Soul Of Darkness
3 Mystery
Notas iniciais
–Hanna, Hanna. — eu chamava enquanto a sacudia, a luz agora estava funcionando.- Hanna acorda!
–Que foi Ely?- Hanna me perguntou ao acordar assustada e olhou o relógio. — Caramba, são 02:00 da manhã amiga, espero que você tenha me acordado a esse horário por um bom motivo.
–Hanna você precisa ver isso, você precisa ver!- eu dizia meio desesperada, na esperança de que ela comprovasse que eu não estava ficando louca.
Antes que ela pudesse dizer algo em protesto eu a puxei do colchão e a levei ate o corredor, mas tomei um susto ao ver que as palavras que aalguns minutos haviam estado ali como se tivessem sido marcadas por um ferro em brasas, tinham desaparecido.
–E então, o que você queria me mostrar?- ela perguntou ainda sonolenta.
–Estava aqui, eu juro. — eu disse soando ao desespero.- Eu juro, estava aqui.
Hanna me olhou com um ar de preocupação.
–O que estava aqui Ely?- ela me perguntou.
–Estava escrito nessa parede: “À hora está chegando, em breve você terá que escolher de qual lado irá ficar!”- eu disse tentando entender para aonde as palavras tinham ido parar. — Eu vi.
Hanna analisou meu rosto e depois olhou para a parede.
–Ely você deve ter sonhado com isso, não tem nada na parede, e além do mais acho melhor irmos nos deitar, amanhã temos aula cedo, e não quero que o tio Ronald acorde e venha ate aqui nos dar uma bronca por estarmos de pé à uma hora dessas. — ela disse me fazendo virar e seguir de volta ao meu quarto. — Você precisa descansar porque o dia de amanhã promete ser longo.
Apenas assenti com a cabeça e deitei novamente na minha cama. Eu estava confusa, eu tinha visto as palavras queimarem, e tudo bem, no primeiro momento eu estava sonhando, ou não estava? Mas depois eu vi as palavras novamente na parede do corredor, como é que elas podem ter sumido em uma fração de segundos? Ou será que elas nunca estiveram lá e eu estava ficando doida?
Minha cabeça girava com tantas perguntas e meu cérebro trabalhava a mil, mas não sei como, comecei a me sentir cansada demais e acabei pegando no sono.
***
–Bom dia flor do dia!- Hanna disse escancarando a janela do meu quarto, fazendo com que o sol batesse diretamente nos meus olhos. — Hora de levantar.
–Fecha isso Hanna. — eu disse jogando uma das almofadas nela.
–Não mesmo, já passou da hora da senhorita acordar, temos aula hoje. — ela disse.
Olhei o relógio, ainda eram 06h45min da manhã e nossa aula só começava as 08h00min.
–Han, nossa aula só começa as 08h00- eu disse jogando o edredom por cima da cabeça. — Sou eu que fico desaparecida por 3 meses e é você que se esquece das coisas!?
– Muito engraçadinha você. Eu sei que nossas aulas só começam as 08h00min, mas como sua melhor amiga minha obrigação é te deixar linda para sua volta as aulas, e você sabe que a gente leva tento pra se arrumar. — ela disse puxando meu edredom com tudo.- Então faça o favor de se levantar da cama, ir tomar uma banho, porque já perdemos 5 minutos.
Relutante, me levantei e fui tomar meu banho, deixei a água quente cair sobre mim na esperança que ela pudesse clarear minhas idéias e organizar meus pensamentos sobre o meu “pesadelo” e também sobre tudo que eu teria de enfrentar hoje, já que voltaria pra escola por minha escolha, nunca fui boa aluna então quero começar bem esse ano. Quando sai do banho peguei a primeira roupa que achei no meu closet, me observei por um tempo no espelho eu estava normal, mas ao mesmo tempo senti que algo em mim tinha mudado meus longos cabelos pretos e ondulados ainda eram os mesmos, meu corpo ainda era o mesmo. Tomei coragem e desci as escadas, o cheiro que vinha da cozinha era ótimo e fez meu estomago se remexer. Pude perceber pelas vozes abafadas que Hanna e meu pai conversavam, mas eu não conseguia distinguir sobre o que era, já que o barulho do liquidificador atrapalhava.
–Acho que essa vitamina já está mais que bem batida. — disse desligando o liquidificador e percebendo que eu os havia pego desprevenidos.- Que caras são essas? Do que vocês estavam falando?
Hanna e meu pai se entreolharam, o que eu achei estranho.
–Sobre como você demora no banho. — Hanna disse e pegou uma torrada.
Ignorei meu instinto que dizia que não era apenas isso e me deliciei com a mesa de café da manhã. Depois eu e Hanna subimos para meu quarto. Com era de se esperar Hanna me fez trocar de roupa varias vezes ate achar uma que ela disse ser “ideal” para o dia.
