Notas iniciais
amorecos, num sei se voces perceberam mas eu to postando um dia sim um dia não jsdhsjdhs prometo tentar continuar com isso, mas minhas aulas voltam essa quarta entãaaaaao num sei num sei. Mas enfim. Leiam. A partir deste capítulo Germangie finalmente começa a fluir, e eu prometo que vocês vão adorar o próximo HAHAHA

O barulho do tiro fez German apertar Angeles no abraço cada vez mais forte. Ele estava disposto a levar esta bala. Ele estava disposto a protegê-la, mesmo que isso custasse a sua vida. Tinha muitas coisas incomodando a cabeça de German naquele momento, como a traição de sua esposa e a dor profunda ao ver sua ex-cunhada daquela maneira. Talvez ele ainda a amasse. Talvez se sacrificar por ela fosse a melhor maneira de se redimir por tudo.

Mas, estranhamente, German não sentiu nada. Nenhuma bala atravessando seu corpo. Nenhuma dor. Nada. Angie, encolhida no abraço do homem que a protegia, quis gritar. Era para ela tomar aquele tiro. Ele não tinha que se meter no meio. Mas, a loira não sentiu o homem amolecer ao seu redor. Era como se nada tivesse acontecido. Ambos, então, se afastaram com cenho franzido. Olharam para Priscilla e então a viram caída no chão com o pé direito sangrando. Ela havia levado o tiro. Priscilla começou a gritar de dor, gritar tão alto que fazia eco, mas ninguém a poderia ouvir do mesmo jeito. Eles estavam completamente afastados da cidade.

– Mas.. — Angie se questionou confusa e então olhou para o lado. Entendeu tudo no mesmo instante, quando avistou Pablo, assustado, segurando o revólver de Frederick apontado para Priscilla. Ele quem havia atirado. Para salvar Angeles e German. Leon e Violetta estavam abraçados ao lado de Pablo, a menina com os olhos assustados pela cena.

German sorriu aliviado, enquanto Angeles não sabia se ria ou se chorava. Seu coração continuava acelerado. Mas Priscilla não estava morta, estava apenas caída, e seu revólver havia caído um pouco longe de suas mãos. O que não a impedia de se arrastar até ele e pegá-lo novamente.

– Não! — German gritou vendo a esposa esticar os braços para alcançar a arma. Correu rapidamente até o objeto e alcançou-o antes mesmo de Priscilla. — Isso não pertence mais a você. Nada aqui pertence mais a você. — o homem apontou a arma para ela.

– Você não vai atirar em mim — Priscilla disse ainda em tom de superioridade. — Você é covarde demais para isso.

– Não, eu não vou atirar em você — German sorriu cínico — Mas não é porque eu sou covarde — continuou — É justamente pelo contrário. Se eu fosse covarde, eu ia querer te dar um tiro por me afetar com as suas palavras. Eu ia me rebaixar ao seu nível. Mas eu não preciso disso. — ele sorriu vitorioso, fazendo Priscilla bufar raivosa.

– A polícia está a caminho. — Leon gritou com o celular em mãos, fazendo todos suspirarem aliviados, tirando a mulher que se encontrava estirada no chão.

Minutos depois a polícia chegou ao local, prendeu Priscilla e Frederick, que despertava aos poucos do desmaio causado pelo revólver que bateu em sua cabeça. A história foi toda explicada, os dois com certeza teriam anos de cadeia. Após isso, os cinco entraram no carro de German. Ele dirigindo, Pablo no banco do passageiro, e Violetta, Angie e Leon atrás. Estava quase escuro, faltava pouco para as sete da noite. Mas o pior já havia passado. Aos poucos, tudo voltaria ao normal.

XX

– Boa noite — German adentrou o quarto de hóspedes com uma bandeja em mãos. Deixou-a na cômoda ao lado da cama e encostou a porta. O quarto estava escuro, iluminado apenas pelo abajur de luz amarelada.

– Oi — Angie sorriu tímida, se ajeitando na cama de forma com que German conseguisse colocar a bandeja apoiada na frente dela, para que ela pudesse comer.

