Sorry My Love

1 Capitulo Único - Sorry My Love.


Notas iniciais
Gente tenham dó eu acho muito difícil fazer uma fic de um capitulo só, quem me acompanha sabe disso, os finais sempre são os piores kkkk, mas eu tento mesmo assim... Beijo de cereja com caramelo.

Sorry my love.

Ela olhou para mim. Aqueles olhos que sempre leram minha alma, que sempre me entenderam, que sempre foram meus e somente meus. Ela me olhou com aquele par de esmeraldas vivas, com um brilho alucinante, seu batom rosa em seus lábios carnudos combinava perfeitamente com seu vestido se seda rosa e é claro com seus cabelos róseos até o meio das costas, ela sorriu.

— O que foi? – Perguntou docemente enquanto me olhava.

— Estava somente constatando como você é bonita. – Falei fechando a porta de nosso quarto.

Ela riu. Eu amava aquela risada, assim como o seu sorriso, como seu cabelo, sua voz doce, ela.

— Sabe Sasuke às vezes eu me pego rindo ao me lembrar de como nós nos conhecemos. – Ela falou sentando na nossa cama. – Foi em um dia como esse. Literalmente.

Ela sorriu e começou a tirar seus saltos pretos. Eu não comentei nada. Não falei nada. Não se lembrava de nada. Não de nada, quero dizer, nada de como nós nos conhecemos. Isso não se enquadrava em nada.

— Era um dia assim, meio chuvoso meio sol, cheiro de rosas no ar e o vento, aí o vento, ventava muito você se lembra?

Ela começou a tagarelar e meu cérebro desligou, ela já havia tirado os saltos e os guardado em baixo da cama, ela me encarava, cérebro liga, pense, pense, onde nós nos conhecemos? Nestas horas eu gostaria de ser igual a aquele desenho que meu filho tanto assiste, é um menino super inteligente que quando ele não sabe a solução para algo ele apenas diz “pense” repetidas vezes e tem uma ideia brilhante. Ó Jimmy Neutron: O Menino Gênio gostaria de ser como você quando crescer. Sinta um pouco de ironia em mim, eu já era bem crescido. Ela me encarava, piscava os olhos.

— Lembra? – Ela me perguntou receosa.

Falar a verdade ou mentir?

Mentir me parece uma boa opção.

— Lembro. – Falei e logo acrescentei. – Como se fosse hoje.

Ela sorriu, mas logo parou, olhou para a janela detrás da cama e olhou nos meus olhos, não havia mais brilhos, não havia mais nada. Aquele realmente era o nada que eu deveria temer.

— Não, não lembra, não é mesmo? –Ela falou triste.

Encarei-a também, ela sabia me ler, sabia, ela realmente me conhecia.

— Pergunto-me se você sabe alguma coisa de mim francamente. – Ela passou a mão pelo cabelo. – Porque você não presta atenção no que eu falo... E... E... E você é um chato de galocha.

Ela estava chateada e eu não entendi o porquê, meu cérebro ainda estava desligado, eu não entendia. Ela estava me chamando de chato? De galocha? Quem usa esse termo hoje em dia? Ela pelo visto. Ela falou algo e eu não ouvi.

— UCHIHA SASUKE ME RESPONDA. – Ela gritou.

Responder o quê?

— O que foi? – Tentei parecer imparcial tirando minha camisa social branca.

A gente tinha acabado de voltar da festa de aniversário de uma amiga nossa, Temari, e ela já estava assim.

— Você... – Ela apontou o dedo na minha cara. – Sabe que dia é hoje?

— Vinte e cinco de março. – Falei calmamente como se não fosse nada de mais.

— Não. – Falou retirando os saltos debaixo da cama e os colocando.

— Sábado. – Tentei.

— Não é isso seu babaca. – Ela saiu pisando duro e bateu a porta forte.

Que diabo aconteceu aqui?

Fui tomar banho não ligando muito para o ataque de Sakura. Ela deveria estar de TPM, ou coisa parecida. Passei a mão pelo meu cabelo preto e rebeldemente arrepiado para direções que eu nem sabia que existia. Terminei o banho mais relaxado, sai do banheiro e coloquei um bermudão preto e uma camisa fresca branca com o símbolo da minha família nas costas, meu cordão com o símbolo da minha família e a da Sakura. Sai do quarto e fui procurar ela para tirar satisfações e não a achei, ouvi o telefone tocar e o atendi.

— Alô.

— Sasuke seu merda o que você fez com a Sakura? — Naruto falou do outro lado da linha.

