Martina:_ Não, eu não.. — Não consegui segurar as lágrimas.

*:_ Você não o que? Ah.. já sei, vai dizer que não vai tomar ele da gente? Olha querida.. isso não cola comigo. Tá chorando? Ah! Isso, chora, aproveita e corre lá, conta pra ele tudo.— Ela apontou com o ombro, olhei e ele se aproximava. — Não vai?— Apenas puxei meu pulso que ela segurava e me afastei de lá. Ele não poderia me ver naquela situação, perguntaria o que tinha acontecido e eu não saberia mentir, pelo menos não para ele.


Pov Jorge Blanco.

Depois de falar com a galera que me esperava na frente do hotel, entrei na van, assim que o André fechou a porta, o motorista já ligou e saimos, como as luzes estavam apagadas, era dificil conhecer quem era quem. Sai focando meu celular no rosto de cada um, atrás da Martina.

Mercedes:_ Ai Jor! — Riu.

Jorge:_ A onde a Martina se sentou, Mechi?

Mercedes:_ Ué, ela não estar lá na frente com o Facu não? — Corri para a primeira fileira que Facu estava e pior, estava só.

Jorge:_ Cara, a Tini não tava aqui com você não?

Facu:_ Bem que eu queria, mas não, não estar. — Nem consegui ficar zuado com o comentário dele, estava preocupado demais pra isso.

Jorge:_ Nicolás, liga a luz daqui de trás, agora! — Ele fez o que eu pedi, olhei fileira por fileira. Facu, atrás dele, Xabiani e Juliano (personal) , mais atrás Pri, Cande e Mechi e no final os dançarinos. É, ela não estava lá. Meu coração foi a mil, como assim, ela não estava? — Galera, alguém viu a Martina, pelo amor de Deus?

Xabiani:_ Ah, eu acho que eu vi sim.

Jorge:_ A onde?

Xabiani:_ Ela atravessou a rua e não vi mais!

Jorge:_ O que? Por que? Como assim cara? Não! Tem alguma coisa errada ai!

Priscila:_ Ih Jorge, relaxa, as vezes ela foi comprar alguma coisa, não sei.

Jorge:_ Priscila, ela não foi comprar nada, se ela tivesse ido fazer isso, teria me avisado. PARA ESSA VAN AGORA! — Gritei, com a freiada de uma vez, todos fomos jogados um pouco para a frente. — Eu quero descer!

Xabiani :_ Jorge, calma, a gente pede pra alguém ir atrás dela, você tem um show já já!

Jorge:_ Eu quero descer, e eu vou descer.

Cande:_ O celular dela tá chamando, pega. — A ruivinha me passou o celular, coloquei no ouvido com esperança de ouvir sua voz.


Pov Martina Stoessel.

Depois de tirar o sapato, firmei os pés na praia, a areia fazia ele deslizar tranquilamente. Sem dúvida alguma, lá parecia ser muito mas lindo, do que pela vista da sacada do hotel. Meu rosto estava inundado por lágrimas. Meu cabelo, voa entre o vento. Sentei na areia de joelhos mesmo. A dor me consumia. Eu sabia que não seria fácil, mas eu não sabia que doeria tanto em mim. E o que mas doia era pensar na possibilidade que ela havia falado, me afastar dele. Eu não poderia, eu não consegueria. Porém, eu também não poderia e nem conseguiria fazer com que as fãs se afastassem dele. Meu celular vibrou na carteira, cinco chamadas perdidas da Cande, três da Mechi e sete do Blanco, ia desligar quando ele me ligou mas uma vez. Pensei em não atender, mas ele estava prestes a subir no palco, iria ficar preocupado, eu não poderia fazer aquilo com ele, respirei fundo, enxuguei as lágrimas, contei até cinco e atendi.

Martina:_ Oi.

Jorge:_ MARTINA? A ONDE VOCÊ TÁ CARA? TÁ TUDO BEM? POR QUE VOCÊ SAIU SEM FALAR NADA? QUE BARULHO É ESSE? VOCÊ TÁ SÓ?— Sabe aquela preparação toda para conseguir falar com ele? Então, foi toda por água a baixo. Era impossível ouvir sua voz e não chorar.

Martina:_ Eu..eu, tô bem! - Minha voz quase não saiu, e quase me bati por isso, ele percebeu na hora.

Jorge:_ NÃO! Você não tá bem. Você tá chorando? Você tá chorando cara.O que aconteceu? Me fala pelo amor de Deus!

