Notas iniciais
Oi, amores!!!!! eu não quero enrolação, leiam essa bagaça logo ❤️

O quarto estava uma loucura. Era como se vinte garotas estivessem circulando por lá, mas na verdade eram apenas quatro. Duas, pra ser sincera. Janette e Isabel estavam lá sim, mas pela chamada de vídeo do Skype. Então só estávamos eu e Violetta fisicamente.

As três falavam e opinavam sobre tudo ao mesmo tempo, eu estava ficando louca. E adivinhem o motivo? Pois é. Comentei com Janette pela tarde que hoje seria meu primeiro encontro com German. Ela contou para as outras meninas. Isabel e ela foram as únicas que estavam livres naquela tarde para se reunirem e me ajudarem. Bom, lá em Buenos Aires era tarde. Em Sevilla já era noite. Mas não importa. Lá estavam as duas, no Skype comigo, me ajudando a escolher o vestido e a maquiagem. Não demorou muito para Violetta se juntar a nós, e então ali estávamos.

— Vamos, tia! — a garota bufava, enquanto eu estava no banheiro provando um vestido verde com detalhes em lilás.

— Vamos, Angeles! — as duas, pelo computador, acompanharam a garota. Saí do banheiro, resmungando.

— Qual o problema de vocês?! — fiz careta. Todas riram. Rolei os olhos ignorando isso, e me aproximei do notebook para mostrar a elas o vestido. — O que acham?

— A câmera não está pegando tudo — Bel respondeu. Então me afastei um pouco do aparelho para que elas pudessem olhar melhor. Por trás, Violetta também observava.

— Ahm, não combinou com a cor do seu cabelo — a garota sorriu torto.

— A pequena tem razão — Janette pôs os dedos sob os lábios, pensativa. Era a primeira vez que Jane e Isabel viam Violetta, e elas se deram muito bem por sinal.

— Bel? — perguntei à última.

— Troca. — ela assentiu, e foi minha vez de bufar. Aquela devia ser a vigésima roupa que eu provava!

— Vocês são difíceis, sabia? — me joguei na cama.

— Você tem que estar perfeita, mulher! — Jane mordeu os lábios, abraçando Bel, estava quase mais empolgada que eu. Bem, eu estava mais nervosa que empolgada. Ri, balançando a cabeça. Queria que elas estivessem fisicamente aqui. E não por trás da tela de um computador.

— Concordo com a tia Jane — Vilu sorriu, procurando mais alguma peça de roupa para eu provar.

— Ei, eu sou sua única tia! — exclamei, indignada. Que ousadia era aquela? As meninas no Skype gargalharam.

— Foco, Angeles! — Bel ria. — Vai, qual é a próxima roupa?

— Não sei, estamos ficando sem opções! — bufei.

— Não reclame! É para o seu próprio bem! — Janette falava autoritária como uma mãe. Achei engraçado e ao mesmo tempo meigo seu carinho por mim. — Me fala, Angie, quantos encontros você já teve em sua vida?

— Hum... — fiquei pensativa — Sei lá. Não fiquei contando!

— Tá, mas quantos deram certo? Aposto que essa quantidade você sabe. — ela mordeu os lábios. Espertinha.

— Poucos. — murmurei, rolando os olhos. O sorriso estampado na cara de minha amiga era brincalhão.

— Está vendo? É porque você não tinha o esquadrão das mulheres para te ajudar. — Bel completou. Violetta ria.

— Mas, gente, é apenas o German! Não é como se ele não me conhecesse... — insisti.

— Apenas o German?!?! — Vilu exclamou, indignada, e tirou uma saia preta da minha mala. — O que o German é pra você, Angeles?

Me chamou pelo nome. Vish. — O amor da minha vida. — balancei a cabeça, derrotada por elas. Tirei uma blusa azul de renda e joguei para a minha sobrinha ver se combinava com a saia.

— Uau, que linda! Vou pegar pra mim — ela gargalhou. Depois voltou a ficar séria. — Então, voltando. ELE É O AMOR DA SUA VIDA! Não é "apenas" o German! Você precisa estar impecável!

— Vocês estão me deixando mais nervosa do que eu já estou! — fiz bico. Era verdade. Eu passei o dia pensando sobre este encontro. Pensei no que iria dizer. Em como agir. Sobre o que NÃO fazer. Calculei cada segundo. Tinha que ser a melhor noite da minha vida. As palavras ansiedade, nervosismo e empolgação possuíam individualmente um significado, mas não existia uma denominação sequer que as demonstrassem juntas. E talvez fosse até mais que isso. Era a noite que poderia mudar a minha vida, como não se desesperar?

— Angie, é normal sentir um frio na barriga. Mas ficar nervosa demais pode acabar estragando tudo, tome cuidado. — Janette disse apreensiva. Suspirei.