— Eu? Nada. Ela que ficou falando coisas sem sentido e saiu com cara de poucos amigos seu lá o porquê, fala sério. – Falei indignado.

— Mas fez. Ela tá aqui em casa, ela e a Hinata estão trancadas no quarto faz horas e agora eu comecei a ouvir gritos indignados das duas e ela tá chorando agora.

Fiquei sem saber o que falar.

— Você é mesmo um Teme.

— Sério eu não sei o que eu fiz...

— O que exatamente ela disse?

— Ela estava falando sobre quando nós nos conhecemos e me perguntou se eu lembrava...

— Me deixa adivinhar... Você não se lembra.

— É.

— Idiota. Amanhã nos falamos elas estão saindo.

Ele desligou na minha cara. Na minha cara.

Bufei.

Amanhã as meninas vão sair para ajeitar as últimas coisas do casamento de Ino, outra amiga nossa. E nós meninos vamos ficar aqui em casa bebendo cerveja e vendo jogo de basquete.

Suspirei. Nesse dia eu dormi cedo, nosso filho estava na casa da minha mãe durante os próximos dois dias então não tinha que me esquentar com comida. No dia seguinte o lado dela da cama estava bagunçado, mas ela não estava em casa, ela não deixou bilhete, mandou uma mensagem, nem no facebook nem no whatsapp, um recado na geladeira, secretária eletrônica, cartinha em cima da mesa ou do travesseiro, nada. Isso não é dela, ela sempre me avisava, eu cheguei várias fezes, entrei até na minha conta do youtube e cheguei meu e-mail, olhei a caixa de correio e ainda como última esperança liguei para seu celular, mesmo sabendo que não saberia o que dizer para ela caso ela atendesse, ela não atendeu, eu estava ficando nervo.

Tomei um banho e coloquei a mesma roupa de ontem, não estava suja. Meu cordão. A campainha tocou e eu praticamente corri até lá para abrir a porta, pulando obstáculos que eu nem sei o que eram ou como surgiram em meu caminho, com a esperança de que ela estivesse esquecido a chave. Sorri. Então vi os meninos parados no lado de fora da porta.

— Nossa que felicidade. – Naruto falou.

— Nunca vi você feliz em nos ver. – Gaara comentou entrando.

— Eu não estava esperando vocês. – Falei sério.

— Como não? Uma semana que isso tá combinado. – Neji falou já dentro de casa.

— É que a Sakura tá estranha. – Falei me jogando no sofá.

— Ainda isso cara? Não fizeram as pazes? – Naruto perguntou indignado.

— Eu nem a vi, cara.

Falei enquanto Naruto sentava no meu lado e batia nas minhas costas me dando força.

— Conta isso direito. – Shikamaru falou.

Contei com os olhos fechados revivendo os momentos sobre chilique dela tudo o que me lembrava e tudo o que se sucedeu até agora. Abri os olhos e olhei em volta e eles já tinham se acomodado no sofá e com cervejas na mão quando eu terminei de contar. A TV estava ligada e assistimos ao jogo concentrados ninguém tocou no assunto até o jogo acabar. Eles me olharam sérios.

— Sakura falou para a Hinata, que me falou, que você esqueceu como vocês se conheceram. – Naruto foi o primeiro a se pronunciar.

— Fala sério. – Gaara debochou. – Até eu sei.

— Eu não me esqueci, só não me lembro. – Defendi-me.

— Esqueceu. – Neji falou sentado de um lado do sofá.

Um assento vazio para o lado esquerdo estava Naruto, Shikamaru estava no sofá de duas pessoas e Gaara sentado em uma poltrona e eu na outra de frente para ele, a sala é grande.

Fiz uma careta e ouvi barulho de chave na porta. As meninas entraram Sakura estava com um vestido de renda preto até os joelhos e seu salto preto, ela passou cumprimentando os meninos com a cabeça e foi para o quarto, eu não fui atrás dela. Ino se sentou no colo de Gaara e lhe deu um sorriso, Tenten se sentou no braço do sofá do lado de Neji e Hinata entre Neji e o Naruto. Temari se jogou ao lado de Shikamaru. De repente eu percebi que estava de vela. Meus amigos se amavam, mas creio eu que nenhum se esqueceu de como se conheceram. Suspirei e olhei para o teto.

