Soulmate
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Hey dad, look at me
Think back and talk to me
Did I grow up according to the plan?
And do you think I'm wasting my time doing things I wanna do?
But it hurts when you disapprove all along
Katherine jogou-se a cama. Seu cabelo claro estava preso em um rabo de cavalo alto e seus óculos pendiam sobre o nariz incomodando-a. Ela pensava sobre as matérias que teria que estudar ainda naquela noite, e no namorado que estava ainda mais sedento. Izabelle adentrou ao quarto e seu cabelo ruivo estava gotejando. A maquiagem tocava-lhe as bochechas e sua expressão era a mais furiosa.
— Devo perguntar? – Kat sorriu e usou do Accio para dar à amiga uma toalha de banho.
— Claro! Potter, aquele idiota! Ele resolveu mudar o feitiço Finite Incantatem e ele fez chover dentro da sala da Minerva! E imagina quem foi que ficou encharcada? – Izzy bufava e após ajudá-la escolher as roupas que vestiria ambas desceram para o período livre.
A parte maravilhosa de se estar no último ano da escola era que você tinha mais tempo livre do que o normal, e que finalmente tudo iria acabar e a vida real começar, o único problema era que sentiriam falta de seus três anos de reinado. Entenda que, Kat, Izzy, Roxie e Alex haviam se tornado as Slytherin Queens. Todos as conheciam e todas eram almejadas pelos garotos da escola, fossem eles de 11 ou 17 anos. Eram as mais ativas alunas da escola superando até as princesas da Grifinória que travavam uma silenciosa guerra, e não perdiam uma oportunidade que fosse de pregar saudáveis peças aos colegas. Embora que elas demonstrassem tanta felicidade, elas não eram mais do que meninas cuja família era tão problemática que para as quatro sua única família era as próprias amigas e seus respectivos namorados, ou ficantes à longo prazo segundo Alex.
— Suas férias foram tão ruins quanto as minhas? – Roxie iniciou a conversa abruptamente sendo atendida apenas pelas amigas, já que seu atual “namorado” só se importava em manter contato com Tobias Lestrange e seu restrito grupo de amigos. Tobias era o mais temido e também um dos mais belos garotos de Hogwarts, e claro, namorado de Kat há três anos.
— Pais de novo? – Foi Alex quem pediu e sentou-se ao lado de Joaquim. Joaquim Cortez era um garoto de mesma idade com pele e cabelos escuros. Ele era fiel confidente de Tobias e ambos faziam quase que tudo juntos.
— Carol passou três meses viajando a trabalho pela Europa e Christian chegava tão tarde que mal nos víamos. Eu realmente não sei o que fiz aos meus pais para que me tratassem assim. – Roxie comentou, e as meninas já haviam se acostumado com a garota chamando seus pais pelo nome. Roxie depois de uma grande briga jurara a si mesma nunca mais chamá-los de pais...
Carol sentou a filha perante seus olhos. Ela tinha pouco mais de 15 anos e ainda não havia decidido a qual carreira seguir. Sendo ela filha única, depositando sua total confiança a menina que lhes orgulhara quando pequena ao entrar na Casa a qual os pais pertenceram, já não era assim.
— O que você está esperando? – Christian entrou a sala gritando. – Você vai esperar mais quanto tempo para decidir o que seguir na vida?
— Pai...
— Não tem pai! Eu esperava mais de você! Decidimos que ou você toma uma atitude ou a mandaremos para outra escola. Quem sabe em Beaubatoux suas ideias se esclarecem!
— Mãe? – Roxie já estava às lágrimas.
— Não busque meu apoio. Compartilho da opinião do seu pai. Você me desapontou tanto, que não irei mais defendê-la. – Carol virou de costas e percebeu a mudança de respiração da garota. Se houvesse uma das características que a filha possuía era determinação, e sem dúvidas, coragem.
