Notas iniciais
Desculpem se estiver confuso.

Agora o garoto se encontrava em cima de seu prédio, no meio da cobertura. Aquele mesmo garoto sorridente que nunca teria um único motivo para fazer isso. Era o que as pessoas pensavam.

Ele só queria ser livre. Não queria mais sofrer tanto

Mesmo que ele gostasse, não era esse tipo de dor que ele gostava. Não era essa dor que o agradava e dava-lhe prazer.

Essa dor vinha de sua vida; Seus olhos o enlouqueciam; Sua mente o torturava; E suas ilusões o machucavam.

Ele já havia tentado de tudo antes de chegar onde estava agora, mas a dor sempre vinha acompanhada de uma tristeza

Ele morria a cada inspiração, era incapaz de comer, incapaz de ouvir, incapaz de ver.

Mas não era incapaz de sentir.

E por isso ele chegara a este estado decadente.

E cada olhar que ele recebia, cada palavra que ouvia; Era como um convite:

“Me entregue uma faca que o trabalho de tirar suas imundas asas eu faço, com prazer”

Ele sorria ao pensar nisso. Quem diria que as pessoas que nunca souberam o que ele era de verdade, que diziam amá-lo o olhariam algum dia desejando que sua vida sumisse para eu o mundo virasse um mundo melhor;

E o tanto que ele não havia sofrido para ganhar aqueles que se diziam seus amigos? Até os que ele achava que eram verdadeiros haviam o abandonado. Por um sofrimento, um preconceito.

Onde estava o colo que ele precisava e o carinho que ele desejava?

Ele nunca os teve; Ele tinha que ser sozinho.

O que ele amava agora estava distante.

Agora ele se aproximava da beirada. Cada vez mais e mais perto.

O vento soprava forte e gelado. As gotas de suas lágrimas começaram a cair do céu, já que em seus olhos elas não existiam mais.

E era quase a mesma coisa, a única diferença era que as suas eram quentes e as do céu, geladas.

Ele olhou do alto para baixo. Via os 17 andares e finalmente o chão. Será que morreria antes da queda? Será que morreria na queda? Será que sofreria alguns agonizantes segundos, minutos, antes de morrer?

Pelo menos um lado bom em fazer isso que ele pretendia, ele teria.Ele sentiria a emoção de cair de um prédio, sempre quis saber como era.

Ele deu mais dois passos, faltava agora somente um único passo e adeus a tudo que ele já havia sofrido. Ele olhou para traz, olhou para frente, todo o horizonte, uma boa parte da cidade, que ia até a montanha, qual estava tampada pelas nuvens que agora choravam de uma forma forte.

Finalmente criou coragem de verdade e, na hora que deu seu ultimo passo escutou a porta abrir e aquele rosto avermelhado com marcas de lágrimas o olhar.

Mas, ele não se arrependeu. Seria melhor assim. Deixou-lhe uma carta explicando tudo, então não teria peso na consciência.

E a pessoa que ele amava, e que o amou, voltara para ele. Mas agora era tarde de mais e o erro que o segundo cometeu não teria volta, porque o primeiro só fez o que precisava.

Notas finais
Review?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!