Soul
4 Lidando com Deuses - Parte I
Notas iniciais
Tudo ficou escuro, e depois clareou. Não muito, já que o cômodo não era claro. Paredes, colunas e piso de mármore escuro. Haviam detalhes em dourado. O teto era de pedras, eu acho. Havia uma lareira no fundo da sala feita de ossos e dois tronos. Um era de ossos, raizes e flores. Não estava vazio. Uma mulher com pele morena, cabelos e olhos escuros o ocupava. Usava um vestido longo degradê, indo do verde musgo ao marrom. Ela era muito bonita, eu me sentia quase obrigada a admitir. O outro trono, feito apenas de ossos, também estava ocupado. Era uma versão mais velha de Nico. Mesmos olhos distrativos, pele clara, e cabelos um pouco mais compridos. Nico estava de frente pra eles, sua postura rígida.
Eles pareciam estar em uma conversa calma, a expressão da mulher parecida com uma expressão de tédio disfarçada. Ela apoiava a cabeça na mão. Ao me ver, eles pararam bruscamente a conversa e me olharam de uma maneira parecida.
–Você deve ser Sophie. — O homem falou. A mulher pareceu levemente mais interessada na conversa. Assenti levemente. Eu estava no canto da sala, atrás de Nico mais ou menos.
–Pode se aproximar. — A mulher falou me dando um leve sorriso doce.
Caminhei lentamente. O interessante era que eu não estava usando meus poderes para eles me verem. Me senti minúscula perto daqueles três. Parei um pouco distante de Nico. A moça me examinava com seus olhos castanhos-claro. Olhei para Nico com o canto do olho, ele parecia ter ficado menos rígido. Quase mal dava pra notar.
–Então tudo o que Nico me disse é verdade. — O homem murmurou.
–Perdão? — Minha voz saiu mais doce do que o habitual. Afinal, eu tinha quase certeza que estava falando com deuses.
–Você não teve vida ou corpo. — Ele explicou e pude notar uma levíssima impaciencia.
–Não senhor. — Respondi, baixando a cabeça e encarando o piso brilhante.
–Nico. Chame Tânatos para mim? — Ele disse aquilo mais como uma ordem do que um pedido.
–Sim senhor.
Nico deu as costas, mas antes de me dirigiu um olhar cauteloso. Como se ele estivesse preocupado comigo. Seus passos mal foram ouvidos, apenas o abrir e fechar da grande porta que eu mal vi. Assim que ele saiu, tudo o que se ouvia era o crepitar da lareira. Meu olhar ficou vagando pela sala enorme.
–Então Sophie, sabe quem somos nós? — A mulher perguntou.
–Não senhora. — Ela riu leve ao me ouvir dizer isso.
–Meu nome é Hades e essa é a minha esposa Perséfone. — Eu não sabia se derretia no chão por estar tão mal arrumada diante de deuses ou se os abraçava. Nenhum dos dois eram uma opção considerável do que fazer, na verdade.
–É um prazer conhece-los. E eu não estou mentindo sobre isso. — Dei um leve sorriso que a mulher — Perséfone, minha voz gritou em minha mente — correspondeu, mas Hades permaneceu com uma expressão pensativa.
–Me responda uma pergunta francamente. Porque você acha que eu deveria me dar ao trabalho de convocar um Conselho Olimpiano, debater sobre o seu caso e te dar vida?
Mal sabia ele que um havia me questionado isso na minha 'vida' inteira. Eu tinha a resposta na ponta da língua, mas dizê-la que era complicado. Porque os deuses me ajudariam?
–Porque, eu acredito, que todo mundo merece uma chance. E se eu não for uma mortal comum eu me colocarem á disposição dos deuses, assim como os outros Semideuses. — Eu torcia para minha resposta ter soado verdadeira.
–Mortal eu tenho certeza que você não é. Nico me disse que você pode tocar coisas.
–Posso. — Confirmei.
–Pode pegar essa pedra perto de você? — Ele pediu com um tom de curiosidade em sua voz. Me abaixei e peguei uma pedra pequena que estava aos meus pés. Ambos os deuses pareciam fascinados. — Pode jogá-la também? — O fiz. Eles pareciam admirados.
–Muito tempo de prática. — Expliquei sem um pedido de explicação. — Creio que ele relatou á vocês que eu joguei uma pedra nele. Ele estava sendo irritante.
–Gostei de você. — O sorriso de Hades parecia distrativo e cruél.