– Olga fez essa sopa pra você — German sorriu carinhoso, sentando-se na cama. Era quase dez da noite daquele mesmo dia. Pablo já havia ido embora, mas Leon ainda estava na mansão ajudando German a cuidar das meninas. Eles haviam insistindo para que Angie ficasse por lá, para que eles cuidassem dela. Não era uma boa ficar sozinha depois de tudo aquilo. — Eu ajudei a fazer — ele riu, fazendo-a sorrir.

– Obrigada, bem, por tudo. — Angie mordeu os lábios. Tomou uma colherada de sopa e sentiu-a descer fervendo por sua garganta. Aquilo era muito bom. Melhor do que pão e água. German a observava pensativo. Passava os olhos por cada marca, cada roxo, cada corte no corpo de Angeles. Odiava ver aquilo. — Que foi? — ela estranhou o semblante dele.

German ergueu o olhar aos olhos da mulher. Sorriu triste. — Nada. Eu só... me sinto culpado por isso.

– Você não é culpado. — a loira segurou a mão do homem. Ele entrelaçou seus dedos com o da mulher e apertou a mão dela levemente.

– Sabia que diria isso — disse baixo, rindo sem ânimo. — Como eu pude ser tão tolo? Ela era minha esposa. Nunca me amou. Só ao meu dinheiro. E ela fez isso com vocês. Que tipo de pessoa é essa? — sussurrou, com uma lágrima escapando dos olhos.

– Ei — Angie se inclinou para frente, para segurar o rosto de German com sua mão livre, já que a outra ainda estava entrelaçada com a dele. — Olha pra mim. — ela limpou a lágrima que descia pela bochecha do homem, com seu polegar. — Já passou, eu sei que é difícil superar, principalmente pra mim — Angie dizia tranquilamente. — Mas nós já estamos bem.

German sorriu triste. — Você está toda quebrada aí e eu que choro — ele riu brevemente, acompanhado pela loira.

– Acredite, eu já chorei tudo o que tinha pra chorar — ela sorriu. — E estou feliz agora. Acabou. — a mulher terminou de tomar a sopa. — Estava uma delícia.

German tirou a bandeja e deixou-a na cômoda. Subiu na cama, que era de casal, e se sentou ao lado de Angeles. Voltou a segurar a mão dela e a acariciá-la docemente.

– Como a Violetta está? — Angie falou baixinho, fingindo não se arrepiar com o fato de estar de mãos dadas com o homem que ama.

– Ela está bem, o médico disse que com ela nada aconteceu de muito grave. O fato dela ter segurado a urina o dia todo pode ter causado uma leve infecção na bexiga, e ele receitou um antibiótico para que ela tomasse durante cinco dias. Leon saiu pra comprar e comprar os seus remédios também. Neste momento Olga deve estar cuidando do corte no rosto dela, disse que ia fazer um curativo.

Angie assentiu com a cabeça — Ela não precisou ficar de repouso que nem eu, né? Sortuda.

– Não — German riu — Você foi espancada, Angie! Eu vi todas as marcas e sinceramente... o melhor a se fazer é ficar deitada.

– Só dói se eu me mexo, poxa. Ficar deitada é entediante. — ela riu — e não me lembre do fato de que você viu todas as marcas. Estou com vergonha até agora. — a mulher repousou a cabeça no ombro do homem, apertando sua mão e se lembrando de como German a ajudou a tirar a roupa quando ela chegou em casa para tomar banho.

– Preciso de um banho. Urgente. Antes de chamarem o médico — a loira dizia enquanto Pablo a ajudava a entrar na mansão. Angeles tossia.

– Você mal consegue ficar em pé, como vai tomar banho sozinha? — o amigo indagou ajudando-a a se sentar no sofá.

– Alguém me ajuda, uai — Angie respondeu e olhou ao redor. Viu sua sobrinha num estado parecido ao dela e fora isso viu apenas German, Pablo e Leon. Três homens. — Certo, cadê a Olga?

