Soul Healer - Viva La Revolución
1 Apresentação - Que comece o espetáculo!
Notas iniciais
[Apresentação – Que comece o espetáculo!]
Diário de Littlechapel, 14 de outubro de 5875
A capital administrativa da Aliança das Repúblicas Democráticas Astorianas, é um lugar no mínimo perigoso de se viver. São mais de oitocentos bairros, todos freqüentemente iluminados pela eterna e mortiça luz dos postes dos letreiros, cada metro quadrado atulhado da praga que lhe confere o escroto apelido de A Metrópole Dos Ratos.
Não pense você que o nome tem a ver apenas com os animais – apesar de que esse sentido também é verdadeiro, se você considerar como a cidade é imunda. Nebula é a cidade mais populosa e com o maior índice de criminalidade de toda a Aliança. Os ratos somos nós, os humanos. Se você olhar de cima, Nebula é um grande formigueiro tecnológico, enfiado no meio de um deserto fedido, habitado por uma multidão atarefada, movimentada, impaciente e enfurecida.
Seu nome oficial deve-se ao fato de que todas as manhãs, até pelo menos meio-dia, quando a poluição começa a se dissipar, a cidade, vista de fora, fica envolvida em uma nuvem de fumaça de combustível vinda pelos exaustores do Lagarto (nosso sistema de transporte subterrâneo) que ficam espalhados em todo o perímetro, no limite do deserto. É algo parecido com um peido gigante.
Além do deserto, toda essa carga de poluição forma uma barreira e mesmo as chamadas ‘cidades-satélite’, que dependem da capital pra subsistir, ficam distantes pelo menos uns 30 km. Engels, a maior e mais próxima concentra 40% da população economicamente ativa da capital, formando um bolsão residencial para os mais abastados. Sobram para Nebula apenas os criminosos, os mendigos, os mais miseráveis, os caça-prêmios. E os Imunes.
Eles são parte importante da dinâmica da cidade, mesmo nestes tempos de relativa paz; Eles já foram o pivô e o estopim de duas guerras e uma revolução silenciosa, já estiveram na mídia e foram alvo tanto de ódio encarniçado quando de devoção divina.
Já foram chamados de monstros em algumas épocas, deificados em alguns lugares e atualmente compõem sombrios 15% da população Nebulana.
Sorrateiramente eles se esgueiram pelo submundo, distante da atenção dos holofotes da imprensa e da opinião pública, matando, roubando e utilizando-se de suas anormais habilidades como bem entendem. Todas as informações sobre eles são mantidas em sigilo total pelo Governo Central e pelas Forças Aliadas do Exército. A história contada nas escolas não ultrapassa 80 anos no passado e o acesso à registros históricos e documentos anteriores à esse período é estritamente controlado pelo Estado.
Os Imunes são aberrações criadas pelo homem, produtos da ganância de descobrir e ousar mais. Anomalias que escaparam da supervisão dos homens de jalecos brancos que com suas brincadeiras perversas incendiaram meio mundo.
É a respeito desses Imunes que essa narrativa se trata.
Que fique de sobreaviso que essa não é uma história cheia de ditadores malucos, guerrilhas sangrentas, organizações governamentais ultra-secretas e super-poderes, apesar de estar cheia de tudo isso. Nem é uma história que fale de coragem e altruísmo, não obstante precisar-se muito dos dois atributos para se vivê-la.
Está mais pra uma história de amor. (des)Amor à pátria, amor ao próximo, amor ao dinheiro... Amor à liberdade.
Nós não temos o orgulho de apresentar este admirável mundo de Nebula – uma usual metrópole incrustada no meio de um deserto sujo, no coração de uma aliança de corporações governamentais apodrecidas de corrupção – o palco perfeito pra uma matança indiscriminada.
Introduziremos os atores.
Que se abram as cortinas.
Começaremos a busca da cura pra uma nação doente.
Notas finais
Mereço reviews. Nem que seja pra me xingar por postar essa história pela milésima vez.
Fale com o autor