Notas iniciais
Oie! Depois de eeeeeras sem postar nada... eis me de volta!
(só o mundo se acabar que SH é atualizado huashaushauhs)
Enfim.
Cansei.
Zero, seu grande gay. Tá aí o capítulo. Engole ele.
(Capítulo revisado)

[Capítulo IV] A Noite é o Lugar dos Gatos/ O Segundo Ataque

"A realidade apenas se forma na memória; as flores que hoje me mostram pela primeira vez não me parecem verdadeiras flores."
( Marcel Proust )

12 de novembro de 5845, 00h41min, Zona Oeste de Nebula


Tinha sido diagnosticado como epilepsia do lobo temporal. Ela tinha nove anos quando as crises e as alucinações começaram.

Naquele dia ocorreu as seis e vinte e dois da manhã. Ela estava preparando o café, mais especificamente colocando leite na xícara. Um cheiro asfixiante de cerejas saturou o ar. Gosto de sangue implodiu na sua boca. Sentiu os dedos formigarem, e ela os apertou contra a caixa de papelão. Um sussurro em seu ouvido esquerdo (uma provocação) e todas as cicatrizes em suas costas começaram a arder.

Ela se sentiu observada por todos os lados e ao contemplar ao redor, havia olhos por todo canto, milhares deles, verdes e oblíquos, afiados como facas observando-a até que enlouquecesse. Fogo queimava as bordas da sua visão e um pânico mudo abrasou dentro dela, quando viu o leite branco se tornar carmim, espesso e quente.

Bo estava sentado na mesa de costas para o balcão, e não notou a piscina de leite que Neriah estava deixando no chão de sua imaculada cozinha; a garota mexia os lábios cianóticos sem produzir nenhum som, e só quando ela conseguiu articular uma pequena frase, Bo se virou pra olhar e se deu conta do que acontecia.

É o meu sangue... Foi o som morrediço que saiu rasgando a garganta dela.

E então ela caiu no chão, se debatendo feito uma borboleta de asas arrancadas.


A ruiva podia ficar horas ou até dias com o gosto de sangue na garganta depois de uma crise. A essas sensações que a precediam, os médicos davam o nome de aura, que normalmente se esvaem quando a crise se finda. As auras de Neriah persistiam, e isso não era um fenômeno comum.

Mas a sua doença não era comum. Ela era o efeito colateral de outra Doença.

Bo não queria deixá-la trabalhar durante a semana, preocupado como estava. Essas crises sempre pioravam caso Neriah usasse suas habilidades eletromagnéticas, e Bo sabia que aquela reação particularmente forte tinha sido conseqüência da sua última maratona . Ignorando totalmente as ordens, a garota havia gastado a tarde posterior à crise treinando no telhado e à noite aceitara uma encomenda para o novo Dom da Eleventh Street.

Aqui se inicia nossa cena. Neriah voltava para casa, meio gelada de frio. Ela era só mais uma sombra, flexível, leve e ágil sobre os telhados iluminados pela lua. Seus pés em tênis de basquete pretos banhados de sangue feriam as telhas molhadas de geada sem produzir mais som do que um gato de patas nuas faria.

Neriah estava praguejando.

Penetrou nas sombras do próprio quarto pela janela, como um gatuno. Dormia no terceiro andar do prédio velho onde funcionava o bar, o único andar com isolamento acústico, para o seu treino, por si só um tanto chamativo. Acendeu a luz e retirou o elástico que prendia o cabelo.

-Na Toca, Clevon. Câmbio.

- Bom trabalho, Archer. Descanse. Câmbio desligo.

Ela desligou o fone comunicador e o jogou sobre a cama. Foi retirando a roupa, formando uma trilha para a o chuveiro e demorou-se lá, como sempre fazia, olhando-se no espelho pequeno que havia parafusado na parede.

O sangue espesso da presa em sua pele se diluiu vagarosamente e foi tragado pelo ralo. Assim como aquele sangue estava sendo lavado dela, a memória do corpo de onde saiu iria em breve se dissolver, e provavelmente nem o nome dele ela lembraria mais.

Mas que tinha sido uma cena impressionante, ah, se tinha. Quando ela chegou a Dash Junk, na maior favela da Zona Oeste, sua presa já tinha sido atacada, e estava quase morta. Mas o infeliz ainda estava se agarrando a vida como um torno ao redor do prego.

