Sopra O Vento
1 Prólogo
Notas iniciais
Sopra o vento sem direção
Leva consigo o meu coração
Leva uma lembrança que já foi minha.
Então se vá, e me deixe sozinha.
A morena desvia o olhar do garoto à sua frente. Sente as lágrimas no rosto. O coração pede clemência, mas ela nada faz.
Nada faz além de ir embora. Nada faz além de se dar por vencida.
Recordações querem invadir sua mente, ela não permite.
Suas pernas estão cada vez mais pesadas. Ela sabe que deve voltar, e isso é o suficiente pra continuar fugindo.
Não é capaz de engolir o próprio orgulho.
Por mais que seja a vontade do coração, ela não pode se render. Por que isso a torna fraca. E ela não quer ser fraca. Não pode. Não mais...
Então ela olha pra trás e sussurra para o vento aquilo que seu coração deseja berrar para todo o universo.
“Eu o Amo”
E o vento se vai, guardando seu maior segredo.
"Sopra o vento e leva minha dor.
Leva minhas lágrimas.
Leva aquilo que um dia amei.
Tudo aquilo que já desejei.”
Chega em casa às escuras. Sozinha ela está.
Não há ninguém que se preocupe. Não há nada além do silêncio.
O silêncio e a escuridão.
Descansa os pés nus sobre o tapete rio. Caminha em seu espaço... E chora.
Chora por amor, por raiva, por dor...
Não há ninguém para enxugar suas lágrimas. Ninguém além da chuva que canta sua canção sem fim. Maravilhosa canção que lhe tras a nostalgia. A tal lembrança que vem para aterrorizar.
A chuva... Sua única companheira!
Seus olhos brilham na escuridão. A única chama ainda acesa. Transbordando as lágrimas que não cessam.
Quer morrer. Mas não vai. Não pode!
Então está deitada no chão próxima à janela. Um, dois, três pingos de chuva molham seu rosto. Ela apenas fecha os olhos e implora piedade. A dor é maior do que ela pode aguentar.
Então aproveita a chuva. Aproveita pra colocar tudo pra fora.
Aproveita para renascer!
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Abre os olhos levemente. Sente seu rosto úmido. Só então percebe que está deitada ao chão. Sente-se uma boba e ri com seus pensamentos.
Mas a lembrança da noite passada a faz desmanchar sua face que por pouco pareceu feliz.
Levanta-se calma. Levanta-se limpa. Limpa dele. Mas não limpa da saudade que ele lhe traz.
Abandona os pensamentos e dirige-se para o seu quarto. Sabe então que é hora de iniciar uma nova vida.
Quer se lembrar dele, mas quando o faz, parece queimar por dentro. Então fecha os olhos, e tenta fingir que tudo não passou de um pesadelo. Que ele foi apenas uma criação da sua mente.
Mas então ele está ali. Sorrindo pra ela com seus olhos cabelos lisos e seu sorriso cativante. Seus olhos claros brilhando ao sol. Azuis. Tão azuis quanto o céu.
Então ela sorri com essas lembranças. E tenta tornar isso algo bom. Evita sentir a dor novamente. E consegue.
Abraça-se e finge que ele está ali. Cantarolando uma canção de Ninar para ela dormir. Rindo dos seus ciúmes e da sua forma de andar. Dizendo sempre tudo aquilo que ela não quer ouvir. E tudo o que ela precisa.
Então sorri.
Ele lhe fez um bem que nunca seria capaz de imaginar. Foram apenas sete meses. Os melhores sete meses da sua vida.
Sete meses aonde ele segurava sua mão, impedindo-a de cair. Sete meses aonde ele ria das suas piadas sem graça e fazia piada com a sua forma de falar. Falava mal da sua letra e brigava com as garotas da escola que a chamavam de gorda.
Sete meses de felicidades que acabaram da pior maneira possível.
Mas acabaram, não podia enganar a si mesma. Não queria.
Uma lição de vida. Era tudo o que aquilo seria para ele.
Próximo passo: Esquecer.
Então está aí a parte difícil!
Notas finais
O que acharam? Estou aberta a críticas e opiniões.
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