Sos mi más bello error
6 Coward sentence
Notas iniciais
Angie bufou ouvindo seu celular tocar pela terceira vez naquela manhã. Mas será possível que aquele cara não desistia nunca? Era pleno domingo, Angie só queria conseguir dormir um pouco. Havia conhecido Juan na pizzaria que fora com Violetta na última sexta-feira. Ele era bonito, era loiro e tinha olhos azuis. Mas infelizmente era um chato, e como Angie estava percebendo, grudento. Tinha ligado outras duas vezes para ela naquela manhã, e como ela havia ignorado todas, ele continuou tentando.
– Violetta, eu ainda te mato por dar o meu número para esse cara – Angie bufou sozinha, com a cara enfiada no seu travesseiro. Esticou o braço para pegar seu celular na cômoda, clicou em “ignorar chamada” e logo em seguida bloqueou o número. Mas infelizmente não podia culpar a sobrinha por querer que a tia arrumasse um namorado. Será que Juan não havia percebido que ela não queria nada? Angie fez de tudo no dia anterior para que ele se tocasse, sendo grossa, curta e visualizando e ignorando propositalmente. Mas o homem insistia.
Ela não estava nem aí para Juan. Ele podia ser lindo, mas não era suficiente aos olhos dela. Não que Angie fosse exigente nesse quesito, mas ela ainda tinha German em mente, mesmo que estivesse brigada com ele. E para que alguém conseguisse fazê-la se esquecer de German era necessário que esse alguém fosse mais que German. Juan com certeza não era.
Angeles já tinha chegado a considerar a hipótese de que ninguém poderia ser mais do que German se tornou para ela, e de certa forma já havia se conformado com isso. Se não era ele, não seria ninguém. Antes ficar sozinha do que ficar com alguém que não amasse tão intensamente. Amar de novo ela sabia que podia, mas nunca seria a mesma coisa. Além do amor que sentia pelo cunhado, sentia paixão, aquela coisa que ferve dentro do interior dela e que a faz cometer loucuras sem se dar conta. E por mais que ela amasse qualquer outro, nunca sentiria a mesma paixão do que por sentia por German.
Depois da última ligação do loiro, Angeles não conseguiu mais pegar no sono. Levantou-se, tomou um banho e colocou uma roupa confortável para uma caminhada matinal. Saiu de sua casa sem comer nada, mas com uma maçã na bolsa. Colocou os fones de ouvido e não se permitiu pensar em nada a não ser na música que preenchia seus ouvidos. Agora que não tinha mais nem a amizade de German, tinha que acostumar a ficar sem ele completamente, tanto cara a cara quanto em seus pensamentos.
XX
– Nasceeeeu! – a obstetra exclamava sorridente, com o menininho cheio de sangue em seus braços. German sorriu abobado e apertou levemente a mão de Angeles. A loira suspirou em um alívio, estava vermelha de tanto fazer força. – Espera.. – a mulher continuou num tom mais sério, o que fez German e Angeles se desesperarem.
– O quê? O que foi? – Angie se desesperou. – Algo errado com ele?
– Não, não é com ele – a moça morena de uns trinta e poucos anos olhou por entre as pernas de Angie, que ainda estavam abertas. – Segure o garoto – ela deu o bebê para uma das enfermeiras presentes na sala de parto e se aproximou de Angie novamente. – Não acredito!
– O que foi, doutora? – German tentou acariciar a mão de Angeles numa tentativa de consolá-la, mas ele mesmo estava desesperado. A obstetra riu divertida.
– Parece que mamãe e papai têm uma surpresaaa! – continuou rindo e recolocou as luvas.
– Que surpresa? – Angie tentou se levantar na cama, mas algo a impedia, e ela soltou um grito de dor.
– Parece que temos mais um bebê por aqui. – a morena disse divertida e German e Angie deixaram o queixo cair bruscamente. – Querida Angie, faça força novamente. – a mulher esfregou as mãos e segurou a cabecinha da criança que estava pra fora. Angie, assustada, olhou para German. Ele mantinha a mesma expressão na cara, mas depois sorriu.
– Vamos, você consegue – ele apertou a mão da loira. Angie respirou fundo, fechando os olhos, e gastou toda a sua energia para empurrar a próxima criança pra fora. Desta vez foi mais fácil, minutos depois pode-se ouvir um choro. A obstetra recolheu a criança em uma toalha e sorriu, vendo-a.
Angeles mantinha os olhos arregalados. Como assim ela estava grávida de gêmeos e não sabia?
