Sorin Art School
4 A chama para um novo futuro?!
Notas iniciais
Logo cedo naquela manhã recebi um comunicado do pessoal da Gumiho Entertainment, dizendo que o tour teria de ser no período da tarde pela falta de funcionários disponíveis para nos receber, e que teríamos que ir até lá por nós mesmos. Com todo o dinheiro que eles têm, por que ficar mendigando um transporte para nos levar ao prêmio de um concurso que eles mesmos fizeram?!
Confesso que não faço nem ideia das aulas que tive, estava tão ansioso com o tour que não consegui me concentrar em outra coisa. Estava tão desesperado com aquilo que acabei arrastando Mi-Hi para a Gumiho assim que a aula terminou. Minha relação com ela mudou completamente depois do que aconteceu ontem, a nossa distância estava quase nula e agíamos como amigos geralmente se comportam.
Para falar a verdade, arrastei Mi-Hi até o centro de Seul e depois não sabia mais para onde ir, sou uma pessoa realmente perdida, esqueço como chegar nos lugares e como são logo após passar por eles.
– Verdade, você é de Busan! – exclamou Mi-Hi quando eu não sabia mais por onde ir.
Ela tinha um pouco de razão, por eu ser de Busan, não estou acostumado com as ruas e locais de Seul. Então finalmente chegamos no prédio da Gumiho.
– Então aqui é o prédio da Gumiho Entertainment! – gritei enquanto meus olhos brilhavam com a minha admiração por ver de perto a empresa dos meus sonhos.
– Como você é lerdo! O concurso de ontem foi aqui, entramos pela porta dos fundos que dava diretamente na cafeteria, mas era o mesmo local! – disse Mi-Hi enquanto batia na minha cabeça, como uma forma de punição por não conseguir ligar os fatos.
O momento em que passamos pela porta da frente, como se fossemos pessoas importantes com acesso irrestrito, marcou minha vida. Fomos até a recepcionista.
– Nós estamos aqui para o tour que ganhamos no concurso de Karaokê de ontem. – explicou Mi-Hi para a recepcionista.
– Acho que vocês estão procurando por mim. – Disse alguém com uma voz distante, feminina e que eu já tinha ouvido antes.
Quando me virei, para a minha surpresa, a dona da voz era a mulher que eu tinha encontrado durante a coletiva de imprensa sobre o comeback do Shortcut e também na escola, junto com o Fox-hyung.
– Meu nome é Min Hye Rin, sou a assistente pessoal do Shortcut e vou acompanhar vocês no tour pela Gumiho.
– Ah, que bom, já estava achando que tínhamos sido enganados. Meu nome é Hae Mi-Hi. – retrucou Mi-Hi, de uma forma bem agressiva no tom de voz.
– Sou Park Yong. – completei me apresentando.
Fiquei fora de mim por alguns segundos ligando os pontos, então ela não era uma artista da Gumiho, mas sim, a assistente pessoal do Shortcut!
– Vocês são alunos da Sorin? – Perguntou Hye Rin e nós assentimos. – Acho que vi você por lá. – continuou ela, enquanto olhava para mim.
– Vi um garoto cantando no jardim quando estava indo embora, era você? – ela perguntou.
– No jardim? Hmm... Acho que sim... – respondi, meio incerto sobre ela realmente ter reparado em mim naquele dia. Como assistente do Shortcut, provavelmente ela tinha alguma influencia na agencia, então se ela realmente me ouviu, pode ser uma chance de meu talento ser reconhecido!
– Você estava cantando ‘Star Cutter’. – ela retrucou de imediato.
– Ah, então provavelmente era sim, — respondi e entendi que ela realmente tinha reparado em mim.
Você estava cantando muito bem. – continuou ela com um sorriso que me deixou sem graça. – Bem, vamos para o tour? – disse Hye Rin tentando contornar o momento embaraçoso.
Nós assentimos e então ela nos guiou até o elevador. Por algum motivo, Mi-Hi ficou encarando a Hye Rin desde que ela elogiou meu canto, eu até cheguei a pensar que ela estava com ciúmes, mas isso era impossível. Hye Rin apertou o botão que indicava o primeiro andar e então fomos até lá. Aquele era o andar com as alas de dança, infelizmente não tinha nenhum artista da Gumiho, apenas algumas pessoas que pareciam ser trainees e eu fiquei os observando para entender o que trainees faziam e comecei a me imaginar no lugar deles, um deles realmente me chamou a atenção, pois estava completamente molhado de suor, errando muito os passos, e mesmo enquanto todos os outros ali da sala estavam descansando, ele estava ali tentando dar o seu melhor.
