Notas iniciais
OI GENTE TO AQUI EU GIOVANA MAS A MINHA AMIGA LINE QUIS FAZER AS NOTAS E TIPO FOI ISSO QUE ELA ESCREVEU: Surprise, amiguinhas da Gi! Aqui quem vos fala é a Line, e eu vim aqui falar o quanto eu amo a jovana e o quanto ela é linda 🏻 só que não. Eu falei p ela hoje que ia fazer essa nota, sem motivo algum né, mas tá. Enfim gente, vou dar uma bronca na Gi, pq aqui nas notas da fic tá dizendo que ela tem a fic pronta, mas saca só a mensagem que ela mandou no Clagiline, falando que não tinha terminado o cap ainda um dia vou bater tanto nela, ela nem imagina. Mas é isso aí, flwwws galera!!

Angie viu com seus próprios olhos sua sobrinha ser atirada no chão por Priscilla. Violetta tinha sangue em seu rosto. A madrasta fechou a porta sem nenhuma delicadeza, trancando a garota junto com a tia. Violetta levantou o rosto, olhando ao redor. E foi aí que avistou uma figura loira. Angie estava com um rosto acabado, tinha olheiras profundas e os olhos cansados de chorar. Os lábios estavam secos. Mas isso não foi motivo para que Violetta não a reconhecesse.

– Angie — a menina, com os pulsos e pernas amarrados, se arrastou até a tia, enquanto esta tentava abrir um sorriso para a sobrinha. — Então era tudo verdade.. — Violetta suspirou pensativa lembrando-se de tudo o que o pai havia lhe dito.

– Vilu — Angeles, como também tinha os pulsos amarrados, não podia abraçá-la. Mas isso não a impediu de puxar a menina para o seu colo. — Meu Deus, o que ela fez com você? — Angie mordeu os lábios assustada vendo o corte no rosto de Violetta, que sangrava sem parar. Não ligando para o sangue, Angie levou suas mãos amarradas para o rosto da sobrinha e passou o dedo no machucado.

– Ai — Violetta fechou os olhos, murmurando baixinho — Deixa isso quieto, tia...

– Não, eu não posso deixar isso quieto — os olhos de Angeles lacrimejaram — Ela não tem o direito — a loira sussurrou com a voz embargada.

Violetta estava tão assustada quanto a tia. Ver Angie nesse estado tão mórbido era desesperador. Então Vilu deitou a cabeça nos ombros da mulher e se pôs a chorar. Temia Priscilla. Temia Frederick. Eles não se importavam nem um pouco em machucá-las.

– Calma, meu amor, calma — Angie segurou a mão da sobrinha com dificuldade. Tentava acalmar a menina, mas ela mesma estava chorando. — Nós vamos sair daqui. Seu pai vai notar o seu sumiço e vai encontrar a gente, tá bom? — apertou as mãos da sobrinha.

– Papai já tinha notado o seu sumiço — Violetta levantou o rosto e olhou para a loira — Eu não o escutei, como eu sou burra...

– Você não tem culpa, meu amor — Angeles puxou a sobrinha de volta para si. A menina escondeu o rosto no peito da tia, e chorava baixinho ali. — Fica calma, eu não vou deixar nada acontecer com você.

– Por que o papai foi se envolver com essa mulher? Por que, Angie? — Violetta murmurava com a voz abafada. — Olha só o que está acontecendo! Nós estamos no meio do nada! O tal de Frederick quis me estuprar! — a garota continuava.

– Ele quis o quê? — Angeles arregalou os olhos — Violetta, me diz que este homem não tocou um dedo sequer em você.

– Ele não fez nada, mas ele disse que queria, e ia fazer se eu não ficasse quieta. — a menina suspirou. Angie ficou calada, não sabia nem como reagir. — Quando nós vamos sair daqui? — Violetta encarou a tia.

– Eu não sei, meu amor... — a loira comprimiu os lábios — Alguns dias mais, talvez, e tudo vai se acabar. Eu te prometo. Não estamos sozinhas. Tem seu pai, o Leon, o Pablo... eles vão dar um jeito. Eu espero. — a última frase ela sussurrou.