Depois de um tempo olhei para eles, Ino sentada no colo de Gaara, faltavam três dias para eles se casarem e Ino estava grávida de três semanas de um bebê com sexo indeterminado por enquanto, primeiro filho grandes expectativas, lembrei-me de como eles se conheceram, foi na festa de formatura do ensino médio, Temari a levou para que não ficasse sozinha em casa, eles dançaram juntos umas nove danças e conversaram e não se desgrudaram, Ino deu um mini barraco quando uma menina lá tentou da um beijo na boca do Gaara e ele não quis, depois disso eles saíram, meses depois eles começaram a namorar e anos depois estavam noivos, ela seu um selinho nele e eles sorriram, estavam felizes. Olhei para Shikamaru e Temari, o braço dele estava no ombro dela e os dois estavam sentados lado a lado no sofá de dois, eles se conheceram suas semanas antes do aniversário dela, ela logo o curtiu e ele ficou na dele, vendo o clima, na festa dela, Gaara o levou, eles trocaram vários olhares e depois do nada se beijaram e do nada começaram a namorar e do nada se casaram e do nada ela estava grávida, vejam, eles são muito felizes não se arrependem de nada do que fizeram e fariam de novo, eles tem duas filhas a Aiami de sete anos um ser que é a cara do Shikamaru, inteligente até vence o pai no xadrez e bem alegre igual à Temari e a Susuki de dois anos que é igual a Temari, temperamento forte e preguiçosa igual ao pai. Desviei meu olhar para o Naruto que segurava a mão de Hinata e a acariciava, ela sempre gostou dele e ele demorou em perceber isso, dês do jardim de infância, na faculdade ela acabou fazendo artes cênicas no mesmo lugar que ele fazia administração, depois das aulas eles sempre voltavam juntos, ele percebeu e pediu ela em namoro e não demorou em se casarem e ter o Arthur que era a cara de Naruto só que com olhos azuis perolados, mini diabinho de oito anos, e a lindinha Carla que era a cara de Hinata só que com os olhos do irmão dois anos mais velho. Olhei para Neji e Tenten que apesar de tudo eram felizes, ela descansava a cabeça no ombro dele, eles passaram anos evitando um ao outro e ao “amor” deles, namoraram durante os anos de faculdade e dois anos depois da faculdade se casaram, ela ficou grávida, quando completou quatro meses de gestação perdeu o bebê, ela entrou em depressão, mas logo saiu com a ajuda de Neji, eles tentaram de novo um pouco hesitantes e ela conseguiu ter o seu casal de gêmeos de cinco anos Sato e Akira.

Eu me lembrava de todas as histórias deles, mas era incapaz de lembrar minha própria história.

— O que foi? – Temari perguntou.

— Ele e a Sakura brigaram. – Hinata falou desanimada.

— De novo? – Ino se alarmou.

— Sasuke vai fazer as passes. – Tenten reclamou.

— Desta vez eu nem sei o que eu fiz. – Falei sincero.

Olhei para o pessoal, as meninas estavam com cara de que ironia como se não acreditassem e os meninos estavam segurando o riso, o semblante de Hinata mudou e ela ficou com cara de poucos amigos, já vi. Elas sabiam.

— Ele esqueceu como eles se conheceram. – Shikamaru falou.

— Não acredito. – Temari disse querendo não acreditar.

— Acredite maninha. – Gaara falou.

Suspirei e contei para ela tudo o que aconteceu depois da festa de aniversário de Temari.

— Já vi tudo. Você é um baka Sasuke. – Tenten falou.

— Por Kami-sama Sasuke. – Ino falou chocada.

Hinata balançava a cabeça negativamente e repetindo “não” várias vezes. Temari se levantou e bateu na minha cabeça, antes que eu pudesse dizer algo Sakura soltou um grito do quarto, fiz menção em levantar, mas quando vi as meninas já estavam no corredor que dava em direção ao quarto.

Ouvi a porta bater e elas entraram, nós ficamos em silêncio na sala na esperança que captássemos alguma vida vinda de dentro do quarto.

— O QUÊ? – Tentei gritou de repente.

— COMO ISSO? – Temari se indignou.

Ouvi a gargalhada da Ino e da Hinata mescladas.

— AVÁ, VOCÊ NÃO SABE COMO... AÍ — Ino começou, mas alguém provavelmente jogou algo nela para que não terminasse a frase.

Nossos olhares curiosos se cruzaram na sala e a porta do quarto foi aberta. Ninguém falou nada e Sakura não apareceu. Eles se despediram e saíram, daqui a três dias era o casamento de Ino e Gaara e amanhã minha mãe passaria aqui e deixaria Daisuke.