– T-tinha outro bebê? – a loira sussurrou pra si mesma, nervosa. Não conseguia acreditar. German olhou-a, se aproximou e deu um selinho na mulher.
– Parece que ganhamos dois presentes hoje. – ele sorriu e virou-se para a médica. – Doutora Alice, nosso caçula é um menino ou uma menina?
A mulher sorriu olhando para a criança e depois para os pais dela – Uma menina.
German acordou desesperado, o coração disparado e o suor escorrendo pela testa. Que sonho foi aquele? E por que raios com Angie?
– Isso tá virando doença. – murmurou para a si mesmo, coçando os olhos. Pegou o controle do ar condicionado e ligou-o, seu corpo estava quente.
– O que está virando doença? – a voz de Priscilla ao lado dele na cama o assustou. Por um minuto ele havia se esquecido de que não dormia mais sozinho. – Você está bem? – a mulher fingiu se preocupar.
– Estou. Foi apenas um sonho. – ele tentou sorrir.
– O que sonhou? – Priscilla o encarou. German se desesperou, não podia contar a verdade. – O quê? É tão grave assim que você não pode me contar? – ela bufou quando German demorou a responder.
– Não, é.. – ele gaguejou – sonhei que estava tendo filhos – tomou coragem para olhá-la nos olhos, mas então sua coragem desmoronou no mesmo instante – com.. você. Isso. Filhos com você.
– Ah, sério? – Priscilla abriu um sorriso, fingindo gostar daquilo. – Tem pensado bastante sobre isso, amor? – ela o olhava.
– Na verdade não. – German balançou a cabeça confuso e se levantou da cama, indo até o banheiro imediatamente. Precisava de um banho.
Quando saiu, já arrumado, se deparou novamente com aquela mulher grande e descabelada a sua frente. Priscilla não tinha uma cara muito boa, e tinha em mãos aquele chaveiro de pom-pom que German tanto conhecia. O homem já imaginou o que sairia dali, e não tinha pique nenhum para aguentar uma crise de ciúmes louca de sua esposa.
– Pode me explicar o que é isso? – se aquilo fosse um desenho animado, sairia fumaça das orelhas da mulher.
– Um chaveiro – German respondeu calmamente, foi até seu móvel e passou perfume.
– Ah, não me diga. Quero saber de quem e por que isso estava debaixo do seu travesseiro. Encontrei enquanto arrumava a cama. – Priscilla cruzou os braços. German bufou e virou-se para ela.
– É da.. Violetta – o homem mentiu. Era a segunda vez em menos de meia hora que a resposta das perguntas de Priscilla era “Angie” e em nenhuma das vezes ele arriscou dizer a verdade. Não sabia se era porque tinha medo da reação da esposa ou medo de si mesmo quando escutasse aquele nome. Desde que Angeles não havia aceitado seu pedido de desculpas na última sexta, as coisas estavam péssimas entre eles. No dia anterior, sábado, quando ela foi até a mansão buscar a sobrinha para um passeio no shopping, acabou tendo uma longa discussão com German. Entre eles, um grão de arroz sequer já era motivo de briga. Era como se tivessem tanto rancor um pelo outro guardado que em vez de jogar tudo pra fora diretamente usavam situações ridículas para expressar a raiva antiga.
– Da Violetta? Claro, até porque estaria escrito Angie no pingente de coração num chaveiro que pertence à Violetta. – continuou encarando o homem com aqueles olhos pegando fogo, e dessa vez German não tinha escapatória. – Me explica por que tinha algo da Angie debaixo do teu travesseiro, German. – falou em tom de ameaça.
– Porque... porque... bom, porque não sei porque, não sei nem como foi parar aí, eu..
– Idiota! – Priscilla berrou. – Escute bem, se eu encontrar mais alguma coisa dessa mulher nessa casa, German, preste atenção: está tudo acabado. – ela disse devagar, porém em um tom que deu até medo. Em seguida, jogou o chaveiro pela janela do quarto. German arregalou os olhos. Merda, a única coisa que podia fazê-lo se sentir perto de Angie havia acabado de ir por água a baixo. Os arbustos eram tão grandes naquele quintal que ele podia nunca mais encontrar aquele chaveiro. Afinal, German também não seria burro de ir procurar o objeto depois daquilo.
XX
3 horas depois...
