Sorrisos e Sussurros.

14 Eles passam muito tempo lá?


Notas iniciais
Desculpe por demorar! Divirtam-se e aproveitei (ou não) a calmaria, no próximo capítulo as coisas vão começar a se animar ^^

Caspian.

A notícia se espalhou rápido. Os Lordes do conselho ficaram um pouco tontos com os repentinos acontecimentos. Naquele mesmo dia, o navio que levava Lilliandil de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído, zarpou. Para meu completo alívio.

Comuniquei os últimos acontecimentos aos lordes durante a reunião daquela manhã. Eles reagiram bem melhor do que eu esperava e apoiavam sem medidas meu casamento com Susana, embora vissem apenas o lado político disso.

Um baile seria realizado dentro de alguns dias e dois dos lordes se encarregaram de prepará-lo, como um presente, o que me deixava livre dessa missão para passar mais tempo com minha noiva. E aproveitando-me disso, fui ao encontro dela logo após a reunião.

Andei por alguns minutos e, depois de pedir informação a Lúcia e Eustáquio, encontrei-a na sala de música. Com Jacob. Eles estavam entretidos demais ao piano para perceberem minha chegada. Jacob anotava alguma coisa num pergaminho. Pigarreei, chamando a atenção.

–Oi, Cas. — Susana abriu um sorriso largo, levantando-se e caminhando até mim. Trocamos um breve beijo. — Então, e a reunião, como os Lordes reagiram?

–Ficaram um pouco chocados a princípio – segurei suas mãos. — Mas viram grandes e bons presságios na nossa união. — Susana sorriu novamente.

–Bom, isso é ótimo, não?! — pronunciou-se Jacob.

–Com certeza. — disse Susana.

–Ah, desculpe – falou ele, de repente. — Ainda não lhe dei os parabéns, Caspian. — estendeu a mão para mim. Sorri cordial e trocamos um aperto de mãos.

–Muito obrigado.

–Desejo tudo de bom para vocês. — sorriu. — Agora tenho que ir, fiquei de acompanhar Lúcia e Eustáquio nos treinos. Até mais. — e saiu.

–O que faziam? — perguntei à Susana, quando ficamos sozinhos, não conseguindo disfarçar o modo inquisidor.

–Tocávamos. Jake pediu minha ajuda para compor uma música. Ele quer fazer uma surpresa para Lúcia. — contou.

–Para Lúcia? — ofereci-lhe meu braço.

–Sim. Não conte a ninguém, mas Jake pretende se declarar a ela. — ela aceitou o convite e começamos a caminhar.

–Se declarar? — uni as sobrancelhas. — Nunca imaginaria que pudessem ter alguma coisa.

–Não tem. Ainda. Mas ele quer se declarar e eu sei que vai dar certo. Lúcia o corresponde. Só não tiveram coragem ainda para se declarar e eu não posso revelar o segredo de um ao outro, mas posso dar uma forcinha. — riu. Sorri.

[…]

Pedro.

–Sabe, estava pensando e...

–O que?! — pasmou Edmundo. — Você pensa?!

Eu ri e Eustáquio rolou os olhos.

–Quer ouvir ou não? — respirou fundo. — Bom, eu estava pensando, já que está tudo bem com a Su e o Caspian agora, e não temos uma trégua da tal Calormânia, que tal viajarmos?

–Viajar? — perguntei.

–É! — animou-se ele. — De navio!

Edmundo e eu trocamos um olhar.

–Mas tem o noivado e... — começou o Edmundo.

–Iríamos depois do noivado e voltaríamos antes do casamento. Ora, não iríamos longe, não levaríamos mais que alguns dias!

–Não, sei, não, Eustáquio. — falei. — Susana precisa que fiquemos com ela nesse momento.

Susana

Jake e eu estávamos de volta à sala de música quando Caspian precisou se ausentar, chamado por alguns lordes. Estávamos ao piano, arriscando algumas notas, mas nenhuma melodia parecia certa para a letra.

–Não, não, não, ainda não está bom! — Jake desesperou-se.

