Sortilégio...

7 Capítulo 7 HOW DEEP IS YOUR LOVE...


Notas iniciais
Bem, este capítulo é para Pandora Hiei, uma amiga com gostos semelhantes e uma alma e sensibilidades lindas!! Bjs, amada e espero que gostes. Aqui inicia aquele jogo de sedução entre Camus e Milo dentro do clima musical que pediste... A alusão ao filme Hair também foi graças a tua sugestão.*risos

Próximos da entrada do bar, Camus respirou fundo, como sempre fazia quando buscava serenar a mente. Milo olhava a fachada que exibia um cavalo alado em neon e quando o ruivo abriu a porta, adiantou-se e subiu as escadas na frente dele.

Entusiasmado, o grego entrou no salão e Camus pode ouvir o som das botas batendo contra o assoalho de madeira, enquanto Milo acendia as luzes no painel atrás do amplo balcão e verificava o estoque de bebidas do freezer como se fizesse aquilo todos os dias.

Surpreso com a rapidez do grego, Camus relaxou um pouco vendo que ele tinha mesmo conhecimento de como funcionava um bar daquele porte.

— Quando pretende reabrir? – perguntou Milo.

— Na sexta-feira, assim já emenda no sábado. Creio ser os dias de maior faturamento.

— Então há muito trabalho a ser feito para que isso possa acontecer. Onde estão os funcionários?

— Dei uma semana de férias até achar outro gerente. Estou com a lista de nomes e telefones em minha pasta.

— Bem, como gerente a minha primeira tarefa é ligar para todos, marcar uma reunião e iniciar a limpeza do lugar. Você estará aqui quando eu reunir o pessoal?

— Não, preciso voltar ao meu escritório. Tenho um caso para estudar e clientes para visitar. Como eu disse antes, deixo tudo em suas mãos. E espero estar fazendo a coisa certa! Pensou, um tanto, ansioso.

Como advogado criminal, estava acostumado a analisar as pessoas, pois isso era uma condição Sine qua non para compreender o que levava alguém a cometer crimes ou desvios. Entretanto, ele ainda não havia conseguido definir uma opinião sobre Milo. Ele lhe parecia contraditório. Mostrava-se arrojado, instável, mas ao mesmo tempo seguro e confiável quando ele menos esperava...

Milo ergueu uma sobrancelha e curvou os cantos dos lábios num sorriso astucioso.

— Pode ir tranquilo, advogado. Eu sei o que estou fazendo e sei fazer...muito bem!

Camus olhou-o e disfarçou muito bem a perturbação que sentiu com aquelas palavras.

Aquele grego era malicioso e de uma beleza instigante, diferente do tipo que ele via em seu mundo de causas, processos e julgamentos. Os cabelos loiros quase atingiam a linha da cintura e o tom dourado refletia um brilho estasiante sob a luz do ambiente. Não eram lisos, nem crespos e davam a impressão que ele saíra de um banho de mar e deixara os cabelos secarem ao natural resultando naquelas mechas aneladas que caíam livres sobre os ombros. Camus sentiu um impulso de estender a mão para alcançar uma mecha e aproximá-la do nariz para ver se podia sentir o cheiro salgado de maresia... E o bronzeado daquela pele era tão uniforme que dava a impressão que ele tomava sol o tempo todo e na sua mente, veio a imagem de Milo nu, banhado pela luz solar em todos os recantos daquele corpo...

O disfarce começou a arrefecer e ele sentiu algo se avolumar entre as pernas...

— Está se sentindo bem, Camus? – perguntou Milo vendo que ele o fitava com os olhos fixos.

— Claro! Estava apenas... pensando. Vou deixar uma cópia das chaves, assim terá total liberdade e não precisará reportar-se a mim. – disse ele deixando o molho de chaves no balcão e aproveitando para disfarçar o início de uma ereção colocando as mãos no bolso.

— Ok! – disse Milo pegando as chaves e piscando para o ruivo.

