Sorry

9 Alento para seu coração


Notas iniciais
Olá pessoas lindas! Desculpa a imensa demora u.u' Estou participando de um desafio de atualização diária e essa semana foi tão corrida que quase não consegui fazer essas atualizações, mas acho que agora tudo volta ao normal e logo atualizo Practice Makes Perfect e Azul Cobalto também :3 Obrigada a todos que estão lendo e acompanhando! ♥ Espero que gostem desse capítulo! :3 Boa leitura!

Quando Makoto chegou à sua casa depois de acompanhar a corrida de Nagisa, a primeira coisa que ele fez foi pegar a pá de jardinagem. Então, em um canto reservado do jardim, ele cavou um buraco pequenino.

Logo depois, ele foi até seu aquário. Embora as bolhas de oxigênio que saíam da bomba agitassem a superfície da água, tudo ali dentro estava inerte. Os dois peixinhos flutuavam à deriva.

Makoto colocou a mão dentro do aquário e gentilmente apanhou os dois bichinhos. Aninhados na palma de sua mão, eles dormiam um sono sem despertar.

Makoto havia perdido a batalha.

Quando voltou da escola naquela tarde, ele encontrou os dois sem vida.

Makoto os levou para o jardim e os deitou na pequena cova que havia aberto para eles. Ele os cobriu com terra, logo terminando a simples cerimônia. Quando pensou que a luta deles havia acabado e que aquelas duas vidas haviam chegado ao fim, Makoto sentiu o peito doer de tristeza.

— Vocês ainda queriam nadar.

Eles ainda queriam viver, mas não era mais possível.

— Eu sinto muito.

Eu não vou me esquecer de vocês, ele prometeu, porque a lembrança era tudo o que restava.

Então ele procurou por uma pedra pelo jardim para se servisse de lápide para o túmulo, para que a grama não cobrisse os vestígios do que havia sido a vida deles, do que havia sido a lembrança da existência daquele velho senhor que morreu no mar.

Makoto depositou a pedra e se levantou, mas não conseguia afastar seus olhos do pequeno túmulo. Parado ali, algo começou a fervilhar dentro dele, um sentimento sufocante que cresceu rapidamente como um monstro rompendo a casca de seu ovo.

Então, Makoto correu para dentro de casa e desligou a bomba de oxigênio. Ela poderia estar alimentando algo que estivesse dentro da água?

Sem as bolhas a romper a superfície, tudo o que restou foi a água. A água sem vida e estagnada como a de um pântano agourento. Um pensamento apavorante voltou à sua mente. Havia algo dentro da água que ele não podia ver. Algo que havia levado a vida dos dois kingyos assim como a água do rio havia tentado levar Haru.

Seus dedos começaram a tremer, depois suas mãos. Outro ataque de pânico estava prestes a subir pelo seu peito e se alojar em sua garganta como um nó denso que o impediria de respirar.

Makoto saiu correndo pela porta e seus pés o levaram até os degraus de pedra. A casa de Haru ficava logo ali, só mais alguns degraus até o torii.

Havia uma necessidade, uma urgência em ir até Haru, em vê-lo. Makoto precisava dele naquele momento tanto quanto do ar que estava em seus pulmões. Apenas a sua presença o ajudaria a respirar, a ter a paz que ansiava e afastaria aquele sentimento lúgubre que sufocava seu coração.

Começou a subir as escadas, indo em direção ao torii, seus olhos começavam a embaçar.

— Makoto.

A voz que chamou seu nome fez seus pés pararem e sua pulsação acelerar.

A voz do Haru...

Makoto ergueu o olhar para o alto da escada de pedra sem avistar o dono daquela voz, e voltou a subir, um degrau de cada vez.

O sol poente se derramava sobre o torii, projetando uma sombra profunda. Sob o torii, Haru brilhava, emoldurado pelo pôr do sol.

A surpresa fez Makoto ofegar.

Haru estava esperando por mim?

Não, ele não poderia estar, a lógica e a coerência sussurravam ao ouvido de Makoto. Mas ainda assim, ele queria acreditar. Queria acreditar que Haru estava ali por ele, esperando por ele. Que uma ligação invisível entre eles tivesse atraído Haru, aguardando pelo momento em Makoto precisasse dele.

Seus pés continuavam se movendo como se por vontade própria, levando-o para perto de Haru, impelido por uma força, até que estivesse tão próximo que poderia tocá-lo se estendesse a mão.

Desde o primeiro momento em que Makoto viu Haru sob as cores quentes do crepúsculo, seus olhos não conseguiram se afastar dele. Talvez tivesse medo de que fosse uma miragem que desaparecesse assim que seus olhos se desviassem, então com seu olhar, ele capturou Haru.

— Haru... Você esteve aqui o tempo todo? — perguntou, diante dele.

— Sim, — Haru respondeu em um murmúrio, seu rosto inexpressivo.

— Você sabia que eu estava vindo? — Mesmo sabendo que era impossível, ele precisava perguntar.

— Não.

— Então, por que...?

Por que você está aqui?

— Eu estava olhando o pôr do sol, — Haru respondeu, voltando seu rosto para o poente.

Makoto acompanhou o olhar de Haru. Entre os galhos de bordo, o sol parecia imenso, afundando nas nuvens finas que adornavam o horizonte. Sua cor pungente se esvaindo aos poucos, desbotando em púrpura e rosa enquanto a noite tomava o céu.

Era um espetáculo magnífico, e Makoto sentiu seu peito se acalmar enquanto o assistia ao lado de Haru. No entanto, não era de fato extraordinário, e nem aquele era o melhor lugar para contemplá-lo.