— Não tem como, Jane... E se der tudo errado?

— Angeles, por favor! — Isabel tomou a frente. — Você e o German já têm uma história linda juntos. Pense comigo, ele já te viu encharcada por uma chuva, já te viu acordando, já te viu chorando, rindo, suada, com olheiras, e ele ainda sim te ama. O que pode dar de tão errado?

— Concordo, tia. — Vilu se manifestou. — Deixe as coisas fluírem naturalmente, como sempre fluíram.

Encarei o chão por alguns breves segundos. O que elas diziam até que fazia sentido. Muito sentido.

— Ah, como eu queria abraçar todas vocês. — soltei um risinho fraco.

— A mim você pode! — minha sobrinha pulou nos meus braços. Sorri, correspondendo.

— E a gente promete te dar um abração quando voltarem — Bel sorriu meigamente.

— Isso mesmo — Janette concordou. — Agora vai lá provar mais roupa, antes que se atrase.

— Caso tenha esquecido, eu tenho que ir ao ensaio antes do encontro — ri brevemente. — Não vou me atrasar.

— Certo, vamos te deixar linda para o ensaio. Espero que segure a maquiagem até a hora do encontro. — Violetta mordeu os lábios.

— Qualquer borrinho você retoque, hein, dona Angie! — Jane riu. Dei a língua pra ela.

— Chega, vocês — me virei para a pilha de roupas jogadas na cama. — Qual vai ser agora? — perguntei à Violetta.

— Eu não sei — ela sorriu, sem graça — Já provamos de tudo.

— E aquele ali? — Bel apontou para algo. Mas como estava por vídeo online, ficava difícil saber exatamente o que era.

— Aquele o quê?

— Tem alguma coisa rosa ali no canto da mala — ela cerrava os olhos para enxergar. Caminhei até a mala e busquei por algo rosa. Encontrei um vestido que eu mal me lembrava de ter trazido para Sevilla.

— Este? — estendi-o para câmera. Isabel sorriu grande.

— Este mesmo. — seus olhos brilharam. Pude ver Janette assentindo com a cabeça, animada, e olhei para a Violetta em seguida. Esta também aprovou.

— Bom, vamos ver — entrei no banheiro e troquei de roupa sem pressa. Me olhei no espelho antes de sair. O vestido era uma graça. O tom de rosa não era chamativo, e sim delicado. A saia era um pouco rodada. Um cintinho definia a minha cintura. Eu sabia exatamente que colar usar para combinar com aquela roupa. Gostei.

Saí do banheiro e o olhar de Violetta se arregalou em minha direção. Sua boca escancarou um sorriso logo em seguida.

— Uau. É este, tia, é este! — a menina deu saltinhos no lugar, não conseguindo segurar a empolgação.

— Cadê? Queremos ver! — Janette gritou ansiosa. Eu não estava em um lugar do quarto onde a câmera do notebook captava. Então me aproximei do computador e dei uma voltinha no lugar.

— Meu Deus, mulher! Ficou extraordinário! — Isabel deixou o queixo cair. Soltei uma risada.

— Hm.. é, não é uma princesa da Disney, mas dá pro gasto — Jane deu de ombros. Tanto eu, quanto Isabel e Violetta lançaram um olhar indignado pra ela. Janette gargalhou. — Eu estou brincando! Você está incrivelmente linda com essa roupa. É a nova Aurora.

— Aurora? — ri confusa.

— Sim, é a única princesa loira que usa um vestido cor de rosa — minha amiga riu. Eu balancei a cabeça, sorrindo encantada.

— Vocês tem certeza? — olhei para o vestido.

— Absoluta! — as três responderam em coro. Meu coração palpitou forte. Então seria aquilo.

Aquele momento com as meninas me relaxou de certa forma. O dia fora irritante. As horas não passavam de jeito nenhum. Eu estava agoniada com o relógio. E ainda pra ajudar, eu mal vi German. Nos cruzamos apenas uma vez, no café da manhã, onde ele me lançou uma piscadela de longe e desapareceu dali em seguida. Até parecia que ele esteve me evitando durante o dia inteiro só para fazer suspense. Por isso, me deixava ainda mais ansiosa. E agora que finalmente anoitecera, eu tinha que ir para um ensaio antes do encontro! A espera não iria acabar nunca?

Violetta fez minha maquiagem conforme as ideias que Janette e Isabel tinham. Era óbvio que todos os meus alunos estranhariam quando eu aparecesse daquele jeito no ensaio, mas eu sinceramente estava achando aquilo até que bem divertido. Quando minha sobrinha terminou, escolhemos um sapato de salto baixo e enfim eu estava pronta para me olhar no espelho.

