Sou Lua

1 O perfeito desastre.


"Droga! Droga! Droga! Aconteceu de novo!" Rebecca repetia consigo mesma enquanto socava o volante com as duas mãos. Victória estava pálida ao seu lado, no banco do passageiro. Mal conseguia falar. Os lábios rosados formavam uma linha rígida, Rebecca agora já não era a mais valentona do grupo medíocre de jovens inconsequentes da cidade; toda a valentia foi tomada por frustração e medo.

— Destruiu o gramado da Sra. Peterson? Rebecca, o que você tem na cabeça? — Charlie, seu pai, andava de um lado para o outro. Seus olhos não escondiam a decepção.

— Desculpe, papai! Eu juro que eu...

— Desculpe, papai? E se alguém estivesse no caminho? Você estava alcoolizada, dirigindo um carro! — Charlie a interrompeu antes que ela pudesse terminar a frase.

— Charlie, fique calmo! — Simone, sua mãe, finalmente conseguiu dizer algumas palavras depois de 40 minutos olhando para o chão, pensativa.

— Vá para o seu quarto! Conversaremos amanhã. Tenho que ir consertar o que você fez.

Charlie saiu, batendo a porta com uma força jamais vista. Simone a encarava fixamente, enquanto alisava o queixo, ainda pensativa. Rebecca mal a conseguia olhar nos olhos.

Um dia antes. Tudo estava resolvido. Victória e Jack haviam preparado tudo conforme tinham combinado no grupo de amigos, no Whatsapp. Rebecca insistiu até o fim, se preparava enquanto dava vários goles em um copo com vodka. Danielle continuava apavorada no canto do sótão, temendo o pior. James já não estava mais sóbrio, e ainda sim, insistia em dirigir a caminhonete.

— Deixe de besteira, Danielle! — Rebecca dava gargalhadas enquanto Danielle tentava impedi-los.

—Eu não estou muito confiante. James está bêbado, não pode dirigir! Vocês podem machucar alguém!

— Vai ser divertido, loira! — Jack a colocou de pé e beijou sua testa.

James acelerava cada vez mais. Rebecca não tinha mais as 100 pratas apostadas, e precisava vencer a todo custo. Seu estômago se revirava a cada instante, Victória a incentivava mais e mais influenciando — a acelerar o máximo possível. Até que conseguiu. Ultrapassou James que gritava de ódio enquanto o carro de Becca seguia em sua frente. As duas sorriam em comemoração. Segundos depois, o sentimento de vitória se transformou em pânico. Victória avistou um casal a frente, e gritava desesperadamente para que Rebecca parasse. O casal. A casa a frente. O medo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.