Sophie, Como Tudo Começou
1 Capítulo 1: Sentimentos perdidos
Notas iniciais
- Ah... _encarava seu pirulito azul com tédio _você é bom.
- Ryuuzaki, está com tédio novamente? _sorriso
- Sim, já não existe caso algum que eu não possa resolver _deu um olhar furtivo ao doce e o enfiou na boca.
- Hum... entendo, pode tirar umas férias.
- ... não posso me expor ao público, nem quero chamar a atenção fechando algum lugar só para mim.
- Então espero que apareça um novo caso logo, né? Vou procurar algum doce que você ainda não tenha experimentado para distraí-lo.
Três anos tinham se passado desde o caso Kira, concluído por L e Light Yagami, após o sumiço dos cadernos e com Higuchi morto o caso fora arquivado depois de algum tempo. Os amantes ainda resolviam casos ao redor do mundo, mas nada que demandasse aquelas noites mal dormidas, riscos a todo o momento, e com aquele L frustrado pelo desfecho do caso parecia que nada no mundo o animava mais.
Enquanto Watari tentava uma nova receita, L observava a noite com o mesmo tédio de antes, a lua estava realmente brilhante e instantaneamente lembrou-se de Light, sentiu seu coração dar um salto.
- O amor é um sentimento e tanto... _colocou sua mão no peito a fim de sentir as batidas descompassadas.
Força do pensamento ou apenas coincidência, Light abriu a porta da sala onde o garoto se encontrava.
- Ryuuzaki, estou de volta _sorriu ao ver o amante corar e saltar da cadeira para receber seu abraço _como você está?
- Com tédio e você? _foi abraçado por Light, aquele perfume o deixava sem ar era uma sensação tão boa...
- Trouxe uma torta de maçã pra você, eu mesmo que fiz _bagunçou os cabelos sedosos do moreno.
- ...aplle _falou com desgosto, lembrou imediatamente do caso Kira _só comerei porque é sua.
- Tsc, deixa de orgulho ferido, vem... estou morrendo de vontade de você!
- ... _deu uma mordida no pescoço de Light e o puxou para o quarto.
L agora mora no Japão num apartamento perto da casa de Light, um lugar comum a muitas pessoas, porém estratégico não era hora de vacilar com sua identidade e relaxar só porque os casos estavam fáceis. Light por sua vez estava formado e trabalhando na polícia e ao mesmo tempo ao lado de L, uma vida bem tranqüila ganhando sua boa quantia em dinheiro, fazendo o que gosta ao lado da pessoa que gosta.
- Sabe... _um L exausto agora se aninhava ao peito de Light _a vida está monótona, nunca foi assim para mim.
- Eu estou monótono também?
- Não, talvez você seja a única ansiedade que sinto atualmente.
- ... eu tenho meus pais, um namorado, um emprego... estou conhecendo o mundo aos poucos, estabelecendo contatos, você mal pode sair de casa sem que tenha algum inimigo tentando cortar seu pescoço, mil especulações sobre quem é... eu entendo como se sente.
- ... _mesmo estando com Light a tanto tempo, ainda se surpreende como ele compreende bem seus sentimentos _é, pode ser que falte isso mesmo na minha vida, é um pedaço e tanto não é mesmo?... como se parte do livro estivesse em branco... _teve uma pontada de ciúmes quando lembrou que seu namorado não era preso a ele, ia a festas, saia com os amigos, ia conhecer lugares.
- É o preço que paga por ser o melhor detetive do mundo.
- Eu sei _fez um bico _antes de conhecer você eu não tinha o menor interesse de preencher essas páginas em branco, acho que me contaminou.
- Paciência... vamos dar um jeito nisso, você só precisa de alguns cubos de açúcar e um boooooom caso _deu um abraço apertado em L.
- ... _fechou os olhos, sem argumentos para aquelas palavras que de repente soaram frias.
- L... sabe, por que você não procura por seus pais?