–E acertou? — Os olhos de Perséfone brilhavam e ela sorria enormemente.
–Não. Ele desviou dela.
–Que pena. — Ela disse e eu tive que sorrir.
Os olhos do deus do Mundo Inferior brilhavam como se ele estivesse pensando em milhares de coisas para fazer comigo, e eu comecei a me sentir incomodada com aqueles olhares vidrados. As portas grandes de abriram, me salvando. Nico entrou junto de um homem que eu imaginei ser Tânatos. Ele tinha a pele olivácea, cabelos curtos e pretos e olhos castanho-escuro. Aparentava ter cerca de 25. Aquilo atrás dele eram asas? Eu tentei não demonstrar que aquilo era mais que incomum. Eram asas pretas, grandes.
Tânatos olhou pra mim, e jurei ter visto a surpresa em seus olhos. Mas era impossível que ele me conhecesse. Deveria ser o choque de ver uma fantasma extremamente diferente. Ele desviou o olhar mais rápido do que virou pra mim.
–Chamou? — O Deus da Morte perguntou. Nico parou bem próximo á mim e me dirigiu um olhar cauteloso.
–Chamei. — Hades respondeu e virou o olhar pra mim e Nico. — Amiga do Nico e Nico, podem nos dar licença?
Ser chamada de "Amiga do Nico" foi algo novo pra mim. Eu nunca fora amiga de ninguém e nem sabia se ele era meu amigo. Olhei para Nico, e ele apontou com a cabeça para um corredor, um sinal para mim seguí-lo. Ele começou a andar e eu fui atrás.
O corredor era com paredes de pretas e douradas — surpresa! — e era iluminado por lustres de braços. Haviam portas e mais portas. E eu duvidava que o Deus do Mundo Inferior recebesse muitas visitas. Nico ficou o caminho inteiro em silêncio, e eu não tinha criatividade para dizer algo. Finalmente paramos em frente á uma porta. Nico a abriu e a porta mal barulho fez. Ele entrou e eu o segui. Me deparei com um quarto basico mas bonito. Paredes cinzas com rodapés pretos. O piso era de cerâmica preta. Havia uma cortina preta com blackout e uma cama de casal com colchas e travesseiros da mesma cor. Havia uma outra porta que eu achei que daria em um banheiro, mas não tinha certeza porque ela estava fechada. Havia uma TV grande e um guarda roupa.
–Seu quarto? — Perguntei depois de observar tudo. Eu mal havia percebido que ele se sentou na cama.
–É. — Ele me observava. Porque todos me estudavam assim? Nico parecia me olhar de um jeito diferente dos outros.
–Porque não me levou lá pra fora?
–Você não ia gostar muito da vista.
–Nico, onde estamos?
–Mundo Inferior ué.
–Ah eu tinha esquecido. — Murmurei baixo. Sentei no chão, ao lado da porta e cruzei as pernas.
–Me responde uma coisa. — Ele se levantou da cama e sentou na minha frente, abraçando as pernas e apoiando a cabeça no joelho. Tudo nele me dizia que a sua infância tinha sido roubada.
–Fala.
–Como é? Digo, ser um fantasma.
–É como aqueles pesadelos em que você faz e fala coisas e ninguém te ouve ou vê. Não se sente temperaturas, eu não durmo, não respiro e não sinto um coração batendo no meu peito. Tudo é duro e sem textura. Eu não sinto cheiro ou choro. — Respirei fundo. — É horrível, Nico. — Se eu pudesse estaria chorando nesse momento.
–Sinto muito. Meu pai disse algo que mostrou que ele vai te ajudar?
–É. Ele disse que gostou de mim. — Ele pareceu chocado com isso.
–Acho que vai nevar aqui embaixo. É um milagre ele ter gostado de você. — Eu ri.
–Eu acho que foi por causa do episódio da pedra. — Eu disse e ele quase sorriu. Quase. — Posso perguntar uma coisa agora?
–É um país livre.
–O que você sente quando eu faço isso? — Hesitantemente coloquei minha mão sobre a dele, mas ela entrou na mão dele. Não recuei na hora, só depois fui tirar minha mão. Coloquei minha mão no chão, perto dele.
–É como se um vento frio passasse dentro da minha mão, eu acho. É difícil explicar.
Ficamos em silêncio. Não era incômodo, pela primeira vez.
–Ei, — Outra curiosidade percorreu minha cabeça. — como é ficar com febre? — Ele riu da minha pergunta. Sua risada foi alta e gostosa, me fazendo sorrir também. Era bom fazê-lo rir.
