Soulmate
3 The Burrow
Notas iniciais
Aquele cheiro.
O cheiro da sua infância.
A Toca.
Tão extravagante quanto costumava a ser aos seus onze anos.
Fazia dez anos que não pisava ali.
Não imaginava que sentia tanta saudade daquele lugar, era como se fosse seu lar.
Savanna foi tomada por lembranças.
Lembranças felizes.
A loira era particularmente muito parecida com Charlie, tanto que seus trabalhos envolviam as magníficas criaturas que os dragões eram — a garota tinha uma quedinha por ele -, nunca se dera muito bem com Percy, ele era certinho demais pra ela, e vivia implicando com o fato dela ser desbocada. Coisa que nunca incomodou Fred e George, os gêmeos um ano mais novos do que ela, Savanna era muito próxima deles, e sempre aprontavam juntos.
Rony era mais rabugento, mas ela adorava ele, e o ruivo passou a gostar da loira depois que ela o abraçou quando seu bichinho de pelúcia foi transformado em uma aranha por Fred, não que ele tenha se recuperado de tal trauma.
Bill era bem focado, estudioso, mas nunca fora careta que nem Percy, Bill era legal, sempre foi extremamente gentil e cuidadoso com a garota, afinal, ela era sete anos mais nova do que ele, e Savanna adorava o mais velho, o admirava muito, mesmo que seu coração inocente de dez anos ainda pertencesse à Charlie.
Gina e Savanna, mesmo com quatro anos de diferença, eram muito amigas. A loira admitia que, quando a ruiva nasceu, ela tinha ficado com ciúmes, sempre fora a única garotinha no meio de seis meninos, ela perderia seu posto. Só que esses pensamentos logo foram esquecidos, Gina era um amor, ela vivia seguindo Savanna, querendo brincar com a loira, que nunca conseguiria negar amor e carinho para um Weasley.
Savanna se lembrava de uma carta que havia recebido há alguns anos atrás, Gina deveria estar no seu terceiro ano em Hogwarts, a ruiva pedia conselhos sobre Harry, foi a primeira vez que conversaram depois de seis anos, e desde então, não pararam.
— Senhora Weasley? — chamou pela mulher que praticamente havia lhe criado depois que sua mãe morreu. — É Savanna D’Amore.
Ouviu alguns pequenos estrondos dentro da casa, e logo a porta foi aberta por Molly, que tinha uma expressão surpresa em seu rosto.
— Savanna? Minha querida! — o abraço foi sufocante, mas era exatamente o que a loira precisava naquele momento. — Ah, eu sinto tanto pelo seu pai…
— Obrigada, senhora Weasley. — ela disse carinhosa. — Muito obrigada pelo convite… De verdade…
As duas entraram na casa, sentando-se no sofá.
— Fique quanto tempo quiser. — a mulher falou sincera. — Aliás, fique pra sempre. Estava com tanta saudade da minha pequena encrenca.
— Ah, a senhora lembra! — a loira falou com emoção na voz.
— É claro que eu me lembro! Você sempre vai ser a minha quarta filha.
— Sou uma filha desnaturada, então. — ela riu fraco. — Nunca vim visitar a senhora…
— Ah! Para com isso! Morri de saudades, mas imagino que o trabalho de uma curandeira não deve ser fácil…
— A senhora me desculpa, então? — fez um pequeno bico.
— Ah, Savanna… — as duas se abraçaram novamente.
— Mãe, você viu… — um ruivo desceu as escadas, parando no último degrau ao ver a loira. — Quem é?
— RONY! — Savanna disse animada. — Não acredito que você não se lembra de mim…
— Quem é você?
— Ronald, é a Savanna! — Molly explicou. — Não lembra dela, não?
— A SAVANNA? — o garoto gritou.
— Eu! — ela sorriu.
Ouviu-se um baque no andar de cima.
— Nossa, você tá… Diferente! — ele disse a abraçando.
O que Rony quis dizer é, Savanna estava espetacular.
— Gina! — Savanna exclamou quando viu uma ruiva na ponta da escada.
— Savanna? Oh meu Deus! Eu achei que tinha ouvido errado!
As garotas deram um forte abraço.
— Cadê os outros? — ela perguntou quanto todos se sentaram à mesa para comer algo. — Eles vão vir mais tarde? Estou morrendo de saudades deles…!
— Bill está dormindo lá em cima. — explicou Gina. — Ele tá meio… Diferente.
— Como assim? — perguntou confusa.
— Fred e George abriram uma loja de logros. — Rony mudou de assunto.
— Mentira! — a loira esqueceu do que Gina havia dito, ficando extremamente animada pelos gêmeos. — Que bom! Eu quero ver!
— Fica no Beco Diagonal… Faz um sucesso.
— Charlie deve estar chegando… Arthur está no trabalho. — Molly completou.
— E Percy? — Savanna notou que talvez não deveria ter mencionado o garoto, Rony pareceu bravo.
— Está trabalhando no Ministério. — Molly disse.
— Ah é? — falou baixinho. — E Fred e George virão hoje?
— Não sei. — Gina disse. — Eles estão morando em um apartamento em cima da loja, sabe…
— Você veio pro casamento? — Rony perguntou interessado.
— Que casamento?
— Ah sim! — Molly falou. — Charlie vai casar.
