Sonríe siempre para mí
9 Capítulo 9
— Blanco, você tá me dando um carro? Tá maluco? — Parei frente o carro
— Pra você! — Ele ergueu as chaves.
— Não, eu não..não posso aceitar!
— Martina. — Ele bufou. — Não me deixou dar o apartamento, não me deixou comprar suas coisas, não me deixou nada, por favor.
— Não! Não posso.
— Que cabeça dura você! — Ele revirou os olhos. — Tá legal..vou fingir que é um empréstimo então, só que não é.
— Blanco -_-.
— Por favor! Você sabe que sempre gostei de dá presente pra todo mundo. Não me priva isso, foi eu mesmo que fui lá escolher.
— Ai.. — Mordi os lábios. Ele ergueu as chaves, fechei os olhos e peguei. — Você não existe sabia? — O abracei.
— Eu existo sim, tô bem aqui e querendo dá uma volta com ele!
— É pra já então! — Ri, ele puxou o laço com tudo, colocou no porta-malas, entrei no banco do motorista e ele ao meu lado. — Pra onde?
— Vai ter que me deixar em casa madame.
— Opa! — Dei partida, ele ligou o som.
— O que quer ouvir?
— Você!
— Eu não tô com CD aqui e.. — O interrompi, enquanto saia na rua.
— Quero ouvir você cantar.
— Ah, qual?
— Qualquer uma!
— Tá bom.. — Ele fechou os olhinhos e começou, cantou uma, duas, três, até chegar em casa.
— Aê! — Aplaudi e ele riu.
— Janta com a gente?
— Não dá..já tá anoitecendo, e ainda tenho que arrumar minhas coisas no guarda-roupa, mas..pode deixar que outro dia janto.
— Fico preocupado com você, sózinha naquele lugar, deve ser ruim.
— Eu me acostumo! — Sorri.
— Até então.. — Ele abriu a porta, beijou meu rosto e desceu, Lodovica estava ao lado de fora com o Puff (Cachorro deles), acenei e ela também.
Dei partida, estava adorando meu carro, liguei a rádio para descontrair, parece até que o caminho ficou mas perto, não que seja longe de lá até o apartamento. Estacionei, subi, entrei, as luzes apagadas, apenas a tv ligada no volume baixo. Joguei minha bolsa no sofá e me joguei ao lado também. A primeira noite de muitas só, senti falta da minha mãe, de quando chegava cansada da faculdade, e me jogava em seu colo para assistir um filme qualquer, logo meu irmão chegava com sua nova namorada e se juntava a nós duas, e virava uma bagunça só. Só me toquei que estava chorando, quando senti as lágrimas já escorrendo pelo meu pescoço.
— Calma Martina, é só o começo! — Me levantei, fui para meu quarto, de todos os cômodos da casa, aquele era o que mas cheirava ao Blanco, lembrei dele cantando para mim dormir. Fui até a sacada, as estrelas naquela noite pareciam brilhar mas fraca, assim como eu, apesar de tudo, estava me sentindo só, e isso não era legal. — Ok, desfazer as malas. — Olhei para elas no canto, abri uma a uma e coloquei no guarda-roupa, queria me cansar com aquilo, para tomar banho, comer alguma coisa e me jogar na cama e dormir, para não me sentir mais só ainda. Mas meus planos não deram certo, não cansei, e quando me joguei na cama, não consegui dormir. Tomei um calmante e só então consegui dormir.
Pov Jorge Blanco.
— Filho?
— Oi mãe, entra. — Ela abriu a porta com uma pilha de roupas nos braços.
— Trouxe as limpas.
— Ah.. valeu mãe! — Voltei a olhar para aonde estava olhando antes dela entrar, as estrelas, eu fazia aquilo todas as noites, quando era criança, a Martina se foi e minha vontade de estar próxima a elas também, mas agora..com sua volta, não sei, senti vontade novamente.
— Filho tá tudo bem? — Ela se aproximou, tocando meu ombro.
— Tá..eu só, sei lá..
— Me lembro quando você era menino ainda, criança, fugia pra olhar, lembra? Eu me zangava, mas..era por preocupação de acontecer alguma coisa com você e a Tini.
— Tini. — Sorri.
— Filho, você tá gostando dela não tá?
— Ham? Não! Claro que não! Quer dizer.. a gente é amigo e só.
— Jorge, eu te conheço..talvez nem você tenha descoberto isso ainda, mas quem te conhece, sabe.
— Não mãe..eu só..tô preocupado, ela só lá, não é bom né?
— Viu.. — Sorriu. — Seu pensamento tá nela. — Não respondi. — Jorge, você é uma das melhores pessoas que conheci na vida, e eu sei meu filho, que apesar de tudo, se sente só e sofre com isso tudo, se tá gostando dela..vai em frente. — Novamente não disse nada. — Quer um conselho?
— O que?
— Descansa.. amanhã é outro dia, e mas cedo ou mas tarde você vai descobrir isso. — Ela beijou meu rosto. — Deus te abençoe. — E saiu.
Me deitei na cama. Não, eu não estava gostando dela, quer dizer..ela era minha amiga e só. Mas e se eu realmente tivesse gostando? não..eu não poderia. Minhas fãs, elas..elas..acho que elas não suportariam a idéia, tudo que eu menos queria era magoar elas, elas eram tudo pra mim, não poderia, não! Acabei dormindo em pensamentos.
