Mitsuba, ao invés de responder, ficou refletindo por longos instantes; essa seria difícil de explicar.

— É... Bom...

.

.

.

“— Uma alma gêmea é como se fosse seu melhor amigo, só que mais.”

— Vamos, Sadaharu!

Sougo automaticamente ergueu sua máscara ao ouvir aquela voz irritantemente conhecida. Um suspiro saiu de seus lábios quando, de canto de olho, viu sua eterna rival se aproximando do banco onde estava, junto daquele enorme cão branco. Não teria mais como dormir em paz.

— Vamos, vamos! – Kagura continuava a correr alegre com sua fiel mascote.

O dia estava bonito e com o clima agradável, embora não muito ensolarado, o que a permitia andar por aí sem necessitar de sua sombrinha e a ruiva achou que não teria tempo melhor para levar Sadaharu para uma volta no parque.

Ou ao menos isso parecia. Pois seu humor, que estava tão belo quanto o dia, foi completamente detonado ao perceber a presença de um bastardo sádico em seu banco favorito.

E o pior, ela só percebeu quando já estava praticamente do lado do banco. Quando ambos já tinham cruzado olhares.

“— É a pessoa que te conhece melhor do que qualquer um no mundo.”

— O que faz aqui, desgraçado? – Questionou curta e grossa, sem qualquer traço da alegria e simpatia que esbanjava momentos atrás.

Sadaharu não pareceu dar tanta importância ao policial, já se afastando da dupla para continuar a brincar pelo parque.

— Além de feia você é cega, China? – Sougo respondeu com outra pergunta, retirando de vez sua máscara para guardá-la no bolso do uniforme do Shinsegumi. Não se importou em sentar direito, no entanto, também desviando o olhar da amanto para um ponto qualquer do parque. – É óbvio que estou fazendo uma ronda.

— Um maldito preguiçoso ladrão de impostos é o que você é! – Kagura rosnou.

“— É quem faz de você uma pessoa melhor.”

E o policial, em resposta, deu um sorriso interno evidenciando sádico divertimento. Irritar aquela Amanto de vestes chinesas era tão fácil, mas tão prazeroso.

— Que indelicadeza com esse pobre policial. – Respondia em seu tom neutro, o qual sabia que a irritava mais que tudo. – Desse jeito não vou te prender por ser uma imigrante ilegal, mas por desacato a uma autoridade.

“— Na verdade, não é ela que te faz uma pessoa melhor, você faz isso por si mesmo.”

— Pois eu desacato e desacato de novo! – Kagura batia o pé.

Não sabia o que significava “desacato”, mas imaginava que deveria ser algo como “xingar” e se fosse isso, ela não iria parar de dizer umas verdades para ele só por causa de uma ameaça de prisão.

Foi pequeno e quase imperceptível, mas um sorriso mordaz de fato apareceu na face do Okita desta vez. E num movimento rápido, Sougo ergueu sua katana, ao mesmo tempo que Kagura sacava sua sombrinha.

“— Porque ela inspira você.”

Mais uma frenética troca de golpes entre dois grandes rivais de Edo se iniciava e algumas mães já começavam a tirar seus filhos de perto, pois sabiam que aquele parquinho não sairia ileso.

Mas assim é como eles são, assim passavam o tempo e assim cresciam junto.

“— A alma gêmea é alguém que irá aceitar você e cuidar de você e...”

Eles próprios não sabiam disso, mas vários cidadãos de Edo – especialmente policiais idiotas e faz-tudo’s desocupados – apostavam os resultados daquelas brigas, já que nunca se saia quem iria dar o último soco. Cada dia era uma surpresa.

E o resultado desta de hoje, você quer saber? Deu empate.

Kagura estava estirada em uma cratera no chão, tentando recuperar o fôlego, enquanto o idiota ao seu lado tentava se levantar para, pelo menos, tirar o rosto da terra.

— Aquele último golpe foi sujeira, imprestável. – Kagura nunca iria admitir em voz alta, mas os músculos de sua perna esquerda ardiam devido à rasteira que levou.

Sougo conseguiu enfim se virar, ficando praticamente deitado ao lado da rival, e respondeu:

— Seu ataque foi sujeira, eu só devolvi o favor, China.

— Eu não roubei, isso se chama “acertar um soco”, sádico! Você que deveria aprender a desviar!

Sougo ia rebater, não ai deixar que aquela amanto ilegal tivesse a última palavra, mas o som dos passos pesados de Sadaharu o fizeram desistir de gastar saliva. Apenas ficou observando de canto de olho quando o grande cão branco aproximou-se de sua dona, dando-lhe uma lambida no rosto.

Isso bastou para Kagura se sentar e acariciar a cabeça do mascote, oferecendo-lhe um sorriso. O qual Sougo fez questão de admirar muito bem – só assim para vê-la sorrindo; quando era para os outros. Ele continuou em silêncio quando a ruiva levantou-se e, apoiando um pouco em Sadaharu, afastou-se lentamente, sem dizer mais nada também.

Já Sougo, continuou ali, colocando os braços pra trás da cabeça e bem disposto a voltar a dormir na cratera mesmo – a queda de Kagura havia afofado bem a terra. Ou pelo menos ele queria voltar a dormir... mas tudo o que vinha à sua mente era a ironia da Yato de cabelos vermelhos ter aparecido bem quando ele relembrava as palavras de sua irmã.

As palavras que lhe definiam o que seria uma alma gêmea.

“— Acreditará em você antes de qualquer um ou quando ninguém mais acreditar.”

O universo devia mesmo lhe odiar, por qual outro motivo faria com que seus sentimentos por aquela que jurava odiar, se transformassem na frase final da definição de sua irmã para o amor verdadeiro?

“— E aconteça o que acontecer, você irá amá-la para sempre. Nada jamais poderá mudar isso.”

— Tsk, mas que saco. – Sougo grunhiu ao se levantar, decidido a realmente fazer uma patrulha. Se ficasse com os pensamentos à toa, só iria confirmar mais ainda o fato que lhe causava náuseas só de lembrar.

Porque não era apenas essa última frase que se encaixava com Kagura para ele.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!