Sophie, Como Tudo Começou

4 Capítulo 4: Destino


Notas iniciais
Pessoal, eu acabei inventando coisas do Beyond, me desculpe se errei em alguns fatos o.O ... só pensei nisso agora #risos.
Boa leitura.

Light lia as anotações de Sophie enquanto esperava L sair do banho, sentiu um arrepio ao passar pela parte do estupro, imaginou se alguém de sua família passasse pelo mesmo desespero. Parou na mesma página que o moreno marcara com uma dobrinha, não queria se adiantar; guardou o caderno na gaveta ao lado da cama e abriu a janela para sentir a brisa gelada de Londres.

- O que achou? _um L já vestido saiu do banheiro.

- Bom... _fechou a janela para que o namorado não pegasse um resfriado _acho que estamos perto, mas por que B. guardou essas coisas?

- Ele sempre quis ser o melhor, tinha um ciúme incontrolável das minhas habilidades, ter o caderno de nossa mãe o fez pensar ser superior a mim de alguma forma. Talvez o tenha escondido, mas Near o encontrou facilmente isso prova que não era tão esperto assim, apenas um maníaco.

- Entendo... ah, minha mãe desejou boa sorte, ligou quando estava no banho.

- Muito gentil _abriu um sorriso tímido _ vou terminar de ler, amanhã de manhã terei concluído tudo e depois de amanhã estaremos trocando presentes.

- Posso ler junto desta vez?

- Claro, sente-se ai, vou ler para nós dois... vi que não tem nada para lembrar, acho que bati a cabeça quando era criança _passou a mão da cabeça procurando por alguma marca relevante.

- Besta _fez um sinal negativo com a cabeça.

“Dei a luz numa tarde quente no pequeno hospital perto de casa, as crianças nasceram bem e gordinhas _L fez uma pausa e uma careta, provavelmente não foi muito agradável se imaginar nascendo _ estamos agora com problemas financeiros, começarei a trabalhar em breve e minha mãe cuidará das crianças”.

- Espera...ah desculpa, mas uma curiosidade me veio a mente agora.

- Sim? _olhou por cima do caderno encarando Light com seu olhar habitual.

- Seu nome... quero dizer, Lawliet foi dado por Watari, não?

- Não sei, vou continuar _nome era algo complicado em sua vida, para L ninguém teria NOMES e pronto acabou.

“O primeiro era calmo e calado, ficava no canto apenas brincando com os lápis que lhe dei de natal, desenhava círculos, triângulos, letras... realmente inteligente enquanto o segundo era mais serelepe, se pendurava no balanço, girava até cair tonto, corria atrás de animais indefesos. Queria pode dar mais atenção para ambos e pagar uma creche... minha mãe anda se assustando com as crianças que parecem diferentes das outras, mas tenho certeza que é apenas uma fase”.

“Aos poucos talvez minha mãe tenha razão, ontem o segundo estava observando um passarinho que havia morrido na tempestade sem expressão alguma no rosto, achei que estava triste e ia enterrá-lo, porém apenas sorriu e saiu andando... como uma criança de apenas 4 anos faz algo assim? Outro dia fomos ao parque onde temos a tradição de ver o por do sol e ele bateu no seu irmão menor por nada que veio chorando no meu colo e o outro não gostou nada disso, ficou me encarando de longe”.

“Natal... aquele cachorro morto no tapete da entrada principal, minha mãe teve um surto e falou que era para dar um fim naquela criança perturbada... não meu bebê jamais faria aquilo!”

- ... Beyond já nascera assim, eu lembro que certa vez no orfanato, apareceu com a camisa cheia de sangue... _teve um pequeno devaneio.

- Continue lendo, está próximo a chegada de Watari.

- Ah sim...

“Mamãe falecera de pneumonia, não tinha dinheiro para pagar um hospital por causa da despesa com as crianças...” _o resto estava borrado, provavelmente com as lágrimas da senhora Sophie, L então pulou e depois de algumas páginas em branco e novamente vários rabiscos, encontrou um ultimo texto.

“Toda noite eu sonho com ele sorrindo pra mim, tanto sangue... sangue! Filho do demônio, me trás presentes todas as noites, já não consigo mais parar de sentir esse cheio de podridão, é o satanás que veio buscar sua cria...”

L ficou ofegante e suas mãos tremularam, as palavras iam sumindo e voltando ao passar do texto, Light preocupado tirou o caderno de suas mãos passando um dos braços pelo ombro dele.

- Está tudo bem, já chega...

- ... eu... consigo terminar de ler.

- Não precisa, não tem mais nada além de relatos de loucura aqui _passou os olhos no texto que L lia _seu irmão a deixou louca, está provado.

- Watari nos observava quando brincávamos no parque, deve ter algum parque perto do Wammy e conseqüentemente a casa da minha avó.

- Hum _concordou _podemos dar uma volta de carro por lá amanhã.

- Sim _ligou seu laptop _vou fazer uma busca rápida e encontrar o estuprador.

- Ela nunca mencionou seus nomes, achei estranho isso... _fez uma busca mais minuciosa nos textos.

- Talvez ela não tenha dado nomes, Light me faz um favor? _arregalou os olhos para o namorado feito um morcego.

- ...

- DOCES.

- Já devia ter imaginado _levou o caderno consigo na busca, agora por doces.

Em menos de meia hora L estava novamente sentado na cama olhando para o nada e devorando a torta holandesa trazida por Light.

- O nome dele era Minoru Uesugi, drogado, alcoólatra... morava na região de Shibuya num apartamento alugado, foi morto por Kira.

- Eh... está morto afinal.

- Não tinha caso algum para resolver afinal _arqueou uma das sobrancelhas _ Watari no baka _xingou o velho num japonês chulo.