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O escritório de Camus ficava em um prédio histórico, devidamente restaurado em Park Slope, um bairro no oeste de Brooklyn e distante a apenas vinte minutos do bar. Por isso, ele deixara seu carro na garagem e aproveitara para fazer tudo à pé, algo que se transformara em seu exercício diário já que seu apartamento também era perto de ambos os lugares.

Havia deixado Milo no bar há algumas horas e já estava anoitecendo, porém sabia que sua assistente ainda estaria trabalhando e esperando por notícias suas, já que telefonara pedindo que ela deixasse tudo o que ele ia precisar, organizado.

Atravessou o Hal de entrada e abriu a porta.

June levantou-se da mesa com vista para o porto de Nova York com sua classe habitual e os movimentos bem estudados. As unhas longas e pintadas de vermelho escuro alcançaram os arquivos pedidos por Camus, enquanto os cílios longos moviam-se lenta e sensualmente junto com a pergunta feita num tom suave, porém surpreso:

— Vai trabalhar fora do escritório?

— Sim, decidi que amanhã vou ocupar o escritório do bar. O gerente que contratei fará uma reunião com os funcionários do bar e pode precisar de alguma informação, então decidi trabalhar por perto.

— Pelo visto, sua querida prima aprontou mais uma das suas. Isso vai lhe custar o desconforto de ter que trabalhar num bar! Creio que tem de aprender a dizer não ou daqui a pouco estará trabalhando num barco ou num haras cercado de bosta de cavalo por todos os lados. – disse a assistente, agora com um tom de reprovação.

Os três anos em que trabalhava como sua assistente e a amizade que tinham estabelecido, davam à June a liberdade de confrontar Camus daquela forma.

Ele teve que concordar no quesito aprender a dizer não, pois sua rotina, além de trabalhar horas a fio em seu escritório, o levava a aceitar convites para dar palestras na Universidade de Direito nos fins de semana, patrocinar causas sociais, dar consultoria gratuita aos que não podiam pagar um advogado e agora, fiscalizar as ações do novo gerente do Pégasus. Sua vida resumia-se a uma frase: Muito trabalho e nenhuma diversão!

Entretanto, ele não reclamava e mostrava uma energia incansável no que se referia à busca do sucesso e eficiência profissional e não era à toa que havia rumores que logo ele seria indicado para juiz, mesmo sendo tão jovem.

— Tem razão, June. Mas, agora, dadas as circunstâncias, é tarde para isso.

— Quer que eu vá com você?

— Não, preciso que fique e reorganize a minha agenda da semana. Quando Aiolia volta?

— Depois de amanhã. Posso repassar alguns clientes da sua agenda para a dele.

— Faça isso e diga para ele me ligar, assim que chegar.

— Ok! – disse ela e Camus lembrou de outra pessoa que, diferente de June que o olhava com certa frieza, olhava-o de um jeito quente, fazendo-o pensar em coisas nada profissionais.

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Após pegar suas pastas, Camus retornou ao bar e já estava subindo os degraus de entrada quando o som dos seus passos fez com que Milo aparecesse no topo da escadaria antes que ele chegasse ao meio do caminho.

— Resolvi vir ver como estão as coisas e dizer que amanhã vou trabalhar no escritório do bar. Assim, se precisar de algo, posso ajudá-lo – disse Camus ao ver o rosto surpreso de Milo.

— Os funcionários já foram avisados e estou começando a fazer a limpeza mais urgente.

— Quer uma ajuda?

Milo franziu o cenho e olhou para Camus, ainda em seu terno elegante e impecável.

— Não é preciso. Vou apenas dar um jeito no excesso de poeira e posso fazê-lo sozinho.

— Você é quem sabe, mas um gerente deve se acostumar a delegar serviços.

— Um bom gerente prova que é capaz de fazer qualquer serviço exigido dos funcionários. Amanhã trato com o pessoal para fazermos a limpeza mais pesada.– disse Milo mergulhando um pano limpo em um balde com água e produto de limpeza.

