Sou Meu Pior Pesadelo
9 Mas o que é isso ..?
A aula de inglês foi tão rápida que nem percebi quando o sinal bateu.
Como sempre, claro!
Saio da sala com a mala no ombro e com os livros de matemática e química no braço. Atravesso o corredor, chegando no meu armário. Abro ele e coloco os livros lá dentro.
Próxima aula: Economia domestica.
Parece bem simples, pois é cozinhar o que a professora pede e ganhar um ponto na matéria.
Só tem um detalhe: deve ser em DUPLA.
Pelo menos, na maioria das vezes, mas ninguém quer ser parceiro comigo e não me importo em não ter um.
Até o dia de hoje.
Entro na sala e tem alguém abaixado na bancada que eu uso. Chego perto e bato três vezes de leve na mesa de madeira.
— Ahn... Oi? — digo um tanto baixo, sem querer chamar a atenção das outras pessoas.
A pessoa se levanta e eu tomo um susto.
É um garoto. Seus cabelos arrepiados e misturados com as duas cores vermelho e preto eram o que mais se destacava. Seus olhos são castanhos escuros. Ele usa uma camisa polo verde musgo e uma calça jeans larga e azul.
É o mesmo garoto que estava no corredor.
E no sonho.
Quando ele me vê, fica perplexo. E imagino que estou com a mesma expressão de espanto.
A professora nos chama. Trazendo-nos de volta à realidade:
— Vocês dois serão uma dupla, ok? — ela simplesmente não nos deixa retrucar pois nem ao menos conseguimos falar — Abram na página 57 e façam o que pede. Agora!
Nos sentamos e abrimos na página certa, logo começando a fazer o que está escrito. Depois de quinze minutos já tínhamos quase tudo pronto.
Mas nesse meio tempo não trocamos nenhuma palavra sequer.
As vezes nós trocávamos certos olhares, porém nada além daquilo.
Como se, caso falássemos um com o outro, o mundo fosse desabar igual ao sonho.
Depois servimos em três pratos. Um para mim, outro para ele e uma para a professora provar, que sorri rapidamente e nos libera para ir embora ou comer o que tínhamos feito.
Voltamos para a mesa e comemos em silêncio. Parecia realmente um funeral.
E o sinal bate.
Com pressa, pego minha mala e jogo no ombro.
Saio da sala quase correndo, porém quando atinjo o corredor. Alguém toca no meu ombro.
Me viro para ver quem é.
Ele.
Que me olha, perplexo demais para tentar falar qualquer coisa.
Não quero ser vista com ele para outras meninas. Então puxo o capuz e me solto dele.
Mas ele me impede, dessa vez segurando o meu pulso. Eu o olho e ele se atreve.
— Mas como.. — gagueja — ..Você é real?
Eu o olho e logo respondo:
— Se eu não fosse. Por que consegue me tocar?
Tentei ser o mais direta que podia, pois estava tão confusa quanto ele.
Ele fica tentando entender a situação, parado na minha frente, mas eu me solto novamente dele e saio andando.
Sem olhar para trás.
E com medo do que aconteceria no resto do dia.
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