Soulmate
1 Cap. 1: Caindo
Você abriu seus olhos lentamente, sentiu sujeira neles e os esfregou calmamente. O que? ... Você moveu as mãos pelas laterais de seu corpo e percebeu que não havia nenhum osso quebrado ou arranhão sobre a sua pele. Você não entendeu de princípio, assim você passou as mãos pelo chão e sentiu algo fofo. Olhando para baixo você percebeu flores amarelas, elas formavam uma cama e amorteceram sua queda...
Você decidiu se levantar e tirar a poeira das suas roupas, sentindo as lagrimas vindo aos seus olhos com seus pensamentos, você suspirou. Por qual razão você não morreu? Isso era um castigo de deus ou uma benção? O mundo era tão cruel, seus pais mortos, seu namoro acabou, seus amigos te abandonaram, você foi despedida, você não era bonita e nem inteligente, sua vida era uma merda e você não tinha razões para continuar. Então, por qual razão você ainda estava viva?
A luta contra as lagrimas foi perdida, mais uma vez. Sentindo elas escorrerem pelo seu rosto enquanto você soluçava, você se sentiu fraca mas continuou andando de qualquer jeito. Sua perna esquerda estava doendo, fazendo você mancar mas você não se importava.
Dando uma pequena olhada pelo local onde você se encontrava, você reparou que era um lugar húmido e fedorento, com pouca luz e apenas um caminho. Tudo era escuro e dificultava sua visão, de qualquer jeito você continuou andando.
— Olá, amigo. – Derrepente apareceu/brotou uma flor amarela na sua frente, maior que as outras e com um grande olho no centro dela. Você segurou a respiração com o profundo medo que se agarrou a sua alma, você nunca tinha visto uma coisa dessas. Você estava pronta para correr mas, ela falou de novo. – Calma, não fuja. Meu nome é Flowey e não irei te fazer qualquer mal.
Era bizarro, falava na maior calmaria e parecia te analisar atentamente como se soubesse o que se passa na sua cabeça. Seu medo aumentou em seu interior, você não sentia boas impressões sobre essa flor e quando ela falava se podia ver os dentes afiados dentro da sua boca horrenda.
— Você parece perdida, venha segure em mim e eu te mostrarei o caminho – Você sentiu vontade de perguntar para onde ele queria te levar, mas se recusou com medo de falar com essa criatura. Você também se recusou a segurar nas suas raízes que brotaram, balançando a cabeça em sinal de negação.
— Você tem certeza? – Você sentiu algo mudar no seu tom de voz, ficando ameaçador e te fazendo tremer. Mesmo assim, você decidiu negar novamente e percebeu um sorriso sinistro na cara daquela coisa. – Oh, sendo assim.... Terei que fazer do modo mais difícil. Neste mundo é comer ou ser comido!
Antes que você percebesse já havia aparecido várias raízes pelo chão e estavam indo em sua direção, você sentiu pânico se instalar em seu corpo e soltou um grito alto quando algo se agarrou a seu perna esquerda. Você se debateu tentando fazer com que a coisa soltasse sua perna e acabou que outras se agarraram em seus braços e perna e te trouxeram para perto da boca do monstro. Era tarde demais, um dos vários dentes afiados raspou contra sua perna e lagrimas de dor encheram seus olhos e você gritou mais alto. Você iria ser devorada viva por um monstro.
Derrepente o mostro te soltou e foi jogado para um canto por algum tipo de chama roxa. Seu coração parou por um momento, sua respiração acelerou e você olhou direto no corte na sua perna esquerda e você chiou de dor em sua tentativa de tocar. Então, você lembrou da chama e rapidamente olhou para cima e deu de cara com um monstro com fisionomia de cabra, olhos vermelhos e um sorriso sinistro na cara e o temor retornou.
— Tudo bem, criança? – Você se assustou com o tom calmo e o tremor na voz do monstro, sua expressão era estranha quase como se estivesse preocupada ou perturbada. Criança? Você já era uma adulta. Você acenou que sim com a cabeça, você estava com muito medo para falar por agora. – Essa criatura terrível, tentando devorar humanos e atormentando-os. Meu nome é Torei, eu sou a guardiã das ruinas. Venha, vamos cuidar de seus ferimentos na minha casa.
Mesmo a conta gosto, você seguiu Toriel pelas ruinas e percebeu que não tinha muitas opções. Não sabia onde estava e nem para onde ir e estava morrendo de medo de descobrir outras flores carnívoras sozinha. Toriel não parecia tão perigosa, ela só parecia... estranha e sinistra. Você reparou que seu vestido — Pelo menos você achava que era um vestido. — tinha algumas manchas vermelhas, você rezou para que fosse ketchup ou tinta.
Depois de um tempo andando pelas ruinas, Toriel lhe guiou para dentro de sua casa e te levou até um quarto. Você se sentou em uma cama que havia no centre e você tinha quase certeza que era um quarto de criança. As paredes eram de uma cor amarela e você reparou em alguns brinquedos e bonecos pelo chão do quarto, além de um leve cheiro repugnante de ferrugem mas, isso havia em toda casa.
Toriel buscou curativos e você sentiu ela pôr as mãos em sua perna e imediatamente você sentiu um formigamento na área onde estava o ferimento e ele se curou como se fosse nada. Você olhou surpresa para as mãos dela, era mágica!
— O-o que você fez? – Rapidamente sua voz falhou um pouco com a falta de uso, mas você conseguiu falar de qualquer jeito. Você olhou para os olhos de Toriel e percebeu algum tipo de loucura e desespero dentro deles, você sentiu medo outra vez.
— É apenas mágica, minha querida. Quase todos os monstros que você encontrar podem usar magia, na maioria magia de cura. Eu me esqueci de contar que você é o primeiro humano entre muito tempo a cair aqui e sobreviver a queda, muitos morrem. – Ela levantou da cama e caminhou até a porta em passos lentos – Durma um pouco, irei te fazer algo para comer...
Não, você preferia ter que seguir ela. Você negou com a cabeça e se levantou para segui-la até a cozinha. Era o lugar mais normal que você tinha visto até agora. Toriel te olhou por cima do ombro e deu um sorriso e você sentiu uma sensação ruim novamente.
— Irei fazer uma torta. – Ela sorriu e pela primeira vez, um sorriso sincero e isso te faz dar um sorriso gentil em troca. Você olhou atentamente os ingredientes que ela colocava, foi ai que você percebeu que alguns dos ingredientes estavam fora de validade e cheiravam mal, mas ela não parecia se importar e você ficou calada.
Depois de um tempo, ela pegou a torta e não precisou leva-la ao forno. Você notou como sua magia funcionava e quando ela cortou um pedaço e te deu para morder, você não queria e também não queria deixa-la triste ou com raiva. Então, você comeu.
Toriel sorriu largamente e você pode ver mais dentes afiados, com medo e enjoou se instalando em seu corpo você comeu mais rapidamente. Sua barriga doía para cada pedaço daquela coisa amarga que você ingeria, você estava sentindo a ânsia de vomito no seu estomago embrulhado. Então, você se levantou rapidamente dando a desculpa de que iria pra cama e Toriel respondeu com um sorriso amigável.
Você correu para o quarto e trancou a porta, vomitou pelo chão do quarto mesmo. Não era sua culpa afinal, você tinha a porcaria de um estomago fraco. Sua cabeça rodou e lagrimas vieram aos seus olhos, Toriel iria lhe matar com toda certeza. Você não deveria ficar aqui.
Notas finais
Beijinhos ;]
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