Sophia
1 [Único]
Notas iniciais
Oeee ~~
Esta é uma drabs -q Minha primeira, sabiam?
P.S: pra mim drabs e drabble são sinônimos, me corrijam se eu estiver errada, okay? 8D
Tive essa ideia de madrugada e comecei a trabalhar nela, e tcham! Surgiu isso. Confesso que parte da inspiração veio de Mansão Foster, algo que eu assistia muito -q E eu quis escrever uma história que mostrasse uma situação parecida, um garoto que cresce e então perde o amigo imaginário, que diferentemente de Mansão Foster (onde os amigos imaginários abandonados são acolhidos), acaba por parar de existir.
Está curto pois é uma drabble (aaaahn, noooosssa! q)
É isso, espero que gostem :D
Sophia
Sophia sempre fora um fruto de minha imaginação. Surgira na época dos primeiros anos escolares, como a amiguinha inseparável a me acompanhar nas mais diversas brincadeiras, e nos demais momentos. Éramos inocentes e trocávamos sorrisos amarelados e figurinhas da época. Dividíamos o leito e o cobertor, joelhos colados, mãos entrelaçadas. Frequentemente, eu podia ser visto em diálogos longos — e quão longos! — com a garotinha invisível. Invisível aos olhos dos outros; eu era capaz de vê-la e ouvi-la, e era o único. Seus cabelos pareciam caramelo na panela, e eram tão longos que roçavam a cintura fina da garotinha. Em seus orbes azul-mar, se refletiam sonhos e pureza.
E então nos abraçávamos com medo da adolescência que viria.
Eu começara a crescer, e Sophia ainda era a mesma de olhos brilhantes e infantis, tal como uma personificação da inocência. Crescia num ritmo muito mais lento que o meu. Chegaria a era em que as brincadeiras diárias seriam consideradas inúteis e então trocadas pelos estudos, mas apenas para mim.
Aos treze anos, a exigência da responsabilidade batera à minha porta. Sophia observava a minha pilha de livros novos, com uma pergunta se formando nos lábios finos, virgens e entreabertos. Nossa, eles têm tantas folhas! Para que servem? Sequer podia respondê-la, e quando o fazia dos livros não desviava os olhos. A consequência fora uma Sophia mais fria, distante, olhos mais opacos. Definhava cada vez mais, pois se alimentava dos sonhos por mim sonhados, e a esperança de uma vaga numa boa faculdade não faria com que Sophia readquirisse o brilho em seus olhos. Tudo que ela estivera acostumada a consumir eram aqueles sonhos tolos, desejos da fase da infância. Como, por exemplo, subir ás nuvens e então comprovar se eram feitas de algodão-doce açucarado. Ou ser dono de um dantesco castelo, repleto das mais exageradas regalias...
Pouco demorou para que o calor se esvaísse do corpinho ossudo de Sophia. Sua pele estava enregelada como a de um cadáver. Transformara-se numa morta-viva, talvez?
Ela estava morrendo, como uma flor que tem suas pétalas caindo.
E então partira numa noite sem luar, deixando como lembrança apenas fios de cabelo em meus lençóis.
Fios de cabelo, cor de caramelo na panela.
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