— Christian e Carol. Adoráveis humanos que me colocaram no mundo. Nunca mais me chamem de filha assim nunca mais serão meus pais. Eu jurei que o fato de me deixarem sozinha, e mal me darem atenção era o fato de trabalharem muito, mas agora percebo que são frios. Nunca mais os tratarei como pai e mãe. E a propósito Carol e Christian, eu decidi me tornar auror. – Ela saiu do escritório e fez as malas, usando da lareira em seu quarto para aparatar na casa dos Bennet onde as amigas já esperavam. Chloe nunca se importara em ter meninas aparecendo e sumindo em sua casa...
Roxie não quis tornar a lembrar-se e se concentrou no que suas amigas conversavam. Pouco tempo depois, um gato branco com olhos de cores diferentes acomodou-se em seu colo e ela só pode sorrir. Hilla era sua gata desde os 11 anos de idade quando a ganhara de seus pais. Era um dos únicos presentes que não se arrependia de ter ganho. Alex selou seus lábios aos de Joaquim. E Izzy imergiu ao livro, não querendo ser incomodada pelo tal garoto da Grifinória com que saíra duas vezes. Após seu terrível beijo, ela desistira dele, só havia se esquecido de avisá-lo.
— Izzy? Vamos para o dormitório? Preciso conversar. – Ela por fim disse e o assunto “pais” morreu ali. O grande ponto era que nem mesmo Jasmine e Chloe amenizavam o quanto os pais eram rígidos e exigiam delas. Carol e Melissa assumiram partido dos homens e os apoiavam em qualquer que fosse suas decisões para o bem das filhas. Eles só não entendiam que elas não eram felizes e que se pudessem fugiriam na primeira oportunidade. — Claro acho que Kat tem que conversar com Tob. – Izzy deu de ombros e saiu de braços dados à amiga que acenou para um garoto de cabelos cor de areia da mesa da Grifinória.
Kat virou os olhos para a entrada do Salão Principal. O garoto de cabelos e pele tão claros quanto à neve que recobriria os gramados da escola nos próximos meses, e olhos tão azuis quantas pedras das mais belas safiras. Ele estava cercado pelos amigos que vestiam o mesmo terno fino negro com o bordado majestoso do brasão da Sonserina. Ele veio em um silêncio cortante e se parou atrás da namorada. De suas mãos uma gata negra de olhos claros surgiu com a mesma expressão desdenhosa de sempre.
— Nymeria! – Ela pulou do banco e a gata aninhou-se em seus braços. O garoto revirou os olhos e puxou a garota pela cintura. Ele não esperou para que ela permitisse, apenas selou seus lábios aos dela e lhe deu um pequeno pedaço do paraíso. Ele lhe proporcionava um pequeno infinito, algo pelo qual valia a pena manter-se leal, e incrivelmente apaixonada. – Você me ama?
— Amo. – Seu tom grave cortou sua pele lhe enviando um arrepio que fez com que sentisse que poderia viver ouvindo sua voz, e seria no fim a única pela qual se apaixonaria. – Senti saudades.
— Eu também. E posso te encontrar no seu quarto? – Ela questionou e selou seus lábios aos dele novamente.
— Claro. E use verde e prata. – Ele sorriu malicioso e deu-lhe um ultimo beijo na bochecha afastando-se para o treino de quadribol. Kat não o viu se afastar apenas capturou um sutil olhar que com clareza demonstrava-se desgostoso. Ele vinha do outro lado do salão. Ela sorriu de volta e não pode deixar de marcar em sua mente aqueles intensos cabelos negros e aqueles olhos que a fizeram momentaneamente esquecer-se de quem era.
