Soubi X Kio
1 Um pouco de atenção
Soubi abriu a porta do apartamento bruscamente, fazendo com que ela batesse com tudo na parede. Kio, que estava colocando mais um piercing, com o susto fez o furo torto num pulo.
– MAS O QUE VOCÊ... – Kio parou assim que se virou e viu o colega de quarto. Soubi estava indisposto, todo ferido e apoiado na porta com a cabeça abaixada e os cabelos cobrindo seu rosto. Ele trincava os dentes e sua respiração estava ofegante. Seu braço direito passava por dentro do sobretudo, sua mão parecia apertar o peito. Kio foi tomado pelo desespero e sua expressão de irritação mudou completamente. Logo, correu rapidamente em direção à porta.
– Ah meu deus, o que houve?! – Kio falava enquanto afastava a franja dos olhos do loiro com uma mão. Soubi estava de olhos fechados e nada dizia, apenas pronunciava sons baixos e que expressavam dor.
– Nós temos que ir a um hospital, eu preciso levar você a um hospital! – Kio olhava de um lado ao outro em busca de algo que servisse para o momento, talvez um telefone. Porém, Soubi levantou uma mão, trêmula, e com esforço pôde apoiá-la no braço de Kio, que parecia se afastar.
– Não.
– S-sou-chan! O que você fez, hein?
– Nada. Preciso deitar. – Soubi avançava em passos extremamente lentos, ainda apoiado no braço de Kio.
– Ainda acho que você devia ir ao hospital!
– Não.
“Só levo patada”, Kio pensou, emburrado, enquanto acompanhava o loiro. Cuidadosamente, ajudou o colega a deitar no sofá e correu até o armário para pegar um cobertor. Voltou rapidamente e cobriu-o. Logo após, sentou na beira do sofá e suspirou. Abaixou então a cabeça e focou seu olhar em Soubi.
– Então... Isso que aconteceu com você tem a ver com aquele Ritsuka, não tem?
– Isso não é da sua conta.
Kio irritava-se com o modo como Soubi o desprezava, mas não podia resistir a ele. Aqueles cabelos dourados, olhos violeta, lábios finos e delicados e aquela voz tão calma e sensual... “Por que ele tem que me desprezar tanto? Mas ele é tão perfeito!”. Quando percebeu, estava pensando e acariciando os cabelos do colega e, imediatamente, levantou num pulo. Ajeitou-se em um segundo, pediu licença e correu para a cozinha, quase desesperado. “Meu deus, o que deu em mim?! Aproveitando-me de Sou-chan numa situação dessas!”. Ficou parado ali por alguns minutos, torcendo para que Soubi não tivesse visto nada. Enquanto seu olhar estava perdido pela cozinha, Kio avistou o telefone. “Hmm, talvez Sou-chan esteja faminto! Eu devia pedir algo para ele”. Logo, retornou à sala e aproximou-se lentamente do colega.
– Ei, Sou-chan. Está acordado?
– Estou esperando que continue.
Kio ficou completamente vermelho.
– V-VOCÊ ESTAVA VENDO?!
– Estava. – Soubi sorriu sarcasticamente.
– Ah, eu só... Eu estava... Ahn... Eu...
Soubi sorriu novamente. – Tudo bem, eu estava gostando.
– E-estava? – Kio estava com o maior sorriso estampado no rosto e, assim que percebeu, desfez o mesmo rapidamente. – Bem, eu... Eu só vim dizer que estava pensando em pedir um lanche para nós dois. Você quer?
– Só se você preparar para mim.
– Preparar?
– Uhum.
– Quer que eu cozinhe?
– Quero, Kio. E nem pense em pedir que entreguem escondido para dizer que você mesmo fez. Me surpreenda. – Ele ria.
– Está bem.
“Eu tenho cara de quem sabe cozinhar? Sou um artista, não um chef!”. Kio chegou à cozinha e encarou os armários, procurando coisas que nem ele sabia o que eram. “Que raios eu posso fazer? Nem sei se temos algo para cozinhar”. Caminhou em direção à geladeira e a abriu. Tudo que havia para a ocasião eram legumes. “Nossa, devem estar podres”, ele riu, recolhendo alguns. “Certo, o que posso fazer com isso?”, continuava pensativo. Não sabia cozinhar pratos complexos, apenas o necessário para não morrer de fome em emergências, então pensou em fazer algo mais simples. “Já sei!”, era como se uma lâmpada tivesse acendido acima de sua cabeça. Rapidamente, começou a abrir todos os armários, finalmente procurando pelo que precisava. Enfim, encontrou no fundo de um dos armários, perdido no meio de teias e poeira, um pacote de macarrão de arroz. “Eureka!”, podia ser meio cedo para isso, mas Kio pulava de alegria.