Todos riram. Angie não ia pedir ajuda no banho para nenhum homem ali presente. Leon então foi com Pablo cuidar de Violetta enquanto German foi chamar a empregada. Olga disse que logo iria e mandou Angeles já ir se preparando para o banho. Assim, German a ajudou a subir as escadas e guiou-a até o banheiro do quarto de hóspedes. Ligou o chuveiro para a mulher e disse que iria buscar uma toalha, se retirando dali. Quando voltou, com a toalha e uma escova de dentes, viu a mulher sentada no chão, gemendo de dor.

– Que foi? — ele deixou as coisas na pia e a ajudou a se levantar.

– Não consigo tirar a roupa sozinha — suspirou derrotada. — Dói tudo, German — Angeles falou manhosa como uma criança cansada. Ele a olhou e respirou fundo.

– Eu ajudo. — German a apoiou de costas na pia e levantou a blusa da mulher cuidadosamente, até tirá-la por inteiro e Angeles ficar apenas de calça jeans e sutiã. Ela desviou o olhar, com o rosto corado. O homem passou os olhos pelo corpo de Angeles, analisando cada roxo e cada arranhão que o sequestro havia lhe causado. Ele engoliu em seco, querendo chorar por ver a mulher naquele estado.

– Está bem feio, né — Angie suspirou se olhando. Depois olhou para o homem.

– O médico vai cuidar de você — German segurou o rosto de Angie e beijou sua testa. Depois desabotoou a calça e abaixou-a. A loira se segurou na pia para conseguir tirar a calça dos pés. Ela se olhou no espelho enquanto German colocava sua roupa no cesto para lavar. Via-se como destruída. Olhava suas curvas e suspirou. O homem a viu desta maneira e a abraçou por trás, olhando-se no espelho junto com ela. — Se ficar olhando é pior — ele se referia às marcas. Angie continuava envergonhada, agora estava somente de calcinha e sutiã.

– É horrível — ela murmurou. German sorriu triste e abriu o fecho do sutiã da mulher.

– Você continua linda — ele abaixava a alça do sutiã dela com cuidado enquanto beijava seu ombro.

– Muita calma — ela sorriu, se virando e segurando o sutiã na frente de seus seios. — Desta parte cuido eu. — disse tímida e o homem riu, assentindo. — Obrigada.

German encostou seu corpo no dela sem pressionar. Não estava ali admirando o fato de ela estar quase nua. Estava ali cuidando dela. Acarinhando-a. Ela precisava disso. E agora, depois do sufoco de quase tê-la perdido, ele precisava também. Então encostou a sua testa na de Angeles e fechou os olhos. A mulher fez o mesmo, e ficaram naquela posição por alguns segundos.

– Atrapalho algo? — Olga apareceu na porta, estranhando completamente a cena. German e Angie sorriram tímidos e se afastaram.

– Não. — o homem deu passagem para Olga e sorriu para Angie antes de sair do banheiro. Olga então fechou a porta e ajudou Angeles a tomar banho, enquanto German arrumava a cama e ajeitava o quarto para a mulher quando saísse. Logo o médico viria e as coisas ficariam melhores.

German riu — Não precisa ter vergonha. Eu só estava te ajudando.

– Eu sei. — Angie murmurou baixinho. Ficou balançando os pés por baixo do cobertor sentindo o carinho de German na sua mão. Ele encarava seus dedos entrelaçados com os dela e sentia um conforto enorme tomar conta de si.

– O que aconteceu com a gente, Angie? — o homem finalmente fez a pergunta que tanto lhe atormentava. A mulher olhou-o confusa.

– Como assim? — ela sussurrou, estavam próximos.

– Com a gente — ele apertou sua mão. Angeles suspirou.

– Boa pergunta — a loira abaixou a cabeça. German deixou-se guiar pelos instintos e levantou o rosto da mulher. Não ia beijá-la. Não queria que aquilo fosse algo estranho. Queria protegê-la, cuidá-la e fazer carinho. Portanto, se aproximou e depositou um beijo na testa da mulher. Não se afastou, e continuou fazendo um caminho de beijinhos amorosos que desciam pelo nariz dela, depois para as bochechas, e depois se aproximavam da boca. Ele beijou no cantinho direito de sua boca e seguiu um caminho de beijos que contornavam em volta dos lábios da mulher. Começou por baixo, e depois subiu para o buço. Angeles sentia o corpo tremer com a pulsação acelerada. Estavam tão perto, e em alguns desses beijinhos os lábios dele enroscavam brevemente nos dela. Ambos estavam gostando, mas não queriam passar desta linha. Talvez tivessem medo.