–É ruim. Você fica mole, dolorido, e com frio. — Sorri mais ainda.
–E dormir?
–Suas perguntas são engraçadas. Dormir é como se você estivesse se desligando e quando você acorda quer dormir mais na maioria das vezes.
–Parece bom. — Meu sorriso se desfez aos poucos. — Espero poder sentir todas essas coisas estranhas.
–Você vai. Eu já pensei em várias maneiras de fazer os deuses concordarem em te dar uma vida.
–Posso saber quais são?
–Uma delas é eu e resto do pessoal nos responsabizarmos por você. Você vai poder morar com a gente. E como você é provavelmente uma Semideusa eles vão concordar com isso.
–Você acha que sou Semideusa?
–Acho. E meu pai também.
–Se eu pudesse eu suspirava. Parece que eu estou sonhando acordada. Tudo que eu sempre quis tá acontecendo.
–Isso é bom? — Ele ergueu uma das sobrancelhas.
–É assustador e bom ao mesmo tempo. — Sorri de lado. — Parece que eu não estou conseguindo diferenciar sonho de realidade, sei lá.
–Você sabe que vai ter que de fazer tudo o que os deuses pedirem não né?
–É, eu sei. — Falei estudando meus dedos finos e quase translúcidos. Eu era toda quase translúcida. — O que eles pedem?
–Missões. Buscar algo, Semideuses, resgatar algum deus. Nosso grupo é o que faz as coisas mais difíceis.
–O que acha que vai acontecer comigo?
–Você vai ser treinada. Por mim, Percy ou Jason. É pouco provável que Jason te treine porque o estilo de luta dele é diferente. Vai morar com a gente, e estudar.
–Acha que eu sou filha de quem? Quais os seus palpites?
–Eu não sei bem. Você tem uma atmosfera ao seu redor que é diferente. Você pode ser minha irmã, — Não gostei dessa opção. Não estava a fim de cometer um incesto. — pode ser filha de Phobos ou Deimos. É um mistério.
–Eles não estavam na lista de quem eu pensava em ser filha caso isso acontecesse mas está tudo bem.
–Quem está na sua lista?
–Honestamente, agora, não tem ninguém. Tudo ficou confuso demais.
Bateram na porta. Nico murmurou um “entra”, e Tanatos abriu a porta. Eu não sei porque mas me surpreendi um pouco por ser ele. Talvez imaginei que Hades mandaria alguém que trabalha para ele.
–Seu pai está chamando vocês. — Ele disse olhando para Nico e logo saindo. Ele não olhou para mim nem pelo canto do olho. Parecia que ele não me via mas eu tinha certeza que ele me via. Era um comportamento estranho, eu tinha que admitir.
Eu e Nico nos entreolhamos. Podia se dizer que aquele seria o veredicto final. Nos levantamos ao mesmo tempo, e Nico passou por mim, no sentido literal da coisa.
–Foi mal. — Ele murmurou.
–Não precisa se desculpar. Eu não sinto nada mesmo. — Ele abriu a porta para mim passar antes.
Sai e esperei ele sair e fechar a porta. Caminhamos lado a lado pelo corredor largo e longo. Minhas mãos estavam apertadas atrás do corpo. A sensação que eu sentia a tocar eu mesma era a mesma que eu sentia com qualquer objeto. Sem calor ou frio, e duro. Os passos de Nico eram quase silenciosos por causa dos tênis. Entramos no grande salão e os deuses conversavam calmamente. Eles pareciam um casal bonito.
Assim que entramos eles pararam de conversar e nos olharam entrar. Ficamos na frente dos tronos. Nico fez uma reverência e eu imitei um pouco sem jeito. Eu queria que eles falassem logo para acabar com a minha agonia. Movi meus olhos pela sala tentando me distrair.
–Eu perguntei algumas coisas para Tânatos. — Hades começou. — Ele disse que nunca havia te visto, entre outras coisas.
–A questão é: Vocês vão ajudar? — Nico perguntou, acelerando todo o processo.
–Vamos. — Perséfone disse e eu entrei em choque. Minha boca abriu como se eu fosse falar alguma coisa mas eu não sabia o que falar e nem conseguia fechar a boca.
–Sério? — Nico se segurava para não sorrir.
