Notas iniciais
Yeeeyyy surpreeeesaaa~~ vocês não esperavam por um post tão rápido não é??? kkkkkkkkkk mas é que eu PRECISAVA postar logo esse capítulo, não aguentaria esperar mais!! Ele já tava praticamente pronto, eu só precisei finalizar... e quando vi pronto, eu tive que postar!!! Não me segurei u-u Entãaao, além disso, eu quero dedicar esse capítulo especial para uma das minhas mais queridas e fofas leitoras, que fez aniversário há alguns dias, a Lorea-chan!! Ela seeeempre me deixa reviews lindos e enormes, que me deixam suuuuper feliz, e eu quero agradecer por isso, e também desejar novamente, feliz aniversário para ela! Agarre seu Travesseiro-kun, Lorea-chan, e aproveite o seu presente!!! o/

Are ga denebu arutairu bega

Lá estão Deneb, Altair e Vega

Kimi wa yubisasu natsu no daisankaku

O triângulo de verão que você aponta

Oboete sora wo miru

Eu relembrei esses fatos e olhei para o céu

Hontou wa zutto kimi no koto wo

Na verdade, eu já tinha há algum tempo

Dokoka de wakatteita

Me dado conta de meus sentimentos por você

Mitsukattatte todoki wa shinai

Eu os encontrei, mas eles nunca vão chegar até você

Dame da yo nakanai de

Não adianta, não chore mais

Sou iikikaseta

Foi o que disse a mim mesmo



Capítulo 19



Caminhando pelo quarto com curiosidade, Yuri tentava encontrar qualquer coisa interessante que pudesse ajudá-lo a passar o tempo. Wolfram havia inexplicavelmente desmaiado durante o banho dos dois, e agora repousava tranquilamente na sua enorme cama king-size, que ficava no meio do quarto requintadamente decorado. Nas prateleiras ao redor da parede, havia vários livros e outros objetos pessoais do loiro. Yuri passeava os olhos por elas, ávido por tentar descobrir qualquer coisa sobre o seu amigo que ainda não soubesse, apenas para poder importuná-lo depois.

Yuri parecia tranquilo agora, mas quando viu Wolfram desmaiar em seus braços, ele ficou em pânico. Vestiu-se rapidamente, ainda molhado, e saiu procurando por ajuda. Por algum motivo, haviam empregadas ao lado da porta no momento em que ele saiu, e elas o ajudaram a recolher Wolfram, e depois de colocar nele alguma roupa, elas o levaram para o quarto. Apesar de tudo, elas pareciam mais empolgadas com a situação do que preocupadas. Lembravam um pouco Miyako. O irmão mais velho de Wolfram, Gwendal, o examinou rapidamente depois disso, e disse que estava tudo bem, e que ele provavelmente só ficou tonto pelo calor.

E agora que tinha que esperá-lo acordar, Yuri aproveitava para analisar os pertences do amigo, sem nenhuma cerimônia. Provavelmente não teria uma chance com essa quando ele voltasse a acordar. Além dos livros antigos escritos em uma língua que Yuri não entendia, ainda havia miniaturas de carros antigos, e outros brinquedos desse tipo, que deveriam ser caros demais para qualquer criança comum possuir. Havia ainda um ou outro urso de pelúcia, escondido entre outros objetos, o que era bastante curioso. E entre eles, o garoto percebeu algo familiar. Uma pelúcia em forma de golfinho, que Yuri havia comprado para ele durante o passeio pelo aquário. Ele ainda guardava aquilo, mesmo depois de ter dito que era um brinquedo simplório, e que ninguém iria querer. Ele ainda guardava, em meio a outras preciosidades que ele tinha colecionado ali, como uma boa lembrança. Ele não pôde evitar sorrir, passando a mão pela pelúcia fofa. Wolfram nunca deixava de surpreendê-lo. Quando ele achava que já conhecia tudo o que tinha para conhecer…