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Bella novamente analisou um catálogo em busca da tapeçaria perfeita para sua sala de estar. Seu cabelo estava preso e a vestimenta negra já não era mais tão justa. Havia largado e desistido de qualquer coisa que envolvesse Voldemort e seguira sua vida, apenas mantendo-se presente caso fosse chamada as reuniões na casa de Lúcio Malfoy. O amor que sentira pelo Lorde congelara suas veias, e matara qualquer ínfimo de sentimento que poderia tornar a sentir por outro bruxo. Nem mesmo seu atual cônjuge fizera com que voltasse a vida. Aquele vazio deixado pelo bebê morto se tornara uma forma que a envolvia todas as noites durante os últimos 17 anos, e por mais que sofresse todos os dias mais com a saudade, algo lhe dava esperanças. Não esperança de que seu filho estivesse vivo, mas que de alguma forma aquele amor todo seria redirecionado.
A campainha soou e em seguida a governanta surgiu anunciando o homem. Bella recebeu-o na sala de estar, e não se demonstrou surpresa com sua visita. Era comum que viesse vê-la periodicamente durante os 17 anos que já haviam se passado. Ele tirou o capuz que recobria seu rosto e com deleite analisou-a.
— Você não mudou nada. – Ele comenta displicente e ela revira os olhos servindo duas doses de uísque de fogo. – Preciso de sua ajuda.
— As ordens senhor, e você também não. Ainda com os mesmos métodos, e as mesmas formas de agir. Todos saberão quem é você no fim das contas. – Ela retrucou sem medo. Há anos sabia que ele nunca se voltaria contra ela, mesmo que na mais intensa fúria. Ele a amava de alguma forma que não havia bruxo, trouxa ou mestiço que pudesse explicar. Era algo frio e intenso como ele.
— Terás que encontrar quatro garotas. Elas serão diferentes de tudo que já vistes. – Ele iniciou. – Terão poderes diferentes de tudo e ela lhe dará o algo que mais desejo nesta vida. – brota um sorriso em seus lábios e ele se levanta bebericando do copo com o líquido que ao escorrer por suas entranhas traçava um rastro de fogo que ia se apaziguando com o momento.
— O que tu tens delas para que as encontre? – Bella questiona levantando-se também em busca de um velho livro de magia negra.
— Nada, eis o problema. Suas mentes estão muito bem protegidas e de algumas forma sou inacessível a elas. – Ela sentiu seus olhos revirarem mesmo que não os encarasse, poderia prever cada um de seus trejeitos. Conhecia-o.
— Não lhe prometo sucesso, mas minhas buscas serão incessantes para lhe dar o que deseja. – Ela comentou. – Terá que me conseguir uma vela da babilônia. Tem uma magia, mais antiga que seus bisavôs. É complicada, mas farei e lhe darei o que quiser, são meses até que tudo fique pronto, mas lhe garanto um sucesso total.
— Eu sabia que você me daria resposta que preciso. Passei 17 anos buscando por alguém que me ajudasse, e a resposta estava sob meus olhos. – Ele comentou e estendeu o braço para tocar a lateral do rosto de Bella.
— Você sempre me subestimou, de qualquer forma, seja paciente! – Ela avisou e com calma ele deixou a mão cair ao seu lado, vestiu a capa novamente, e sem dizer mais nada foi até a porta.
— Por mais que não admita, eu nunca deixei de gostar de você, e sinto falta todos os dias da antiga Bella, a minha companheira. – Ela encarou aqueles olhos uma última vez, e soube que ele não mentia. Ela só não admitiu a si mesma que sentia o mesmo por ele.
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Tobias sentou-se e Kat sentou-se em seu colo. Era comum que demonstrassem aquele carinho perante a todos, e suas amigas acreditavam que ainda presenciariam o casamento deles, mesmo Tob sempre jurando que nunca casaria. Izzy chegou com sua típica expressão de TPM, que provavelmente deveria ter ocorrido durante alguma das aulas que fora interrompida por (i) James Potter; (ii) James Potter e (iii) James Potter. Ele e seus amigos eram tenebrosamente terríveis, e conseguiam cometer mais brincadeiras que as meninas e o grupo de Tobias.
— O que houve? – Kat questionou e sentou-se ao lado da melhor amiga.