Talvez ele estivesse mesmo me esperando.

Mesmo que Haru negasse, Makoto ainda queria acreditar. E pensar nisso amenizava a dor que ainda latejava em seu peito.

— Você queria falar comigo?

— Eu não diria falar, mas só de ver o seu rosto, agora eu me sinto mais tranquilo.

— O que isso significa? — Haru perguntou com um raro sorriso.

— É estranho, não? — Makoto sorriu também. Então, Makoto percebeu como aqueles momentos em que conversavam apenas eles dois haviam se tornado escassos ultimamente.

De repente, Haru olhou diretamente nos seus olhos. O que restava da luminescência do crepúsculo fazia seus olhos azuis parecerem penetrantes e transparentes, como se Haru pudesse ver dentro da sua alma através de seus olhos e Makoto pudesse ver a alma dele através dos seus.

— Makoto.

— O quê?

— Você tem medo da água?

Seu coração pulou no peito, voltando a acelerar e ele ofegou como se o ar lhe faltasse nos pulmões. Não poderia fingir estar calmo nem se quisesse, preso ao olhar de Haru, ele se sentiu aberto e exposto.

Sempre havia sido assim entre eles. Não era apenas Makoto que podia ler Haru. Haru quase não perguntava, porque ele sabia tudo sobre Makoto. Haru entendia, mesmo quando fingia não entender. Não havia segredo que pudesse ser guardado, nem o seu medo escondido a sete chaves. Seu coração se revelava diante do olhar de Haru.

Em seu tom calmo de sempre, Haru apenas perguntou, sem qualquer sombra de censura ou crítica.

— O tempo todo?

Makoto assentiu, sem dizer uma palavra.

— Por quê?

Makoto não se sentia desconfortável por Haru lhe questionar, pelo contrário, queria que ele soubesse de seu medo latente. Mas enquanto uma parte dele se sentia aliviada ao se desfazer desse segredo, a outra se sentia envergonhada por sua fraqueza.

Makoto engoliu antes de começar a falar.

— Quando éramos pequenos, vimos aquelas pessoas de quimono branco no porto. Você se lembra? — Haru assentiu diante das suas palavras. — Aparentemente, um grande barco de pesca havia naufragado. E havia muitas pessoas dentro dele. O barco foi surpreendido por uma tempestade quando estava indo rumo ao mar aberto. Estava há três quilômetros do porto. — Makoto fez uma breve pausa. — Nós nadamos essa distância facilmente durante o treino, então por que eles não conseguiram voltar?

Havia um mal a espreita no mar que não havia permitido que eles nadassem tal distância. Mas não era lago que pudesse ser encontrado se fosse procurado, não era algo que pudesse ser visto claramente com os olhos. Era a única coisa em que Makoto conseguia pensar.

Haru voltou seus olhos para o mar, como se procurasse uma resposta para Makoto, ou como se olhar para dentro de sua alma tivesse se tornado difícil demais. Makoto baixou seu olhar quando voltou a falar.

— Quando estou na piscina, eu perco a compostura. Em vez de nadar, parece que eu estou fugindo de alguma coisa. Como se eu estivesse fugindo da água.

Haru escutou sem nada dizer.

A luz do dia evanescia aos pouco, enquanto a lua subia do outro lado do horizonte. Makoto voltou a olhar para o rosto de Haru.

— Quando você caiu no rio, eu tremi de medo. Eu tentei conter isso de todo jeito, mas o tremor vinha de dentro de mim. Minhas mãos, meu corpo não parava de tremer. O mal que estava dentro da minha cabeça havia invadido a realidade.

Uma coisa muito maior do que o medo havia dominado seu coração e o invadia sempre que as lembranças voltavam, enrijecendo seu corpo, fazendo-o tremer e sufocar. Mas para Haru, ele era capaz de confessar seu medo mais profundo, e a presença de Haru era capaz de afugentar aquele medo.

Haru voltou a encará-lo, a luz de seus olhos iluminando e obliterando todas as sombras que havia no coração de Makoto. E Makoto sabia que Haru entendia.

— Não é porque o Matsuoka pediu, mas eu estou pensando em tentar nadar o revezamento medley. Então... Haru, vamos nadar juntos? Não faz sentido se você não estiver lá, se não for com você. Eu quero nadar com você, Haru.

Haru aceitou as palavras de Makoto sem desviar o olhar, era Haru quem havia capturado Makoto com seu olhar dessa vez. Aquele olhar que acalmava seu coração.

— Desculpe, parece que eu acabei dizendo uma coisa meio estranha, — Makoto disse depois de algum tempo. — Não se preocupe com isso, tá? Está ficando escuro, então eu vou voltar para casa agora.

As luzes das ruas do porto já estavam acesas, e Makoto estava em paz.

— Até logo, — Makoto se despediu, mas quando estava prestes a se virar, os lábios de Haru se moveram.

— Eu vou pensar sobre isso.

— Eh?

— Sobre o revezamento medley.

Um sorriso voltou às feições de Makoto. Por enquanto, essas palavras eram o suficiente.

Notas finais
Esse capítulo é sobre a novel. Tudo o que aconteceu aqui é canon. Eu recontei a história com minhas palavras, porque quase ninguém leu as novels e é uma parte super importante e linda da história do Makoto e do Haru. Foi assim que o Makoto contou sobre seu medo para o Haru, e o Haru estava lá esperando por ele ♥ Amo demais essa parte da história! Obrigada aos sobreviventes! :3