Colocou o macarrão numa panela com água e pôs para esquentar. Depois, colocou os legumes em outra panela. Enquanto o prato principal esquentava, Kio buscava uma bebida para servir a Soubi. Encontrou uma garrafa de vinho guardada num armário debaixo da pia, então a retirou dali e colocou sobre o balcão. Assim que se passaram cinco minutos, Kio retirou as panelas do fogão e colocou os legumes sobre uma tábua. Pegou na gaveta uma faca e começou a cortá-los cuidadosamente enquanto cantarolava alguma canção aleatória. Calmamente, fatiava um por um e despejava aos poucos na panela onde o macarrão se encontrava. Ao terminar, retornou a panela ao fogão e deixou cozinhando por mais dois minutos.
– Voilá! – recolheu a panela, deu uma leve misturada nos ingredientes e então serviu em dois pratos. Porém, apanhou para a garrafa de vinho: não sabia como abri-la. “Onde deixei o maldito abridor?!”, pensava irritado. Montou na garrafa, virou de cabeça para baixo, sacudiu, puxou a rolha, pensou até em lançar na parede. Aí descobriu que era de rosquear. Logo, serviu duas taças e colocou-as sobre uma bandeja junto aos pratos.
Dirigiu-se à sala e colocou a bandeja sobre a mesinha em frente ao sofá.
– Sou-chan, acorde!
– Humm... Que cheiro bom. Você realmente cozinhou?
– Mas é claro! Como se eu fosse enganar você.
Soubi riu. Posicionou-se no sofá para receber o prato em mãos e repensar seus conceitos culinários sobre Kio.
– Fiz isso com todo o meu carinho para você, Sou-chan. – Kio falou enquanto retirava o prato da bandeja e o colocava no colo do colega. – Quer que eu o ajude?
– Sei comer sozinho.
Ah, mais um corte! Será que Soubi nunca daria o braço a torcer? Isso soava irritante e cansativo. Kio apenas ficou emburrado e pegou seu próprio prato. Os dois começaram a comer ao mesmo tempo. Enquanto a expressão de Kio estava emburrada, a de Soubi estava completamente diferente. Seus olhos arregalados encaravam o prato, estava muito surpreso. Tinha de reconhecer os dotes culinários de Kio, aquele yakisoba estava divino.
– Kio...
– O quê? – Kio falava com a boca cheia.
– Isso está ótimo.
– Ritsuka deve fazer melhor.
– Ora, pare com isso, está sendo infantil. – ele voltou a comer, estava realmente magnífico.
– Você não o prefere?
– Você é meu amigo. – ele retirou a taça da bandeja e bebeu um gole de vinho.
– Você sempre me despreza.
– Já elogiei seu prato. – colocou a taça novamente na bandeja e voltou a comer.
– Obrigado, mas continuo me sentindo inútil.
– O que você quer que eu faça?
Em vez de responder, Kio apenas encheu a boca novamente, emburrado, e bebeu quase todo o vinho de sua taça. O que o fez parar foi a discreta risada irônica de Soubi.
– Qual a graça?
– Você fica fofo quando está brabo.
O rosto de Kio corou-se num segundo. Ele então procurou virar-se para o outro lado, estava bastante envergonhado. Porém sentiu um arrepio: a mão de Soubi estava tocando seu braço e, consequentemente, seus dedos o acariciavam. Kio procurou controlar-se, apesar da sua vontade absurda de simplesmente jogar-se aos braços do loiro. Ele resistia e continuava com sua expressão emburrada e seu rosto virado.
– Ora vamos, deixe disso. Você não está realmente bravo. Te conheço.
Kio não dava o braço a torcer e até resmungava. Soubi realmente se divertia com isso. Logo, o loiro foi fazendo seu dedo indicador e médio “caminharem” sobre seu braço, subindo até seus ombros. Depois levou sua mão até a nuca do colega e, levemente, começou a acariciá-lo. Kio sentiu outro arrepio e meio que se afastou da mão de Soubi, o que fez com que o mesmo parasse com as carícias. Porém, não era isso o que ele queria. Arrependido, não sabia o que fazer. “Sou-chan está me dando atenção... E agora eu estou o desprezando. Preciso fazer algo, eu o desejo...”. Não queria perder o amigo, mas também não podia perder a chance. Pensou, pensou e pensou novamente, então se virou. Fitou Soubi seriamente e levantou. Retirou o cobertor de cima do colega e largou o mesmo no chão. Soubi permanecia deitado e imóvel, apenas observando. Kio então apoiou um joelho no canto do sofá para pegar impulso, passou a perna por cima de Soubi e apoiou o outro joelho no lado oposto, assim sentando-se no colo do colega. Olhou-o nos olhos por alguns segundos, como se ainda estivesse tomando coragem. Soubi continuava imóvel. Logo, Kio começou a debruçar-se lentamente sobre o loiro, apoiando as mãos em seu peito. Quando estavam cara a cara, Kio levou suas mãos ao rosto do colega. Um podia sentir a respiração do outro. Os lábios de Kio pareciam implorar pelos lábios de Soubi; quando mais perto chegava, mais inquieto ele ficava. Quando não podia mais aguentar a vontade, Kio pegou fôlego e finalmente tocou os lábios de Soubi com os seus. Permaneceu no beijo por alguns segundos, mas logo recuou.