Camus sorriu. Afinal, o grego não era tão despreocupado como parecia ser e tinha capacidade para planejamento.

— Ponto para você. – disse o ruivo.

Milo sorriu também e começou a passar o pano no balcão. Notou a pasta contendo um notebook e alguns arquivos e perguntou:

— Que tipo de advogado você é?

— Criminal.

— Hummm... e você só defende os que foram acusados injustamente ou...qualquer um?

— Todos tem direito a um julgamento justo. Minha função como advogado é assegurar isso, seja a pessoa inocente ou não.

— Como no filme O Advogado do Diabo.

Camus sorriu. — Filmes exploram os advogados de todas as formas, as vezes com um idealismo exagerado ou, ao contrário, com uma total falta de caráter. Eu diria que em termos de obras sobre este assunto, O Sol nasce para todos é o que mais se assemelha ao que eu acredito ser verdadeiro. Nesta obra se pode ver a construção da cidadania e da ética que eu compreendo ser o objetivo maior da justiça.

— Eu vi o filme. Realmente, a busca daquele advogado por justiça foi muito foda! Mas, sem querer ofender, acho que a realidade é outra e, grande parte dos advogados faz qualquer coisa por dinheiro, inclusive deixar muito filho da puta solto por aí.

O maxilar de Camus se enrijeceu, mas ele compreendia a visão do grego. Tornava-se difícil separar o joio do trigo em se tratando do que era mostrado, constantemente, pela mídia. Advogados sem caráter, juízes corruptos, aumento crescente da criminalidade. Mas, mesmo assim sentiu-se incomodado e sua expressão fechou.

— Vou deixá-lo trabalhar. – disse o ruivo, seco.

Beleza, Milo! Tinha que abrir essa maldita boca. Pensou o grego ao ver a reação de Camus.

— Ei, Camus, não liga para o que eu disse! Você é certinho demais pra ser desse tipo de advogado! – gritou Milo ao vê-lo dar as costas.

Certinho demais? Eu? Era só o que me faltava! Pensou Camus enquanto seguia ainda mais rápido em direção ao escritório.

Milo continuou o seu trabalho e terminou de limpar a área do bar e anotou o total do estoque de bebida. Estava tão cansado por conta do dia estafante que começava a ficar faminto. Olhou na direção do escritório e viu que Camus permanecera lá dentro. Talvez tivesse ficado tão irritado com o seu comentário que estava esperando que ele fosse embora. Arrumou os baldes e panos de limpeza e notou que havia uma jukebox no fundo do salão e encoberta por uma lona. Sorriu ao lembrar-se de ter sido apresentado a uma delas quando tinha feito dezoito anos e seu tio o levara a um bar, em Atenas para que bebesse como um adulto. Lembrou-se que ninguém da sua idade ligava para aquele tipo de coisa, mas ele adorara.

A jukebox estava apenas coberta. Milo ligou-a e colocou uma moeda, escolhendo um sucesso dos anos 70 que adaptara para o violino. O som espalhou-se pelo salão e Milo inspirou fundo, fechando os olhos e curtindo o ritmo romântico e suave.

I know your eyes in the morning sun

I feel you touch me in the pouring rain

And the moment that you wander far from me,

I wanna feel you in my arms again

Conheço seus olhos num sol da manhã

Sinto que me toca numa pesada chuva

E no momento que você vaga pra longe de mim

Eu quero sentir você em meus braços novamente

And you come to me on a summer breeze,

keep me warm in your love then you softly leave

And it's me you need to show how deep is your love

E você vem a mim numa brisa de verão

Mantém-me aquecido com o seu amor, depois suavemente parte,

E é pra mim que você precisa mostrar quão profundo é seu amor

Is your love, how deep is your love?

I really mean to learn

Cause we're living in a world of fools,

breaking us down

when they all should let us be,

we belong to you and me

É seu amor, quão profundo é seu amor?