Quando entrei no quarto, duas horas depois, Sakura já estava dormindo e eu desabei ao seu lado. Quando eu acordei mais uma vez não havia ninguém do meu lado e nenhuma mensagem para mim. Tomei banho e coloquei uma camisa azul com o símbolo da minha família e meu cordão e uma bermuda branca. Ouvi a campainha tocar e quando abri era minha mãe. Uchiha Mikoto dona das joalherias Uchiha e a pessoa mais franca que alguém poderia conhecer. Ela estava com meu filho no colo. Ela sorriu e entrou no apartamento, ele estava dormindo e ela passou direto para o quarto dele e voltou de mãos vazias, ele já estava na cama.

— Como andam as coisas? – Ela disse parando na minha frente.

— Bem. – Menti.

Ela me olhou séria, ela e Sakura são umas das poucas pessoas que conseguem ler minha alma e elas são poucas, cinco para curiosidade dos demais, meu irmão, Naruto e minha irmã completavam o time.

— Vocês brigaram? – Ela cruzou os braços.

Ri sem graça, nunca consegui mentir para minha mãe.

— Eu esqueci como nós conhecemos um ao outro. – Admiti pela primeira vez.

Ela resmungou.

— Francamente você é igualzinho ao seu pai. — Ela suspirou. — Diz você se lembra do primeiro encontro?

Vasculhei minha cabeça e admiti para ela e para mim mesmo que eu...

— Não me lembro. – Olhei para o chão de madeira da sala.

Ela me deu um “pedala Robinho” na cabeça.

— Francamente... Estou cercada de idiotas, seu irmão é incapaz de pedir a coitada da Anko em casamento, sua irmã é incapaz de me dar netos, não que eu não goste do Daisuke, entenda as mulheres como eu, queremos só viver cercada da família... E você... – Ela apontou para mim. – É incapaz de se lembrar dos vários problemas que causou por causa da Sakura e das várias dores de cabeça que todos nós ficamos quando vocês namoravam barra brigavam. – Ela falou me dando um sermão. Ela suspirou e me olhou. – Eu não posso te ajudar, mas pense, pense sobre esse seu brinco aí que você não tira da orelha, seu babaca. Eu tenho que ir seu pai tá me esperando.— Ela disse a última frase em um tom super doce.

Dei um soco na minha cabeça enquanto minha mãe saia do apartamento. Olhei meu relógio e fui colocar uma roupa mais social. Era hora de trabalhar para compensar o dia que eu vou folgar no casamento.

O escritório estava calmo, não deparei com meus irmãos o que me deixava de bom humor e não tive nenhuma reunião ou problema como imprevisto. Antes de ir embora para casa mandei uma mensagem para a Sakura:

“Daisuke está em casa com a Ino”.

Ela apenas respondeu um:

“Okay.”

Nada de "beijos" no final? Até um "tudo bem" eu estava aceitando nessa altura do campeonato.

Quando cheguei, falei com Ino e ela logo foi embora.

Ela estava pegando “experiência” para cuidar do seu futuro filho, fui direto para o banheiro tomei banho e me olhei no espelho com a toalha amarada na cintura, olhei meu brinco preto na orelha esquerda lembrei que muitos anos atrás eu usava um azul que meu irmão me deu, mas esse preto era feito de ônix assim como a cor dos meus olhos e quem me deu foi Sakura no nosso terceiro encontro oficial, agora porque é que ela me deu isso? Ela estava me agradecendo... Pelo o quê?

Sequei-me e coloquei uma sunga Box e uma camisa branca larga, me joguei na cama e fechei os olhos. Ela... Nosso primeiro encontro? Como a gente se conheceu? Ela estava feliz até eu responder errado. Que dia era aquele? Sexta? Não, era sábado. Aniversário da Temari... Quando dei por mim eu havia dormido, muito antes de achar as respostas que precisava.

No dia seguinte quando acordei Sakura estava do meu lado, dormindo, suspirei aliviada. Ouvi baterem na porta e ela se abrir era, Daisuke. Ele se jogou entre nós e acabou acordando Sakura. Ela deu um beijo no rosto dele e sorriu.

— Bom dia filho.

—Bom dia mãe. – Ele falou.

Ela levantou e pegou ele no colo e saiu pela porta. Ele tinha três anos ele já sabia andar e falar, as mãe mimam de mais suas crias.

Ela foi incapaz de me dizer “bom dia”.