Martina:_ Não.. eu, senti uma dor de cólica muito forte e vim na farmácia comprar remédio, por isso estou chorando, ainda não passou.

Jorge:_ Você sempre foi péssima em mentiras, sabia?— Ele falou, e mas uma vez tive vontade de me bater.

Martina:_ Blanco, eu tô bem!

Jorge:_ Não, você não tá bem!

Martins:_ Jorge, para! Faz seu show tranquilo.— Desliguei e desliguei o celular. Por mim ficaria ali por horas, porém, eu cairia no choro novamente, ele veria que eu realmente não estava vem, e até poderia cancelar um show para vir até mim, e o que eu menos queria era afastar ele das suas fãs e do que mas amava fazer. Fiquei ali entre pensamentos, lágrimas, desesperos e medos.


Pov Jorge Blanco.

Ela havia me chamado de Jorge? Ela quase nunca faz isso meu Deus do céu cara, agora mas que nunca, eu sabia que ela não tava bem.

Jorge:_ Para essa van! Eu já disse.

Priscila:_ Calma Jorge, calma.

Xabiani:_ O que ela disse?

Jorge:_ Que tava com cólica e foi comprar remédio e cara, não tem nada haver isso. Ela não tá bem!

Facu:_ Meu caro, convivemos com três mulheres dia e noite, e você sabe que é bem por ai mesmo.

Mercedes :_ Não..não faz sentido. Eu reclamei de dor de cólica hoje, e ela e a Cande comemoram por não estarem naqueles dias que vocês sabem.

Facu:_ Ai, eca cara. Para Mechi!

Xabiani:_ Jorge, o que você pode fazer é, sentar, fazer seu show, e esperar, quando você voltar, vocês conversam.

Facu:_ Senta parceiro! — Ele deu espaço para que eu pudesse me sentar, me sentei, mas minha mania de passar a mão no cabelo e bater o pé começou. Todos se olhavam apreensivos e preocupados. Entramos em outra avenida e chegamos ao local do show, passei pela grade e apenas peguei na mãos de algumas delas, e fui para o camarim, tentei ligar para ela, uma, duas, três, quatro, cinco vezes, mas nada. Juliano me ajudou a se alongar, Xabiani colocou o fone, Priscila me deu uma garrafinha de água, mas nada me acalmava ou me tirava da cabeça ELA. Comecei a ensaiar os sorrisos que daria naquela noite, porque seria assim. Comecei o show como todos os outros.

Jorge:_ Galera.. eu queria cantar uma das antigas hoje, mas que eu gosto pra caramba. Bora? — A banda e as meninas me olharam sem entender. – Es por momentos que parezco invizible y solo yo entiendo lo que me hiciste.... - Cantei a primeira parte sem problema algum, só me via ela e seu sorriso em mente, mas quando a galera começou a cantar só, olhei em volta, e faltava ela, me sentei no meio do palco, no chão mesmo, abaixei a cabeça e comecei a chorar. Minhas fãs choraram comigo, não consegui continuar de cantar, Priscila entrou no palco com uma garrafinha de água, me entregou, bebi metade em um gole só.

Priscila:_ Jorge, disfarça pelo menos. — Concordei me levantando.

Jorge:_ Desculpa gente, mas é bom saber que mesmo depois de anos sem cantar ela nos shows, vocês ainda lembram direitinho! — Aplaudiram e dei continuidade ao show normalmente, assim que terminou já corri pra van com Nicolás.

Mechi:_ Liga pra gente, quando souber noticias dela! — Ela gritou depois que entrei, concordei e fechei a porta. E lá se foi uma das viagens mas longa da vida. Nem sentar, sentei, não conseguia. E meu medo de entrar naquele hotel, e ela não tá lá? Meu Deus do céu cara! Como era de madrugada, haviam poucas pessoas na rua, o que era bom, já que eu não estava com paciência. Antes de descer da van, olhei para o outro lado da rua, a onde Xabiani falou a ter visto pela última vez. E ela estava lá, sentada na praia. Meu coração acelerou, sem pensar duas vezes desci da van e sai correndo direção a ela. Nicolás correu atrás de mim, pedi com a mão que ele se ficasse um pouco afastado. Estava com a cabeça escorada sobre o joelho, e chorava baixinho. E mais uma vez, meu coração acelerou. Toquei seu ombro e respirei fundo.