Posso dizer que até eu me surpreendi com o resultado. Nunca me achei feia, mas aquela foi a primeira vez em que eu me vi completamente linda. Não sei quantas vezes agradeci àquelas três mulheres. Mas sei que mesmo se eu dissesse mil "obrigadas", eu nunca poderia compensá-las por todo o apoio. Aquela noite era muito importante pra mim. E Violetta, Janette e Isabel ajudaram a torná-la real.

XX

Pov Off

— Hora do ensaio, então — Violetta respirou fundo, abaixando a tela do notebook. Jane e Bel tinham acabado de desligar, pois precisavam ir fazer a janta. Elas desejaram a Angeles a maior sorte do mundo e exigiam saber de tudo assim quando a mulher voltasse. Portanto, sobraram apenas a loira e sua sobrinha por ali.

— Vamos lá, né — Angeles saiu do quarto junto com a menina. Caminharam até o elevador em silêncio. — Estou nervosa de novo.

— O papai ama você, Angie — Vilu sorriu, tentando confortá-la. — Nada pode ser tão terrível a ponto de estragar isso. Sabe, tudo pode acontecer externamente hoje. Mas nada, nadinha, pode mudar o seu interior e o de papai. Vocês se pertencem.

— Ai, garota — a mulher mordeu os lábios — Você tem toda a razão aí e eu ainda querendo saber da onde você tira conselhos tão bons. Era eu quem costumava dá-los a você, e não o contrário — ela riu, abraçando a sobrinha.

— Você ressuscitou o melhor de mim e o de papai. Eu devo tudo a você. — Violetta sorriu. Angeles olhou-a, emocionada, e já iria abrir a boca para responder. Mas foi quando o celular da garota começou a tocar. — Olha só, falando nele... — ela mostrou a tela para a tia. German ligava para sua filha. A loira sorriu nervosa. — Alô, papai? — atendeu. — Sim, estou no elevador. Indo ao ensaio agora. Sim, papai. Posso, claro. Em dois minutos estou aí. Beijo. — e então desligou.

— O que ele queria? — Angie perguntou rapidamente, curiosa.

— Bom, você vai ter que ir sozinha pra academia. Vou precisar dar uma passada no quarto do papai, parece que alguém está com dificuldades com o gel de cabelo — Vilu soltou uma risada, e a tia acompanhou-a em seguida.

— Aw, será que ele está tão ansioso quanto eu? — a loira mordeu os lábios.

— Eu não tenho dúvidas — Violetta sorriu. O elevador abriu-se no térreo. — Bom, vou lá. Até logo, tia. — a menina acenou enquanto Angie deixava o elevador. Então, apertou o cinco e esperou. Seria uma longa noite.

Saiu em passos largos ao quarto de seu pai assim que as portas do elevador a deixaram livre. Quando bateu à porta, o homem abriu-a no mesmo instante, como se já estivesse parado ali esperando.

— Oi. — German disse, seu semblante era tenso. — Estou desesperado. Me ajude.

A garota gargalhou. — Você está lindo, papai.

— Você acha que ela vai gostar? — o homem se encarou no espelho, ajeitando o blaser em seu corpo. — Que tipo de flores eu levo? Ah! E vou com ou sem gravata?

— Se acalma, homem! Uma pergunta de cada vez! — Violetta ainda mantinha um sorriso no rosto. — Sim, ela vai amar. Rosas, com certeza. E sem gravata, pelo amor de Deus. É um encontro e não um casamento.

German riu. — Estou nervoso. Nunca fiquei assim pra sair com uma mulher antes.

— É porque ela não é qualquer mulher. Eu sei. — a morena suspirou feliz. — Estou orgulhosa da iniciativa que você tomou, papai. De verdade.

— Pra ser sincero, eu também estou — ele sorriu. — Já estava na hora.

— Oh se estava! — gargalharam juntos. — Agora vem cá. — a menina se aproximou do pai e ajeitou seu cabelo com o gel em questão de segundos. — Perfeito.

— É tão fácil assim? — German questionou confuso. Sua filha ria.

— Você tem pouco cabelo. É rapidinho.

— Muito obrigado, Vilu. Eu amo você. — o homem sorriu. Violetta o abraçou com força.

— Vai lá e seja feliz, pai. Eu quero o seu melhor e o melhor da Angie. — a garota sorriu carinhosa. — A propósito, ótima escolha do perfume. Está um galã.

— Muito obrigado mesmo. Agora me resta esperar. Falta uma hora ainda — ele fez careta.

— E falando nesta uma hora, ela será ocupada com um tedioso ensaio. — a menina rolou os olhos. — Preciso ir senão vou me atrasar. Tudo bem? Precisa de mais alguma coisa?

— Não, filha. Pode ir. — German sorriu, mas ainda era notável o nervosismo em seu olhar.