Angeles estava parada, tomando um suco em um banco da praça. Desde que saíra de sua casa havia comido apenas a maçã que levava consigo. Quando viu a primeira barraquinha de suco, correu para comprar. Tirou os fones de ouvido chateada porque havia acabado a bateria do iPod. Decidiu voltar pra casa, não sabia fazer caminhada sem músicas agitadas para incentivá-la. Mas, quando se levantou do banco, avistou de longe uma figura loira bem conhecida.
Priscilla parecia bem escondida atrás de uma árvore, mas pelo ângulo de Angeles era possível vê-la. Com cautela, para que a mulher não a notasse, Angie se aproximou o suficiente para ouvi-la e perceber que ela falava no celular.
– Sim! Ele disse que sonhou que estava tendo filhos comigo – Angeles escutou Priscilla dizer e rir alto em seguida, fazendo piada. – Coitado. – a mulher continuou e Angie levantou as sobrancelhas, estranhando. Estava falando de German, com certeza. – E você tinha que ver a cara dele quando eu encenei uma crise de ciúmes por causa daquela loira aguada irmã da ex-mulher dele! – Priscilla zombava sem parar do homem, fazendo uma irritação profunda surgir no peito da loira que espiava. – Ele estava com a maior cara de medo! Ah, nem consigo acreditar o quanto ele é bobo! Assim fica facinho brincar um pouco – a mulher continuou. Brincar? Como assim brincar? Brincar com os sentimentos dele? Se fosse assim por que ela estaria com ele? E com quem ela falava no telefone? – Já posso até virar atriz – Priscilla gargalhava. – Já podemos por o plano em prática – continuou falando. Aquilo bastou para Angie, já havia escutado o suficiente. Era muita informação para um minuto só. – Certo, nos encontramos amanhã à noite, então? Na praça em frente ao shopping, isso! Obrigada por me ajudar – Angie escutou a mulher dizer enquanto dava passos ainda mais cautelosos para longe dali. Mas então ela pisou em um galho, que quebrou e fez barulho. Priscilla calou a boca no exato instante. – Eu preciso desligar, depois nos falamos. – ela tirou o telefone da orelha e deu a volta na árvore, em seguida vendo Angeles já meio longe dali. Ela tinha os olhos fechados de medo. Sabia que não deveria ter ido espioná-la.
Ou não, talvez aquilo fosse bom. Angie agora sabia que Priscilla estava tramando algo contra German, e ela podia impedir isso se quisesse.
– Angie! – Priscilla exclamou sorrindo nervosa. Angeles virou-se pra mulher e abriu um sorriso torto. – Nem te vi aí. Por acaso escutou algo? – a mulher continuou com medo de que Angeles estivesse ali há muito tempo.
– Não, não – a loira de olhos verdes respondeu nervosa. – Eu estava apenas passando, nem vi que era você – tentou sorrir.
– Bem, está bem – Priscilla sorriu falsamente. Ela sabia que Angie tinha escutado.
– Certo – a outra mulher assentiu sem jeito – Até mais – se virou de costas e começou a caminhar rapidamente direto para a mansão. Contaria a German? Ou era muito arriscado? Angie conhecia o lado mau de Priscilla e não a subestimava.
Ou talvez Angie tivesse entendido tudo errado, afinal, ela só escutou um lado da conversa do telefone. Então, optou por não dizer nada, até o dia seguinte à noite. Sim, ela iria até a praça em frente ao shopping. Precisava descobrir o que estava acontecendo. Precisava proteger a sua família.
XX
Angie saiu do quarto da sobrinha, com a desculpa de que precisava ir beber água. A menina estava falando demais e Angeles ainda tinha a cabeça na situação com Priscilla na praça. Aquilo a angustiava e dava medo. Seja lá o que aquela mulher estivesse tramando, envolvia machucar alguém. E agora que Angie sabia, ela sentia como se tudo estivesse em suas mãos. Salvar German ou deixá-lo se ferir.
Alguma parte rancorosa de si queria que ele sofresse, mas não desta maneira. Se Priscilla quisesse podia tirar tudo dele, não era isso o que Angie queria. E se essa monstra resolvesse prejudicar Violetta também? Aí seria o limite, a loira de olhos verdes seria capaz de voar naquela mulher. Angie precisava protegê-los. Mas como, se estava numa situação não muito feliz com German?
Bebeu sua água e respirou fundo. Não devia ter escutado aquela conversa nunca. Sentia um peso em cima de si agora. Se acontecesse qualquer coisa, ela se sentiria culpada para o resto da vida. Mas, por outro lado, se ela não tivesse escutado, não haveria ninguém para parar Priscilla. Angie quis gritar, não sabia o que fazer e precisava fazer algo imediatamente.