“Você devia ser bastante popular, camarada...”, ela pensou, depois de analisar o quarto escuro que cheirava à carnificina.

Caleb Hund estava jogado sobre um futon velho, todo adornado de balas e cortes, mais perfurações que Neriah poderia contar. Havia sangue espalhado como num abatedouro de carne, apesar de não haver sinais de luta propriamente dita no local. Ele estava de olhos abertos, negros como poços profundos, fixos no teto e a boca escancarada. A primeira palavra que veio à cabeça de Neriah foi ordinário; um cadáver vulgar. Archenckowitz se ajoelhou do lado do corpo, colocou dois dedos enluvados sobre a jugular e teve uma surpresa. Ele ainda estava quente.

Quente era uma atenuação; estava em brasa, pegando fogo como uma tenaz incandescente.

Quando ela olhou pro rosto dele, ele estava encarando-a com dois faróis amarelos.

Ela se afastou sobressaltada daqueles olhos (pensando a respeito posteriormente achou que a mudança de cor era algo da sua imaginação), muito mais vivos do que os olhos de uma carcaça deveriam ser, e atirou duas vezes na cabeça, antes que Caleb se mexesse em sua direção. Ainda havia sangue no rapaz o suficiente para esguichar em seu terno cinza, em seu rosto e cabelos ruivos.

Então o fanal dourado se apagou.

Ela sabia que não devia ficar ali muito tempo. Esperou cinco minutos e chutou o tronco dele. Sem reação. Passou os olhos pelo quarto, e na sua última olhada para o morto, reconheceu-o da Loja de Variedades dos Castiglione.

(As ruas, ou melhor, a clandestinidade das ruas de Nebula promovia desses encontros aleatórios, sangrentos e irônicos. Brincar com a vida de seres humanos ali era algo quase banal, e ter a vida em jogo parecia um carma compartilhado pelos cidadãos.)

Neriah recordou involuntariamente o modo, que ela só conseguiu definir como bestial, como seus olhos a acompanharam quando ela se levantou surpreendida e atirou nele. Ele morreu encarando-a, sem nenhum traço de humanidade além da própria morte em si. Neriah não sabia nada daquele a quem tinha sido enviada para matar, e não possuía (nem deveria ter) nenhum interesse em sua caça. Não sabia o que ele tinha feito para atrair a ira de Dom Francesco Di Napoli ou de qualquer outra família da máfia e não tinha curiosidade de saber. Apenas se perguntava o que fazia alguém se agarrar à vida daquela forma. Moribundo como estava, aquele arremedo de cadáver parecia mais vivo do que ela jamais esteve.

Com a cabeça encostada na parede, a água caia sobre as costas marcadas de cicatrizes. Dezesseis, ela sabia de cor. Doze nas costas, como galhos espinhosos que se enrolavam pelo seu tronco e pescoço, duas em um braço, uma na perna direita, o que lhe obrigava a usar ataduras ou meia-calça eternamente e uma sobre o seio esquerdo (a marca de um tiro). Todas ganhas antes de se tornar uma matadora, todas antes daquele ponto em que sua memória se esfumaçava e derretia, formando uma pasta escura e disforme de dor no fundo da sua cabeça. Não conseguia lembrar-se de como tinha ganhado aquelas cicatrizes. O evento que Bo chamava de o acidente marcara o seu corpo e apagara sua memória.

Ela se virou e encarou o espelho. Não gostava do que via. Não que se considerasse feia – tinha belíssimos olhos azuis violeta, um cabelo incomum, um rosto de boneca, pele de porcelana. Não tinha medo de se ferir e perder a formosura; os dois piercings pretos debaixo do lábio inferior eram de certa forma uma prova disso. Sua autoconfiança não estava no seu rosto, e sim sua mira, e esta era impecável. O seu problema com espelhos era não conseguir se associar àquele reflexo, como se o seu espírito se desligasse da matéria de vez em quando, e ela não fosse concreta. Essa sensação de irrealidade, despersonalização era freqüente e era incômoda.