–Calma! — pedi. — Não precisa ficar tão nervoso. Vamos tentar de novo, de outro jeito. Vai ficar bom, Lúcia vai gostar.- ele respirou fundo e eu preparei para começar a dedilhar as teclas de novo, quando uma voz nos interrompeu.

–Lúcia vai gostar do quê?

Nos pusemos de pé num susto. Jake agarrou-se aos papéis com a letra da música desesperadamente, mas quando viramos para ver quem era, os corações de acalmaram ao encontrar um risonho Eustáquio.

–Não... Não faz mais isso! — Jake gaguejou, soltando as páginas. Pus a mão no peito, respirando mais aliviada.

–Tudo bem, mas do que Lúcia vai gostar? — voltou a perguntar, os olhos brilhando de curiosidade.

–Nada. — respondeu Jake, sentando.

Eustáquio espiou por cima de nossos ombros.

–Vocês estavam tocando. E estava muito mal. O que era?

–Estamos... Er... Tentando uma nova música. — respondi. Jake concordou com a cabeça.

–Estavam horrível. — notou meu primo.

–Eu sei. Estávamos buscando a melodia certa. — respondi.

–Por que?

–Por que a música precisa de melodia.

–Ah, então vocês fizeram uma música!

–Nós não. Jake fez. — expliquei.

–E é isso que Lúcia vai gostar? A música é para ela? — ele esticou o pescoço por cima de nossos ombros, para os papéis.

–Não.

–É.

Jake e eu falamos ao mesmo tempo, respectivamente. Ele me olhou aborrecido. Pedi desculpas com os olhos.

–Por que você fez uma música para a Lúcia, Jake? … Ah... — Eustáquio deu um sorriso de lado.

–Quem disse que a música é para ela? — tentou Jake. Mas já era tarde. Eustáquio entendera tudo e insistiu em nos ajudar.

[…]

Estávamos às vésperas do noivado. Pedro e Edmundo estavam entretidos com planos para uma viagem de navio e Caspian participava das conversas às vezes, dando sugestões de rotas, todos os três debruçados sobre uma mapa enorme. Ele disse-me que dois lordes ficaram responsáveis pelo baile de noivado, dentro de alguns dias, seria como um presente deles para essa união tão “iluminada e esperançosa para todo o povo”, mas pediam nossa opinião para coisa ou outra.

Lúcia estava dedicada aos treinos com Eustáquio. Entretanto, ela não desconfiava que a insistência de Eustáquio em treinar com ela era para mantê-la ocupada enquanto Jake e eu trabalhávamos na sala de música. Fizemos belos avanços e Eustáquio dera dicas importantes quanto à melodia. Em um semana, concluímos o “rascunho” da melodia e passamos a ensaiar direto, fazendo alguns ajustes e experimentos durante o processo.

Quando não estava trabalhando com Jake, ele estava com Lúcia e eu com Caspian, acompanhando-o inclusive em compromissos reais. Nunca me senti mais feliz. O casamento estava chegando e mal podíamos acreditar que todo aquele tempo e sofrimento estavam prestes a acabar. De uma vez por todas.

Caspian

–Não a vi, senhor. — disse Drinian. — Mas já olhou na sala de música? A Rainha tem passado muito tempo lá.

Parei.

–É mesmo?

–Sim, senhor. Várias vezes a ouço tocando com seu amigo, Jacob. — explicou.

–Hum... Eles passam muito tempo lá?

Ele olhou-me como se não soubesse se devia continuar ou não.

–Er... Bem, acho que sim. Eles parecem estar ensaiando ou algo assim.

–Ah, sim, Susana comentou algo a respeito. Mas não sabia que eles passavam tanto tempo lá. — eu via Susana todo dia, além de quando ela me acompanhava em algumas reuniões ou idas à cidade, mas fora isso, geralmente encontrávamo-nos à sós ao entardecer, quando eu desocupava. Achei que o resto do tempo ela passava junto com os irmãos e Jacob, não com ele. — Obrigado, Drinian.

Notas finais
Reivews! Obrigadar por lerem! Beijokas!!