— O Charlie? — Savanna disse perplexa. — E com quem?
— Ele a conheceu no trabalho. — Gina explicou. — Ela participou do Torneio Tribuxo… Fleur Delacour.
— Ah é? — ela ergueu as sobrancelhas. — Caraca, ela é linda.
— É… Ela é legal. — Gina murmurou.
— O importante é que ela faz nosso Charlie feliz.
— Mamãe e Gina não gostavam dela, sabe. — Rony cochichou. — Aí ela cuidou de Charlie quando ele se machucou uma vez…
— Rony! — as duas exclamaram.
Savanna riu.
Os quatro conversaram por mais algum tempo até que Molly mandou Rony ajudar a subir as malas da loira e a acompanhar para o quarto de Fred e George, Savanna usou sua varinha para fazer com que sua bagagem flutuasse no ar, e se ajeitou no quarto dos gêmeos, ela desceria para falar com senhora Weasley.
A loira estava no corredor quando a porta do banheiro abriu.
Era Bill.
Sem camisa.
Savanna não se lembrava do Weasley ser tão sexy.
Seu corpo era magro, porém musculoso, e havia poucos pelos ruivos em seu peito.
Seus cabelos longos caiam pelo seu rosto, ele tinha uma cicatriz gigante em um lado, mas aquilo não tirava sua beleza, os olhos verdes a encaravam com uma intensidade que ela nunca tinha visto.
Bill rosnou baixinho.
Sem controle.
Aquela devia ser a mulher mais linda que havia nesse mundo.
Seus cabelos dourados longos e lisos caiam pelo seu corpo escultural, a pele um pouco mais bronzeada, seios médios e empinados, cintura fina, seu rosto era como de uma deusa, olhos azuis claros, ela devia ser a própria personificação de Afrodite.
O lobo a queria. Ele a queria.
Só pra si.
O cheiro era irresistível.
Savanna esqueceu como se respirava.
— Bill! — falou depois de algum tempo.
— Quem é você? — sua voz saiu meio rouca.
Ele precisava controlar o lobo.
— Savanna. — ela sorriu. — Savanna D’Amore.
— Savanna? — então, Bill voltou.
A loira encrenca.
— Ah, quanto tempo! — ela o abraçou, sentindo um calor passar pelo seu corpo no mesmo instante.
O lobo enlouqueceu.
Seus seios pressionavam seu peito desnudo, seu cheiro estava mais forte do que nunca, o contato era irresistível.
— Savanna…
Os olhos azuis se arregalaram quando ouviu o tom de Bill, mas se acalmaram quando as mãos dele pousaram em suas costas com delicadeza.
— Muito tempo. — disse simplesmente.
— AH! — foram interrompidos pela animação de Charlie. — Gina disse que você estava aqui, pestinha!
— Charlie! — Savanna se afastou de Bill, mas foi impedida por braços fortes a segurando no lugar.
Charlie e Savanna olharam confusos para o homem, que depois de alguns segundos, balançou a cabeça e entrou em um quarto.
— O que foi isso…? — a preocupação de Charlie foi esquecida quando um corpo pequeno se chocou ao seu.
Os dois se abraçaram por um longo tempo, até que desceram para que Savanna conhecesse Fleur, ela era simpática.
— Estou tão feliz por você! — Savanna disse feliz.
— Obrigada, Sav. — Charlie sorriu.
— São amigos de infância? — Fleur disse em seu sotaque francês.
— Nossas famílias são amigas. — Charlie respondeu sua noiva.
— Como vocês se conheceram, Fleur?
— Bem… — a outra loira ficou meio surpresa por Savanna falar diretamente com ela. — Eu fui para Romênia, e Charlie me ajudou com meu inglês, já que eu pretendia morar aqui…
— Ah… Então, ele te deu aulas.
— Basicamente. — os dois deram uma risadinha. — E uma coisa levou à outra…
— Não acho que seus ouvidos inocentes estejam preparados pra isso. — Charlie falou.
— Que fofo você achando que eu tenho onze anos. — Savanna sorriu irônica.
— Por favor, não me diga que você fez coisas impróprias. — o ruivo foi dramático.
— Aí meu Deus. — as duas mulheres riram.
Até que um estrondo veio da lareira.
Dois ruivos idênticos estavam na sala de estar.
— FRED! GEORGE! — Savanna gritou entusiasmada.
É, ela sempre foi mais próximas dos gêmeos.
O resto da tarde foi maravilhosa.
Como não era há anos.
Fred, George e Savanna pareciam nunca ter se afastado por dez anos.
Bill mantinha distância da ruiva, que havia notado, mas resolveu falar nada, pelo jeito, Charlie perguntaria o que estava acontecendo.
Savanna havia adorado Fleur.
E quando senhor Weasley chegou do trabalho, ele teve uma baita surpresa ao ver a loira sentada à mesa, a pequena garota que ele havia visto crescer.
Arthur segurou as lágrimas, ele realmente sentiu muito a morte de seu pai. Era um homem tão bom.
Até o fim daquele primeiro dia, Savanna já sabia o que estava acontecendo.
Lorde Voldemort estava de volta.
Dumbledore estava morto.
A Segunda Guerra Bruxa estava começando.
E ela iria lutar.
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