– Você está aqui desde ontem à noite? — Violetta olhava cada traço de exaustão que a tia possuía. A mulher assentiu. — Não conseguiu dormir, né?

– Não tem como — Angeles tentou rir. — É frio e desconfortável. Priscilla veio logo cedo, me trouxe pão e água. Acho que vamos viver disso por um tempo. — suspirou.

– Bem — Violetta se lembrou da maçã que havia colocado no bolso do casaco antes de sair de casa. Fez esforço para conseguir pegar, mas sorriu quando o fez. — Temos isso. — mostrou a maçã para a tia.

– Eu te conheço, e se você colocou comida no casaco antes de sair de casa é porque você não tomou café. Pode comer sozinha, deve estar morrendo de fome. — Angie sorriu carinhosamente.

– Na verdade não estou. Meu estômago embrulhou com tudo isso. Vou guardar para mais tarde, quando nós duas estivermos com fome — ela frisou o "nós duas" e recolocou a maçã no bolso.

– Você tem ideia de que horas são? — Angie mudou de assunto.

– Umas onze e meia... algo assim — Violetta olhou em volta e avistou a pequena janelinha no topo da parede. Uma luz se acendeu em sua mente, teve uma ideia. — Tia. Tá vendo aquilo ali? Podemos fugir!

– Quê? — Angeles olhou para o local que a menina olhava — Não, Vilu, está doida? Brincar com fogo é perigoso demais.

– Por que daria errado? — a morena olhou para a tia, esperançosa.

– Por que daria certo?! — Angeles retrucou. — Primeiro, a janela é alta demais para alcançarmos. Segundo, estamos no meio do nada, mesmo se escaparmos do porão não sabemos para onde ir. Terceiro, se Priscilla e Frederick pegarem a gente, o que é muito possível, as coisas vão ficar piores do que já estão. Não estou a fim de voltar para casa com hematomas, você está?

Angie podia não acreditar que voltaria para casa, não no início. Mas agora, com sua sobrinha em jogo, as coisas mudaram. Elas tinham que voltar para casa. Aconteça o que acontecer, a mulher não deixaria nada machucar Violetta. Ela, agora, faria de tudo para salvá-las. E a primeira coisa a fazer para isto acontecer era acreditar que seriam salvas.

– Você é muito pessimista — Violetta bufou. Angie balançou a cabeça, encarando o nada.

– Não tem como ser otimista em uma situação como esta.

XX

– Cheguei — Pablo chegou ofegante na mansão Castillo, dando a entender que tivesse corrido até lá. German lhe deu passagem e guiou-o até a sala, onde estava Leon, com os braços apoiados nos joelhos e as mão apoiando a cabeça.

– Certo. Pablo, você é o melhor amigo da Angie, me diga se sabe de alguma coisa. — German olhou no fundo dos olhos do outro homem, quase que suplicando por ajuda.

– Sei sim. Eu a estava ajudando com isso. — ele suspirou. Leon levantou a cabeça, olhando esperançoso ao seu professor. — Angie escutou uma conversa de Priscilla com alguém no telefone, onde zombava de você e dava a entender que planejava alguma coisa. — Pablo olhou os dois sentados em sua frente, cuidadosamente — Priscilla percebeu e armou um plano para que Angie pensasse que o que ela estava armando era na verdade um jantar surpresa de aniversário pra você, German. Tudo aquilo que Priscilla fez foi na realidade para despistar Angie — ele respirou fundo. German abaixou o olhar, se sentia traído. — Depois Angie me contou que a ouviu novamente conversar no telefone com esta pessoa, na quinta-feira. Ela disse que o homem com quem sua esposa falava se chamava Frederick, e possuía um sotaque inglês. Eu pesquisei e o encontrei. Frederick Hayne, 28 anos, britânico, mora em Buenos Aires há oito meses.