Os beijinhos de German deram duas voltas completas em todo o contorno dos lábios da mulher e logo baixaram para a lateral do pescoço dela, fazendo-a sentir cócegas e soltar uma risada abafada.

– Olá — Leon abriu uma fresta da porta, colocando a cabeça pra dentro. Ele viu os dois juntos daquela maneira e se constrangeu por atrapalhar.

– Leon — German levantou o rosto do pescoço da mulher. Angeles estava vermelha. — Trouxe os remédios? — o homem se levantou da cama e caminhou até o menino.

– Sim, estão aqui — ele entregou as caixinhas para German.

– Violetta já tomou o dela? — o homem questionou.

– Sim — Leon assentiu — Agora ela está tomando sopa, depois de tanto gritar por causa do spray antisséptico que a Olga espirrou no seu corte. — ele riu — Ardia muito segundo ela.

Angeles e German riram.

– Seu corpo cresce mas ela continua criança em algumas coisas — ele mordeu os lábios. — Muito obrigado, Leon, se quiser ir pra sua casa já pode ir. Mas valeu pela a ajuda.

– Imagina, senhor German — o menino assentiu e se retirou do quarto.

O homem se aproximava da cama novamente e Angeles arregalou os olhos vendo a quantidade de caixas que ele carregava em mãos.

– Tudo isso?! — Angie exclamou. German riu.

– Um pra tosse, um pra febre, um anti-inflamatório, um pra amenizar sua dor e o outro é uma pomada para passar nos machucados. — ele se sentou na ponta da cama. — Você vai tomar tudo, senão eu não saio daqui!

Angeles riu. Se eu não tomar ele passa a noite aqui? Não é uma má ideia. Pensou e mordeu os lábios. Mas balançou a cabeça e acabou logo com tanto comprimido para engolir. Restou apenas a pomada.

– Me ajuda? — Angie olhou-o e ele sorriu, assentindo. Ela pegou um pouco da pomada, levantou a blusa e foi passando em seu busto, enquanto German passava em sua barriga e cintura, delicadamente. Ela se virou de bruço na cama para que ele passasse em suas costas, e depois ela mesma terminou passando nos machucados de sua coxa. — Tomara que faça efeito logo — sorriu.

– Daqui meia horinha você já deve estar se sentindo bem melhor — German sorriu. — Eu vou te deixar dormir. Precisa de mais alguma coisa?

– Não, não, obrigada — Angeles mordeu os lábios, sorrindo boba. — Eu já tenho uma cama, um cobertor e comida de verdade. Senti muita falta disso. — ambos riram.

– Então está bem. Vou ver a Violetta. — o homem se levantou e beijou a testa de Angie. — Dorme bem. — ele piscou para ela e se retirou do quarto.

– Pode deixar — ela sussurrou para si mesma, deitando-se de lado e fechando os olhos. Finalmente, ia ter uma boa noite de sono.

XX

– Tiiiiiia! – Violetta entrou no quarto enquanto Angeles abria os olhos preguiçosamente. A claridade na janela invadia o cômodo, mostrando que já era de manhã. Angeles se revirou na cama e abraçou o travesseiro.

– Oi, Vilu – ela murmurou sonolenta enfiando a cara no objeto macio que agarrava. A garota riu, se aproximando da tia.

– Dormiu bem? – Violetta se sentou na beira da cama. Angie sorriu, e levantou o rosto para olhá-la, assentindo. A loira viu o corte no rosto da sobrinha começando a cicatrizar, e suspirou aliviada por isso.

– E você, amorzinho? Tem sorte de não ser obrigada a ficar enfornada dentro de um quarto o dia inteiro – Angie riu, acompanhada da menina.

