Sos mi más bello error
1 Turn back time
Notas iniciais
Eu espero que gostem, e comentem para eu saber o que estão achando.
Existem dois tipos de pessoas. As racionais e as emocionais. Digo, não que uma pessoa racional não possa ser emocional, ou vice-versa. Mas, com toda certeza, um dos lados vai ser mais forte. Eu me encaixo na categoria das emocionais. Já German, estava parecendo racional demais para o meu gosto hoje.
- É o único jeito de tentarmos salvar o Studio, Angie! — German exclamou cheio de papéis em mãos.
Aqui estávamos. Sozinhos, no Studio. Afinal, por conta da crise econômica, o Studio entrara em recesso por um tempo. German estava me ajudando com algumas coisas, tentando arrumar alguma maneira de salvar este lugar junto comigo. Acontece que a proposta dele era loucura! Teríamos que suspender a amostra de fim de ano.
- German, não! A amostra tem um significado enorme para nós alunos e professores, não podemos cancelar tudo assim! É a oportunidade dos alunos de mostrarem o que aprenderam e vivenciar um pouco daquilo que será a carreira deles no futuro. Entende?
- Mas, Angie, é o único jeito! — German tirou os óculos e me encarou. — O Studio vai afundar com a amostra.
- Tem que haver outra maneira — murmurei, derrotada. Esse assunto já estava me estressando, e eu estava com uma vontade imensa de chorar.
Desgastada. É assim que eu me sentia. Não dormia bem fazia quase uma semana, angustiada com as coisas do Studio. Tudo parecia tão mais difícil sem o Antônio por aqui... Quando ele morreu, eu realmente achei que daríamos conta, hoje não tenho mais tanta certeza. Eu meio que estava sozinha nessa. Pablo realmente não quer mais saber de nada que envolva o Studio, e eu não o culpo por isso. Dói nele, tenho que respeitá-lo. E o Gregório estava arrasado demais, fazendo grande drama, e nem levantar da cama ele levantava agora. Milton foi despedido. Então cá estou eu. Com a única pessoa que restou ao meu lado. Acho irônico que seja justo ele.
Esses dias confessei à Olga meus sentimentos por German, como se fosse novidade, né? Não sei por que todos acham que só porque o German está com outra que eu ia parar de sentir coisas por ele. Não é tão simples assim. Aliás, quem dera se fosse. Se existisse um botão de liga e desliga de sentimentos eu seria a primeira a comprar, pode ter certeza. Mas já que não tem, eu fico assim. Já não sofro tanto, chega uma hora que você se conforma com a dor. Confesso que às vezes fico sem dormir, imaginando se um dia eu teria uma oportunidade com o German, mas não passo disso. Não posso passar disso. Senão, vou acabar pior do que eu estava ano passado.
Com German aqui ao meu lado, logicamente, fica mais difícil lutar contra o sentimento. Não que eu queira evitar gostar dele, na verdade não tem nada a ver, o que eu sinto pelo German é muito lindo e não me importaria de sentir para o resto da vida. A questão é que eu passei a esconder meus sentimentos, e quando German fica próximo desta maneira eu acabo deixando alguma parte do sentimento escapar.
- Aaaaaaaangiiiie — German balançava a mão para cima e para baixo na frente de meu rosto, trazendo-me de volta à realidade.
- Ah, oi — me assustei, balançando a cabeça — Me desculpa. O que você tinha dito?
- Eu disse que... — German pausou num suspiro, notando meu rosto um pouco cansado — Angie, você não está bem — ele repousou a mão na minha testa e percebeu que eu estava quente.
- Estou sim — murmurei, retirando sua mão do meu rosto — Vamos, continue — minha voz era baixa.
- Quer saber? Você está cansada, vamos, eu te levo para a sua casa.
- German, eu tô bem, não precisa! — insisti, falando um pouco mais alto. Ele me encarava seriamente.
- Eu te conheço muito bem para saber quando você está bem ou não. Acho que isso tudo está sendo muito pesado pra você. E você está queimando em febre. Então ou você vai pra casa ou você vai pra casa, escolha — German cruzou os braços, parecendo preocupado. Bufei.
- Talvez você não me conheça tão bem assim — me levantei irritada. Eu não estava bem mesmo, mas eu podia continuar trabalhando sem problemas.
Cambaleei para trás. Tudo começou a girar e eu quase caí. Ok. Talvez eu devesse ir para casa mesmo.
- Não te conheço né? — German suspirou e levantou-se junto para segurar meus ombros, antes que eu desabasse. — O que você está sentindo? — ele me fez sentar na mesinha da sala e falou carinhosamente, com as duas mãos no meu rosto.
- Eu... tô um pouco tonta, e estou me sentindo exausta. Só isso. É o stress, German. — respondi sem olhá-lo.