Então avistou German, saindo do escritório e rumando para a porta de entrada. Se fosse protegê-lo, teria que o fazer já.
– German! – Angie exclamou da cozinha e correu até ele. Estranhando, ele se virou para ela. – Não acho uma boa ideia sair de casa – ela sorriu nervosa, foi a primeira coisa que lhe veio a cabeça.
– E por quê? – o homem estava estranhando a calma com que a mulher estava dirigindo as palavras a ele. Não estavam brigados?
– A rua está perigosa, ouvi dizer que a vizinha do 702 foi assaltada! – inventou a primeira desculpa que pode. German franziu a testa.
– Mas as casas dessa rua vão até o 700, não 702 – ele cruzou os braços. Pelo nervosismo de Angeles, havia notado que algo errado estava acontecendo com ela.
– Sim, tem razão – Angie entrou em desespero, precisava de outra desculpa – A verdade é que está para cair uma tempestade lá fora, os noticiários aconselharam a ficar em casa!
– Angie, o céu está completamente sem nuvens – German suspirou, estava atrasado para uma reunião, precisava sair.
– Ah, German.. – ela bufou nervosa, olhando para os lados e depois para o teto. – Por favor, me escuta, não saia de casa. Não posso dizer por que agora, mas uma hora você vai entender, por favor, não saia – a mulher estava quase de joelhos implorando. German notou o desespero no olhar dela, e sua mente começou a imaginar coisas.
– Acho que já sei porque você não quer que eu saia – ele se aproximou lentamente. Angie franziu a testa e ficou sem reação quando ele a encostou na parede, colando-se em seu corpo. Como é?
– Quê? – ela sussurrou. O que ele estava fazendo?
– Qual é, essas desculpas bobas só pra me fazer ficar, podia ter falado que cara que sentia minha falta – German falou rouco com o rosto a centímetros do da mulher. Angie sentiu suas pernas falharem e fechou os olhos com a proximidade. Não conseguia reagir contra.
– Mas.. – ela tentou murmurar, mas foi interrompida por um shhh de German. Então ele levou o rosto até a curva do pescoço da mulher, depositando um beijo em seguida. Angeles sentiu-se arrepiar completamente. Precisava que ele parasse com aquilo. Não era o momento nem o local.
– German – Angie apertava os olhos, resistir àquilo era como remar contra a uma correnteza.
– Hm? – ele murmurou, beijando o pescoço dela mais uma vez. Arrastou os lábios para o outro lado e beijou novamente, com certo carinho. Ele já havia perdido o controle de si, culpa daquele perfume embriagante da mulher.
– German – ela juntou todas as forças para empurrá-lo para longe. Sua pele estava formigando e o coração acelerado. Ele olhou-a confuso. Angie tinha os olhos tristes, ele não devia brincar com ela assim. – Eu não sei por que eu ainda insisto em te ajudar – ela suspirou decepcionada, balançando a cabeça. Então se retirou da mansão, deixando German levemente confuso plantado no hall de entrada da casa por longos minutos.
XX
O primeiro trovão daquela noite foi acompanhado por gotas de chuva caindo por toda a cidade. Angie riu irônica lembrando-se do que German lhe disse mais cedo. Angie, o céu está completamente sem nuvens.
– Eu disse que choveria – ela murmurou para si mesma, soltando um suspiro. Além do tal plano de Priscilla, os beijos de German também não saíam de sua cabeça, e Angie sentia que a qualquer momento ela explodiria.
Angie colocou o pijama e se deitou em sua cama. Eram nove horas da noite, ainda, mas ela se sentia tão cansada que poderia dormir até de pé. Foi um dia cheio de surpresas e ao mesmo tempo confuso. Dormir era a única maneira de escapar da realidade. Mas talvez nem isso ela conseguisse fazer, os trovões ainda a assustavam. Chovia todas as noites ultimamente, desde que ela contou de German sobre seu medo. Parecia até proposital.
E todas as noites, quando o primeiro trovão caía, ele se lembrava do medo dela. Gostaria de estar perto para confortá-la e mostrar que ele estava a protegendo, mesmo que aquilo fosse só um barulho.