– Um pouco antes de eu conhecer Priscilla.. — German sussurrou.

– Angie estava preocupada que eles estivessem tramando algo contra você ou Violetta. Principalmente na noite do boliche. Eu liguei para ela — Pablo comentou e Leon e German lembraram-se de Angie saindo para atender ao telefone. — E me ofereci para ir até lá vigiar a entrada do local, para que nada acontecesse com vocês. Mas ela negou e disse que se vocês me vissem, suspeitariam de algo. E então disse que tomaria conta daquilo sozinha.

– Agora tudo faz sentido — German pegou uma almofada no sofá — A preocupação de Angie dias atrás, o fato dela pedir para eu confiar nela, ela ter saído na frente ontem do boliche, e estar nervosa com algo. — o homem apertou a almofada entre seus dedos — Por que ela não me disse? — ele gritou e jogou o objeto macio no chão com força.

– Tinha medo que se Violetta ou você soubessem, as coisas seriam piores. — Pablo abaixou o olhar. — Eu devia ter ido lá noite passada. Droga.

Leon, até agora nada havia dito. Era muita informação para digerir. Acreditar que sua namorada havia sido sequestrada ainda não lhe havia convencido.

– Precisamos fazer alguma coisa. — o mais novo finalmente se manifestou.

– Bem, Priscilla e Frederick não as sequestraram sem motivo. Eles querem algo de você, German. Pegar nos seus dois pontos fracos é a melhor maneira para o fazer. — Pablo continuou. — Então de algum jeito ou de outro Priscilla vai te contatar para falar sobre o assunto. Não sei.

– Ela já me contatou. — German jogou o bilhete que a esposa havia deixado e pressionou o maxilar, com raiva, ao lembrar-se das palavras. Chame a polícia ou poupo apenas uma. Um delas morreria, era isso? O homem engoliu em seco ao pensar. Sua testa suava, mesmo que estivesse fazendo frio. Pablo leu o bilhete e respirou fundo, sem saber o que dizer.

– Você vai pagar? — ele disse baixo.

– Que outra escolha eu tenho?! — German exclamou.

Leon brincava com o celular da namorada, e cada vez que apertava em algum botão sem querer, fazendo a tela acender, sentia a dor de uma facada vendo o sorriso da menina na foto de plano de fundo. Ele estava quieto como nunca. Leon não era assim. Não pensava, apenas agia. E naquele momento não tinha em que agir. Era como fugir de um cachorro. Você tem que ser cauteloso, porque se sair correndo, ele corre atrás de você.

Os três homens estavam quietos, cada um com seus pensamentos próprios, mas todos girando em torno de Angie e Violetta.

– Você não pode pagar. Vinte mil pra cada? São quarenta mil no total! — Pablo exclamou. — Temos que chamar a polícia.

– E arriscar a vida das duas pessoas mais importantes pra mim? — German falou nervoso, se levantando. Não estava nem aí se o que havia acabado de dizer fosse uma surpresa ou não para os outros dois. Angie. Importante.

– Temos que ser cuidadosos, um simples passo fora do eixo e tudo desaba — Leon se levantou também, não aguentava mais ficar sentado, sem fazer nada, enquanto sua namorada podia estar passando por coisas horríveis. — Temos que ir atrás delas!

– Ir atrás delas? Está maluco? É capaz daqueles dois nos matarem também! — German quase gritou — O que seria bem favorável, Priscilla é minha esposa, fica com o dinheiro se eu morrer — ele bufou. — Aliás, por que ela não fez isso, me matou em vez de sequestrar minha filha e minha.. a tia da minha filha? — German não sabia como descrever o que Angie é para si.

– Talvez ainda haja um pouco de piedade naquele coração — foi a vez de Pablo levantar. — Não podemos ir atrás. E não podemos dar o dinheiro de bandeja. Temos que fazer justiça, elas não merecem isso tudo.