Levantei também e comecei a revirar as coisas na intenção de achar alguma coisa e descontar a fúria que estava começando a surgir. Abri as gavetas e a última gaveta da cômoda de Sakura estava emperrada, fiz um força e ela se abriu, a gaveta tinha somente dois envelopes os peguei e abri um. Era um exame de rotina de alguns anos atrás, era o papel que indicava que ela estava gravida, li e contatei realmente que era de quando ela estava grávida do Daisuke. O guardei na gaveta novamente e peguei o outro envelope, era outro exame, ela fez dois exames naquela época? Olhei a data, era de algumas semanas atrás, sem dúvida, esquisito. Não tive tempo para fazer mais nada, ouvi um barulho e com medo coloquei a folha no envelope e taquei na gaveta a fechando o mais rápido possível.

A porta não se abriu, mas eu decidi ir até a cozinha para não abusar da sorte. Ela e nosso filho estavam sentados na mesa com um copo de suco de caju e um sanduíche natural, sentei e me servi com o suco e fiz um sanduíche igual o deles para mim, pão de forma com alface e maionese era os deuses visitando minha boca pela manhã.

As horas que se seguiram foram as mais estranhas nós... Quando falo “nós” incluo Daisuke e Sakura, assistimos um filme, almoçamos, demos banho nele e molhamos o banheiro todo, ela nos colocou para secar o chão do banheiro enquanto ela via TV, depois tiramos um cochilo no chão da sala enquanto dava um filme chato na TV, jogamos no Playstation 3 do Daisuke no quarto dele, um jogo de corrida para três que a Sakura ama, Littler Big Planet, e depois eu e Daisuke jogamos um jogo de luta e quando demos por si nós estávamos na cama de Daisuke com ele no meio eu de um lado e ela de outro e assim dormimos. No dia seguinte seria o casamento da Ino e do Gaara e a Sakura teria que sair mais cedo para ajudar a Ino assim como o resto das meninas e eu teria que me arrumar e arrumar o Daisuke.

Acordei e Sakura não estava. Provavelmente ela estava com a Ino e as meninas agora. Levantei com cuidado para não acordar o Daisuke, fritei dois hamburguês e passei maionese no pão, coloquei alface e fiz um suco de laranja e voa lá, café da manhã reforçado. Tudo bem que a água do suco já estava geladinha e os ingredientes separados pelas mãos de Sakura, mas um homem pode fingir saber cozinha não pode? Fui até o quarto de Daisuke e o acordei, tomamos café da manhã e eu separei o terno dele e o meu terno e fui atrás do menino que eu não sabia onde se meteu. O encontrei na sala.

— O senhor brigou com a mamãe? – Ele perguntou com os olhos tristes.

— Não. – Acho que menti.

— Brigou. – Ele apontou o dedo na minha cara. – Pai às vezes o senhor é muito babaca. Baka.

Ótimo. Meu orgulho estava totalmente no lixo. Sakura me chamou de babaca, minha mãe aquela que deveria me amar e dizer que estou certo falou que eu sou babaca, meus amigos me chamaram de babaca, Naruto me chamou de babaca, até porque isso vindo dele é muito sério, e finalmente meu filho me chamou de babaca. Estou começando a acreditar que eu sou um babaca mesmo. Sou?

Estreitei os olhos.

— Faça as pazes com ela.

— Vou fazer.

E vou mesmo eu não aguento mais esses joguinhos dela, afinal eu não tinha feito nada de errado não é mesmo? Era... É... Só uma data.

Dei um banho em Daisuke e depois fui tomar banho enquanto e quando voltei ele estava todo sujo de Danoninho de Chocolate, vai se ferrar tinha até na orelha, tirei-o da frente da TV e lhe dei outro banho, esse casamento... Sobre ele... Por que é mesmo que tinha que ser de manhã?

Coloquei o terno nele, meu filho estava um lindo pajem, terno cinza metálico e gravata branca, fui me arrumar coloquei o terno e coloquei a gravata borboleta só que não a amarei, coloquei meus sapatos e olhei o relógio, vai se ferrar elevada a segunda potência, era sete e meia.

Sai do quarto com o cabelo bagunçado e arrastei Daisuke pelo braço, desliguei a TV e tranquei a casa, vai se ferrar vezes três, esqueci a chaves do carro, abri a porta de novo e sai em disparado para a cozinha peguei as chaves e corri para a porta. Quando finalmente estávamos no carro e eu dei a ignição para o caminho da igreja que ficava um pouco longe ouvi Daisuke reclamar que estava com sede, falei para ele calar a boca que quando chegasse à igreja ele ia ter água de graça e à vontade... E abençoada. Variando um pouco pegamos trânsito. Que fique claro que se a Sakura voltar a falar comigo vai ser para me dar esporro de como eu não consigo chegar nunca na hora, cá para nós eu amo o jeitinho dela de reclamar, mas acho que já ouvi reclamações sair daquela boca por toda a minha vida naquela época em que saímos e eu fiquei brigado por meses com meu pai por causa dela, e foi por causa dele que nós tivemos nossa primeira DR,é assim que os jovens dizem hoje em dia, e depois disso eu fiz as pazes com ele, não porque ela ganhou a briga longe disso, ela ganhou bem bonito, fiz porque quis, ela me obrigou, porque caiu a ficha que ele era meu pai e eu não o podia tratar assim, ela me falou.