Eu realmente preciso aprender

Porque nós vivemos num mundo de insensatos

Nos passando para trás

Quando deveriam nos deixar ser,

Nós pertencemos a você e eu

Camus nem bem entrara no escritório e, como um vício, abrira a pasta com os processos e logo estava trabalhando, lendo e passando os dados para o seu notebook. O caso que pegara era intrincado demais e ele sentia-se como se estivesse lendo o mesmo trecho por muito tempo.

Ouviu um som vindo do salão e reconheceu a música que dançara com Saori em uma de suas festas temáticas que fora embalada pela Dance Music. Balançou a cabeça lembrando-se do quanto fora difícil convencê-la que não sabia dançar e não gostava de festas, mas, enfim, não fizera feio e até gostara da sonoridade da música dos anos 70, algo raro, já que sua preferência era pela música erudita.

Olhou para o relógio de pulso e ficou assombrado com o quão era tarde. Os ponteiros assinalavam 22h30. Com o cenho completamente franzido ele se ergueu e caminhou apressado em direção ao salão. Quando chegou ao arco que separava o bar da pista de dança, teve uma visão que o deixou sem fôlego. Milo dançava de olhos fechados sob um jogo de luzes que iam do vermelho ao verde, roxo e azul. O corpo do grego movia-se sinuoso, como se ele tivesse uma parceria invisível e sorria como se estivesse sendo acariciado...

— Milo? – o nome escapou-lhe dos lábios e ele sentiu, novamente, aquela coisa estranha que o fazia ter reações físicas intensas perto daquele homem.

O grego girou a cabeça para encará-lo e os cabelos acompanharam o gesto brusco. A iluminação provocou reflexos coloridos nos fios longos e anelados. Ele abriu um sorriso tão largo que Camus pode até avistar os dentes alvos e perfeitos.

— Desculpe-me, mas não pude resistir. Adoro esta música e estas máquinas antigas.

— Está tarde e é melhor fecharmos tudo e recomeçarmos amanhã. – disse Camus de forma brusca, desconcertado com aquela cena, ainda mais acrescida daquele sorriso.

— Tem razão. Eu já vou indo. Obrigada pelo emprego, Camus e desculpa o que eu falei sobre... os advogados. Te vejo amanhã. – falou Milo.

Camus aguardou até que Milo pegasse as suas coisas e deixasse o lugar. Depois levou a mão aos cabelos, tentando descobrir o porquê, quando o grego sorria, o ato parecia nocauteá-lo como se levasse um soco na boca do estômago. Era algo que o tirava do centro e não tinha nada a ver com aqueles risos fingidos de quem tem a intenção de agradar ou seduzir. Tratava-se de um gesto espontâneo que parecia emergir do fundo da alma e tocar a sua...

Suspirou e terminou de fechar o bar, indo para casa a pé. No caminho, ao invés de pensar no processo e nas estratégias para vencer o caso, pela primeira vez, Camus continuava a enxergar aquele sorriso tendo ao fundo aquela música... ambos insistindo em afastar a sua habitual concentração.

Foco, Camus! Foco! Repetia para si mesmo, enquanto o rosto de Milo misturava-se aos pensamentos que devia priorizar...

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Milo acordou cedo após uma noite mal dormida. Detestava ouvir o ronco de outras pessoas. Ele sempre odiara este som, mesmo quando vinha de algum amante ou transa eventual. Na verdade, preferia quando eles iam embora na mesma noite. Assim, dormia sozinho como era da sua preferência.

O albergue no qual se encontrava agora, próximo do bar, estava lotado de jovens em busca de oportunidade, assim como ele. Havia barulho, algazarra e uma alegria que não era de todo má. Entretanto, estava cansado e precisava manter a energia para não fazer feio no novo emprego. A imagem de Camus olhando-o daquele jeito o fez sorrir. Quase o convidara para dançar na noite anterior, mas em vista do olhar surpreso dele, achara melhor não confrontá-lo...