Normalmente, ela usaria para dormir uma das blusas espalhafatosas de Bo surrupiadas da lavanderia, mas ela estava exausta demais quando se jogou na cama, ainda nua. Diminuiu as luzes e cochilou até que seu sono foi partido por seus sonhos demoniacamente violentos quebrando a barreira do impossível e atravessando o real.

Neriah não soube dizer o que ouviu primeiro – se o som madeira da porta sendo feita em pedaços pelo rááá-tá-tá-tááá-tá-tá-tá das submetralhadoras ou o baque que seu corpo deu ao cair da cama.

Ela rolou pra baixo do móvel, arrastando o lençol consigo. Encolheu-se enquanto ouvia os passos se aproximando do leito. Thor estava lá embaixo, encolhido, com os pêlos do rabo ouriçados e as pupilas distendidas. Ela fez um shiiiiu baixinho e tateou a cama. Achou na maleta perto da parede, no escaninho que havia bem debaixo da cabeceira, uma pistola Walther P99 de 12 balas. Foi o momento em que as submetralhadoras silenciaram. Os passos se aproximaram e se aquietaram. Ouviu som de equipamento sendo remexido. Neriah respirou fundo e contou quantos pares de coturnos haviam se acumulado dentro do quarto. Quatro, seis, sete. Eram demais. Ela estava em dura desvantagem, em um espaço tão pequeno. Não ia conseguir revidar o fogo de forma apropriada. Mas uma coisa era certa: eles também não iam conseguir atingi-la tão fácil com tanta gente obstruindo as pontarias uns dos outros.

Uma gota de suor escorreu de sua testa, se acumulando na orelha. Ela tragou o ar frio mais uma vez, e quando um dos homens colocou a cabeça com capacete pra olhar embaixo da cama, ela apertou o gatilho e acertou-o entre os olhos.

- Carpe Noctem! – Ela gritou e rolou pra fora, já atirando deitada pra onde quer que visse algo se mover. Archenckowitz deu um palhaço pra frente, e o lençol se desvencilhou dela. Chutou o pano para cima de um dos invasores e atirou em seguida, na cabeça. Desviou em ziguezague, explodiu as mãos de um enquanto corria dois passos na direção da arma de outro. Ela estava com a cabeça bem no cano da MP 5 SD quando, com um desvio gatesco de corpo, ela invadiu o espaço corporal do outro atirador e aterrissou o cotovelo em seu nariz. Rodeou sua nuca com a parte de trás braço, segurando a cabeça em baixo da axila e deu uma estrelinha deitada por cima do corpo do atirador quebrando-lhe o pescoço. Quando ele caiu pra trás, ela viu de relance o rádio comunicador caído ao pé do criado-mudo.

Neriah movia-se como uma contorcionista, entre os móveis e os homens. Ao invés de restringi-la estar completamente nua, potencializava sua mobilidade.

Ela se jogou na direção do fone, ficando protegida dos tiros por dois segundos. Apertou o botão de ligar e gritou ”Ataque!” pra quem quer que (com as graças de deus) estivesse do outro lado. Dois silvos passaram muito perto da sua orelha, e Neriah rolou pra baixo da cama mais uma vez. Ao olhar pelo canto de olho, pra onde sua cabeça estava há dois segundos, concluiu que aquela não era uma missão de assassinato.

Ela alvejou dois pés antes de jogarem uma bomba de fumaça de cheiro cáustico pra baixo da cama. Prendeu a respiração e fez a manobra ioiô pra fora pela última vez.

Nessa ocasião, ela saiu pelo lado mais próximo da janela, que ela tinha deixado aberta.

Correu abaixada, alvejou um atirador à esquerda, girou uma volta e meia ao redor de si mesma como uma bailarina, desviando dos tiros de tranqüilizante e alvejou o da direita. Ainda havia um homem de pé. Ele parou de atirar e ela também, encarando-se.

Sua visão estava ficando turva, suas pernas estavam falhando. Então ela ouviu o som do comunicador.

- Saia daí!

A voz de barítono de Bo ecoou dentro da fumaça que começava a dissipar.

Ela atirou sem fazer mira e saltou do terceiro andar.

Neriah bateu as pernas nas barras da escada de incêndio, e gemeu, sentido a nudez de seu corpo entrar em contato com a noite gelada. Era outono, e o vento estava cortante.