— Minha cara já não diz o suficiente? James! Aquele idiota! Eu poderia esganá-lo. Eu juro que entraria na sala da Grifinória no estádio e daria nó nas palhas das vassouras de todos eles, só por vingança do que fizeram. – Ela usou um feitiço para conjurar um pacote de doces da dedos-de-mel, e jogou-se a poltrona verde de couro. – Ele resolveu que seria legal explodir um caldeirão cheio de poção contra verrugas em fase de preparo! Sabe o que isso quer dizer? Sim! Verrugas! Verrugas pela maldita da sala inteira! Até o Professor Slough ficou repleto de verrugas e eu tive de ajudá-lo com o contra feitiço.
— Essa foi a melhor cena que os Marotos já aprontaram. Isso se eles não tivessem me enchido de verrugas também, pois sim eu estava em dupla com o idiota do Pettigrew. – Alex exasperou-se ao juntar-se ao pequeno grupo. – Ele não entende poções e de alguma forma quer ser auror.
— Não ligue! Pelo menos Remus compadeceu-se com o meu lindo cabelo e usou de um feitiço de proteção para que eu não me sujasse, até que ele é bem querido, um típico grifino. – Roxie deu de ombros, e as quatro se olharam.
— Onde esteve a manhã toda? – Foi Alex quem tomou coragem de perguntar a Kat.
— É a terceira aula de poções que falta. Slough perguntou se estava com algum tipo de restrição para a aula dele. – Izzy avisou.
— Eu estou ocupada em um projeto próprio de anatomia humana. – Katherine respondeu as amigas e sentiu os olhos de Tobias pesados nas suas costas. Ela sorriu maliciosamente e as outras três sorriram entre si.
— Aquele tipo de anatomia bem profunda, bem interna né Kat? – Roxie complementou o pensamento, e todos riram até mesmo Tob que cedeu as amigas. O grupo do garoto chegou da aula, e Izzy levantou-se abruptamente.
— Vocês topam pregar uma peça à Grifinória? – A ruiva comentou e por fim, todos se aprumaram para ouvir sua ideia.
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Oito pessoas esgueiraram-se para fora do castelo através das passagens que levavam ao caminho para o estádio de Quadribol. Na manhã seguinte, a Grifinória havia marcado treino para o novo artilheiro e a Sonserina teria que esperar por mais duas semanas para pôr em prática a nova artilheira. Meio time havia se formado e Tobias como capitão tinha que arranjar novos e bons jogadores antes que a temporada começasse. As quatro meninas foram as primeiras a adentrar sob o toldo vermelho e dourado. Roxanne ficou para trás e segurou Zack o mais próximo dos amigos de Tob.
— Vocês sabem que estaremos suscetíveis a qualquer brincadeira depois que fizermos isso, não é?
— É claro, e estaremos preparados! – Zack respondeu.
— Então tá.
Ela seguiu as amigas, Izzy utilizava da varinha para formar nós nas palhas das vassouras e Alex a ajudava, Kat tinha sumido para a parte dos vestiários onde os uniformes ficavam. Ela utilizava também de magia para costurá-los um ao outro, Roxie começou a ajudar a menina, e em poucos minutos tinham terminado de pregar a peça no time. Izzy adentrou ao vestiário, e procurou pela parte que pertencia a James Potter. Ela revirou suas coisas em busca de algo e encontrou uma revista que falava sobre vassouras, ela tirou um pequeno frasco do bolso e derrubou sobre as páginas. Alex ria fervorosamente, e pressionava o estômago.
Roxie saiu da sala e viu o quanto os garotos tinham se divertido, havia bombas de bosta armadas com um tipo de sistema de pressão. O ar ficaria tão terrivelmente impossível de inalar que não seria possível manter-se dentro da tenda. Apenas os garotos sabiam qual era o caminho possível para que nenhuma das bombas desarmasse.
— O que colocou na revista? – Roxie segurou Izzy.
— Um pequeno presente sobre essa tarde. – Ela saiu pisando firme e ambos voltaram aos seus quartos esperando ansiosamente pela tarde do dia seguinte.
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