– Não vamos chamar a polícia, cara — Leon se estressou, naquele momento Pablo não era como um professor, e sim um amigo. Podia faltar-lhe respeito o quanto quiser. — Uma delas morre se isso acontecer! Eu não subestimaria Priscilla. É melhor isso não sair daqui, nós mesmos vamos resolver tudo isso.

E pouco a pouco a discussão foi começando. Pablo defendendo sua teoria de justiça, querendo chamar a polícia de uma maneira que Priscilla não descobrisse. Mas German não as colocaria mais em risco do que já estavam. Para ele, o melhor a se fazer era entregar o dinheiro na mão daqueles monstros e se livrar de tudo isso. E Leon, por sua vez, tentava-os convencer da sua ideia de simplesmente agir como homens e irem salvar as duas mulheres. Mal percebiam, mas se infiltraram tanto no ver quem ganhava a discussão que se esqueceram do objetivo principal. Quase gritavam, mas não chegavam a lugar nenhum.

– Tá achando que isso aqui é brincadeira? Conto de fadas? Onde o príncipe vai e salva a princesa, assim, e os dois saem sem nenhum arranhão?! — German se exaltou, se dirigindo a Leon.

– Melhor que a sua ideia, dar o dinheiro de bandeja acreditando mesmo que a Priscilla vai deixar todo mundo vivo! — o menino gritou de volta.

– Gente, chega, chega! Parem! Não estamos chegando a lugar algum com isso tudo! — Pablo se cansou, abaixando o tom de voz conforme German e Leon paravam de berrar. — Enquanto estamos aqui vendo quem tem a melhor ideia enquanto devíamos estar agindo! Isso é algo sério, elas estão em perigo!

German suspirou e se jogou no sofá — Tem razão. — ele murmurou olhando ao redor. O silêncio assustador voltou a reinar. — Estão ouvindo isso?!

– O quê? — os outros dois responderam juntos.

– Nada. Exatamente isso. Não tem nada. Sabe qual foi a única vez que essa casa ficou tão silenciosa? No dia em que Violetta saiu em turnê. — German comprimiu os lábios. — Eu quero a minha filha de volta. — ele sussurrou deixando uma lágrima escapar. Dane-se se ele fosse homem. Ele também tinha sentimentos.

– Sabe, eu acabei de pensar em uma coisa... — Leon comentou e Pablo e German o olharam. — Por que em vez de ficarmos discutindo para ver qual ideia é melhor, não juntamos todas elas?

XX

Era por volta de 16h. O sol estava radiante neste final de tarde, mas tudo o que Angeles e Violetta podiam ver dele era o que a pequena janelinha permitia entrar. O local ficou um pouco mais quente do que estava pela manhã, para a sorte das duas. Angie, porém, estava com frio acumulado da madrugada gelada que suportou naquele dia, então sua sobrinha lhe emprestou o casaco.

Priscilla não viera dar almoço. Tinham certeza de que ela daria o mínimo de comida possível. Talvez apenas um pão de manhã e um pão à noite. Estavam com fome. Entediadas. O silêncio era absoluto. Violetta estava com a cabeça deitada na perna da tia, encarando o teto. Seu rosto já havia parado de sangrar, mas o corte continuava ali, vivo e profundo. Angie encarava a parede da janela, com sua cabeça apoiada na parede do lado oposto. Piscava os olhos pesadamente, com sono. Mas não conseguia dormir. Já havia tentado. O sol estava batendo bem nelas naquele momento, então a única coisa que as restava fazer era aproveitar aquilo.

Pode-se dizer que a loira estava mais calma, pelo fato de nem Priscilla nem Frederick terem aparecido ali durante a tarde inteira. Mas Violetta de hora em hora começava a chorar do nada pedindo, como uma criança, para ir embora.

– Boa tarde, mocinhas – uma voz veio da porta que se abria. Ambas desviaram seus olhares dos respectivos lugares que encaravam e olharam Frederick e seu sorriso malicioso dançando em seus lábios roxos. Violetta apertou a mão da tia, com medo, e se encolheu.