— Até mais tarde, então. E boa sorte! — Vilu beijou o rosto do homem e se retirou do quarto, saltitando feliz. Seu sonho estava se realizando. Nada poderia detê-los agora.

XX

Pov Angie

Que ensaio horroroso. Eu mal prestei atenção, e vale lembrar que eu era a professora. Sim, foi um desastre. Mas acontece, às vezes tem algo mais importante que o trabalho ocupando a nossa cabeça. Saí assim que pude da academia e corri tanto que cheguei dez minutos mais cedo no restaurante em que marcamos o encontro. Tudo bem, seria o tempo que eu teria para pensar.

Fiquei lembrando da minha vida seis meses antes. Eu sofria, chorava, e desistia todas as noites de tentar algo com German. Era inalcançável. E agora, olhe onde eu havia chegado! Aquela noite compensava todas as dores. Eu tinha conseguido, meu sonho se tornou possível. Não tinha sensação melhor que essa. Olhei ao redor, tentando memorizar cada detalhe daquele local. Daquela noite. Guardei na mente o céu estrelado do restaurante ao ar livre. Guardei na mente o rio que era vista do restaurante. Gostei de como nossa mesa era a mais próxima da paisagem. Memorizei a temperatura do ambiente. A luminosidade. Queria guardar todas essas memórias como um filme, onde eu poderia dar replay quantas vezes quisesse. Então finalmente olhei no relógio. Oito e um.

De repente o frio na barriga voltou. Estava na hora. German podia aparecer a qualquer instante. E tudo poderia acontecer. Minhas mãos começaram a suar. Meus braços ficaram tensos. Respire, Angeles. Já saí com German muitas vezes pra ficar nervosa justo agora. Mas, que culpa eu tinha? Aquela sensação fazia parte do amar. Era até gostoso me sentir tão dentro de um conto de fadas assim. Peguei o celular para verificar na câmera frontal se estava tudo certo com minha aparência. Sorri, satisfeita. Justo quando ia largar o celular de volta na mesa, ele vibrou.

— Não vai dar pra ir, desculpe, Angie — eu disse lendo alto a mensagem que German acabara de me mandar. Mas o quê?! Por quê? Como assim? Não! — Hã?! Não acredito, German! — bufei, falando sozinha. Pensei um pouco antes de responder. Mas não consegui digitar nada. Não fazia sentido. Fiquei com raiva. Pensei em mandar mil e um xingamentos. Mas no final das contas acabei mandando apenas uma interrogação. German visualizou na hora, como se estivesse esperando minha resposta. Foi quando eu levei um susto com uma voz por trás de mim.

— Era brincadeirinha. — a pessoa disse. Saltei da cadeira, desesperada. E me virei. Ali estava ele, rindo da minha cara e com os braços para trás.

Ele sempre iria fazer essas brincadeiras de whatsapp comigo? German tinha acabado de me desesperar à toa! Queria bater no ombro dele como eu sempre fazia, mas ao olhá-lo contra a luz da lua eu não pude fazer nada senão entrar em êxtase com o tanto que ele estava lindo.

— Não sei se te xingo ou te beijo. — murmurei, quase babando. German riu de novo.

— Por enquanto, nenhum dos dois. — ele se aproximou, beijando meu rosto e estendendo um buquê de rosas que escondia nas costas. Sorri emocionada.

— Que lindas, Ge! — peguei as flores e cheirei-as. Eu não esperava por essa, para ser sincera. Ele estava me surpreendendo e não estava ali há nem dois minutos.

— Não tanto quanto seus olhos. O que é isso? Uma fada madrinha foi te visitar? — ele sorriu, se sentando. Mordi os lábios.

— Não força, vai — soltei uma risada.

— É sério! Nunca pensei que fosse possível ficar mais linda. — German segurou minhas mãos por cima da mesa.

— Certo, você vai me fazer ficar sem graça a noite toda? — sorri tímida.

— Não, princesa. Vai ser a melhor noite da sua vida, eu te prometo. — aquele homem me dava arrepios. Em seguida, ele chamou o garçom e então fizemos os pedidos. Iniciava-se aí o meu tão sonhado momento. A palavra feliz nunca carregara tanta emoção quanto hoje, disso eu tinha certeza.

XX

Eu perdi o nervosismo logo no início. A presença de German sempre me confortou, não tinha por que ficar tensa. E as coisas fluíram calmas, divertidas e relaxantes. Comemos, tomamos vinho, conversamos sobre diversas coisas, flertamos e fizemos piadas tudo ao mesmo tempo. Os assuntos surgiam um atrás do outro que só fomos perceber que se passaram duas horas quando olhamos o relógio. O tempo simplesmente voou.

— E essa foi a história do meu pobre peixinho de infância — mordi os lábios, enquanto German ria. — Tadinho, morreu do jeito mais trágico...