Revolveu-se no ar e conseguiu se segurar em uma das barras enferrujadas e se balançar como uma ginasta para baixo da proteção da escada de ferro. Seus seios pesados doeram pela ação da gravidade repentina e ela apalpou-os. O contato físico reconectou o espírito à matéria – só aí finalmente se deu conta de que estava no beco ao lado do bar, completamente nua na sarjeta e então corou violentamente.

Ficou um minuto lá em baixo, ofegando, e conferiu o pente – o único que tinha, agora que estava do lado de fora da casa – que só restavam quatro balas. Estava molhada de suor e quando se encostou à parede, a tontura apagou sua vista por dois instantes. Tinha respirado demais aquele gás atordoante. Ela se agarrou à barra de ferro quando ouviu o som de passos se aproximando. Muitos passos. Vinham da direita, da entrada do beco.

Ela pulou pra cima da escada e viu seis homens se aproximando, eclipsados pela luz amarela dos postes do lado de fora da padieira.

- Na escada! – Sua posição foi denunciada por rádio pelo soldado restante.

-Merda! – Ela gastou duas balas tentando alvejá-lo, mas ele tinha uma posição infinitamente mais limpa que a dela e se escondeu à tempo.

Os dardos tranqüilizantes ricochetearam no ferro e ela subiu dois lances de escada. Então soube que deveria esperar. Quando o atirador reapareceu na janela, ela esperou que ele atirasse e fez mira. Seu ombro foi mordido pelo dardo e imediatamente Neriah sentiu o líquido espesso e quente invadir seu sistema. Ela sabia que ele iria parar um milissegundo depois de conseguir alvejá-la. Foi o tempo exato que Archenckowitz conseguiu esvaziar o seu pente nos miolos dele.

- Seu X9 de merda...

As escadas rangeram de cansaço sob os pés quando ela subiu de volta para o quarto, com uma chuva de balas na sua direção. Fechou a janela atrás de si e abriu o guarda-roupa.

Por trás dos casacos havia uma porta secreta que guardava um armeiro. Ela retirou uma maleta com uma Colt 1991 (havia um nome forjado por cima do número de chassi – Cariño, mas ela não prestou atenção no fato, já tomada pela tontura) e dois pentes. Catou um short blue jeans e o primeiro sutiã que viu. Estava saindo quando viu Bo parado à porta com um cutelo de carne na mão.

- Abaixe-se! – ele gritou.

O cutelo atravessou o ar com um zumbido oco e cravou na cabeça do atirador que tinha tido a mão explodida. Ele caiu em câmera lenta e quando Neriah chegou até ele, foi o seu pé que conduziu sua cabeça até o chão. Ela apoiou-se lá para puxar a faca profundamente enterrada no osso.

Quando se aproximou do corpo que ainda se debatia contra a morte, viu o pequeníssimo pingente prateado que o homem ostentava no pescoço. Retirou-o e foi impelida a deixar o quarto por Bo.

- Venha por aqui! Marshall está esperando no bar. – Ele olhou de relance a garota ainda nua e parou pra retirar o próprio terno. – Vista isso.

Bo era gordinho – mais precisamente ovalado. O terno branco dele lhe caia como se ela fosse uma criança até o meio da coxa. Neriah se sentiu repentinamente aconchegada e muito autoconsciente da própria nudez.

– Há mais seis deles cercando o prédio pelas laterais. – Neriah vestiu o sutiã e o short enquanto caminhava.

– Marshall está dando conta deles.

– Você sabe quem são eles, Bo? Veja, eu encontrei isso em um. Vi nos outros também.

Ela estendeu pra ele o cordão. Bo olhou atentamente para o triângulo circunscrito, e Neriah achou que alguma coisa tinha se passado em sua expressão, mas Bo era mestre em disfarçar emoções.

– Tenho meus palpites, mas isso agora fica pra depois. Você precisa deixar a cidade.

Ele se aproximou da curva do corredor e espiou.

– Pegue aqui – Estendeu pra ela uma bolsa, uma maleta e um fuzil Mk 11 mod 0. – Marshall vai te levar pra fora de Nebula por uns tempos. Alguns dias no máximo, só até você entender tudo. Vá pelo subterrâneo,ele estará lhe esperando na saída do porão.