O segundo andar era completamente como um museu da Gumiho. Algumas salas tinham DVDs, livros e álbuns de foto, algumas tinham roupas que haviam sido usadas nos MVs, filmes e entrevistas. Tinha até uma sala com um estoque de godies e uma com muitos instrumentos. Com certeza era um dos andares mais legais que poderia ter por ali, exceto pelo estúdio de gravação.
No terceiro andar ficavam a sala de imprensa e os camarins, que estavam completamente vazios, talvez por tudo estar vazio que eles nos deixaram fazer o tour. Aquilo realmente me desanimou um pouco e parece que desanimou Mi-Hi também, mas Hye Rin nos disse que talvez ela pudesse conseguir alguns godies para nós dois.
Finalmente chegamos no andar que eu mais desejava, o andar dos estúdios de gravação, porém também estavam vazios, e Mi-Hi e eu ficamos realmente desanimados, fiquei pensando mais ainda naquela fraude de prêmio.
– Ei, vocês querem saber um segredo? – disse Hye Rin com uma cara estranha, igual aqueles adultos que tentam fazer nossa cabeça nos oferecendo doces. – Vocês prometem por tudo nesse mundo que não vão contar a ninguém? – e então assentimos. – Certo, estamos gravando uma música para ajudar a escola de vocês.
– Como assim? – perguntei.
– Os lucros que obtivermos com ela irão para a escola, para ajudá-la a voltar a ser o que era. É um tipo de parceria da Gumiho com a Sorin.
– A Sorin está tão decadente assim? – perguntou Mi-Hi, incrédula. – Acho melhor mudar de escola para conseguir um futuro melhor... – sussurrou Mi-Hi para mim com uma cara e voz irônicas. Hye Rin nem percebeu.
– Que incrível! – exclamei. – De que grupo vai ser?
– Bem, isso eu não posso dizer. E vocês realmente não podem contar nada a ninguém por enquanto, se não podemos estragar as chances da música fazer sucesso e salvar a Sorin. Entenderam? – explicou Hye Rin e nós assentimos.
Continuamos nosso tour para o quinto andar, que era uma espécie de salão de beleza da Gumiho. Era ali que os artistas recebiam seus tratamentos de beleza, e foi então que, tanto eu quanto Mi-Hi, percebemos a presença de duas pessoas ali, lado a lado, com touca no cabelo. Eles estavam conversando e riam sem perceber nossa presença. Tanto Mi-Hi quanto eu estávamos congelados de encontrar aqueles dois assim, o primeiro que consegui identificar, logo de cara, era o líder do Shortcut, Mister K. Por um momento me senti como se fôsse do mesmo nível social que eles, mera ilusão.
– Não se preocupem, podem vir. –disse Hye Rin enquanto nos aproximávamos dos dois.
– Hye Rin-ah! – exclamou Mister K. encarando ela, e depois estreitou os olhos em nossa direção.
– K-ssi, esses dois ganharam o concurso de karaokê que teve na cafeteria da Gumiho ontem. – disse Hye Rin e então começou a conversar com o Mister K., os dois pareciam bem íntimos, talvez pelo fato de ela ser assistente do Shortcut.
Stella curvou-se para o lado, e observou Mi-Hi ao meu lado.
– Ah, é você. – ela murmurou.
– Me desculpe por ter corrido. E sim, era eu naquele drama. – retrucou Mi-Hi
– Sem problemas. – Stella sorriu para Mi-Hi, e ela ficou sem graça.
– Mister K-ssi. – murmurei e então ele olhou para mim. – Eu... Bem... Sou um grande fã do Shortcut. – continuei falando e por algum motivo comecei a tremer e gaguejar.
Ele ficou me encarando por um tempo e então começou a sorrir.
– Prazer em conhece-lo, então qual é o seu nome?
– P-Park Yong. – não conseguia parar de gaguejar.
– Legal, você quer um autógrafo? – exclamou Mr. K de um jeito engraçado e gentil.
– Sério? Isso seria possível? – respondi com outra pergunta e minha gaguez sumiu no mesmo momento, depois disso fiquei em choque.
– Claro que seria. Hye Rin-ya, você tem papel e caneta?
– O quê? Ah, sim, espere. – disse Hye Rin enquanto tirava um caderninho e uma caneta de sua bolsa e entregava para ele.
Então Mr. K escreveu algo em uma das folhas, arrancou-a, e me entregou. Ele era uma pessoa realmente gentil.
– Muito obrigado! De verdade! – peguei o papel e me curvei em noventa graus para mostrar meu respeito.
– Ei, pessoal, eu vou mudar a cor do meu cabelo, que cor vocês acham que eu deveria pintar? – perguntou Stella, eu tinha até esquecido de sua presença ali na sala, mas não porque não gostava dela, afinal ela é minha bias do ColorCube, mas sim pelo fator marcante de poder conversar com o Mister K.