— Me lembre de nunca te presentear com um peixe! — o homem sorriu, balançando a cabeça. Já estávamos comendo a sobremesa, que por sinal era deliciosa.

— Pode deixar — ri mais uma vez e então suspirei profundamente. — Ah, German, isso está tudo tão gostoso, tão bonito e confortável. Não quero que acabe nunca.

— Nem eu, gatinha. Podemos já ter saído juntos quantas vezes for, mas nenhuma se compara a esta noite.

— Estou totalmente de acordo! E pior é que nem falamos direito sobre as coisas que se falam em primeiro encontro, né — soltei uma risada.

— E o que se fala em primeiro encontro? — German franziu a testa.

— Ah, sei lá — levei uma colher de chantilly à boca. — As pessoas normalmente se conhecessem nos primeiros encontros. Já nos conhecemos antes, então...

— Hum, interessante. Vamos tentar — ele disse, fazendo uma cara divertida. Lá vem... — Qual sua cor favorita?

Soltei uma risada. — Você tá falando sério?

— Sim, estou! Eu não sei qual é sua cor favorita. — German fez bico. Balancei a cabeça, ainda rindo.

— Certo. É vermelho. E a sua?

— Nossa, que ousada — ele sorriu de lado. — Preto.

— Uau, eu nem imaginava — rolei os olhos, arrancando risadas dele.

— Tá, agora qual seu doce preferido? — sorriu de lado.

— Hm... petit gateau, com toda certeza. — suspirei, me lembrando de como eu amava este doce.

— Tem certeza? — o homem riu. — Estou achando que é chantilly.

— Ué, por quê? — indaguei, confusa.

— Sua boca — prendeu o riso. — Está cheia de chantilly...

— German! Nem pra avisar! — exclamei, sem graça. Mas ele estava levando tão na boa que acabei soltando uma risada junto com ele. Ia pegar o guardanapo para limpar, mas German me impediu.

— Eu te ajudo! — se explicou.

— Eu posso passar um guardanapo na minha boca sozinha, seu retardado — sorri divertida.

— Eu não pretendia usar o guardanapo, mas se você insiste... — German deu de ombros, me deixando curiosa.

— Ah, é? Então o que iria fazer? — cruzei os braços, tentando parecer desafiadora.

— Não vai mais saber, fica com o guardanapo aí — ele sorria.

— Agora fala, não me deixe curiosa! — bufei, fazendo manha. Aquele sorriso dele estava me tirando do sério.

— Eu ia fazer isso. — German rapidamente retirou as taças de vinho do centro da mesa e deixou-as de lado para abrir espaço. Então esticou o corpo por cima da mesa e me beijou com cuidado.

O beijo foi tão doce que eu jurei sentir meu coração amolecer. Foi curtinho, mas o suficiente para me deixar extasiada. Quando ele se afastou, me encarou de uma maneira divertida. Mordi os lábios e o encarei de volta. Segundos depois, rimos juntos.

— Você não existe. — suspirei.

— Existo. Inclusive, limpei o chantilly. Sou eficiente. — me lançou uma piscadinha.

— Ridículo — soltei uma risada, balançando a cabeça.

Logo em seguida daquilo, as nossas sobremesas acabaram. Nenhum dos dois queria aceitar que já era hora de voltarmos para o hotel, mas infelizmente não podíamos ficar ali pra sempre.

Com muito esforço, nos levantamos. German pagou a conta. E fomos. Saímos do restaurante andando lado a lado, a rua estava iluminada com lâmpadas amareladas e muitos casais andavam juntos, porém o ambiente estava silencioso e calmo. Sem falar nada, eu caminhava segurando a bolsa no ombro e olhando para frente. Parecia distraída, mas eu estava completamente concentrada em cada passo. German, também andando em silêncio ao meu lado, parecia pensativo. E incrivelmente aquele silêncio não estava pesado, apenas confortante. Olhei para ele uma ou duas vezes e acabei rindo baixo de sua expressão claramente nervosa. Ele pareceu sair dos pensamentos, me olhou e sorriu.

— Que foi? — ele perguntou baixo. Continuávamos andando, e eu sorri virando a cabeça para frente novamente. Atravessamos a rua e eu voltei a olhá-lo.

— Você está sério. — comentei e o observei, ele estava com aquela grande jaqueta preta e com as mãos no bolso por causa do vento gelado, e confesso, estava extremamente cheiroso.

Mas então German mais nada respondeu. Ele apenas tirou uma de suas mãos no bolso e segurou-me pela cintura, por trás, como um abraço de lado. Assim, guiou-me para a ponte que cruzava o mesmo rio que era vista da nossa mesa no restaurante. Estranhei quando ele parou de andar no meio da ponte e me levou até a grade, que dava uma vista maravilhosa da lua refletida nas águas escuras por causa da noite. Me apoiei na grade da ponte, de frente para o lago, e German fez o mesmo ao meu lado. O vento batia, e eu me encolhi com frio.