– Dormi sim. Eu me sinto aliviada. Pelo menos tudo isso acabou, o inferno nessa casa se desfez – Violetta mordeu os lábios. – Ludmila está bem mal com o que a mãe fez. Mas agora ela vai ficar aqui com a gente, já que Priscilla está na cadeia. E eu me sinto bem melhor, um pouco de dor na coluna por ter cochilado no chão duro daquela cabana, mas já me recuperando.

– Que bom, porque eu ainda sinto dores... Ai – a loira murmurava enquanto tentava se sentar na cama. – Filha da mãe – Angeles gritou um tanto alto, se referindo a Priscilla.

– Calma, Angie, toma o remédio pra passar a dor ó – a menina pegou a caixinha de remédio que German havia deixado na cômoda no dia anterior e entregou à tia. – Vou buscar um copo d’água pra você. – Violetta rapidamente saiu do quarto.

Angie tirou um comprimido do pacotinho e respirou fundo, esperando a sobrinha voltar. Enquanto isso tentou ficar em pé, mas ao sentir tontura optou por ficar na cama mesmo. Esticou o braço e alcançou o termômetro. Mediu a febre e sorriu ao ver tinha passado. Um remédio a menos para tomar.

Violetta estava subindo a escada com o copo d’água em mãos quando seu pai saiu do quarto, ainda de pijama.

– Bom dia, papai – a menina sorriu, mas passando reto por ele enquanto se dirigia à penúltima porta do corredor.

– Está levando isso para Angie? – ele perguntou. – Ela está bem?

– Sim, só quer tomar o remédio pra dor passar – Vilu sorriu.

– Ah, sim, diga a ela que eu já vou levar o café da manhã lá, ok? – German sorriu para a menina, que assentiu e adentrou o quarto de hóspedes.

O homem desceu as escadas e foi direto para a cozinha, encontrando Ludmila por lá. Ela ainda não acreditava no que a mãe fizera. Sentia nojo. Ódio. Raiva. Repugnância. Mal podia acreditar que havia saído daquele mesmo útero.

– Bom dia – German disse simpático, e a garota loira correspondeu com um leve sorriso. – Que desânimo, Lu. – tentou ser carinhoso. Sabia o quão desamparada a menina se sentia naquele momento.

– Não sei se eu rio ou choro pelo fato de minha mãe estar na cadeia. – Ludmila respondeu tentando fazer graça, mas sem nem conseguir rir. – Mas me sinto aliviada. Assim ela para de fazer da vida de todos um inferno constante.

German suspirou, largando o pão em que passava a geleia de morango e se aproximando de Ludmila – Ei, eu entendo o que está passando. Que essa situação é complicada. Mas você não está sozinha, ok? Nós somos a sua família agora. E você está segura com a gente.

Ludmila olhou no fundo dos olhos castanhos do homem e abriu um sorriso verdadeiro – Obrigada, German.

O homem assentiu sorridente e voltou a preparar o café da manhã de Angeles. Ajeitou tudo na mesma bandeja da noite anterior e arrancou do quintal um maço de flores pequenininhas, brancas e avermelhadas. Deixou-as em um vasinho na mesma bandeja e subiu para o quarto de hóspedes.

– Bom dia... – ele dizia animado, até que viu a mulher apoiada na parede, tentando andar até o banheiro, sozinha. – Angie! Quem te deixou levantar? – o homem correu e deixou a bandeja na cama, se dirigindo seguidamente a ela, para ajudá-la andar.

– Meu Deus, eu só queria fazer xixi – a loira ria, enquanto se apoiava em German para andar. Ele sorriu e entrou com ela no banheiro. – A partir daqui eu consigo sozinha, ô, papai. – Angeles disse divertida.

– Só não quero que você piore, chatinha – ele depositou um beijinho no nariz da mulher, fazendo suas bochechas ficaram levemente vermelhas. German saiu do banheiro e encostou a porta, deixando Angeles em privacidade para fazer suas necessidades matinais.

Quando ela saiu, ele a ajudou a voltar para a cama e colocou a bandeja do café da manhã na frente dela.

– Hummm, que delícia – Angeles rapidamente atacou o pão com geleia, e deu um gole no suco de laranja. – Você quem fez?

– Eu mesmo – German riu – Sou expert em passar a geleia no pão, fala sério – brincou sorridente, vendo-a comer.