Tinha quase certeza que Camus era gay ou bissexual, mas ainda assim era seu patrão e não queria misturar as coisas. Embora... Bem, desejasse muito saber se Camus sentia o mesmo que ele quando estavam juntos. Era tesão, mas também além disso. Era estranho e, ao mesmo tempo, uma sensação de reconhecimento...

A manhã estava ensolarada e com clima ameno. A reunião organizada por Milo já iniciara e ele estranhou Camus ainda não ter aparecido. Talvez ele tivesse tido um problema de última hora e Milo resolveu iniciar assim mesmo.

Camus levantara cedo e, quando já estava de saída, uma visita inesperada surgiu em sua porta.

— Bom dia, Camus. Será que podemos conversar um minuto? – perguntou o homem elegante e com um sorriso do tipo predatório que ele conhecia muito bem.

— Saga. O que o traz tão cedo a minha casa, promotor?

— Vim apenas avisá-lo que apresentarei a acusação formal hoje e tenho provas contundentes para pedir a condenação do seu cliente. Sei do seu talento, assim como também sei que está abrindo mão dos seus honorários por acreditar na inocência do garoto... Então, fica o conselho de um amigo íntimo: deixe este caso para Aiolia ou outro advogado que não esteja concorrendo ao cargo de juiz, pois aviso que é um caso perdido e pode comprometer a sua imagem. Ele será condenado e eu pedirei a pena máxima, portanto, caia fora disso enquanto ainda é tempo!

— Veio aqui só para me dizer isso?

O advogado sorriu, agora com um brilho malicioso nos belos olhos azuis.

— Bem, eu estaria disposto a algo mais do que... falar. Mas, você se recusa a viver fora do seu mundinho certinho e solitário. O que posso fazer senão esperar que um dia, você desperte para o lado bom e excitante da vida? Bom dia, Camus e pense no que eu lhe disse.

Camus permaneceu sério. A palavra certinho fora jogada, novamente, sobre si e agora de forma pejorativa. Saga era um dos melhores promotores de Justiça e não era fácil de ser enfrentado nos tribunais. Haviam se conhecido há algum tempo atrás e tido um Affair rápido e um tanto conturbado. Quem via o elegante e implacável promotor nos tribunais sequer poderia imaginar o seu gosto por fetiches. A simples lembrança da noite em que fora convidado para ir ao apartamento de Saga e o que se seguiu depois, ainda era muito viva em sua mente e Camus decidira que era melhor afastar-se do promotor definitivamente!

— Agradeço o seu conselho, mas temo que tenha perdido o seu tempo. Agora, se me dá licença, tenho um compromisso urgente para o qual já estou atrasado.

— Como quiser, mas não diga que não o avisei. – disse Saga.

Camus respirou fundo e tratou de sair. Desceu a rua principal em direção ao bar e caminhou rápido, tentando diminuir o atraso. A placa com os dizeres fechado estava na porta, contudo ela não estava trancada. Enquanto subia a escadaria podia ouvir a voz de Milo e desacelerou o passo a fim de ouvir o que ele dizia antes de anunciar a sua presença.

— O que eu espero de vocês é profissionalismo. Sei que a troca de um gerente sempre causa certo desconforto, mas adianto que sou uma pessoa razoável e não exijo aquilo que não posso ou não sei fazer. Este bar pode ser considerado um clube com tantos ambientes e propostas, então vamos trabalhar levando isso em conta. Escolhi um uniforme com duas cores: vermelha e preta. Demonstra uma combinação de vigor e austeridade, assim como dá visibilidade a vocês como funcionários. Os clientes virão para se divertir e devem ser atendidos com respeito e amabilidade. É claro que haverá os problemáticos, mas deixem estes com os seguranças e comigo. O mais importante é deixar o cliente satisfeito, servir com rapidez e eficiência e... faturar!