–É. Mas o processo vai ser bem mais diferente. — Hades explicou. — Geralmente quando a Alma foge do Mundo Inferior ela retorna a um corpo igual ao anterior. Mas você nunca teve um corpo ou morreu não vai ser assim. Vamos ter que fazer um Conselho Olimpiano, porque eu não posso te dar vida assim.
–Sem contar que eles veriam como ameaça e todo aquele bla bla bla. — Perséfone acrescentou.
–Nico, você pode ir ao Olimpo falar com Zeus? — Essa pergunta de Hades mais parecia uma ordem.
–Ele não é muito fã meu, o senhor sabe disso. — Nico recusou a oferta com a maior sutileza possível.
–Eu vou! — Perséfone disse rapidamente. Hades a olhou com o mesmo olhar descremte que Nico usava e eu reprimi um sorriso pelo fato de eles serem tão parecidos. — Eu volto, pode ficar calmo. Faz parte do trato, você sabe muito bem disso.
E então ela sumiu. Depois que ela se foi Nico e seu pai entraram em alguma conversa sobre Almas que eu realmente não estava a fim de entender. E não prestei atenção também. Fiquei feliz quando a deusa voltou. Eu gostei dela.
–É melhor irmos logo, porque temos uma Reunião no Olimpo em cinco minutos. — Ela falou sorrindo e me fez sorrir também.
–Como conseguiu tão rápido? — Nico perguntou sério.
–Todos os deuses tem horário livre agora. Estão todos sendo invocados neste momento. — Na sua voz eu notei uma impaciência com Nico. Ela não gostava dele nem um pouco e o sentimento era recíproco.
–Então vamos logo. — Hades disse se levantando do trono.
–Podem esperar um pouco? Preciso falar com Sophie. — Perséfone falou. A Deusa da Primavera queria falar comigo.
–Eu? — Perguntei sem assimilar muito bem que uma deusa queria falar comigo.
–É. Venha comigo. — Ela fez um sinal para mim segui-la.
Ela caminhou, e eu segui obviamente. Entramos em uma sala que eu não tinha visto ali e as portas grandes se fecharam atrás de nós. Uma sala básica. Lareira, dois sofás, tapetes e quadros na parede.
–O que quer senhora? — Perguntei me forçando a dizer senhora, o que era difícil pois ela aparentava ter 25 anos.
–Te ajudar. — Ela virou para mim 'tocou' meu ombro. Eu pra variar não senti seu toque. Mas logo depois senti um vento fraco que durou um segundo. Desde quando eu sinto ventos?
Havia alguma coisa diferente em mim. Havia um espelho na parede ao meu lado e eu olhei. Eu estava diferente. Meu cabelo estava preso em uma trança embutida. Eu vestia um vestido longo, cinza e de frente única, amarrado no pescoço. Nas costas havia um decote que ia até a metade das minhas costas. Meus lábios estavam com algo que deduzi ser um gloss cor de boca. Não havia mais nada de maquiagem em mim. Eu calçava uma sandália de salto prateada. Dei meia volta para olhar Perséfone. Era incrível como eu conseguia andar naquilo sem um pingo de dificuldade. Deve ser a falta de peso.
–Eu não sei o que dizer. — Falei dando um largo sorriso e ela sorriu de volta. — Vocês estão me ajudando tanto que eu não sei como vou retribuir. Acho que "obrigada" é um bom começo.
–Eu não poderia deixar você aparecer daquele jeito na frente de vários deuses.
–Porque está me ajudando?
–Eu e Hades prometemos ao seu pai que iríamos ajudar se pudessemos.
–Você sabe quem é meu pai? — Talvez ela poderia me dizer quem era.
–Sei. Mas não posso te contar. Ele tem que te reclamar antes. Só posso te confirmar que ele é um deus.
–Tudo bem.
–Vamos logo. Não podemos atrasar para uma reunião que marcamos.
As portas se abriram sem o toque dela. Eu tinha que admitir que estava com vergonha, nervosa e ansiosa. O olhar de Nico era tão minuncioso que eu abaixei a cabeça para não olhar pra ele.
–Prontas? — Hades perguntou e Perséfone assentiu. — Vamos logo então.
