Notas iniciais
Essa é a minha versão feliz e “hetero” em que o Gabe Saporta e o Pete Wentz ainda não se conhecem. *apanha* E também em que Cobra ainda não era conhecida *Apanha mais ainda* ‘Snakes on a plane’ não existe, sucessivamente nada de música *Apedrejada e tacada no fogo* E ‘Fall out boy’ faz sucesso como a Lady Gaga da minha bolha, e Cobra está nascendo agora *Olha pros lados e vê a multidão aplaudindo e linchando*

Quando Bronx completou seis anos achei que ele comportar-se-ia mais e exigiria menos da minha pessoa. Ledo engano. Como o pai ele era o demônio. Ou a prole do demônio. Subia em mesas, armários, estantes, e na casinha de Hemingway e Rigbi.

E quando ele escutava as músicas enjoativas do carro do sorvete corria porta a fora gritando que desejava ‘liquido gelado que congela o cérebro’ – Porque ele não podia dizer simplesmente que queria ‘sorvete’? Maldito mini gênio.

Ashlee estava em uma turnê e eu, como um bom pai que ela diz que devo ser, cuidava de Bronx numa tarde de verão qualquer.

Como ia contando, assim que ouvi a música ordinária pelos arredores da rua corri atrás de meu filho como um babaca. Por mais pequeno que ele fosse era ligeiro. Ou eu que estava simplesmente ficando velho. E odiava essa hipótese.

Espertamente eu tranquei a porta e arranquei a chave da fechadura. Entretanto eu deveria saber que isso não o deteria: Passou pela portinha do cachorro com facilidade. Agora eu me pergunto como um garoto de seis anos passa pela porta de cachorro? De qualquer maneira fui atrás das chaves e de dinheiro. Teria que comprar bendito sorvete. – Eu realmente começava a pegar raiva desta sobremesa. E notando agora, como eu estava ficando ranzinza, hein?

Minha tolerância já era acostumada com o atendimento deveras trágico da funcionária da pseudo-sorveteria ambulante, Lindsay. Uma falsa ruiva de Iris azul céu que nem me dava muita atenção. — O que felicitaria Ashlee se esta soubesse de algo. – Era uma adolescente comum que só queria uns “trocos” para arrecadar bagulhos para seu acervo de pozinhos ilícitos.

Quando o carro dobrou a esquina pude ver a enorme casquinha de sorvete de morango girando sob a van branca. A música irritante soava mais alto e mais alto. Bronx entrava em sincope correndo em volta do meu corpo e de minhas pernas. (E eu na realidade nem sei o que é uma sincope).

De certa forma eu achava engraçadinho vê-lo tão faceiro. Era como observar golfinhos brincando. Barulhentos e facetos, todavia inofensivos.

Estranho comparar Bronx com golfinhos. Mesmo que eu ache que tal tenha a mesma ou semelhante inteligência desses mamíferos.

Mas prossigamos...

Ao meu ver Lindsay estava um pouco robusta e de cabelos presos e escuros. É claro que com minha mente avançadíssima demorei uma vida para notar que ela era na verdade ele. Não um travesti, lógico que não. Percebi que ela não trabalhava mais no carro de sorvete e pressupus que o estoque deveria estar completo e abarrotado. Em seu lugar entrara um moreno de altura considerável, que tinha um wayfarer laranja vivo na cabeça e também observei que usava uma camiseta preta onde lia-se: “Because I’m Gabe Saporta and I can do that”.

Ele tinha um sorriso belo com lábios bem-acabados, e olhar impetuoso que igualmente dizia não ser um samaritano.

Contudo sorria tão abertamente como se aquele fosse um dos melhores empregos de sua vida. – Que otário, presumi, revirando os olhos.

*Fico arquitetando intimamente se este não é um bom dia para mim por estar analisando tudo com muita estupidez e brutalidade ou é de meu novo caráter de adulto ter altiveza. No entanto este não é o momento para pensar nisso.* — Porque não, até uns anos atrás eu ainda não era um adulto.

- Hey, — o moreno cumprimentou-me quando ambos nos aproximamos. – Desejam algum sorvete?

Não, imagina, estamos aqui porque eu e meu filho queremos outro integrante para um grupal pedófilo, topa?, conjurei mentalmente apesar de tentar ponderar minha mente para se acalentar. Não era tão difícil assim me manter de bom humor há uns três ou quatro anos.

- Ah, sim. – iniciei meu grave discurso de maior – O que você quer, Bronx? Chocolate?

- Bronx? – ele sorriu – O nome do garotão é Bronx? – perguntou-me risonho.

Quem é que ainda usa a palavra ‘garotão’ com uma criança?

- Não, falei bronx por que estava com vontade de chamá-lo assim. Na realidade é o nome do meu cachorro – proferi sem mesmo pensar algo antes.

O moreno me olhou feio, mas depois desviou sua atenção para o meu pequeno.

- E então, B-r-o-n-x, - pronunciou o nome pausadamente me olhando de soslaio – O que você vai querer?

Eu esperava que Bronx me pedisse autorização para falar ou algo assim. E não entendo porque tinha tal expectativa, já que isso nunca foi um traço do meu ‘eu’ criança mimada. Então ele apenas tagarelou centenas de sorvetes desconhecidos e possivelmente recheados de corantes e conservantes. Ordenei ao sorveteiro que o servisse apenas com uma casquinha de morango, e pronto. Ele assentiu sério e Bronx me olhou com biquinho pidonho.

Naturalmente eu não lhe dei atenção. Não iria deixar aquele garotinho ter obesidade mórbida como a maior parte da população Norte americana/Geração fast food.

Incoerente foi o moreno que entregou a Bronx uma casquinha com umas trinta bolas de sorvete (tudo bem, apenas três), e me sorriu pacifico.

- Eu não vou pagar isso. – vociferei.

- Não precisa. – ele me informou – apenas dê o valor de uma casquinha comum e estamos quites.

Minha expressão zanga não mudou com seu sorriso amistoso e alegre. Apenas a face rosada de meu filho amável me fez derreter.

- Tudo bem... – rendi-me – Dois dólares como sempre?

- Sim.

Dei as costas ao carro do sorvete assim que o paguei sem me despedir. Quanto antes chegasse em casa mais cedo me livraria daquela música rodopiando em meu cérebro de ervilha.

- Hey, é Pete Wentz não?

Assenti.

- Gabe Saporta. – apresentou-se.

- Notei. – disse lendo seu nome novamente na camiseta.

- Ah, sim. Isso... – ele atentou o olhar na camiseta – coisa do The academy is.. – comentou. – Ahn... Eu faço parte de uma banda... Cobra Starship... Será que um dia, quem sabe, você e seu produtor não poderiam nos ouvir tocar?

Notas finais
Reviews?
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