– S-sou-chan, m-me descul... – antes de terminar a frase, Soubi colocou as mãos na nuca de Kio e o puxou para perto novamente. Começou a beijá-lo com selinhos leves, até deixar que sua língua penetrasse os lábios do colega. O coração de Kio batia cada vez mais rápido, sentia um frio na barriga cada vez que sua língua tocava a do loiro. Soubi levou suas mãos até as costas do colega e o abraçou fortemente. Segurou-o firme para posicionar-se melhor, então se sentou no sofá, ainda deixando o colega em seu colo. Logo, começou a abrir os botões da camisa de Kio e retirou-a apenas de cima de seus ombros. Começou a dar leves selinhos em seus lábios novamente, descendo lentamente até seu pescoço. Ali variava entre beijos e mordidas leves e rápidas. Encostava seus lábios levemente no pescoço de Kio, fazendo com que o mesmo sentisse arrepios. Passava uma das mãos em suas costas e a outra pelos seus cabelos. Kio apertava Soubi, ainda sentindo-se nervoso. Soubi percebia o nervosismo do colega, mas mesmo assim prosseguia. Retirou por completo a camisa de Kio e o abraçou fortemente, ainda beijando apenas seu pescoço. Suas mãos percorriam todo o tronco do colega e, assim que as baixou, encontrou suas coxas, onde parou e começou as carícias. A cada toque, Kio desejava mais os lábios de Soubi. Segurou então o rosto do loiro e voltou a beijá-lo, desta vez mais intensamente. Na empolgação, começou a desabotoar a camisa do colega, que em seguida retirou-a por conta própria. Ambos trocavam carícias, as mãos percorriam seus corpos sem parar e aquele beijo se tornava cada vez mais empolgante. Kio movimentava seu quadril sobre o membro de Soubi, mas não na intenção de provocá-lo, estava apenas tentando saciar a vontade. Porém, quanto mais se mexia, com mais vontade ficava, ainda mais por conseguir sentir o membro de Soubi se manifestando. O loiro então começou a seguir o ritmo do colega, movimentando seu quadril também. Kio procurava se conte, mas estava ofegante e com uma vontade absurda de se entregar completamente a Soubi. Ele abraçou o loiro e o apertava enquanto sentia cada movimento enlouquecedor de seu quadril. Soubi procurou se afastar um pouco e levou suas mãos até a calça de Kio. Abriu seu cinto, desabotoou-o e começou a abrir o zíper.
– Sou-chan... – Kio sussurrava enquanto observava as mãos do loiro cuidadosamente abrindo sua calça.
Soubi colocou sua mão por dentro da cueca do colega e começou a acariciá-lo. Kio beijava o rosto do loiro, ofegante, enquanto o mesmo passava a masturbá-lo lentamente. Soubi começou a beijar o pescoço do colega e ir descendo, conforme o ajudava a deitar no sofá. Seus lábios percorriam todo o peito e abdome do outro, até que ele deitasse por completo. Logo, o loiro retirou as calças do colega e começou a beijar seu membro, ainda coberto pelo tecido da cueca. Kio ficava ainda mais ofegante e ansioso pelo que estava por vir. Soubi então acariciou-o por alguns segundos e, logo, puxou sua cueca para baixo, colocando uma de suas mãos ao redor do membro de Kio. O loiro foi aproximando seu rosto devagar até tocar a glande com seus lábios entreabertos. Nesse momento, o coração de Kio disparou e ele contraiu cada músculo. Mordia seu próprio lábio enquanto olhava para o colega, que envolvia seu membro mais ainda com a boca. Podia sentir cada movimento da língua de Soubi, que parecia inquieta. Cada sensação que lhe era proporcionada causava mais arrepios. Kio levou sua mão um pouco trêmula à cabeça do loiro, acariciando-lhe os cabelos um tanto longos e, consequentemente, o pressionava para que fosse mais fundo. Soubi levou suas duas mãos ao membro de Kio para que com uma o acariciasse e com a outra o masturbasse, enquanto sua língua ainda o estimulava. Kio ofegava ainda mais e segurava firmemente os cabelos do outro, volta e meia puxando-os. O loiro afastou seus lábios e continuou a masturbá-lo rapidamente, algumas vezes ainda passando sua língua levemente pela glande. Conseguiu arrancar gemidos baixinhos de Kio, que ainda procurava puxar sua cabeça para