Com um piscar de olhos o cenário mudou. Branco. Muito branco para quem acabou de sair do preto. O chão parecia uma imagem em tempo real de Manhattan. Com núvens, e coisas que pareciam formigas mas eu acho que eram pessoas, andando nas ruas. Paredes brancas com detalhes dourados, tronos gigantes. Estávamos no centro deles. Alguns deles estavam preechidos. Os tronos eram diferentes um do outro, e eu não consegui descrever perfeitamente como eram. As pessoas que ocupavam os tronos gigantes eram maiores do que o habitual também. Havia um homem de terno, olhos azuis brilhantes, cabelo e barba pretos. Ao seu lado esquerdo havia uma mulher de vestido azul e verde, cabelos castanhos e olhos verdes. No lado direito ao homem de terno havia um homem com aparência de pescador. Cabelos escuros, pele bronzeada, olhos verdes e roupas de pescador, bermudas e uma camisa com estampa colorida. Havia uma menina ruiva de olhos prateados e vestido da mesma cor. Uma loira de olhos de várias cores e um vestido vermelho. Uma mulher de cabelos castanhos, olhos cinzas, e vestido azul escuro. Um homem loiro, bronzeado, de olhos cor de mel vestindo polo e calças. Também havia Hades e Perséfone, claro.
–Espero que seja algo importante. — O loiro de olhos bonitos falou e depois viu eu e Nico. — O que é a coisinha?
–Coisinha? — Sussurrei irritada para Nico. Ele segurou um sorriso, já eu estava brava. — Eu agradeceria se não me chamasse assim, senhor.
–A voz dela é tão presente. — Ele murmurou para si mesmo. — Não me chame de senhor. Meu nome é Apolo. — Ótimo, estou falando com o Deus do Sol.
–Incrível. — Uma voz muito próxima de mim me assustou. Dei um grito pequeno e recuei, quase passando por Nico, literalmente. Ele desviou. A mulher de cabelos castanhos e olhos cinzas estava ao meu lado, seus olhos brilhando de curiosidade. — Desculpe por assustar.
Não respondi nada.
–O que você é, garota? — Ela perguntou.
–Sophie. Meu nome é Sophie. E eu não sei "o que eu sou". — Tentei soar o menos tímida e mal educada o possível. Os olhos dela estavam tão cheios de curiosidade que se ela pudesse me abrir para examinar o faria.
–Onde achou ela? — A ruiva perguntou para Hades. Mais calma e menos curiosa do que a deusa que me assustou.
–Nico achou. — Hades respondeu. Desde quando eu passei a ser um objeto?
–A que te assustou era Atena. — Nico cochichou em meu ouvido. — A ruiva é Ártemis. O cara de terno é Zeus, essa ao lado dele é Hera, e do outro lado é Poseidon. A de vestido vermelho é Afrodite.
–Obrigado. — Dei um sorriso leve pra ele.
Durante essa pequena conversa os outros tronos foram ocupados. Um homem muito feio, outro com cabelo em corte militar. Um com sandálias com asas, e um gordinho. Uma mulher de cabelos cor de terra, e uma menina apareceu ao lado da fogueira que eu não havia notado. Ela era a única do nosso tamanho.
–Vamos dar início á essa Reunião. — Zeus disse. — Para começar, Hades porque exatamente convocou essa reunião?
–Eu queria tratar de um assunto que me apareceu hoje. Nico achou essa fantasma na cidade de Manhattan hoje e a levou até a mim pedindo para que eu a ajudasse e trouxesse ela a vida. — Vários deuses começaram a falar.
–Agora vamos trazer á vida quem quisermos? — Dionísio perguntou. É, Nico me disse quem é quem dessa nova remessa de deuses que apareceu.
–Me deixa terminar ou eu arranco seu olho e dou para Cérbero brincar. — Eu não sabia se Hades estava falando sério ou blefando. Mas todos se calaram. — O estranho é que: Ela nunca viveu um dia sequer, e não é mortal.
–É, eu não tinha notado isso. — Héstia disse me estudando. — Ela tem uma presença de Morte muito forte. Hades, essa é sua?
Eu não consegui considerar me visualizar como irmã de Nico. Tinha um grande perigo de eu cometer um Incesto. Torci para a resposta ser não.
–Não. — Hades respondeu calmamente.
–Tânatos? — Perguntou Atena. Hades assentiu.
Eles não perceberam que eu estava ali? Porque até onde me contaram eu não ia saber quem era meu pai até ele me reclamar. Mas o choque me atingiu antes que eu pudesse dizer algo. Olhei para Nico de queixo caído e ele parecia chocado também. Então ele olhou para cima de mim e eu vi o reflexo de uma luz em seu rosto. Olhei para cima e havia uma espécie de holograma em cima da minha cabeça. Uma foice.
–Bem, agora temos certeza de quem é o pai dela. — Hera murmurou.
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