- Você tem se alimentado bem? Dormido direito?
Encarei-o e suspirei.
- Não.
- Ah, Angie — ele suspirou — Vem, vou te levar pra casa — German me entregou minha bolsa e me guiou até seu carro. Eu tinha a sensação que ia desmaiar a qualquer momento.
Não demorou muito até que chegássemos à minha casa. German me ajudou a entrar com cuidado e eu me joguei no sofá assim que pude. Ele fechou a porta e se aproximou. Tirou meus sapatos e me ajeitou no sofá de modo que eu ficasse confortável, depois retirou o meu cabelo do meu rosto, acarinhando-o discretamente. Fiquei de olhos fechados, sentindo seu carinho e sua respiração quente próxima de mim. Tive curiosidade para abrir os olhos e saber como estava a cara dele, mas nem precisei. Eu podia sentir, ele estava aflito, preocupado comigo.
- Angie? — ele sussurrou ainda acarinhando meu rosto.
- Hum? — murmurei em resposta. Não tinha mais forças pra falar nada.
- Onde ficam seus remédios? — questionou. Bufei, não queria tomar remédio. — Você precisa tomar, não reclame. — German entendeu o que eu quis dizer sem eu nem precisar abrir a boca.
- Na terceira gaveta da pia do meu banheiro — falei manhosa, ainda de olhos fechados. German prontamente se levantou e caminhou até lá. Instantes depois, voltou com uma pílula e um copo d'água, e estendeu pra mim.
- Preciso mesmo? — me ajeitei no sofá, pegando o remédio e o copo das mãos dele.
- Precisa — German sentou-se ao meu lado. Respirei fundo antes de enfiar a pílula na boca e empurrar com a água do copo. — Issoooo! Parabéns — German riu e eu simplesmente entreguei-lhe o copo e voltei a me deitar.
Ele estava cuidando de mim. E isso era estranho até demais.
- Angie, eu preciso ir... — German levantou-se e deixou o copo na mesinha de centro da sala.
- Tudo bem — respondi de olhos fechados. German se aproximou e beijou meu rosto.
- Qualquer coisa me liga que eu corro para cá. – sussurrou extremamente perto de mim, se levantou, respirou fundo e caminhou até a porta. Percebi que ele hesitou um pouco em sair, mas acabou indo mesmo.
Que merda! Ele não tem o direito de fazer isso comigo. Ah, cara, essas atitudes dele me fazem pensar, por um milésimo de segundo, que o meu amor por ele possa ser recíproco. Que raiva, eu odeio me iludir tanto assim. Me dá uma vontade de gritar PARA DE FAZER ISSO, BABACA, VOCÊ NÃO VÊ QUE ISSO MEXE COMIGO?
E, pra falar a verdade, eu teria gritado se estivesse com forças para isso.
Felizmente naquele momento eu só precisava dormir e me esquecer do resto do mundo. Assim, então, tentei. Fechei os olhos e a primeira imagem que me veio à mente foi German, em um dos dias da época que ele não sabia quem eu era, sorrindo abobalhadamente para mim. Abri os olhos irritada e atirei uma almofada, que estava ao meu lado, no chão. Eu não precisava disso agora. Tinha tanta coisa tumultuando minha cabeça, e agora esse sorriso idiota também?
Uma vez eu li em algum lugar que onde está a dor, está a cura. Eu nunca tinha entendido tão bem essa afirmativa quanto agora. German, a dor. German, a cura. É estranho e frustrante. Ao mesmo tempo em que ele me faz sofrer, é só ele quem pode fazer-me sentir bem. E eu volto a me perguntar, por que justo ele? Tanto homem no mundo... Por quê? E por que eu ainda fico lembrando de tudo aquilo que ele já esqueceu? Se ele conseguiu, por que eu não consigo? Às vezes eu gostaria de entrar na cabecinha do German só pra saber o que ele pensa sobre isso. Saber o que ele sente. Não pode ser à toa que eu ache que ele ainda sinta alguma coisa, eu não sou de me iludir a esse ponto. Se eu tivesse feito as coisas diferentes no passado...
- I wish we could rewind and turn back time to correct the past...
Cantarolei distraída o melhor trecho de Underneath it all para mim. Se eu pudesse consertar o que passou... Se eu pudesse, ao menos, não ter me apaixonado por ele. Sei lá. Eu mudaria o dia em que eu o conheci. Diria na cara dura quem eu era e nós nunca teríamos nos envolvido tanto. E hoje eu estaria com alguma pessoa que me amasse e que não me esquecesse. As coisas com German podiam ter dado certo, sabe? E isso é o que mais machuca. Podia ter dado certo. Mas ambos foram covardes demais para tal.