– Opa, sou sua fã número um aliás – Angeles ria animada. Acordara com um bom humor tremendo.

– Bom saber – o homem deu uma piscadela para ela, fazendo-a revirar os olhos.

– Amanhã eu dou aula, preciso conseguir andar sozinha ainda hoje. – Angie comentou e bebeu mais um pouco do suco.

– Você está doida se está achando que vai dar aula até que esteja melhor – German ergueu as sobrancelhas, encarando-a. Angie ia protestar, mas ele logo se impôs novamente. – Não quero nenhum pio sobre isso, mocinha, já está tudo resolvido com o Pablo, falei com ele ontem. – ele sorriu.

– Af, chato – Angie murmurou e mostrou a língua pra German. O homem riu e se aproximou dela, mordendo sua bochecha levemente.

– É para o seu bem, palhaça. – olhou-a com ternura. – Agora eu vou lá tomar meu café e depois venho aqui tirar sua bandeja, ok? – ele esperou Angeles assentir e saiu do quarto.

Ela sorriu apaixonadamente quando ele se retirou. Estava cuidando dela de uma maneira tão... como se fossem um casal, que fazia com que seu estômago revirasse e seu coração desse saltinhos. Estava até gostando do fato de que estava dolorida, assim podia ser mimada por German o quanto quiser.

XX

Passaram-se quinze dias, naquela mesma rotina. Angie não podia sair do quarto, e estava ficando completamente louca com isso. Mas, aos poucos, os machucados foram sumindo, a dor foi passando, a tosse foi cessando... até que chegou o dia em que ela estivesse cem por cento recuperada. Saiu do quarto saltitando, sentindo a liberdade de poder andar e ver outras paisagens além da parede morta do cômodo em que dormia.

– Bom diiiia – Angeles desceu as escadas rapidamente, encontrando o resto da família na mesa, se preparando para tomar o café.

– Olha só quem não precisa mais de ajuda para andar – Violetta bateu palmas comemorando. O corte no rosto da menina já era quase invisível.

– Meu Deus, que saudade dessa sala – a loira ria e olhava ao redor antes de se sentar. German a observava sorridente.

– Não sente mais dor nenhuma? – o homem respirou aliviado.

– Zero. Finalmente.

– Fico feliz que esteja bem, Angie – Ludmila se manifestou, dando um sorriso sincero para a professora – Finalmente vamos voltar a ter aula de canto!

– Falando nisso, mal posso esperar para ver o Studio de novo. Tem ido lá, German? – Angeles virou-se para o homem, enquanto colocava chocolate em pó no leite.

– Tenho sim. Tenho organizado as coisas com o Pablo e estamos vendo a possibilidade de um show no final do mês – ele sorriu, fazendo os olhos da mulher brilharem. Violetta e Ludmila arregalaram os olhos e abriram a boca, animadas. – Ei, mas vocês duas – German se referiu às meninas – Caladas. Nada é certo ainda. Então isso não sai daqui, beleza?

– Ta bom – ambas disseram juntas.

– German, eu tenho uma coisa pra te dizer – Angie mordeu o pedaço de bolo, enquanto o homem dirigiu seu olhar para ela. – Acho que você deve pintar a parede do quarto de hóspedes, é muito sem graça e entediante.

Ludmila e Violetta soltaram uma risada.

– Relaxa, você não vai precisar olhar para aquela parede por um bom tempo, gracinha – German deu a língua para a loira, que riu e voltou a comer.

Pov Angie

Passei a manhã com a minha sobrinha antes de ir pra casa. Depois do almoço, no meio da tarde, combinei com Pablo de sairmos para algum lugar, e depois ele me deixaria em casa. Minha casa. Ah, como eu sentia falta dela. Das minhas coisas, do meu carro. Eu não via aquele lugar desde a noite do boliche.

Quando vi que já estava quase na hora de Pablo me buscar, me despedi de Violetta. Coloquei a bolsa nos ombros e a abracei com força. Sentia-me aliviada por conseguir fazer isso sem sentir tanta dor quanto antes. Então, saí do quarto. Eu finalmente iria para minha casa. Desci as escadas lentamente, enquanto avistei German sentado no sofá, encarando um papel de uma maneira esquisita e desanimada.