Sem se dar conta, Camus esboçou um sorriso com a fala de Milo. Ele, realmente sabe argumentar e convencer. Pensou o advogado, enquanto se apresentava e entrava na conversa.

— Bom dia! Eu sou Camus, primo de Saori e advogado. Contratei o senhor Milo para gerenciar o bar em substituição do anterior e espero que colaborem da melhor maneira possível. Estou autorizado a distribuir um incentivo financeiro se houver uma alta na produtividade, assim sendo, como disse o senhor Milo, vamos faturar.

Os funcionários o olharam de maneira respeitosa e Camus retribuiu com um sorriso polido, vendo que todos, em sua maioria eram bem apessoados e bonitos. Milo o olhava de canto e assim que ele terminou, o grego aproximou-se com um sorriso astuto.

— Boa fala, senhor Camus. Acenar com dinheiro extra vai incentivá-los, com certeza.

— Sou partidário da justa remuneração. Não vi nenhum segurança, ou estou enganado?

— Não, mas ela já está chegando. Estou ouvindo os passos.

— Milo, querido! Desculpe-me pelo atraso! – disse uma voz feminina e num timbre forte e agradável.

Camus girou a cabeça e viu a figura de uma mulher do tipo mignon, cujo corpo bem proporcionado exibia uma discreta musculatura. Os cabelos eram curtos e tinham um tom esverdeado?!

— Esta é Shina, Camus. A segurança à qual eu me referia.

Uma segurança mulher para um bar noturno? E não bastando isso, daquela estatura? Era só o que faltava, pensou o advogado. Enquanto ele tentava observar a suposta segurança, outro personagem entrou na história. Um jovem de cabelos lilases e olhos verde- esmeralda que abraçava Milo com muita intimidade.

— Mu! Só faltava você, cara! – disse Milo com um sorriso alegre.

A segurança que sentira na fala de Milo começava a arrefecer ao ver aqueles dois que mais pareciam ter saído de um set de filmagem de um cult como Hair, o famoso filme dos anos 70 dirigido por Milos Forman. Camus foi tomado pela desconfiança, mas, acostumado a manter-se firme, resolveu entrar no jogo e descobrir mais sobre os dois amigos de Milo. Por conta daquela nova linha de pensamento, estendeu a mão para ambos e tentou um sorriso cordial, típico de um advogado, para disfarçar sua desconfiança e manter-se sob controle.

— Senhorita Shina, senhor Mu, tenho certeza que farão um bom trabalho, caso contrário Milo não os teria recomendado. Bem, vou deixá-los combinando os detalhes. Qualquer coisa, estou no escritório.

Shina sorriu e Mu também. Milo fitou Camus bem dentro dos olhos e depois sorriu, conduzindo seus amigos para o balcão, onde os apresentou aos outros funcionários. Camus afrouxou um pouco a gravata e dirigiu-se ao escritório. Mais uma vez, a dúvida instalou-se em sua mente, mas agora já era tarde demais para ficar chafurdando na desconfiança. Respirou, elevou os ombros e tratou de pensar no caso que ia defender, afinal, ter Saga como adversário era como enfrentar um leão de mãos vazias e isso deveria ser a sua prioridade, ao invés dos amigos íntimos daquele grego.

Notas finais
Obrigada a todos que deixam seu comentário, sua sugestão, sua crítica, seu pedido. Em especial: MEL DARK, SUZUKI_YOI, SHALL, SION NEBLINA, SONG HAMI, RAN INAZUMA AMAYA, TUANY, GABI-BIBI, BELLE PRINCESSE, PANDORA HIEI, ANGELIQUE ( Muito obrigada pela recomendação!!! Fiquei honrada e feliz!!!) É bom ter um retorno do que se faz. Mas, também agradeço aqueles que leem em silêncio, as vezes dedicando um pouco de seu pouco tempo prá ler! ****Sine qua non ou conditio é uma expressão muito usada em Direito que tem origem no termo legal em latim que pode ser traduzido como sem a/o qual não pode deixar de ser.