– O que você quer? – Angeles se posicionou. Sentiu uma dor na coluna ao se mexer. Pelo jeito, ficar naquela posição por tanto tempo a faria mal. Não saberia nem se conseguiria andar depois de tanto tempo sentada. Suas pernas estariam moles.

– Não estão com fome? – ele sorriu e lhes jogou uma sacola. A loira abriu-a e viu dois pães e duas garrafas de água. Riu irônica. – Sabe. Vocês já poderiam ter ido embora daqui. – Frederick comentou. Violetta o encarava com certa raiva, se levantando do colo da tia. – Tudo depende do seu namoradinho, o paizinho querido da sua sobrinha – o homem loiro sorriu, com o mesmo sarcasmo de sempre. Angeles se perguntava se ele não possuía outro sorriso senão este.

– Quantas vezes vou ter que dizer que não tenho namorado? – ela bufou.

– O que tem meu pai a ver? – Violetta disse baixinho. Frederick riu.

– Ah, docinho – ele se aproximou levemente da menina, que se arrastava para trás involuntariamente. – Vocês são só um tipo de isca, que seu pai querido com certeza morde. Isso é o mais legal. — se agachou na altura de Violetta, quando ela não tinha mais para onde ir para trás. – Seu pai vai pagar 20 mil por cada uma de vocês – Frederick sorriu. – E ainda acha que vai sair vivo...

– Você é um estúpido – Violetta deu um chute com as pernas amarradas no queixo do homem. Sem receio algum. Angeles arregalou os olhos, o que a sobrinha estava fazendo?

– Você fez o quê? – ele disse quase num sussurro, retirando o revólver do bolso e apontando para a menina, que agora se arrependia do que havia feito.

– NÃO! – Angie gritou quase suplicando, passando sua perna pela dele, fazendo-o tropeçar e cair ajoelhado. O homem virou-se para ela com uma expressão furiosa no rosto.

– CALA A BOCA – Frederick virou um tapa no rosto de Angeles, e agora foi a vez de Violetta gritar e começar a chorar, de novo. – EU VOU ATIRAR NAS DUAS. – ele berrava, fazendo com que Priscilla aparecesse ali imediatamente.

– Fred! Fred, se controle! – ela exclamava, fingindo qualquer tipo de compaixão pelas mulheres reféns. – Lembre-se, elas são os nossos quarenta mil. Precisamos delas vivas. – Priscilla riu divertida.

– Sua demônio! – a menina gritou ao ver a madrasta. – VOCÊ NÃO VAI MATAR MEU PAI, VOCÊ NÃO VAI TOCAR UM DEDO NELE!

– Eu não vou tocar mesmo. Mas a bala da minha arma vai. – a mulher abriu um sorriso tão feliz que chegava a assustar.

– Pelo amor de Deus, Priscilla, olhe o que está fazendo! – Angie se manifestou – O que ele fez pra você? Não pode simplesmente pegar o seu dinheiro e ir embora?

– Seu pai me conhece, fofa – a mulher virou-se para Angie – Sabe muito bem sobre mim. É muito fácil me denunciar e eu acabar presa. Eu não posso deixar uma testemunha solta pelo ar para todo o meu plano ir por água à baixo, certo? – ela ria.

– Nós também te conhecemos! – Violetta berrava, descontrolada.

– Relaxa, amor da mamãe – era a segunda vez que Priscilla a chamava assim, o que despertava um ódio sem medidas no interior da garota. – O destino de vocês é bem pior. – ela disse divertida. – Para vocês, vou dar algo mais... saboroso. Se deliciar com a morte de alguém querido. E eu tenho certeza de que vocês não sabem o suficiente sobre mim para me encontrar.

Angie respirou fundo tentando manter controle.

– Desgraçada – a loira murmurou bem baixinho. Priscilla olhou para Frederick fazendo um sinal para a mulher no chão. Ele assentiu e se aproximou de Angeles, enchendo-a rapidamente de chutes e tapas. Violetta arregalou os olhos, horrorizada, e se pôs a chorar nos joelhos até que o homem parasse de espancar a tia. Angie gemia de dor nas primeiras vezes, mas após levar um chute na barriga ela não conseguia dizer mais nada.