— Estou nervoso. Eu planejei te dizer uma coisa hoje. Mas não sei se consigo. — German abaixou o olhar e passou o braço por volta de mim, fazendo-me aconchegar em seu abraço enquanto ainda olhávamos para o reflexo da lua na água.

— Ei — aproveitei que nossas mãos estavam apoiadas uma ao lado da outra na grade e segurei a mão dele, entrelaçando nossos dedos. Apertei seus dedos levemente, e ele me olhou. — Não precisa ficar nervoso, eu não mordo — ri.

— Não é isso — ele sorriu brevemente com minha brincadeira. — Tenho medo das minhas palavras saírem errado. — ele brincava com minha mão.

— Você é um empresário milionário, German. Você fala abertamente na frente de milhares de pessoas e sempre dá certo.

— É diferente. — ele murmurou tímido. Quis sorrir, mas me contive.

— Por que é diferente? Eu sou uma pessoa só, não devia ser mais fácil? — levantei uma sobrancelha, me virando levemente para trás para ver sua expressão facial.

— É diferente porque você é.. — ele se interrompeu. — ah, você sabe por quê. — desviou o olhar, corado. German estava envergonhado, essa era uma paisagem que não se via todo dia.

— Não sei. — sorri divertida.

— Tá, Angie, tá. Você me convenceu. Eu vou te dizer o que eu queria. — ele respirou fundo. Sorri vitoriosa. Estava curiosa demais por dentro para saber o que ele ia dizer, eu sentia que algo forte estava por vir. German pegou a minha outra mão apoiada na grade da ponte e agora, segurando as duas, ele olhou diretamente nos meus olhos. — Sinceramente não sei como começar. — respirou fundo como se tomasse fôlego — Sei que tudo começou numa linda tarde chuvosa, aquela mesma, que eu te encontrei por acaso dentro do meu escritório. Naquela hora eu não tinha nem ideia do que você ia fazer comigo ao longo do tempo. Por mais que, ao olhar nos seus olhos na primeira vez, eu tenha ficado completamente encantado. Ah, aquele dia... o dia que desencadeou tudo o que temos hoje. Nos apaixonamos sem pressa, e juntos. Com a diferença que você não queria admitir de jeito nenhum. — ele riu e eu abri um sorriso um tanto tímido. — Você, um pouco atrapalhada, caiu nos meus braços diversas vezes. Brigamos? Muito. E depois de tudo você insistia em ser carinhosa e me ajudar a ser um bom pai para a Violetta, mesmo que eu cismasse em não te escutar de primeira. Então, brigávamos mais uma vez. Não como se isso importasse, instantes depois nós já nos pegávamos sorrindo abobalhadamente um para o outro. Nossos lábios desenhavam um "sai daqui" enquanto nosso coração suplicava um "por favor, não sai não..." — German apertou minhas mãos. — Aquele ano foi maravilhoso. Eu sentia coisas por você que me incomodavam, afinal, eu estava noivo da Jade. Aos poucos fui percebendo que aquele incômodo era amor. Aquela ansiedade para te ver, aquela preocupação pra estar bonito pra você... era óbvio que aquilo não era normal. Então eu disse que te amava, você se assustou e se afastou. Eu acho que hoje entendo por quê. Você é irmã da minha falecida esposa, e naquela época eu não sabia disso. O destino tem senso de humor, pois justo quando você resolveu admitir seus sentimentos por mim que eu descobri a sua identidade. Da pior forma possível, talvez — ele suspirou. Eu ia murmurar um "me desculpe", mas ele fez um gesto para que eu não dissesse nada. — não importa muito, acho que o destino ria da nossa cara, e depois dessa leve brincadeira ele deixou-nos em paz por um tempo. Eu fiquei muito arrasado, Angeles. E em vez de terminar meu noivado com a Jade, como eu pretendia, eu resolvi me casar com ela mesmo e que se danasse o resto. Eu estava péssimo. E para completar a desgraça, no dia do casamento, você apareceu em casa. Violetta queria que você me dissesse algo para impedir a minha união com a Jade, mas você não fez nada. Eu demonstrava firmeza, mas no fundo tudo o que eu queria era que você dissesse qualquer coisa para que eu pudesse correr para os seus braços e nunca mais sair de lá. — suspirou — Eu me lembro de te perguntar: "o que você pretendia dizer?", e recordo de cada detalhe da cena de você se aproximando lentamente, e, ao olhar nos meus olhos, dizia: "mudaria algo se eu te olhasse nos olhos e dissesse... te amo?" — ele mordeu os lábios — Naquele instante, eu estremeci até a espinha. E, indo contra todos os meus sentimentos naquele momento, apenas por orgulho, respondi que não. Mas, Angeles, hoje eu quero te dizer apenas uma coisa: o seu "te amo" mudou tudo. Eu respondi que não, mas ele era apenas um disfarce do meu sim. Foi por causa de sua confissão naquela sala que eu fui incapaz de dizer qualquer coisa que não fosse "não" pra Jade na hora do casamento. Foi por causa da sua frase que tudo mudou. — sorriu — O ano acabou. Fizemos as pazes e ficamos amigos. Passamos a voltar a esconder nossos sentimentos, afinal, cunhados não devem ter algum tipo de relação. Como se não bastasse, conheci a Esmeralda. Eu não sei o que me deu para ficar com ela, acho que eu só queria arrumar um jeito de te tirar da minha cabeça. E antes que você me pergunte se funcionou, eu já te digo que não. Na época até eu pensava que eu tinha te esquecido, mas depois percebi que na verdade a única coisa que fiz foi enfiar todos meus sentimentos embaixo do tapete. Eu tinha medo. E eu te fiz sofrer. Te fiz chorar. Eu te vi chorar por minha causa e eu vou me sentir mal para o resto da minha vida por ter feito você