Lembro que ela costuma dizer que mesmo que a resposta esteja na minha frente eu sou incapaz de perceber e isso me lembra dos vários anos que nós ficamos separados por causa de nossos pais, de como eu falava que não a amava, de como ela sempre me amou e de como eu simplesmente tinha que fazer para tê-la novamente. Casamento. Isto me remete a realidade onde estou saindo do carro com um Daisuke muito hiperativo por água e subindo as escadas da igreja como uma tempestade repentina.

Tranquei o carro e fui em direção à igreja e quando entrei eu pude entender o porquê do Gaara e a Ino fazerem questão de se casarem de manhã em uma reunião só para os familiares mais próximos. Aquela igreja... Era a mesma a que as meninas tinham se casado à mesma em que Sakura se casou comigo, a mesma... E ela não mudou nada.

As paredes de carvalho claro com janelas pequenas e aconchegantes, bancos de carvalho madeira escura, tapete vermelho escuro combinando com o chão de tábuas recicladas e no altar as mesas de mármore preto e os bancos do padre e os demais da mesma cor parecendo pequenos tronos e aquela cena pela qual eu e Sakura nos apaixonamos pela qual meus amigos se apaixonaram, pela qual eu a esqueci como esqueci várias coisas que realmente significava em minha vida, como eu esqueci a data, como eu esqueci como.

Um vitral cobria a parede dos fundos do altar. Tinha a cena de Jesus na cruz e sua mãe Maria aos seus pés, uma mãe jamais quer o sofrimento do filho, ela estava chorando e eu quis chorar como quando eu sempre pisava naquela igrejinha. A luz dos primeiros raios solares iluminavam bem as cores do vitral, laranja, amarelo, vermelho, azul, branco, marrom... Tudo em harmonia. Senti pegarem minha mão e a apertarem, olhei para o lado e lá estava ela, chorando.

Eu sou um mostro. Alguém por favor me mata.

— Pare de chorar. – Falei.

Ela soltou minha mão e foi para perto de uma das janelas limpando as lágrimas.

— Eu sou uma idiota. Desculpe.

Fui até ela. Encarei-a nos olhos, mas ela logo desviou. Ela estava com um vestido vermelho justo e um cordão de pérolas seus cabelos estavam soltos e uma mecha de cada lado se prendia atrás de sua cabeça. Ela levantou a mão e ajeitou minha gravata a encarando. Notei que ela estava com um relógio em um dos pulsos e no outro uma pulseira de rubi e diamante... Rubi.

Isso. Essa pulseira. Eu dei para ela. Eu. Por isso eu briguei com meu pai, por isso ela me deu o brinco. Seus cabelos estavam úmidos... Sua maquiagem leve... Igual... Igual há aquele dia... Nosso primeiro encontro quando choveu... Ela usava brincos pretos... Tão pretos...

Segurei sua mão e ela me olhou.

— Desculpa. – Falei.

Ela arqueou uma sobrancelha rosada.

— Eu não lembrava. – Admiti. – Eu menti para você, acho que isso você sabe. – Seus olhos tremeram assim como seu corpo. – Eu juro... Eu nem sabia o porquê de você está tão bolada comigo... – Ela tentou tirar a mão com agressividade. Espera. Deixa-me terminar. – Ela parou, Sakura era... – Você é uma boa ouvinte eu sei. Você sempre me desculpa e sempre me da uma nova chance. Para quê? Para eu ir lá e estragar tudo mais uma vez. Eu não mereço de longe isso.

— Ainda bem que você sabe. – Murmurou triste.

— Eu só te peço... Não desista de mim. Eu comecei a acreditar essa semana que eu realmente sou um babaca, me chama de babaca e me bate, mas não fica de mal comigo, porque eu não estou mais aguentando isso.

— Sorry my love. Eu não sabia que você estava passando por isso.

— Para. – Falei largando sua mão e entrando em fúria. – Para de se desculpar, para com isso Sakura, para eu sou o culpado, fui eu. Você é tão inocente quanto o Daisuke.