– Chega, chega, está bom – Priscilla disse satisfeita. Seu celular começou a tocar e ela rapidamente fez uma cara surpresa. – Olha só quem está ligando! – a mulher quase ria, atraindo os olhares de todos naquela sala. Atendeu o celular e o colocou no ouvido. – Alô, German! – exclamou sorridente e colocou no viva voz.

– O que você fez com elas? – ele suspirava pesadamente enquanto Violetta ainda chorava um pouco no fundo da ligação. – Priscilla. O que. Você. Fez? – falou pausadamente.

– Estou me divertindo! – ela exclamava e ria. Angie tinha os olhos esbugalhados de tão dolorida que se encontrava, encolhida no chão, sem dizer nada, apenas escutando.

– Eu aceito. Vou lhe entregar o dinheiro aí mesmo. É isso ou nada. Manda o endereço. – ele continuou, tentando se parecer calmo.

– Te mando por mensagem. Nos vemos já! – ela sorriu e desligou. Saiu do local com Frederick trancando Violetta e Angeles novamente lá.

As duas se entreolharam e se aproximaram. Não podiam fazer mais nada. Violetta deitou a cabeça no ombro da tia e se deixou consolar. Angie não sabia o que fazer. Hoje poderia ser o dia mais desastroso para todos daquela família, inclusive para ela. Perder o único homem que foi capaz de amar em toda a sua vida. Ver a sobrinha, que já perdera a mãe, agora perder o pai. Elas só teriam uma a outra.

– Você precisa comer. Está desde ontem sem ingerir nada? Vai desmaiar, Vilu – Angie sussurrou enquanto acarinhava a sobrinha, que mantinha o rosto afundado no ombro da loira. A tia esticou o braço e pegou um pão na sacola, entregando-lhe à Violetta. Ela levantou o rosto e suspirou.

– O papai vai morrer. – falou num sussurro, com a voz fraca, como se fosse uma criança desamparada.

– Não vai, princesa – Angeles segurou o rosto da menina, respirando fundo. Não conseguia imaginar um mundo sem German. – Seu pai é esperto. Você acha que ele vai dar o dinheiro para ela assim de bandeja? – ela olhou no fundo dos olhos da sobrinha.

– Não – Violetta disse baixo. – Tomara que não. – a morena pegou o pão que Angie lhe estendia e então as duas comeram um pouco e tomaram água. Violetta pegou a maçã no bolso do casaco, que agora estava em Angie, e deu uma mordida, passando para a tia dar outra. Assim, fizeram o que restava para fazerem. Rezar. Esperar. Acreditar.

XX

German entrou no carro com a maleta de dinheiro. Sim, ele tinha sacado o dinheiro todo, quarenta mil. Mas não significa que ele o daria à esposa. Tudo fazia parte do plano. Leon e Pablo entraram no porta-malas, era lá que iriam. Estava tudo devidamente calculado, Priscilla não podia saber que German não estava sozinho. E graças à Pablo sabiam que existia Frederick, portanto se prepararam para ele também. Não seria uma surpresa ao chegar lá.

O homem entrou na estrada e seguiu o caminho que a esposa lhe descreveu na SMS, estranhando quando acabou entrando em uma estrada de terra. Vazia. Deserta. Com um matagal gigante crescendo nos lados. Eram até capaz de cobrir o carro. O coração de German passou a bater mais rápido, ele estava com um pouco de medo. Priscilla com certeza estava armada. Ele estava arriscando a sua vida. Tinha consciência disto, totalmente. Mas era por uma boa causa.

Dirigiu na infinita estradinha de terra durante longos quinze minutos. Sentia-se perdido, mas não havia feito nada errado segundo as instruções de Priscilla. Até que relaxou ao ver uma casinha pequena e de madeira, não muito longe dali. Prometeu a Leon e a Pablo que destrancaria o porta-malas assim que parasse o carro, e estes dois teriam de tomar cuidado com o que fazer depois disso. German enrolaria Priscilla enquanto eles libertariam as meninas. Era perigoso.