– Eu acho que rosa cairia muito bem em você. – comentou Mi-Hi, e no mesmo momento tampou sua boca com a mão como se não quisesse dizer aquilo exatamente.
– Sério? – Stella ficou pensativa por um tempo. – Olha, você tem razão. Vou falar com nosso cabeleireiro. – ela sorriu e Mi-Hi ficou corada.
– Bem, temos que continuar nosso tour, vejo vocês depois. – disse Hye Rin enquanto se curvava levemente e nos arrastou até a saída.
Por fim, chegamos no sexto e último andar, onde ficavam os escritórios dos executivos da Gumiho. Passamos em frente a sala de um senhor que não me era estranho, ele nos cumprimentou, mas estávamos em êxtase com o encontro no último andar que acabamos não percebendo direito.
Aquele foi o fim do nosso tour e então Hye Rin nos acompanhou até a saída e avisamos que pegaríamos um ônibus que passava por ali. Foi um dia realmente recordativo e nunca me esquecerei dele.
No dia seguinte todos ficaram envolta de mim e de Mi-Hi para saber como era a Gumiho e como foi o nosso tour. Young-Soo quase surtou quando eu disse que peguei um autografo do Mister K. e que opinamos na futura cor de cabelo da Stella, e então a aula começou. Tivemos aulas da grade curricular normal e apenas uma aula da grade curricular artística, aula do professor Kong. Nos reunimos na sala de prática de canto e logo em seguida ele entrou segurando algumas tiras de papel crepom, nos mandou ficar em pé, um do lado do outro, colou uma tira do papel no nosso nariz e nos mandou soprar de um jeito que o papel não tocasse nossa boca e disse que quem conseguisse ficar mais tempo sem tocar os lábios no papel iria ganhar um prêmio. Eu já tinha visto isso em um drama, mas não esperava que isso fosse realmente algo que ajudasse na respiração e na resistência. Durante a noite, fui para a entrada do campus me distrair novamente, quando eu vejo uma cena muito familiar.
– Quantas vezes vou ter que falar?! Eu não vou sair dessa escola e eu não gosto de você! Você matou a minha mãe! — Disse Taisato
Então aquela mesma mulher da ultima vez, gritou algumas palavras que não consegui entender e entrou no carro preto indo embora. Eu me escondi para que Taisato não me percebesse, não queria arrumar mais confusão, e depois disso fui dormir.
E foi então que meu desespero começou, a semana de provas estava ali, para estragar a felicidade de todos os alunos, que não eram muitos, e como eu estava tão focado na realização dos meus sonhos, não estudei para absolutamente nada. Só me restou uma alternativa: a grande e amada cola. O único problema era que, eu sou uma pessoa completamente indiscreta.
Justo no primeiro dia, vieram as matérias mais difíceis, não lembro quais eram, apenas sei que eram as mais difíceis. Para a minha sorte, o professor responsável pela nossa sala, o professor Kong, ficou doente e todos os outros professores estavam ocupados, tanto responsáveis por outras salas, quanto cumprindo afazeres fora da escola. Então para preencher o vazio, colocaram a moça da cantina da escola para ficar de olho em nós. Ela não estava preocupada com o que fazíamos, então a nossa prova foi em grupo, por assim dizer.
No segundo dia, a única coisa marcante para mim foi como a Mi-Hi me passou cola, sério de onde ela tirava aqueles esquemas geniais?! Eu pedi inocentemente a garrafa de água dela emprestada, e junto com ela, um papel, com todas as respostas vieram de brinde entre o espaço da tira de plástico que mostra a marca da água e a garrafa em si. Depois disso na outra prova, ela anotou em um papel e colocou como marcador de página no livro que estava embaixo de sua mesa, e então disse:
– Antes que eu me esqueça, aqui está o livro que você me emprestou! — Desse jeito, na maior cara de pau!
No terceiro dia, eram as provas de exatas, onde não bastava só assinalar, precisávamos demonstrar os cálculos, então para que conseguíssemos colar, trocamos de prova um com o outro e anotávamos nas folhas de rascunho o que a pessoa tinha colocado e depois destrocávamos para preencher nossa própria prova.
No quarto dia, o mais marcante para mim, foi o dia das provas das matérias artísticas, entre elas, a teoria musical, que eu realmente sabia de tudo. E nessa, Mi-Hi, que estava na minha frente não sabia de nada. Então eu fiz toda a minha prova e entreguei-a para Mi-Hi. Até aquele momento tudo estava tranquilo, até que a Mi-Hi começa a demorar demais para me devolver a prova.
– Hey, Mi-Hi, devolve a minha prova. — sussurrei para Mi-Hi.
– Mas eu já devolvi sua prova, seu doido. — sussurrou de volta.