German havia passado o resto do domingo pensando em Angeles e como tinha se sentido ao se deixar levar pelo desejo naquela sala. Ele sabia que ela havia gostado assim como ele, mas soltou um suspiro triste ao pensar que neste momento ela não queria vê-lo nunca mais na vida. Além disso, ele estava curioso para saber por que ela não queria que ele saísse de casa. Tudo aquilo era estranho demais aos seus olhos. German estava no quintal, pensando sobre isso, quando os trovões vieram. Pensou imediatamente naqueles olhos verdes com medo, e quase como impulso pegou o seu celular. Ia ligar para ela. Mas sua coragem se desfez na hora de clicar o botão chamar.
Assim, ambos demoraram a dormir naquela noite. Culpa dos pensamentos, dos acontecimentos e, principalmente, dos trovões.
Angie acordou cedo na manhã seguinte. Era uma segunda-feira, então não enrolou para ir ao Studio. Tinha que chegar mais cedo para preparar as aulas que ela não preparara no final de semana, e se surpreendeu ao encontrar Pablo na mesma situação.
– Bom dia – Angie disse sorrindo porém estranhando a presença do amigo tão cedo no local. – Vejo que alguém se esqueceu de preparar as aulas também.
– Foi um final de semana complicado – Pablo balançou a cabeça, suspirando. – Mas e você, por que se esqueceu?
– Na verdade não esqueci, apenas não tive nem tempo nem disposição para pegar numa partitura – Angie riu desanimada – Minha vida está uma bagunça.
– German? – Pablo olhou-a, tirando a atenção do papel que anotava alguma coisa. Angie sorriu sem mostrar os dentes.
– German, Violetta, Priscilla, a chuva – Angie citou tudo o que lhe tirava o sono ultimamente e que ocupava maior parte do seu tempo.
– Chuva? – Pablo riu.
– Longa história – Angie sorriu e balançou a cabeça – Posso te contar a parte da Priscilla, German e Violetta se você quiser.
– O certo seria se você quiser, né. – ele olhou a amiga, sorrindo em seguida – Algo me diz que você precisa desabafar. Sou a todo ouvidos!
E então a loira contou detalhe por detalhe ao melhor amigo, desde que havia escutado Priscilla na praça no dia anterior. E ela não se preocupou em ocultar a parte em que German fugiu do controle, sabia que Pablo não se importava mais. Angie sentiu de fato um alívio tremendo por poder compartilhar isso com alguém, era como dividir metade do peso que carregava. Não sabia o que seria sem Pablo. Talvez ela, de fato, explodisse.
– Então eu não vou mais ajudá-lo. Não tem como viver assim com ele, Pablo. Eu juro que eu tentei. – Angie concluiu a história, e soltou um longo suspiro.
– Mas você não o ama? Vai deixá-lo jogado nas mãos daquela mulher?
– Quem ama deixa ir, não é isso o que as pessoas dizem? – ela bufou.
– Sabe, para mim essa é uma frase para os covardes escrita por um próprio covarde – Pablo riu sozinho e Angie o encarou de forma estranha – O que, não acha? O cara não tinha coragem para ir atrás do seu amor e criou a frase como forma de auto consolo.
Angie soltou uma gargalhada – Ah, Pablo, você é ótimo.
– Estou falando sério! – ele exclamou. Angie sorriu sem mostrar os dentes. – Se você o ama, tem que lutar por ele. Aliás, eu tenho certeza de que ele faria o mesmo por você.
– Eu não teria tanta certeza – Angie brincou com a quina da mesa da sala dos professores.
– Angie, o German pode errar muito, mas qualquer um sabe que ele faz tudo pelas pessoas que ama – Pablo encorajou a mulher. – Você não pode deixar que seu orgulho o faça cair em uma enrascada com Priscilla. Tenho certeza que você não se perdoaria nunca.
Angeles encarou a mesa, pensativa por alguns segundos – Eu realmente não me perdoaria.
– Então está esperando o quê?
XX
– German – Angie entrou no escritório do homem sem ao menos bater na porta. Ele ergueu o olhar e sentiu seu corpo tenso quando seus olhos chocaram com os dela. Estava pronto para a bronca que viria por causa de ontem.
– Sim? – ele suspirou.
– Vamos esquecer tudo isso, ok? A briga, aquilo que aconteceu, o que acha? Preciso que você confie em mim e preciso confiar em você. – a loira respirou fundo. – Sei que você não está entendendo nada ainda. Mas como eu disse, preciso da sua confiança. – ela olhou no fundo dos olhos dele e ele notou que ela falava sobre algo sério. German assentiu levemente com a cabeça. – Então... amigos?
Fale com o autor