L estremeceu, pais? Uma sensação estranha o invadiu, seu estomago deu uma cambalhota, tinha certeza que os encontraria, vivos ou mortos e em pouco tempo, porém...
Perdidos em pensamentos, L adormeceu nos braços do namorado.
“Eu já pensei neles algumas vezes quando estava sozinho, por mais que eu tente não tenho lembrança alguma, nem um sorriso ou esboço de seus rostos. No orfanato eu me ocupava em resolver puzzes ou ler livros, nunca tive contato com qualquer outra criança, todas eram muito caladas e as mais abertas me excluíam, talvez pela minha aparência peculiar ou até mesmo por que eu me afastava de todas parecendo um fantasma a caminhar entre o jardim e a biblioteca. Quando Watari me levou, foi o primeiro contato mais intimo que tive com uma pessoa, ele acabou sendo meu pai, minha mãe e meu amigo, mesmo eu não demonstrando esse afeto, ele sempre me apoiou e sorri gentilmente até hoje quando nossos olhares se encontram... e assim passei a vida até o destino me trazer Light Yagami, pela primeira vez tive um amigo da minha idade, um amor, contato físico intimo, sinto que perdi minha sanidade a muito tempo. Ele é meu objetivo agora, ainda resolvo casos, mas minha vida gira em torno de protegê-lo, de amá-lo incondicionalmente... jamais achei que chegaria a esse ponto, as vezes me sinto... não sei, fraco e medíocre, onde está aquele L que não deixava o coração tomar decisões importantes?
Me engano porém ao pensar assim, Light é forte para seguir sua vida sem precisar de uma “sombra”, vida vazia... é tudo que sinto neste momento... com base nisso tudo, será que encontrar meus pais me ajudaria a preenche-la? Eu quero preenchê-la?...”
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Era uma tarde bonita de verão, um dia perfeito para desfrutar a piscina da cobertura, Light tem o corpo realmente definido e tinha um bronzeado bonito também, L por sua vez era branco feito um palmito.
- Vem dar um mergulho, te ensino a nadar!
- ... eu SEI nadar _olhou com desprezo a Light.
- Hum... para um detetive cheio de olheiras e que nunca sai de casa, até que sabe fazer bastante coisa _mergulhou para fugir da investida de L.
- Oras... que audácia _uma veia saltou de sua têmpora, correu até a borda da piscina e se jogou a fim de pegar Light.
Depois de uma série de exercícios, entre eles sexo e pega-pega, o casal estava jogado as traças nas cadeiras de praia a beira da piscina, Light deitado de bruços e L na sua habitual posição.
- Faltam 2 meses para o Natal e ano novo, podíamos viajar para algum lugar.
- Hum... está longe.
- ... ah é, você pode sair quando quiser e para variar é podre de rico _mostrou a língua _... pensou sobre o que te falei?
- Uhum _começou a devorar uma pode de doce de leite trazido por Watari _ainda estou a mover algumas peças... dentro da minha própria cabeça.
- Entendo.
“L... sinto que está preso a um sentimento que nem mesmo eu posso ajudá-lo, sou impotente diante a isso e meu coração dói muito, mas ao mesmo tempo L é forte, precisa passar por isso para crescer, é um mal necessário. Eu sempre tive aquela vida perfeita, eu achava que era o melhor, que tudo estava sob controle, mas o caso Kira veio para mudar tudo isso, cresci tanto como pessoa que sinto orgulho de mim mesmo; agora está tudo indo como planejado e ninguém irá nos atrapalhar.
A certeza de ajudar se ele decidir encontrar seus pais é de 100% assim como o sucesso de encontrá-los, estejam vivos ou não... a conseqüência disso eu também posso prever e não ficarei impotente aos sentimentos dele, perfeito. “Assim também conheço seu passado e melhor sua personalidade, vai ser até divertido o ver passar por coisas de uma pessoa normal, tenho tudo sobre controle.” _pensamentos de Light.
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