derrubar uma lágrima sequer por mim. — German olhou para baixo e novamente voltou a me olhar. Eu tinha lágrimas nos olhos. — Eu fui um imbecil, mas você continuou lá para mim. Nessa época você andava muito triste, e acabou se mudando para França, precisava recomeçar do zero. O tempo que ficou lá pareceu uma eternidade aos meus olhos. Fiquei com raiva, pois nunca pensei que fosse possível sentir tanta saudade de alguém assim. — ele estava contando nossa própria história como se eu não soubesse. Sorri levemente. Eu estava gostando daquilo. — Quando voltou de lá, no ano seguinte, estava ainda mais radiante do que era quando te conheci. Sua alegria contagiante tinha sido recuperada. Eu estava noivo da Priscilla na época, e, para variar, você bagunçou tudo de novo, exatamente como quando eu estava noivo da Jade. A única diferença foi que dessa vez eu não fui forte o suficiente, e meus sentimentos escaparam fácil de debaixo do tapete. Eu não conseguia colocá-los lá de volta, mesmo que se eu tentasse. E acredite, eu tentei. Agora, o assustado era eu. Cada vez que eu te via sorrir, eu estremecia, e, na boa, isso era aterrorizante. Me sentir tão vulnerável a alguém é, de fato, aterrorizante. Mas você, mais do que ninguém, conhece minha teimosia... então ignorei todos os meus sentimentos e casei-me com Priscilla. Você estava lá no meu casamento, uma pérola triste trajada num vestido verde claro. Por mim e para mim o tempo todo, mesmo que sofrendo. Você nunca desistiu de mim. E faz uns meses que eu resolvi aceitar que, no final das contas, eu nunca tinha deixado de te amar. Terminar tudo com a Priscilla foi a decisão mais certa em anos. — German apertou minhas mãos levemente e eu deixei a primeira lágrima escapar. No segundo seguinte, várias delas começaram a rolar por minha face. — Angeles, hoje eu vejo que eu nunca deixei de amar o seu sorriso, o seu carinho, o seu beijo. Eu amo você desde aquele dia em que te encontrei no meu escritório, três anos atrás. Não sei explicar como te amo, nunca senti nada parecido, nem com a Maria. Não é algo que me sufoca ou que me faz querer meter os pés pelas mãos, fazer tudo errado, que quero controlar e que às vezes até consigo, como foi com a Jade, Esmeralda e Priscilla. Meu amor por você me traz paz e a certeza de que, finalmente, estou pelo caminho certo. Pela estrada certa. — German olhou profundamente nos meus olhos, mostrando que se recordava da conversa que tivemos sobre o destino e a estrada certa, meses atrás. — Sabe, o mais engraçado é que dentre todas as mulheres, do mundo inteiro, das que eu já casei, já me apaixonei, já gostei, já fiquei e já namorei, meu coração escolheu justamente a mais teimosa, a mais complicada, a mais louca, mas também a mais preciosa, a mais encantadora, a mais paciente, a mais carinhosa, aquela que não desistiu de mim em nenhum segundo desde que nos conhecemos. — eu abri um grande sorriso quando escutei essas palavras — Está vendo tudo o que eu disse? Toda a nossa história que eu acabei de contar. Nós já temos uma história, Angeles. Uma história maravilhosa, mesmo que dolorida. Então, eu não vou pedir para começar uma história com você. Eu vou pedir para escrevermos juntos a parte que falta: o final feliz. A melhor parte. Quero te dizer que sou muito grato aos anjos que te trouxeram a mim. E quero que saiba que, sabendo de tudo isso agora, eu daria tudo para mudar todas as minhas burradas e fazer a coisa certa com você, você merece mais que isso. — ele soltou um suspiro. — Você merece mais que isso que eu sou, você merece mais que o trouxa que te deixou de lado, que o idiota que te fez sofrer, que o imbecil que te fez chorar. Você merece mais. Mas, Angie, eu estou sendo completamente sincero, o que eu sinto por você é um amor incondicional, e eu te juro querer ter percebido isso antes. — ele pareceu concluir, e eu já ia me manifestar. Ele é um homem maravilhoso, e não devia estar falando assim dele mesmo... o que passou, passou. Todo mundo erra, certo? Infelizmente, quando viu que eu abri a boca para falar, ele rapidamente me interrompeu. — Eu não terminei. Espera. — olhou para baixo, recuperando o fôlego. Soltei minha mão esquerda da dele para enxugar minhas lágrimas, e depois segurei sua mão de novo. — Angie... — ele voltou a me olhar. — Dizendo tudo isso eu só quis chegar a uma única pergunta. Construir pode ser difícil, mas tenho certeza de que, juntos, nós podemos. Sabe por quê? Porque hoje eu sei que você é o amor da minha vida. — ouvir estas últimas palavras foi como receber um abraço reconfortante e carinhoso, um abraço de recompensa, de que finalmente eu seria feliz. As minhas lágrimas voltaram com mais força. Mas, o que ele quis dizer com construir? Eu não queria me permitir pensar em algo além do que tínhamos, para não me decepcionar depois. German respirou fundo e soltou minhas mãos. Eu estava confusa. Ele recolheu a mão direita e começou a vasculhar alguma coisa no bolso do paletó. Tirou de lá uma pequena caixinha preta. Meu Deus. Senti meu coração ir parar na boca. Será que pela primeira vez eu podia imaginar algo sem ter medo de me desiludir? Aquilo era mesmo o que eu estava pensando?! — Eu espero que aceite... eu não mereço, mas — ele me olhou fundo nos meus olhos e ajoelhando-se ali mesmo, finalmente abriu a caixinha. — Angeles Carrara, você aceita se casar comigo e ser minha para o resto da vida?