Pov Martina Stoessel.
Acordei com o alarme do meu celular, o silêncio reinava, me sentei na cama. Que vontade de chamar minha mãe, ela trazer meu café na cama, e em seguida voltar a dormir, acordar sentindo o cheiro do almoço vindo da cozinha, depois reunir a familia, ir passear. Ai meu Deus! Eu não poderia ficar só naquele canto, eu ficaria louca. Me levantei, vi as mãos na parede, coloquei a minha por cima da do Blanco e sorri. Acho que se eu ainda estivesse ali, era por ele, só por ele. Separei algumas coisas para decorar minha mesa do escritório e fui para o banho, me vesti.
Estava sem fome, então sai. Entrei no carro e fui para o trabalho, cheguei junto com a Juliana.
— Oi Martina.
— Oi Ju!
— Quer tomar café com a gente? Quer dizer.. daqui a pouco os outros chegam.
— Ah não..eu estou sem fome.
— Tem certeza? — Concordei. — Tá tudo bem? Eu mal te conheço, mas ontem você estava tão animada e hoje..
— Não..tá tudo certo. Obrigada por se preocupar, bom trabalho! — Sorri de leve e fui para minha sala, coloquei a caixa com minhas coisas sobre a mesa.
Peguei um porta-retrato de vidro, com uma foto minha, da minha mãe e meu irmão, Coloquei em cima da mesa, ao lado, coloquei uma minha e do Jorge, quando pintamos a parede do meu quarto, coloquei o porta-lápis com várias canetas coloridas ao lado do computador, uma bonequinha de bisqui. Pronto! Comecei a trabalhar, não quis sair para almoçar, pedi e almocei lá mesmo, de tarde Rafael pediu para remonitorar alguns arquivos, fiz o que ele pediu, as 18:00 horas fui para o apê, abri a porta e mas uma vez meu coração apertou, me sentia só, isso era torturante.Tentei me destrair assistindo, mas não deu certo. Eu sempre fui daquelas de ter alguém por perto, e agora não estava sendo assim e estava me doendo. Eu tinha apenas a familia do Blanco, mas eles também tinham a vida deles certo? Me vi ali pensando, tantos querendo morar só, mal sabiam que não era tudo o que sonhavam, pensei em ligar pra mamãe, mas ela se preocuparia, então deixei pra lá, tomei banho, vesti meu pijama, e deitei no sofá.
Pov Jorge Blanco.
Passei o dia em casa, vontade de fazer coisas, existiam mil, mas 999 e não poderia fazer, por questão de segurança e blá, blá. Fui pertubar Lodo já que não tinha o que fazer.
— Maninha linda.. — Me joguei em cima dela, deitada na cama.
— Ai, socorro! Gordo! — Ri.
— Tá fazendo o que de bom?
— Bom, eu estava lendo. — Ela ergueu o livro. — E você?
— Nada demais. — Respirei fundo.
— E a Tini?
— Ela tava trabalhando..não quis perturbar ela, é chato ser grudento né?
— Bom, eu não sei..
— Como assim?
— Se tratando de você, Jorge, sei que não é.
— Como sabe?
— Ela era apaixonada por você, e ainda é, será que só eu vejo isso? — Ri.
— Era Lodovica, não é mais.
— Tem certeza? É só olhar pra ela, como ela olha, como ela sorri..tá na cara!
— Ah claro que nã..CÊ ACHA? — Ela riu, ia começar a falar quando meu celular vibrou. — Perai! — Ergui. — Oi?
— Jorge?
— Quem tá falando?
— É a Ju, da central.
— Ah, fala Juju!
— Tudo bem?
— Tudo certo, graças a Deus e por ai?
— Tudo, também..falou com a Martina hoje a tarde?
— Não, ela tava trabalhando, não quis perturbar. Por que?
— Ah, eu não conheço muito ela, mas sei que você sim. Então.. — Meu coração já disparou.
— O que?
— Sei que parece loucura, conheci ela ontem, mas hoje ela parecia triste, desanimada. — Dessa vez meu coração apertou.
— Mas..mas, por que você não me ligou antes?
— Pensei que poderia ser paranóia da minha cabeça, mas..o Rafael também acho isso.
— Eu tô indo pra lá agora! — Me levantei e Lodo veio atrás de mim. — Valeu por avisar viu?
— Que isso, qualquer coisa me avisa. Beijo! — Desliguei, Lodo me olhava curiosa.
— A Martina!
— O que aconteceu?
— Não sei..mas ela tava triste, vou lá agora! — Falei pegando a carteira e a chave do carro.
— Deixa eu ir com você, só vou trocar de roupa, tô de pijama.
— Não dá tempo, eu te ligo..quando a mãe chegar com o pai do shopping, diz que fui lá, só visitar mesmo, não quero ela preocupada.
— Mas Jorge..
— Fecha a casa viu? Se cuida, qualquer coisa...
— Te ligo, já sei. — Escorei a porta, ela fechou na chave, e entrei no carro.
No caminho tentei ligar pra ela, mas só chamava, chamava e não atendia, ah não! Acelerei, desci no estacionamento, torcendo para não ter ninguém e graças a Deus, não tinha, entrei no elevador, subi, parei frente a porta dela peguei o molho de chaves do bolso, coloquei e girei duas vezes. Entrei com tudo e não gostei do que vi.
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