Foi ai que eu quase tive um infarto! Entrei em desespero, o que eu ia falar para o professor?! Então eu olhei uma prova da Young-soo embaixo de sua carteira, de uma matéria qualquer, peguei-a em desespero e rasguei, sim rasguei, em pequenos pedaços para que o professor não descobrisse que a prova não era a que eu deveria estar. Levantei-me e comecei a gritar, quase chorando:
– Professor, eu rasguei a minha prova sem querer! — mostrei os mini pedaços de prova na minha mão e comecei a chorar de verdade.
– Mas por que raios você fez uma coisa dessas? E como você rasgou sem querer em pedaços tão pequenos?! — disse o professor Kong, meio sem entender o que estava acontecendo.
– Menino, para de ser louco! Olha a sua prova aqui! — gritou Mi-Hi recolhendo minha prova do chão.
– Espera! Se essa é a minha prova, o que foi que eu rasguei?! — tentei contornar a situação.
Todo mundo ficou me olhando e o professor Kong estava com uma cara de "menino, se você quer colar, cola direito". Depois de tudo a Mi-Hi me contou que ela tinha posto a prova embaixo da carteira, mas misturou com outras coisas, então ela achou que já tinha devolvido e só percebeu isso depois de todo o meu escândalo. Para as duas últimas provas, eu decidi estudar e não colar nem passar cola para ninguém, fiquei meio traumatizado.
Alguns dias se passaram e então a Gumiho Entertainment divulgou uma prévia de uma nova música e duas silhuetas misteriosas e que não consegui identificar. Pelo que me pareceu, isso tinha algo a ver com o que Hye Rin havia dito durante o tour, sobre uma música para ajudar a Sorin. A silhueta mostrada na previa era equivalente as duas pessoas e foi ai que eu comecei a ligar os pontos, toda a Gumiho estava vazia, apenas com os trainees, e então Hye Rin nos conta sobre a música e de repente, encontramos Mister K. e Stella, ou seja, a música deveria ser um dueto entre os dois.
Mais prévias começaram a ser lançadas e então em uma delas eu tive a certeza, era uma colaboração entre Mister K. e Stella, por conta dos cabelos com uma tonalidade e mechas de rosa. A música e o vídeo clipe finalmente foram lançados, alcançando um total de 10 milhões de visualizações em apenas um da. A Gumiho realmente fez um tremendo sucesso com aquela parceria, Stella que recebia pedidos de um debut solo há um bom tempo e Mister K. o membro mais popular do Shortcut, que havia desaparecido da mídia por meio da música.
A música que doaria todo o lucro para ajudar a Sorin ficou com o primeiro lugar em todos os rankings da Coréia do Sul e as apresentações nos programas, acarretaram em premiação nos mesmos. E então logo em seguida, foi anunciado que a Stella, teria finalmente o seu primeiro álbum solo.
– Yong-ssi! – gritou Mi-Hi enquanto corria em minha direção assim que cheguei na Sorin. – O videoclipe do Mister K. e da Stella, é a tal música que a Hye Rin disse que iria salvar essa escola?! – continuou gritando Mi-Hi enquanto seus olhos brilhavam.
– Eu tenho quase certeza, afinal ela nos contou isso e logo em seguida encontramos os dois e eles ainda eram os únicos artistas da Gumiho que estavam lá.
– Se a escola ficar popular, as nossas chances de sermos reconhecidos por alguma empresa vão aumentar muito, podemos até parar na Gumiho. – completou Mi-Hi, um pouco mais calma, mas ainda com o brilho nos olhos.
De repente, as telas que ficavam espalhadas por todo o prédio da escola foram ligadas e uma entrevista com o Mister K. e com a Stella começou a passar, enquanto era transmitida ao vivo.
– Na verdade, essa música foi composta pela assistente do Shortcut e todos os lucros que obtivermos com ela será gasto para reparar e promover a nossa antiga escola, a Sorin Art School. – disse Mister K. na entrevista.
– Na verdade, o nosso presidente usará o lucro para comprar a escola e todos os nossos trainees e artistas que ainda estão no ensino médio estudarão lá! Tudo isso já está sendo resolvido com o diretor e os proprietários da escola. – corrigiu Stella.
Depois dessa entrevista, o nome da nossa escola foi parar no índice de tópicos mais procurados em todo o país. E outras coisas começaram a se focar, a principal notícia delas foi sobre os artistas e os trainees.
– A Gumiho Entertainment foi forçada pelo governo a colocar todos os seus artistas para cumprir um tempo mínimo na escola e como uma maneira de escapar disso, comprou uma escola! Isso é um absurdo, agora eles poderão controlar os documentos e ninguém conseguirá saber se os artistas menores de idade estarão na escola mesmo ou não! – disse o âncora de um dos principais jornais da KBS.
Com todas essas notícias, todos os alunos da Sorin estavam confusos, sem saber o que o futuro deles os esperava.
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