– Entender o quê, Bo, o que está acontecendo?

– Vá, ele lhe explicará no caminho! – Ela ficou um segundo hesitando – Vá! Eu vou segurá-los aqui!

– Alcance-nos... Cabeça de ovo! – Ela sorriu malignamente e saiu em disparada.

Bo acendeu um cigarro, soltou uma baforada e deu uma risadinha. Foi a última vez que Neriah ouviu a risada dele.

O bar estava silencioso e imerso em trevas. Estava quase amanhecendo e nas quintas-feiras o estabelecimento não abria. Eles tinham pesquisado muito bem... Sabiam quando atacar, por onde entrar e como se mover pela casa sem serem notados até ser quase tarde demais.

Apenas os passos de Neriah ecoavam por entre as mesas. Clevon estava sentado em uma delas, esperando Neriah aparecer. Ele se ergueu velocíssimo.

– Vambora, garota.

– Pra onde Clevon?

– Pra fora da cidade, onde eles não te alcancem...

Ele não conseguiu terminar a frase. Algo parecendo um lápis de metal afiado surgiu no meio da sua garganta com um barulho de perfuração úmida que Neriah nunca mais esqueceu. Ele gorgolejou duas vezes, sangue jorrando na camisa branca. Caiu no chão, e a garota estarrecida seguiu a cena com os olhos, Clevon em seus últimos estertores de morte, se debatendo como uma truta fora d’água.

Havia uma mulher atrás dele. Neriah apontou a arma pra cabeça dela, apenas para dois segundos depois abaixá-la.

Uma risada astuciosa, o cheiro doce de uma floresta inteira de cerejeiras a sufocou.

Clovis Marsallis Júnior, codinome Clevon Marshall, de quarenta e cinco anos, professor de luta corporal de Neriah Archenckowitz morreu com um punhal stilleto* cravado na garganta por uma gueixa.

Ela vestia um quimono colorido completo, sandálias, meias. O cabelo era longo, basto, preto e preso num intrincado coque com dezenas de sinos e pendentes e hashis * de madeira.

Ela abriu um guarda-sol de papel. Sorriu um sorriso sangrento e olhou pra Neriah.

E então a garota viu quatro coisas: Primeiro, a tatuagem vermelha em formato de chama que incendiava o rosto dela sobre o olho esquerdo e a maçã do rosto; Seu pó de arroz manchado do sangue de Clevon, e os lábios que o sugavam do punhal sem fio. E por derradeiro os olhos. Aqueles olhos verdes e oblíquos que viam através dela sugaram o mundo ao redor.

A parte divertida de caçar borboletas, é que elas fogem... – a provocação desencadeou uma tempestade elétrica no cérebro da garota, e ela não soube mais dizer se estava alucinando ou no mundo real. – Então fuja, minha borboletinha sem asas...

E ela o fez.

Notas finais
Pequeno dicionário:
*Stilleto: (http://www.google.com.br/imgres?num=10&hl=pt-BR&tbo=d&biw=1024&bih=625&tbm=isch&tbnid=-2d2b52BNLslMM:&imgrefurl=http://putyouinmyshoes.blogspot.com/2011_02_01_archive.html&docid=LROXwQj7FbWmnM&imgurl=http://www.websters-online-dictionary.org/images/wiki/wikipedia/en/0/06/Gunners_stiletto_01.jpg&w=600&h=192&ei=uJfUUOe9AqTC0AGh5YF4&zoom=1&iact=rc&dur=5&sig=112752166704044683453&page=1&tbnh=86&tbnw=268&start=0&ndsp=16&ved=1t:429,r:0,s:0,i:90&tx=127&ty=48)
Acho o Stiletto altamente elegante e sensual. (6
*Hashis: Aqueles palitinhos de madeira japoneses decorados.
Bem, povo. A respeito das armas e nomes de munição, se virem, sério. Eu sou uma apeixonada e SH vai ser cheio de referências, mas no Google vc encontra se quiser procurar.
And so it is....
Apareceu, finalmente, minha personagem preferida. Sério, queria que ela fosse real às vezes.
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Tudo é aproveitável aqui.
òsculos da Frau, e obg por lerem!