— O senhor tinha razão pai, a água estava fresquinha e abençoada... Espera...O que tem eu? – Ouvi meu filho falar. Epa.

Olhei para o lado e ele estava parado encostado em um dos bancos. Vi Sakura passar por mim e sussurrar um “nada” para ele e mexer os lábios para mim algo como “nos falamos depois” e ir para qualquer lugar quero dizer ir para onde Ino deveria estar.

Já no altar, com os convidados sentados e Sakura do outro lado olhando para onde eu também deveria estar olhando, para a noiva, Ino, eu vi essa menina crescer do meu lado e veja ela agora já estava casando, seu cabelo preso em um coque frouxo e o vestido branco longo de seda com umas rendas aqui e ali para colocar o jeito Ino de ser nele, o buque com rosas coloridas da cor dos vestidos das madrinhas, que era o vermelho de Sakura, o lilás da Hinata, o verde da Temari e laranja da Tenten. Elas pareciam um arco-íris onde Ino era o céu. Os vestidos leves com tecidos finos não que eu fosse um entendedor dessas coisas, mas esses anos de convivência com a Sakura me fizeram entender algumas coisas de moda.

E o dourado era das alianças trocadas. Ouvir o famoso “eu aceito” dos meus amigos e a todos baterem palmas foi o segundo momento do dia em que eu quis chorar e eu não era assim dessas coisas. Homens também têm TPM? Todas as nossas proles da qual Ino fez questão de serem as daminhas e os pajens do casamento saíram primeiro depois nós e depois os noivos, uma foto na igreja e depois uma ou outra no salão e eles oficialmente já estavam casados.

Avistei Sakura do outro lado do salão falando com a Hinata, ela parecia nervosa. Fui até ela e Hinata vendo minha aproximação pediu licença e foi falar com Naruto que ria junto com o Gaara e o Shikamaru.

— Vamos terminar a conversa?

Ela me olhou e foi para um canto do salão e eu a segui.

— Fale. – Ela disse em um tom que eu achei familiar.

— Eu lembrei. – Fui direto ao ponto desta vez. Seus olhos se arregalaram. – Desculpe. Eu esqueci completamente. Foi no aniversário da Temari, apesar de nós ficarmos secando um ao outro não rolou nada só uma dancinha no final, dois dias depois nós tivemos nosso primeiro encontro, você sem querer derramou vinho no garçom e ficou sem graça e a gente foi comer em outro lugar, quando a gente estava saindo do restaurante choveu e nós corremos na chuva e paramos em uma esquina e comemos pastel de queijo e caldo de cana. – Ela riu. – Você falou que era um encontro perfeito e eu sinceramente não sabia do que você estava falando, mas depois quando a chuva parou e eu te deixei em casa, quando o sol apareceu, o arco-íris estava lindo. Eu te beijei. – Ela concordou com os olhos marejados. – No nosso segundo encontro eu cismei em te dar uma joia. A pulseira de rubi e diamante...

— Que você pagou cada centavo.

— Que eu paguei cada centavo. Eu nunca tinha trabalhado na vida você sabia? E comprar uma joia Uchiha realmente precisa vender um dos rins para pagar. – Ela riu. – Valeu cada centavo. Mesmo brigando com meu pai por causa disso e porque ele queria que eu assumisse o negócio e que te largasse, acho que no final nós nos intendemos por causa de você e sabe... Ele te ama agora. Não tanto quanto eu. Mas ama.

Ela me abraçou forte.

— Eu te amo. – Ela sussurrou em meu ouvido.

— Eu também te amo. – Falei. – E eu lembrei também, que você e as meninas tinham um sonho, em se casarem no mesmo dia, bom sabemos que no mesmo ano não foi, mas... Mesmo assim... Feliz aniversário de casamento.

— Sasuke. – Ela falou naquele tom de novo. – Eu estou grávida.

Olhei-a e eu quis chorar pela terceira vez no dia, em algum lugar do meu ser... Eu já sabia disso. Ela me olhou apreensiva.

— Eu achei que já estava na hora de comprar uma casa maior mesmo.

Abracei-a com todo o meu amor.

— Vejo que o casal já fez as pazes. – Ouvi Ino falar no microfone. – Bom eu queria propor um brinde. – Eu a olhei assim como Sakura, mas ela estava olhando para o marido. – Quero brindar a felicidade, aquela que aparece nas horas mais sombrias, aquela que chega na sua vida como uma nova música favorita e quero brindar a memória, não que esse dia entre na memória, mas que esse dia sirva para quem precisar como memória, aquela que falhar, mas não tarda, aquela que apesar dos pesares sempre, escutem meus amigos, sempre, vai ser a sua memória, somente seus sorrisos... Não deixe que ninguém tire isso de cada um de vocês...