Mas era por elas. Somente por elas. Porque por amor vale a pena se arriscar.

German chegou perto da casa e estacionou o carro, destrancando o porta-malas clicando em um botão no painel. Pegou então sua maleta e saiu do carro, vendo Leon e Pablo escaparem da parte de trás também. Eles nada disseram, mas, enquanto German se dirigia para a porta da casa, os outros dois iam para os fundos dela.

O homem bateu na porta, e no mesmo instante Priscilla a abriu, sorrindo gigantescamente ao ver a cara que German possuía. Um misto de nervoso e desespero estampados em seu semblante.

– Podemos conversar? – ele disse baixo.

– Claro. – Priscilla fechou a porta atrás de si e saiu caminhando com German para perto do carro dele, um pouco afastados da casa. O homem deu um jeito de fazê-la ficar de costas para a cabana, fazendo com que Pablo e Leon pudessem entrar tranquilamente sem serem vistos.

– Por que está fazendo isto tudo? – German olhava melancólico a mulher com quem se casou porque achava que a amava e que tinha encontrado a pessoa certa.

– Como assim? – Priscilla se fez de desentendida. German respirou fundo vendo os dois homens entrarem na casinha se esforçando para que a madeira não fizesse barulho ou algo do tipo.

– Eu te dei tudo. Formamos uma família, tudo o que é meu é seu também! – ele cuspia as palavras, desanimado. Não falava apenas para enrolá-la, falava de coração. – Compartilhamos o dinheiro. Eu sei que quando eu te entregar isto – apontou para a mala – você vai fugir e eu nunca mais vou te ver. Eu só não consigo entender por quê.

Priscilla olhou-o. Por um segundo desistiu da ideia de matá-lo. Mas foi apenas por um segundo mesmo. – Eu nunca te amei, German.

– Eu sei – ele abaixou o olhar. – Hoje eu sei. – suspirou.

Enquanto isso, entrou primeiro Pablo e depois Leon na cabana. Frederick estava ali, e riu quando os viu.

– Acharam que seria fácil assim, amigos? – o loiro sacou o revólver da calça. Os dois morenos engoliram em seco. Mas continuaram a pensar positivo. Não era por eles. Era por Angeles e Violetta. E afinal, era dois contra um.

Pablo rapidamente correu até Frederick, tão rápido que não deu nem tempo para o homem raciocinar. Pablo bateu em sua mão e o revólver caiu no chão. O loiro ia se abaixar para pegar, mas o moreno chutou suas costas fazendo-o cair. Leon riu. Se aproximou e pegou a arma do chão, logo em seguida batendo-a na cabeça de Frederick, que assim desmaiou.

– Foi mais fácil do que eu esperava – Leon respirou fundo – Puts, estou suando.

– Nervoso? Relaxa, campeão, nós conseguimos – Pablo tirou a chave do porão do bolso do homem desmaiado. Então os dois o levaram até um quartinho qualquer e o trancaram lá, para o caso de Frederick acordar.

– Vamos procurá-las. – Leon disse e abriu a porta que dava para a escadaria que descia. Sorriram, era óbvio que estariam ali. Os dois desceram correndo e abriram uma das portas. Banheiro. Foram tentar abrir a outra e era esta mesma a que estava trancada. Pablo testou as três chaves que havia no chaveiro, mas como sempre, é a última que funciona. Ao abrirem a porta, bruscamente, eles as veem. Lá estavam, uma aninhada a outra, sendo cada uma a mão em que segurar. Angeles foi a primeira a levantar o olhar. Sua reação foi de surpresa, depois de alívio, e depois de uma alegria incomparável a qualquer outra. Esperança. Havia esperança.

– Ah, meu Deus – a mulher disse quase chorando de felicidade, enquanto Violetta levantava o rosto, desanimada. O que mudou instantaneamente quando viu seu namorado correndo em sua direção.

