— Tenha um feliz Natal. — desejou-me o recepcionista, estanquei no caminho e me virei para olhá-lo.

— Para você também. — desejei também, voltando o meu caminho para sair daquele lugar.

Ao contemplar os grandes portões da Eichen House, apressei os meus passos e empurrei-os com força. Respirei o ar puro, suspirando pesadamente em seguida.

A mochila que a enfermeira me deu estava vazia, propositalmente. Não tinha levado nada do que eu usava naquele hospício. Então, no lixo mais próximo, joguei-a fora e voltei a caminhar tranquilamente.

Olhei para o céu, o que eu não fazia faz tempo. Ele estava sendo iluminado apenas pela lua. Uma grande e redonda lua cheia. Redirecionei os meus olhos para o lado e contemplei a floresta de Beacon Hills, sorri e fui correndo para adentrar mais fundo nela.

E deixe-me transformar na minha verdadeira forma.

~Xx~

As casas de Beacon Hills eram iluminadas com todos os enfeites natalinos que eu podia imaginar, era simplesmente lindo.

Mas não era o que eu realmente queria ver.

O vento bagunçava cada vez mais o meu cabelo e as minhas roupas. Não me importei e, simplesmente, pus minhas mãos nos bolsos da minha calça.

O único barulho que eu escutava era o do vento e dos meus tênis batendo contra o asfalto da rua. Beacon Hills não tinha as ruas movimentadas naquele horário da noite, pelo menos, naquela parte da cidade.

E não se tinha muitos lugares abertos, mas eu sabia de um e era para onde eu estava indo.

A Clínica Veterinária de Beacon Hills.

E, bem, eu já tinha chegado.

A clínica não tinha mudado nada em dois anos. Então, como Alan deixava a porta destrancada, abri-a e entrei.

Alan também tinha decorado a clínica com as cores e os enfeites de natal.

Coloquei as minhas mãos no balcão e peguei impulso para poder atravessá-lo sem fazer mais nenhum barulho.

— Estamos fechados. — sorri de canto ao escutar a voz dele.

— Doutor Deaton, como é que vai? — perguntei e ele virou-se para me olhar.

— Como eu deveria lhe chamar? Senhorita Argent ou Hale? — questionou ele, conseguindo desmanchar o meu sorriso.

— Apenas Sophie. — respondi.

— Pensei que estivesse morta, Sophie, onde esteve durante todos esses anos? — perguntou ele, me fazendo sentar-se à mesa de ferro.

— No hospício e sem memórias. — Alan ergueu meu queixo, para ver melhor os meus olhos. Fechei-os e logo os abri, mostrando o amarelo de um Beta, mas eu os senti oscilarem para o vermelho — E continuo sem lembrar-me muita coisa.

— Um verdadeiro Alfa. — sussurrou ele. — São raros.

— Eu sei. — retruquei impaciente, me afastando dele — Quero que você me ajude a recuperar as minhas memórias.

Ficamos em silêncio por longos minutos, até que Deaton sorriu de leve e eu abri mais um sorriso de lado.

— Feliz Natal, Sophie.

— Feliz Natal, Doutor Deaton. — E eu sabia qual era a resposta dele.

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