- Ele só estava preocupado... como qualquer pai, não queria te deixar desamparado.

- Não acho que isso ajude a amparar alguém, afinal ela está num hospício agora e, aquele que não posso nem ao menos chamar de “pai”, está morto.

- Hum... seria algo como encontrar sua raiz, sabe, saber de onde veio... ele sabia que você poderia ter a curiosidade, mas que não ia se importar do quando a história seria traumatizante e trágica.

- É... o velho me conhecia mesmo _começou a brincar com o talher que usou para comer a torta.

“Raízes, parece que finalmente um peso saiu dos meus ombros... então foi assim que parei naquele orfanato, Watari foi um herói afinal. Obrigada velho, foi isso que queria que eu visse, não é? Oras não sou tão egoísta afinal _deu um sorriso _ agora só resta ir embora e continuar seguindo a vida ao lado da pessoa que tanto amo... acho que está tudo bem assim, desvendar essas coisas me fez compreender aquele vazio. Nunca será preenchido tal parte da minha vida, mas agora sei que o passado existiu e que o destino foi muito generoso comigo...” _pensamentos de L.

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Dia seguinte, 24 de Dezembro.

As ruas estavam cheias pela véspera de natal, pessoas sorrindo, se amando, andando em família. Foi inevitável o contágio do espírito natalino pelo casal, L estava no banco do passageiro no carro enquanto Light dirigia aos redores da fundação Wammy, uma cena normal se o moreno não estivesse com uma touquinha de papai Noel na cabeça fazendo o outro segurar o riso a cada vez que olhava para o lado.

- Tira isso... _deu risada mais uma vez.

- Cuidado com a pista, está mais movimentada do que o normal... _respondeu com o mesmo tom de tédio de sempre.

- Por que isso de repente?

- Hum, natal... _acompanhou com os olhos os portões da fundação passando por eles e aos poucos ia ficando cada vez mais distantes.

- ...veja, tem um pequeno parque ali _apontou com a mão livre para o local mais a frente.

- Pare, vamos descer.

- Mesmo? _arregalou os olhos diante aquele pedido inesperado

Light diminuiu a velocidade enquanto procurava um local para estacionar, teve a impressão de ver seu namorado murmurando alguma coisa, mas resolveu não perguntar. Era 10 da manhã e o gramado ainda estava molhado pelo orvalho, L caminhou calmamente como se de repente fosse se lembrar de algo, sua expressão era o habitual vazio e Light não teve certeza do que estava pensando.

O casal acabou sentando no gira-gira, o único local seco por estar debaixo de um grande carvalho e respeitando o talvez sentimento de tristeza de L, o outro resolveu ficar em silencio apenas esperando seu próximo passo.

- Light-kun...

- Sim? _seu coração deu um salto.

- ... _pegou na mão do ruivo ainda sem se virar para ele _obrigado por chegar até aqui comigo.

- Eu já disse que... _fez uma pausa tentando se acalmar, L era tão imprevisível _você é parte de mim, onde você for eu também irei... de agora em diante... não, já a muito tempo é “nós” e não mais “eu” e “você”.

- Entendo... _deu um sorriso tímido _bom, vamos comer alguma coisa? Tem um doce especializado dessa região que eu ainda não provei! _fez uma cara assombrosa.

- Eu te amo _roubou um beijo do moreno e o abraçou em seguida, era simplesmente momentos assim que amava passar com ele, sem nenhum caso para resolver, sem nenhuma pessoa cobrando nada, apenas ELES e mais ninguém.

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L devorava sem muita educação o doce que a garçonete havia trazido logo seu rosto estava todo lambuzado de sorvete e calda, assim como os dedos.

- Vai ficar com dor de barriga assim _Light ofereceu um guardanapo ao namorado.

- Quero uns para viajem... _olhou para o balcão _será que teriam algumas caixas?

- ... estou cheirando a doce desde que conheci você.

- Aceita, ah por que não come alguns? _estendeu um pedaço, quase enfiando na boca desse.

- Ah... não obrigado, você parece estar muito bem com ele _deu um sorriso meio desesperado.

- Hum... Light-kun, que dia trocamos presentes? Hoje a noite ou amanhã de manhã? _tentou se lembrar dos breves comerciais de natal que vira ao longo da vida.

- Bom, podemos jantar hoje e trocar perto da meia noite... _pensou em um bom restaurante.

- ... _mostrou a língua pra Light.

- Tem curiosidade de saber como é a sua mãe?

- Como? _fez uma cara de interrogação, já tinham descoberto tanta coisa.

- Ah... eu pesquisei uma coisa, o hospício onde a senhora Sophie está é uma casa aberta a visitas, cuidam de pacientes com todos os graus de distúrbio mental... de acordo com a sua ficha...

- Você hackeou o sistema a esse ponto? _deixou a colherzinha cair em seu colo.

- E de acordo com a sua ficha ela está no nível 5, talvez consiga uma visita e quem sabe até trocar uma meia palavra com ela.

- ... níveis de 1 á 7?

- Exatamente.

- Não sei, acho que já fomos longe o suficiente e talvez pela aparência ela se assuste por causa de Beyond.

- Pelo visto ficou curioso _deu um sorriso.

- Eu apenas fiz uma dedução!

- Olha ai, até ficou nervoso... huuum, acho que tudo isso acabou comovendo o meu detetive de olhar vazio e inexpressivo.

- ... quero mais um doce e você pare de me fazer de besta _fez um bico.

- Hahaha, ei vamos lá, não precisa ficar bravo...

Light foi interrompido por um grupo de pessoas que entraram na loja correndo, os rifles brilharam na presença da luz branca do local e logo o pânico de instalou; L teve tempo apenas de alcançar o pulso de Light antes de ouvir os disparos, era o começo de um longo dia.