Notas iniciais
Boa leitura B-)

Subi cuidadoso e lento, olhava para os meus próprios pés enquanto subia os degraus do ônibus escolar amarelo. Andei com calma, balançando os braços em direção à um assento em particular. Ela, unicamente a minha doce e amada Charlotte estava assentada nele, com rosto virado para a janela, absorta em um mundo cheio de peculiaridades, o mundo onde ela era submetida e é colocada à prova. Pigarrei, a garota virou a cabaça para me encarar, fazendo com que seus estonteantes cabelos loiros balançassem.

— Olá, Lotte — a chamei pelo apelido. Eu a olhava cheio de esperenças enquanto esperava por uma respota gentil. Não me culpe por encarar abobadamente a sua face concretizada em pura perfeição, como se um artista idôneo a tivesse pincelado de forma perfeitamente expressiva.

— Olá Henry — ela exibiu um sorriso enquanto seus brotos celestes transpareciam a tristeza em seu sorriso. O azul oceânico deixara de brilhar. Seus olhos estavam inchados, sua voz era triste, e seu semblante muito cansado. Ela perguntou, suavemente; — Como vai?

Me acomodei no assento vazio ao seu lado. — Eu estou muito bem. — sorri timidamente. — E você?

Seu rosto se suavizou. — Henry, as coisas não vão muito agradáveis para ser sincera.

— São os seus pais? — perguntei com a voz carregada de preocupação.

— Eles também. — suspirou, áspera. — Você sabe; eles vivem brigando. Mas dessa aconteceu algo ruim, pelo menos agoniante para a Lua.

— O que houve com a Lua? — indaguei, referindo-me a gatinha branca e peluda que um dia derá de presente de aniversario para Lotte. Particularmente dada por mim.

Ela tornou a virar o rosto para a janela, rapidamente. — Ela morreu atropelada. Fugiu dos meus braços e correu em direção à rua. — escutei um soluço. — Desculpe-me.

Um silêncio insuportavelmente chato caiu sobre nós. Queria que ela soubesse que não tinha magoas dela... como poderia ter, se eu a amo?! Amo Charlotte Roth há três anos, tudo começou no dia da mudança aos meus oito anos.

— Tudo bem — disse-lhe com um sorriso tranquilizador, ou pelo menos era essa verdadeira intenção. — Não se preocupe, Lotte. Não foi de proposito, eu tenho absoluta certeza. Lua foi imprudente.

Ela me cravou, um meio sorrisinho foi se formando entre seus lábios, então se tornou um grande sorrisão, branco e entusiasmado. — Você é tão gentil, Henry — rapidamente, ela inclinou a cabeça, dando-me um beijo que me fez corar. Um doce e inocente selinho. Lotte riu, constatando minhas faces completamente vermelha. — Você é um fofo!

Não resisti e abri um sorriso constrangido mesclando a satisfação. Olhando para a janela, senti o ônibus iniciar o percurso. Nada lá fora importava, era eu e Chalotte apenas.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!