Alguns segundos de silêncio. Era muito para absorver. Casar. Anel. German. Resto da vida. Quê??? O que estava acontecendo? Eu não sabia mais distinguir sonho da realidade. As palavras dele entalaram na minha garganta. O QUE ESTAVA ACONTECENDO? Eu podia chorar?

Juro que devo ter ficado uma hora inteira olhando para caixinha e para o German, repetidamente. Eu estava sem voz. As minhas pernas falharam. Eu jurei que iria desmaiar. O anel que havia ali dentro era tão simples e ao mesmo tempo tão lindo, não podia ser real. Não tinha como!

Mas era.

— Angie, você está pálida! Tá tudo bem? — German se preocupou, ainda ajoelhado com a caixinha aberta e estendida. Muitas pessoas que atravessavam a ponte paravam em volta para observar a cena.

— Agora é a hora em que eu devo te xingar e te beijar ao mesmo tempo? — sussurrei entre as lágrimas que eu nem sabia que estavam escorrendo.

German soltou uma risadinha. — Hm... é, acho que sim.

— Ah, seu idiota, ridículo, babaca, é claro que eu aceito! — gritei desesperada e o fiz levantar no mesmo instante, pulando em seus braços e o beijando com todo o amor que eu estava sentindo. Ouvimos as palmas de muitas pessoas ao redor, e rimos nos separando. German beijou meu queixo carinhosamente. A minha felicidade era tanta que eu não me contive em abraçá-lo e beijá-lo mais uma vez. E mais uma. E mais uma. Sim, era mais real do que qualquer coisa. Aquele momento estava sim acontecendo. Minha ficha iria demorar a cair, eu tinha certeza. Ainda não acreditava. Mas foi assim, e eu não me arrependo de nada. Debaixo de um céu estrelado, numa noite maravilhosa de Sevilla, o meu maior sonho se tornou real.

Notas finais
Ok. Certo. SE VCS NUM COMENTAREM DEPOIS DESSA EU ME RETIRO DESSE SITE (zoeira, mas pfvr comentem vai eu mereço pelo menos um pouquinho agora né). Gente, eu amo esse capítulo. Eu simplesmente to chorosa porque foi um dos primeiros que escrevi tb e desde que postei o capítulo 1 eu tava ansiosa pra postar esse. Não acredito que esse dia finalmente chegou AAAAAA me digam se gostaram ou não sei la djajsjajs to animada afs enfim tomara que tenham gostado serio beijão