Jorge:_ Ei.. — Me ajoelhei frente a ela. Os olhos vermelhos e um pouco inchados não enganavam que ela havia chorado a noite inteira. — O que aconteceu ein? Conta pra mim. — Toquei seu rosto de leve, e ela me abraçou forte. Correspondi da mesma forma. Senti as suas lágrimas se encharcarem na minha blusa, e isso doeu, não por molha-la, mas por ver ela naquela situação e não saber o que fazer para mudar aquilo. — Você tá me deixando muito preocupado. O que foi? — Me sentei ao seu lado, ela enxugou o rosto com as costas das mãos e olhou para o céu.

Martina:_ Sabe por que eu sempre gostei de estrelas?

Jorge:_ Não, mas o que isso tem haver com o que.. — Ela me interrompeu.

Martina:_ Por que.. — Ela olhou para o céu, fiz o mesmo. — Não importa se estamos longe delas, elas estão com a gente vamos. — Sorri de leve, como ela conseguia falar tanta coisa linda? Voltei a olhar para ela. O vento batia em nós dois, seu cabelo voava de leve para frente do seu rosto. Eu só tinha vontade de uma coisa: cuidar dela e tirar tudo de ruim que ela sentia e se possível colocar dentro de mim. Toquei seu rosto com cuidado o virando para mim, agora ela chorava novamente. Sequei cada lágrima e colei minha testa na sua, ela fechou os olhos e eu fiz o mesmo, ia beija-la quando ela afastou seu rosto e abriu os olhos.

Jorge:_ O que..espera..o que foi? — Agora o desespero triplicou dentro de mim.

Martina:_ Você vai ser como elas, agora.

Jorge:_ Como..como assim? Do que você tá falando Martina?

Martina:_ A gente não pode ficar junto. — Sua voz falhou e caiu no choro, agora mais forte que todos os outros. Aquela frase para mim era mais que uma facada, era como se meu coração tivesse parado de bater, ou melhor ainda.. se ele fizesse isso mesmo, seria melhor, acho que não doeria tanto. Me levantei incrédulo, passei as mãos na cabeça, sem saber o que fazer, o que falar, sem saber de nada. — Desculpa, desculpa.. — Ela também se levantou.

Jorge:_ Porque? Só me diz por que? — Eu tava nervoso demais, e não queria assusta-la, tentei manter a calma, me aproximei dela com cuidado. — O que eu fiz de errado princesa? Só me diz isso..não tô te dando a atenção que merece? Cansou dessa correria toda?

Martina:_ Não, não Jorge! — Ela me chamando de Jorge de novo? Ah não cara!

Jorge:_ Não, não.. você não! — Peguei seu rosto entre as mãos e lhe dei um selinho. — Não, você não tá falando sério. — Olhei no fundo dos seus olhos. — Não me deixa cara, não faz isso comigo. Eu precis.. — Agora eu chorava também. — Preciso de você!

Martina:_ Não complica mais ainda, por favor.

Jorge:_ Você que tá complicando tudo! Me explic..me diz, o que eu fiz de tão ruim assim?

Martina:_ Não.. não.. não dar! A gente vive em dois mundos diferentes.

Jorge:_ Eu só quero um motivo, por que isso não é um. Me diz um! — Ela olhou pra cima, para os lados, para mim, para o mar, fechou os olhos tentando evitar que as lágrimas caíssem, mas era em vão.

Martina:_ Eu..eu-u, eu não te amo! — Sua voz falhou, um nó apareceu na minha garganta. Ela estava mentindo, eu sabia disso, eu tinha certeza disso.

Jorge:_ Você tá mentindo..tá mentindo cara! — Ela negou com a cabeça. — Então.. fala, olha nos meus olhos, fala olhando neles.

Martina:_ Não complica mais ainda..por favor! — E saiu correndo, a minha vontade era de correr atrás dela. Saber o por que de tudo aquilo. Andei de um lado para o outro sem rumo, sem direção, sem sentido, e acabei me sentando no chão, novamente. Chorei ali, tudo o que tinha para chorar, sem medo, vergonha ou arrependimento.


Pov Martina Stoessel.

