Sorry
2 Capítulo I
Notas iniciais
Fitzwilliam Darcy disponibilizou o salão da sua mansão para a despedida de solteiro do seu melhor amigo, como padrinho era o seu dever transformar a noite em um fato memorável. Ou melhor, fazer Charlie esquecer o casamento. Sempre foi a favor das escolhas individuais, porém temia pela juventude de Charlie, queria que o amigo ainda experimentasse boa parte do mundo antes de atrelar sua vida a alguém, no caso, à falida Jane Bennet.
— Georgiana! – Gritou do escritório e esperou a garota aparecer para continuar a falar.
Não demorou e uma criatura delicada e vestida toda de preto adentrou o cômodo. Assustou-se com a imagem da sua irmã, sempre ficava surpreso com ela. Não era somente a expressão sisuda e quase antissocial que o assustava, era o fato dela parecer com sua mãe e agir como se todos fossem parte de um grande quebra-cabeça vitoriano.
— Tire essa roupa, está ridícula – murmurou entredentes.
— Agora, virou consultor de moda? – Georgiana indagou com sarcasmo. – Eu desenhei esse vestido. Está vendo essa renda? – Apontou para as mangas da veste. – É italiana.
— Fico contente que esteja gastando o meu dinheiro com essas roupas inúteis – rebateu e observou o vestido da garota.
De certa forma, talvez, para alguém que era fã de histórias românticas e datadas no século XIX, o vestido realmente seria bonito de ser visto ou exposto. Contudo, para Darcy era somente mais uma peça que logo se tornaria parte das tralhas do porão.
— Quero que fique fora esta noite — disse com calma e antes que continuasse a explicar os motivos, Georgiana rebateu sua afirmação com um careta. – Vou promover a despedida de solteiro de um amigo e… E o ambiente não… Não será legal para você.
— Posso ficar trancada no meu quarto, não me importo…
— Eu me importo.
O rapaz voltou a analisar os documentos que havia em cima da mesa. Não estava com vontade de discutir com sua irmã.
— Para onde quer que eu vá? – Ela perguntou e sentou na cadeira que estava ao lardo do irmão. – Não é só porque é o meu tutor que tem o direito de mandar e desmandar em mim.
— Está enganada, tenho total direito – respondeu e o silêncio pairou no cômodo.
Georgiana odiava esses momentos de autoridade que o seu irmão tinha. Amava-o mais do que tudo na vida, contudo era extremamente difícil de aceitar essas atitudes. Não esperou Darcy terminar de dizer o que queria, sem pestanejar e de forma rápida, voltou para o seu quarto e trancou a porta. O único destino que via para o seu futuro era extremamente deprimente, passar uma noite ao lado da tia Catherine e da prima era sinônimo de tortura.
Com pesar, tirou o vestido com cuidado para não desmanchar a renda e colocou uma calça jeans com camiseta branca, calçou um chinelo qualquer e arrumou sua bolsa com o que precisava. Não era submissa ao irmão, mas, por algum sentimento mais forte que suas vontades, via-se obrigada a fazer o que pedia. Confiava mais nele do que em seus próprios julgamentos e sabiamente, concordava com o fato de ser inocente demais para entender sobre a vida.
— Está pronta? – Escutou Darcy perguntar do outro lado da porta.
— Sim – respondeu e escancarou a porta com um falso e largo sorriso no rosto. – Vamos para a sessão tortura! Sabia que aquelas duas são loucas? – Perguntou cinicamente e recebeu o silêncio como resposta.
Desceram as escadas e ela se despediu da governanta. Foram direto para a garagem e Darcy escolheu o carro mais discreto que havia em sua coleção, sabia que a irmã não gostava de exageros.
Demorou quinze minutos para chegar na casa da tia e quando se despediu de Georgiana sentiu pena da garota. Catherine provavelmente faria a garota comer bolo de espinafre com leite de soja puro antes de dormir e depois, iria contar qual é a sensação de ter sido casada com um homem rico. Não tinha papas na língua perto de ninguém, nem da própria filha. Anne concordava com tudo o que a mãe falava e não censurava a mulher, não tinha energia suficiente para tal tarefa.
Darcy voltou para casa com a sensação de ser a pior pessoa do mundo. Porém, tinha um bom motivo para deixar Georgina nas mãos da tia.
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