– German – chamei sua atenção, ele não havia nem notado minha presença. O homem tentou sorrir, mas não conseguiu me convencer. – Que foi? Que cara é essa? – eu me sentei ao lado dele no sofá e olhei para o papel. Vi então que aquilo era a declaração de divórcio, assinada por Priscilla e com um espaço ainda em branco, faltando German assinar. De repente algo me incomodou, me deixou triste. Ele ainda se afetava com isso. Ainda a amava. Soltei um suspiro. – Ah, isso – falei baixinho.

– Eu ainda não consigo acreditar, sabe? – ele murmurou triste.

– Sei sim – respondi sincera. Eu sabia muito bem o que era perder algo literalmente de um dia para o outro. Foi assim que eu perdi German. – Ei – fiz com que ele me olhasse – Eu sei o quanto ela é importante pra você, o quanto você a ama e..

– Não – ele voltou a olhar para o papel – Eu não a amo. Não seria capaz. – ele respirou fundo, e olhou a minha cara de confusa. – Eu achei que amava, sim. Mas hoje eu olho para trás, para o nosso relacionamento... e era algo tão cansativo, ela me estressava, eu fugia dela, eu nunca a amei. Eu simplesmente a conheci, me encantei de primeira, gostei da sua personalidade mal conhecendo-a e resolvi me casar. Por que eu sou assim, Angie? Eu mal a conhecia! Eu fui um trouxa.

Foi mesmo. De verdade. Pra caramba. Mas eu não diria isso.

– Eu sempre sou um trouxa. – ele murmurou. – Eu sempre tomo as decisões erradas, merda! Parece que eu sou desesperado para casar, formar família, sei lá, que eu acabo ficando cego por isso. Por que é tão difícil? – German me olhou. – Por que é tão difícil achar alguém que me ame? Ah, que bobeira. Eu nunca vou conseguir isso. Eu não fui feito pra isso. O amor não é pra mim.

– German, calma, não fale uma besteira dessas! – eu o encarei. – O amor é algo que está dentro de todo ser humano. Você só precisa encontrar a pessoa certa, tem que ter paciência. Você que está tentando acelerar tudo e acaba se dando mal...

– Não, Angie – ele balançou a cabeça. — Uma vez eu assisti a um seriado, e a personagem disse a seguinte frase: “uma vez é acaso, duas é coincidência, e três é um padrão.” Eu me dei mal com minhas paixões, sei lá, umas quatro ou cinco vezes. É um padrão. Estou destinado ao fracasso no amor.

German fitava minhas mãos, que estavam apoiadas nos meus joelhos. Respirei fundo e levantei seu rosto levemente, a fim de que ele me olhasse.

– Sabe? Eu não acho que destino exista. – sorri levemente — Quer dizer, ele existe, mas não é algo que está determinado-para-todo-sempre. O destino é uma opção, German. São suas escolhas que definem seu destino. A vida é feita de escolhas. Cada uma delas te leva a algum lugar. São as suas decisões que trilham a rota da sua vida. – olhei-o. Ele me encarava profundamente, prestando atenção em cada sílaba dita. – Pense assim, para cada escolha, há uma estrada diferente. Talvez você esteja pegando sempre a mesma estrada, e por isso está chegando sempre no mesmo destino. Por quê? Também não sei. Talvez esta estrada pareça mais simples de percorrer. Talvez você tenha medo de pegar a outra estrada. Só estou querendo dizer que cada estrada te leva a um lugar, então o seu destino depende apenas de você. Depende das suas escolhas. Depende da estrada que você vai percorrer. Entende? Você faz o seu destino. Ele é uma opção toda sua. Você pode mudá-lo, se quiser.

German encarou-me por uns instantes antes de responder.

– Por que está me dizendo essas coisas?

– Eu estou querendo te ajudar. Te encorajar a seguir a outra estrada que sempre esteve ali por perto, que você não deu bola. Te encorajar a fazer a escolha certa. Talvez você só esteja precisando olhar para outra direção.

– E que escolha seria essa, Angie?