– AH, MEU DEUS! – Violetta quase gritou e lágrimas rapidamente invadiram seus olhos. Leon se abaixou para desamarrar a namorada e Pablo foi desamarrar Angie.

– Mas o que vocês estão fazendo aqui? Cadê o Frederick? E a Priscilla? E o German? Ah, meu Deus, o German! – Angie disse desesperada enquanto Pablo rasgava o nó da corda que prendia seu pulso, com dificuldade.

– Demos um jeito em Frederick. German está enrolando Priscilla lá fora, por quê? O que tem ele? – Pablo indagou confuso. Leon conseguiu soltar os braços da namorada, que o abraçou com força sem parar de chorar.

– O que fizeram com você, meu amor? – Leon sussurrou baixinho vendo o corte no rosto da menina.

– Não importa mais, você me salvou – Violetta não conseguia se soltar de Leon.

– Ela vai matá-lo, anda logo, Pablo! – Angie exclamou e sentiu que tudo seria possível quando finalmente se viu livre das cordas que as amarravam.

Angeles não tinha tempo para abraçar ninguém, ou para agradecer. Faria isto depois. German corria perigo, e isto com certeza era sua prioridade. O amigo a ajudou a levantar e ela teve dificuldades para se manter em pé, depois de tanto tempo sentada e de tantas partes do corpo doloridas.

– Angie, você não consegue andar até lá. – ele analisou-a.

– Ah, eu consigo – a mulher nem esperou resposta, saiu desesperadamente pela porta, mais cambaleando do que andando, e demorou para subir todos aqueles degraus. Seus cabelos estavam sujos e grudentos. Sua roupa, imunda. Sua cara estava pálida, com olheiras profundas e traços de quase morta. E sem contar os olhos, vermelhos de tanto chorar. Ah, e não podemos esquecer dos roxos por todos os membros de seu corpo, que se formaram depois de ser chutada e estapeada. Mas não importava mais. Ela precisava salvar German. Na condição que fosse.

Angeles saiu da cabana ofegante só de andar alguns metros. Avistou German e Priscilla um pouco longe. Ele estava prestes a lhe entregar a maleta, e ela tinha um revólver apontado para o homem. German tremia. A loira saiu correndo, quase tropeçando em si mesma, mas chegou lá. Correu até German e acabou caindo em seus braços, suas pernas estavam fracas demais para conseguir se manter em pé.

– German, meu Deus, não entregue isso a ela – Angie disse quase sem ar, e Priscilla se assustou ao vê-la ali.

– O que você está fazendo aqui? Quem te soltou?! – Priscilla exclamou e German olhava as duas sem saber o que fazer. Olhou a loira pendurada em seu pescoço, sem forças, e sentiu o coração partir em mil pedacinhos ao notar o estado em que ela se encontrava.

– Angie – German sussurrou, passando a mão livre pelo rosto dela e logo a abraçando para si com esta única mão, já que a outra segurava a mala de dinheiro.

– Ela vai te matar, German – a loira engoliu em seco, olhando-o nos olhos.

– Mas.. – ele falou confuso, enquanto Angeles tossia para o lado. Uma tosse seca, por ter ficado tanto tempo naquele local úmido e sem luz. – Olha o que você fez com ela, sua monstra! – German berrou para a esposa.

– Me dá o dinheiro agora, ou eu mato os dois. – Priscilla murmurava impaciente.

– Vai ter que passar por mim primeiro – Angeles se enfiou na frente de German.

– Ah, como se fosse muito difícil – a mulher apontou o revólver para Angie e estava prestes a apertar o gatilho, quando ouviu-se German gritar NÃO, largar a mala, correr e abraçar Angeles em uma fração de segundos, escondendo-a completamente ao seu redor.

Então, pronto. Ouviu-se um tiro.

Notas finais
Em minha defesa eu tenho a fic pronta sim mas faltava só esse cap enfim SKJDSKDJSK COMENTEM