Eu estava sem chão, sem ar, sem gravidade. Era como se o meu mundo tivesse desabado, meu coração explodido e minha cabeça sem existência. Eu chorava de soluçar tanto o quanto tremia. Eu tinha acabado de dizer NÃO para o homem da minha vida, e além de tudo falado que não o amava. Meu Deus, como eu consegui? Como eu pude fazer isso com ele? Ele chorando, pedindo para que não o deixasse, e apenas dizia "não e não". Minha vontade era de voltar lá, abraça-lo o mas forte que eu conseguisse, o beijasse, falasse o quanto eu o amava, falar que tudo não tinha passado de uma brincadeira, mas eu não poderia. Eu não poderia fazer isso com ele. Eu não poderia o deixar divido entre mim e suas fãs, eu sabia que muitas apoiariam, porém tinha aquelas que não apoiariam, e ai? O que faríamos com elas? Ele, eu sabia que sofreria calado, mas eu não suportaria o vendo assim. As fãs dele, era a vida dele. Eu não poderia ser covarde tamanho absurdo. Deixar ele ali, foi a decisão mas difícil que eu havia tomado, com certeza a essa hora ele estaria me odiando, e mal sabia ele, que estava abrindo mão da minha felicidade para a felicidade dele. Passei correndo pela recepção do hotel, todos da banda estavam ali, me olharam preocupados, mas não tiveram nem tempo de me perguntar o que houve, fui mas rápida, assim que entrei no meu quarto, me joguei na cama e desabei a chorar.


Pov Jorge Blanco.

Não sei quanto tempo havia ficado ali, uma, duas, talvez até três. Chorei o quando consegui. Por que ela tava fazendo aquilo cara? Não fazia sentindo ela falar que não me amava, e as palavras? o
Os abraços? Os beijos? Os carinhos? Eram sinceros, eu sabia. Só me levantei quando Nicolás tocou meu ombro,m e concordou com a cabeça, me levantei, a areia estava em toda minha roupa, meu cabelo bagunçado pelo vento, meus olhos ardiam, então com certeza, estavam vermelhos e inchados. Entrei no hotel e todos estavam lá. Me olharam preocupados, com dó, pena.Não sei!

Priscila:_ Jorge! — Ela me olhou de cima em baixo.

Jorge:_ Sermão agora não Priscila, sério.

Priscila:_ Mas.. o que aconteceu? você não tá bem.

Jorge:_ Eu quero ficar só, pode ser? — Mechi me abraçou forte, Cande fez o mesmo. Em seguida os meninos me deram um típico abraço de homem. Subi, parei frente o quarto dela, pensei em bater, mas ela não abriria, respirei fundo e entrei no meu, dando descanso ao Nicolás, já que ele não vacilava no trabalho.Tomei um banho gelado, vesti uma roupa qualquer e me joguei na cama, minha cabeça pesava. Bateram na porta uma, duas, três, quatro, cinco vezes, como não haviam desistido tive que abrir. Era Mercedes.

Mechi:_ Desculpa, desculpa, eu sei que você quer ficar só, mas isso não ajuda. Todos queriam vir, mas achamos melhor sem tumulto, então eles concordaram que a melhor pessoa pra fazer isso seria eu, e eu nem sei o por que, já que não sei o que fazer, mas..eu tô aqui e pro que der e vi.. — A interrompi a abraçando forte que conseguia. — Põe pra fora..isso! Vai te fazer bem. — Não sei quantos minutos fiquei ali, a abraçando, ela se sentou na cama e eu deitei no seu colo. Mercedes era uma espécie de irmã e ao mesmo tempo mãe, para mim. — Quer conversar? — Neguei com a cabeça. — Então.. dorme, amanhã é outro dia! — Fechei os olhos, mas quem me vinha na cabeça? Isso mesmo, ela. Não consegui dormi, então quebrei o silêncio.

Jorge:_ Sabe qual a pior parte? — Em fim falei. Ela negou com a cabeça. — Ter ouvido falar que ela não me amava, eu queria acreditar nisso, talvez seria mas fácil, mas não acredito, não entra. Ela tá mentindo cara!

Mercedes:_ Olha Blanco.. ela tá de cabeça quente, você também. Descansa, amanhã vocês conversam, quem sabe não se entendem?

Jorge:_ Mechi.. mas não tem o que se entender, eu só quero saber o por que disso tudo. Eu não fiz nada cara, nada!

Mercedes:_ Descansa, amanhã é outro dia, vai ser melhor. Garanto! — Fechei os olhos sem a garanti que seria, afinal, se ela não estivesse lá comigo, não seria melhor.


Pov Martina Stoessel.

Bateram na minha porta no mínimo umas dez vezes. Eu não atendi, queria ficar. A dor ainda me consumia, tudo estava mal, tudo estava morrendo por dentro, completamente tudo. Não quis olhar as estrelas, seria pior. A presença dele, estava em cada uma delas. Minha certeza era que apesar de ser dolorido, e estar acabando comigo por dentro, a minha decisão era a certa.

Notas finais
Nada a declarar...