– Você é quem tem que saber. E adivinha como? Escutando o seu coração. Não se deixe guiar pelos seus medos, ou pela opinião dos outros. Se deixe guiar por você mesmo. Dê voz ao seu coração. Siga-o. Ele vai te levar até onde você sempre quis chegar. Ele é a estrada correta. É muito simples. Basta apenas fazer o que ele manda.

– O que está querendo dizer com isso?

Eu suspirei e abri um pequeno sorriso. Eu queria dizer muitas coisas, mas sabia que ele não iria entender de primeira.

– Estou querendo que siga os batimentos que vêm daqui – repousei levemente o meu indicador no peito esquerdo dele. – Apenas isso. Mas lembre-se, você tem que baixar suas defensivas. Ninguém consegue amar uma pessoa se esta pessoa construiu muros tão altos ao seu redor. A pessoa que vai te amar é aquela que te conhece, e que tem acesso ao verdadeiro German, por baixo de todas as máscaras.

Respirei fundo. Tomara que ele não entenda o que eu deixei nas entrelinhas.

– Acho que tem razão. Não é pra todo mundo que eu apresento o German sem máscaras – ele soltou uma risada abafada. Sorri.

– Essa é uma boa dica. Quando amamos alguém, sempre deixamos o nosso verdadeiro eu aparecer – mordi os lábios. – Mesmo que sem querer.

Ele assentiu pensativo.

– Agora você precisa achar este amor. E acredite, este amor é algo maravilhoso. Vai ser uma coisa que você nunca sentiu antes. Você vai sentir seu estômago formigar, vai querer agir feito um adolescente, vai se sentir jovem. Tudo fica mais colorido, você sente uma alegria esquisita e constante... É o sentimento mais bonito que tem. – sorri. – E para encontrá-lo, basta dar o primeiro passo – apontei para o espaço em branco no papel do divórcio, e depois para a caneta que ele segurava. German tentava assimilar tudo. – Bem... está tarde. Eu já estou indo para a minha casa.

– Quer que eu te leve?

– Não é necessário, o Pablo já deve estar aqui na frente. Vamos tomar um café e aproveitar para que ele me atualize sobre a situação do Studio e tudo mais.

– Está bem.

Levantei-me e ele fez o mesmo rapidamente. Me encarava com certa confusão e ao mesmo tempo com uma certeza no olhar. Talvez ele estivesse entendendo. Senti um leve arrepio ao pensar que ele poderia ter captado o que eu quis dizer com tudo aquilo. Aproximei-me vagarosamente de seu corpo e dei-lhe um leve beijo no rosto.

– Até mais – sorri e saí rapidamente da casa.

Pov Off

German trancou a porta assim que Angeles saiu, e voltou a se sentar no sofá, pensativo. Era muita coisa para digerir. Destino. Escolhas. Amor verdadeiro. Sem máscaras. Estômago formigando. Primeiro passo. O homem mantinha a voz da mulher repetindo aquelas palavras constantemente em sua cabeça. Assim, olhou novamente para o papel em seu colo. Respirou fundo. Ele conseguiria.

No mesmo instante pegou a caneta, apoiou o papel na mesinha de centro da sala e assinou o seu nome na declaração de divórcio. Estava feito.

– A pessoa que vai te amar é aquela que tem acesso ao German por baixo de todas as máscaras – German repetia para si mesmo, pensando. – As únicas pessoas que conhecem meu verdadeiro eu são.. Violetta, Ramalho, Olga.. e Angie. – pensou alto. E de repente estranhou o que havia acabado de dizer. — Espera, Angie?

Notas finais
EEEEEEEE o german entendeu a indiretassa da angiiiiiiiie, já podem falar pra nossa querida tia loira: sua indireta foi recebida com sucesso HAHAHA então amigos seguinte comentem favoritem e recomendem se a fic estiver a altura... vocês nem medem a felicidade que é para uma autora ver "fulano recomendou a sua fic", porque cara, a gente se esforça pakas pra isso e tipo... escrever é minha paixão, e quando eu vejo que as pessoas gostam isso me incentiva a continuar. Então, por favorzinho, se a fic realmente merecer, recomendem... por favor