Pov German
Cheguei em casa aflito, me culpando eternamente por ter deixado Angeles sozinha e doente naquela casa. Mais uma vez fui movido pelo meu medo e tomei atos errados. E se ela, sei lá, desmaiasse? Meu Deus, ela precisaria de ajuda. Eu não podia deixá-la assim, não mesmo. Mas, eu também não podia voltar.
- VIOLETTA! – procurei por minha filha quando tive uma ideia. Subi correndo as escadas e entrei no quarto dela, sem bater – Filha!
- Ah, papai, que susto! – Violetta jogou seu diário para o alto, assustada. – O que foi? – se assustou mais ainda ao notar o meu rosto preocupado.
- Sua tia está doente – eu estava meio ofegante – preciso que você fique na casa dela para ajudá-la, tomar conta, você sabe – falei rapidamente e sentei na cama dela, ao seu lado.
- O que ela tem? – minha filha se desesperou. Opa, acho que eu dei a entender que fosse algo sério demais.
- Er... ela está com febre e tontura... – respondi receoso.
- E?
- E só isso, uai. – encolhi os ombros. Violetta bufou.
- Papai, você tá falando sério que quer que eu fique lá com ela só por causa disso? Não acha que está exagerando um pouquinho?
- Mas e se ela desmaiar, Vilu? E se vomitar? A Angie...
- A Angie – Violetta me interrompeu, dando ênfase em Angie, meio que para continuar a minha frase – Não é um bebê, pai. Ela sabe se cuidar.
Respirei fundo e abaixei a cabeça. Talvez Violetta tivesse razão, eu estava exagerando um pouco. Assenti e fiquei alguns segundos em silêncio. Segundos depois, minha filha soltou uma risada. Olhei-a confuso.
- Quê? – murmurei.
- É bonitinho ver você todo preocupado com a Angie – ela mordeu os lábios e levantou as sobrancelhas. Arregalei os olhos.
- Não estou todo preocupado! – exclamei nervoso. – Era só por precaução, afinal, eu tenho certo carinho pela sua tia, né. Ela é irmã da sua mãe e...
- Ah, você jura que ela é irmã da mamãe? – Violetta exclamou rindo. – Achei que ela era SUA irmã – ela continuava rindo e eu revirei os olhos – Que feio, papai, incesto não pode!
- Violetta! – a repreendi e a sua gargalhada ficou mais alta – Não fale mais isso. – tentei me manter sério. – Eu sou casado com a Priscilla, imagina que confusão você vai armar se ela te ouvir dizendo isso? – cruzei os braços.
- Hummmmm então quer dizer que você concorda que tenha algo entre você e a Angie? – Violetta levantava as sobrancelhas várias vezes seguidas. Fuzilei-a com o olhar. – Ué, se tem tanto problema assim se a Priscilla ouvir...
- Você entendeu o que eu quis dizer, mocinha. Entre mim e Angie pode ter ocorrido alguma coisa, mas isso foi antes de eu saber a verdade. Eu não posso me apaixonar pela irmã da sua mãe, Violetta, compreenda isso. Eu não sabia quem ela era, e se eu soubesse...
- Você teria se apaixonado por ela mesmo assim! – Violetta bufou, irritada.
- Fale baixo! Não, eu não teria! – falei alto e respirei fundo. – Eu não teria deixado que isso acontecesse. – continuei mais baixo – se eu soubesse que ela era a irmã de Maria um sentimento nunca teria nascido.
- Não é assim que as coisas funcionam, papai – minha filha me encarou levemente. – Não tem como controlar isso. Você não escolhe por quem se apaixona, é algo que é pra ser, e vai ser na condição que for. Não culpe a mentira pelo fato de ter se apaixonado por ela.
- Você não entende, Violetta, eu não posso...
- Você que não entende! Os dois se amam, os dois sofrem por isso. O que custa dar uma oportunidade a esse sentimento?
- Eu disse que ANTES da mentira eu amei a sua tia. Não mais – cuspi as últimas palavras, eu me sentia um grande nada ao dizê-las.
- Eu não acredito em você.
- Não estou pedindo para acreditar, aliás, se eu e Angie nos amássemos, de qualquer jeito não daria certo, ela é completamente diferente de mim e nós íamos só brigar e se machucar ainda mais e...
- Talvez seja por isso que tenham se apaixonado. Ela é o que falta em você. E você é o que falta nela. Na aula de química a Angie me ensinou que os opostos se atraem. Estou começando a entender isso. Será que é essa a química do amor que tantos falam que existe?
- Violetta, por favor...
- Não custava nada, papai. O medo te impediu de ser feliz mais uma vez – Violetta suspirou, buscando meu olhar. Eu apenas olhei para o detalhe de flor da sua colcha de cama.
- Talvez seja melhor assim – me levantei. Não queria continuar nesse assunto. – Não importa mais.
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