— E... – Gaara interrompeu falando no microfone. – Ao aniversário de casamento dos meus amigos aqui presentes. Um brinde as novas chances e portas que estão por abrir.

Olhei para meus amigos todos brindando, Hinata e Naruto gargalhando com os filhos, Neji e Tenten dançando uma música eletrônica, mesmo que não tivessem tocando nada naquele momento, segurando a mãos de seus pequenos, Shikamaru e Temari brincando de pedra papel e tesoura com suas pequeninas, Ino e Gaara que o homem parecia babar a barriga saliente da loira e por fim olhei para a Sakura e que segurava a mão de Daisuke.

Sorri.

Quando chegamos a casa, Daisuke jogou uma partida de um jogo de luta comigo e depois Sakura trouxe um lanchinho, já eram cinco horas, e não sei como o tempo passou tão rápido, quando eu vi o céu já estava preto e com estrelas, o vento soprava e nós estávamos com pijamas no quarto do Daisuke, deitados na cama um do lado do outro.

Dizem que quando estamos nos divertindo o tempo passa voando, assim espero para esses nove meses.

— Daisuke. – Sakura falou de repente. – Às vezes você se sente sozinho?

— Entre nós mãe. Tio Itachi bem que podia pedir a tia Anko em casamento e ter filhos, assim eu teria com quem brincar lá na vovó.

— Não é esse tipo de solidão que sua mãe esta falando.

— De qual então? – Ele olhou para ela.

Ela sorriu aquela fileira de dentes brancos.

— Bom filho, eu estou grávida.

— Ai que massa. – Ele se levantou pulando na cama de repente. – Isso significa... O que isso significa?

— Que você vai ganhar um irmão ou uma irmã em breve.

— Ou os dois. – Ele gritou e puxou a mãe para pular na cama também.

Logo nós três estávamos pulando na cama.

— E vamos nos mudar. – Completei. – Não para longe já que temos amigos aqui.

Ele se jogou na cama e nós nos deitamos um em cada lado.

— Sabe mãe, algo me diz que eu vou ter os dois. – Ele sorriu olhando para o teto.

— Como assim? – Ela perguntou confusa.

— Ahm... Sabe um irmão e uma irmã. – Ele fechou os olhos. – Eles vão ser tão bonitinhos mãe. – Ele falou mais baixo. – Eles vão ter olhos verdes... Não pretos. – Ele diminuiu a voz. – Iguais ao meu. Aí de quem tocar na minha irmã. – Ele falou no fio de voz antes de dormir.

Sorri.

Olhei para a Sakura. Ela estava me olhando.

— Tudo vai dar certo. – Sussurrei. – Eu acredito em você. Sorry my love. – Sussurrei o que ela costumava falar para mim.

Ela sorriu.

— Obrigado. – Sussurrou de volta.

Ela fechou os olhos e logo adormeceu, olhei para o teto, sabe a vida é feita de escolhas. Não tenha medo de escolher errado. Alguns dias atrás eu fechei uma porta e olha, agora várias abriram em resposta. Não tenha medo de mudar ou de fazer algo, seja o que você quer ser e não o que as pessoas querem, não liguem se elas te chamarem de babaca, só siga em frente, mas tente não esquecer as coisas como eu... Isso dá, sem dúvidas nenhuma, muita dor de cabeça. Principalmente se forem datas comemorativas, anote em algum lugar.

Fechei os olhos e comecei a imaginar... Algo dentro de mim dizia que Daisuke estava certo... Um casal de irmãos estava para chegar à família Uchiha, meu celular vibrou do lado da cama li uma mensagem:

“Como estão as coisas? Itachi pediu a Anko em casamento hoje. Estou muito feliz. Nós te amamos.”

De: Fugato.

Sorri. Meu irmão vai se casar.

“Estamos bem agora. Fico feliz por ele, este final de semana passamos para dar parabéns. Sakura está grávida. Também te amo pai.”

Coloquei o celular de volta na cômoda e suspirei finalmente para dormir, algo me dizia que a minha irmã também tinha notícias para dar, final de semana eu pergunto. Por agora, eu só quero imaginar como vão ser meus futuros filhos. Não sei muito bem quando eu dormi. Só sei que eu dormi pensando neles e pensando no brilho do olhar que voltou para a sua dona, Sakura.

As chances que fazemos são únicas.

As besteiras também.

Notas finais
gostaram? :P
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!