que continuasse. Soubi parou tudo de repente e levantou-se. Kio o olhava assustado, com medo de que o colega estivesse arrependido dessa loucura e fosse embora. Porém, surpreendeu-se ao ver que o loiro estava levantado apenas para desabotoar sua própria calça, que foi retirada de seu corpo em segundos. Kio se sentia quase fora de si, nunca esteve tão louco por Soubi e o desejava mais do que qualquer outra coisa naquele momento. Antes que o loiro tirasse sua cueca, Kio puxou-a em sua direção, fazendo com que Soubi caminhasse até ele. Em seguida, puxou-a para baixo e rapidamente envolveu o membro do colega em seus lábios. Não procurava imitá-lo, apenas sentia como se precisasse disso. Acariciava-lo com a língua como se não houvesse amanhã. Soubi passava a mão pelos cabelos de Kio e se deixava levar pelos movimentos da cabeça do mesmo. Logo, fez o colega parar e se afastar. Deu a entender que Kio deveria virar-se de costas e se ajoelhar; assim ele o fez. O loiro então foi se aproximando, apoiou o joelho esquerdo sobre o sofá e deixou a perna direita ainda sobre o chão. Com a mão esquerda, segurava a cintura de Kio. Com a mão direita, segurava seu próprio membro e o direcionava até a entrada do colega. Kio procurava manter-se relaxado e, em poucos segundos, pôde sentir o loiro penetrando lentamente. Apertou a almofada que se encontrava à sua frente enquanto aos poucos se acostumava com os movimentos que começavam. Soubi procurava aumentar a velocidade cuidadosamente. Segurava a cintura de Kio e fazia com que a mesma se movimentasse no mesmo ritmo. A cada segundo, ia mais e mais fundo. Já podia escutar gemidos do colega, que o estimulavam e o provocavam. Kio apertava a almofada fortemente e, conforme acostumava com tudo, movia-se contra o membro de Soubi, enlouquecendo ainda mais o loiro. Soubi debruçou-se sobre as costas do colega e aproximou-se do rosto do mesmo; gostava de ver sua expressão. Continuava aumentando a velocidade e arrancando gemidos mais altos, tudo em Kio o excitava. O passivo procurava rebolar, fazer qualquer coisa que impressionasse Soubi mais ainda. Logo, o loiro retirou seu membro da entrada do colega, que ainda pedia por mais. Soubi então fez com que Kio deitasse novamente, desta vez de barriga para cima. Segurou suas pernas e afastou-as, posicionando-se entre as duas. Penetrou novamente e seguiu com movimentos leves, enquanto passava suas mãos por todo o tronco do colega. Kio continuava repleto de prazer e quanto mais olhava para o loiro, mais desejava seus lábios.
– S-sou-chan... Hmn... – tentava chamá-lo mais para perto. O loiro entendeu o recado e deitou-se sobre o colega, que segurou sua cabeça com as duas mãos e o beijou intensamente. Com a interrupção, Soubi perdeu um pouco do ritmo, mas logo afastou seus lábios dos de Kio e continuou a penetrar rapidamente. Porém, volta e meia Kio puxava sua cabeça e voltava a beijá-lo loucamente. Ficaram entre penetrações e beijos, Kio gemia e arranhava com força as costas do loiro. Soubi deixava seus lábios percorrerem o pescoço e o peito de Kio, enquanto o mesmo abraçava sua cintura com as pernas. O loiro começou a ir mais e mais rápido, até Kio poder sentir o líquido quente que finalmente o adentrara para fechar aquele momento. Soubi aos poucos reduzia a velocidade, enquanto levava sua mão ao membro do colega e o masturbava, beijando seus lábios novamente. Logo Kio chegou ao clímax, cobrindo a mão do loiro com seu sêmen.
Kio não descobriu o motivo pelo qual Soubi chegou em casa naquele estado, nem por que pediu para que cozinhasse A única coisa que podia pensar naquele momento era que teve o melhor dia de sua vida. Não esperava ganhar tanta atenção de Soubi, sentia-se literalmente no paraíso. Enfim, deitou-se ao lado do loiro com a cabeça apoiada em seu peito. Segurou em sua mão, ambos entrelaçaram os dedos e, com um beijo na testa, os dois calmamente fecharam os olhos e adormeceram, aguardando pelo despertar do início de uma nova relação.
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