–Hanna anda você me acordou cedo para não chegarmos atrasadas, mas se você não sair da frente desse espelho é o que vai acontecer. — eu disse irritada com a demora dela para passar um rimel.
–Mantenha a calma ok senhorita apressadinha. — ela disse se olhando no espelho.- Eu tenho que tentar me manter apresentável, ou você acha que esses belos cachos ruivos e esses olhos azuis bastam?
–São mais do que suficientes, você é linda amiga, tem uma beleza quase que angelical!- eu disse sorrindo. — Muito melhor que eu, que por mais que tente não consigo dar um jeito no meu cabelo, ele tem vida própria!
–Pode ir parando com isso, conheço varias garotas que se matariam pra ter um cabelo preto e ondulado lindo como os seus. — ela disse me puxando pra frente do espelho com ela.- E conheço meia dúzias de carinhas que fariam de tudo para ter a atenção desses perfeitos olhos verdes.
Sorri por um minuto. Depois de muita insistência Hanna finalmente saiu do banheiro e nós seguimos rumo à escola no carro dela. Admito que me deu um frio na barriga quando Hanna parou o carro no estacionamento da Theodor High School, três meses haviam se passado e muita coisa podia ter mudado. Hanna pareceu ler meus pensamentos e me deu um abraço forte.
Caminhamos em silencio pelos corredores da escola, tudo era tão familiar pra mim, os armários, a secretaria, os laboratórios, a quadra, mas eu sabia que muitas coisas tinham mudado até mesmo o ar parecia estar mais denso. Para minha tristeza nossa primeira aula era de química, matéria que não entrava na minha cabeça, e foi nesse momento que eu me lembrei.
–Droga, esqueci o livro de química dentro do seu carro, o senhor Johnson vai me matar. — eu disse com raiva de mim mesma.
–Toma, corre. — Hanna disse me entregando as chaves do carro.- Se você der sorte o senhor Johnson se atrasa, mas vai logo.
Peguei as chaves da mão dela e corri, o estacionamento ficava bem longe da nossa sala de química. Eu nadava contra a multidão frenética que se encaminhava para suas respectivas salas, era como nadar contra a maré. Com muito custo consegui chegar até o estacionamento, ele estava deserto. O tempo parecia ter fechado de uma hora pra outra e um calafrio percorreu meu corpo. Comecei a andar mais rápido, o carro de Hanna parecia estar a quilômetros de distancia de mim. Todo o estacionamento parecia ter sido envolto em sombras. Corri para conseguir chegar logo no carro, abri a porta, entrei, peguei meu livro de química e o tranquei novamente, mas uma coisa aconteceu, uma pressão que eu não sei explicar de onde veio caiu sobre o estacionamento, eu podia ouvir os vidros dos carros em volta trincarem, uma raio cruzou o céu, um imenso barulho de trovão fez com que meus ouvidos protestassem e então tudo aconteceu rápido demais. Fui jogada no chão por alguém, os vidros de todos os carros se estilhaçaram e o raio caiu a poucos centímetros de mim.
–Você está bem?- ele me perguntava.
A pressão que havia estado no estacionamento antes tinha sido tão grande que me fez ficar meio zonza e demorei um tempo ate reorganizar a minha mente e lembrar como se falava.
–Eu... Eu acho que sim.- disse ainda meio confusa e olhei para ele.
Seus olhos eram de um negro profundo, como um abismo. Seus cabelos caídos na testa eram da cor de uma noite sem lua. Eu podia sentir seu corpoforte contra o meu. Ele se levantou e me ajudou a levantar.
–Me desculpe ter me jogado em cima de você, foi puro instinto eu acho. — ele disse parecendo meio sem jeito.
Ambos olhamos para o chão, havia uma rachadura onde o raio havia caído a poucos centímetros de nós.
–Acho que seu instinto me salvou. — eu disse sorrindo, mas não sabia ao certo porque estava sorrindo.- Obrigada. E a propósito sou Elizabeth... — Quando olhei novamente o garoto que havia me salvado desapareceu.
–Mas o que aconteceu aqui?- Perguntou o senhor Devenrs, diretor da escola.
Quando me virei toda a escola estava no estacionamento, um alvoroço se formava, alunos se desesperavam ao verem o dano que o raiotinha feito aos seus carros
–Ely, Ely!- Hanna gritava, eu só podia ver seu cabelo ruivo se movimentando na multidão. — Meu Deus Ely, você está bem?
–Estou bem. — disse com uma voz tremula.
–Senhorita Prince, já que a senhorita foi a única que estava aqui fora no exato momento do incidente, será que poderia me explicar o que aconteceu?- O senhor Denvers me questionou.
Eu não sabia o que tinha acontecido, não sabia de onde aquele garoto tinha surgido e como ele desapareceu tão rápido, a única coisa que eu sabia era que nada estava em seu estado normal, e algo me dizia que a tendência era só piorar...
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