Virando-se novamente em direção à cama, Yuri viu o garoto que ressonava tranquilamente, depois de já ter chutado os cobertores para longe. Até mesmo no sono ele era inquieto. Yuri se sentou na beirada da cama, observando-o dormir espalhado pela cama, com o rosto virado para o seu lado. Isso podia parecer estranho, talvez… Mas ele tinha vontade de continuar a olhar, mesmo assim. Wolfram vestia um pijama normal, azul marinho, com finas linhas brancas no contorno da gola. Uma pena, pois Yuri desejara ver a tão falada camisola cor-de-rosa que ele citara uma vez…

— Até você fica fofo dormindo desse jeito… — Yuri observou o amigo, abraçado ao travesseiro, fazendo sons baixinhos que mais pareciam o ronronar de um gato. Yuri sentia uma onda de afeição inexplicável que se espalhava pelo seu corpo ao ver Wolfram tão frágil e calmo. Algo como “eu tenho que proteger você”. Não fazia sentido, certo? Mas é que ele era tão… Ah! O vocabulário limitado de Yuri não trabalhava a seu favor.

Yuri aproveitou que Wolfram continuava inofensivo enquanto dormia, e começou a passar os dedos de leve pelos cabelos dele, enrolando os cachos loiros neles. Sorriu para si mesmo, ao reparar que Wolfram não oferecia nenhuma resistência quando estava daquela maneira. Era tão suave, tão tranquilo… o completo oposto da sua personalidade usual. Calmamente, Yuri deslizou os dedos pelo rosto do garoto desacordado, vendo-o franzir o nariz com seu toque. Sorriu ainda mais abertamente. Como havia pensado desde a primeira vez que o viu, Wolfram era lindo…

Será que a garota predestinada de Yuri, aquela que aparecia em seus sonhos, seria tão linda quanto Wolfram? Ele esperava que sim… mas não era provável. Wolfram era… especial, no final das contas…

Wolfram, por sua vez, alheio às intensas observações a que era submetido, estava quase recobrando a consciência. Sentia sua cabeça rodar, no limiar entre o escuro completo e um sonho estranho, em que ele abraçava Yuri dentro da água quente da banheira, sem nada separando seus corpos. Fracamente, alguém como ele tendo tais sonhos indecentes… Isso era humilhante de se admitir, até para si mesmo! Ainda censurando esse seu eu vergonhoso mentalmente, Wolfram decidiu de uma que era hora de acordar, embora estivesse muito confortável, em um lugar macio que só podia ser a sua cama, sentindo algo fazer cócegas no seu rosto.

Demorou a encontrar os músculos certos do seu corpo que o ajudariam a levantar. Estava meio amortecido, e nem sabia o porquê. Hoje não era o dia em que Yuri viria até a sua casa? Ele tinha que acordar logo para se preparar para isso, ou acabaria se atrasando…

—Você está bem, Wolfram? – Yuri sobressaltou, afastando a mão dele. Estava tão distraído vendo Wolfram dormir que se assustou ao vê-lo se mover. — Está acordando…?

— O que aconteceu…? – Wolfram se esforçou para sentar na cama, e sua cabeça girava. – Por que você está no meu quarto? – Ele franziu os olhos, demorando a se acostumar com a claridade superficial, e colocou o braço em frente aos olhos. Yuri no seu quarto? Ah, claro… Era outro daqueles sonhos sem explicação que ele vinha tendo…

— Eu estou aqui na sua casa faz um tempão, Wolf! Não lembra? Você acabou desmaiando no banho…

— Não ouse falar mais nada! – Wolfram o interrompeu com um grito, assim que a lembrança se tornou nítida o suficiente, o rosto rapidamente colorindo-se de vermelho. Escondeu-se atrás do cobertor, sentindo-se o maior dos idiotas. Que bela cena patética, desmaiando no meio de um banho, em uma situação como aquela… Logo na frente de Yuri! Tudo culpa desse fracote imbecil, tudo culpa dele! Se ao menos ele não tivesse começado a agarrá-lo daquela forma indecente, tão subitamente… Então Wolfram não teria se sentido tão estranho, e nada daquilo teria acontecido.

— N-não precisa ficar com vergonha, Wolfram… — Yuri tentou tranquilizá-lo, verdadeiramente preocupado. – Isso acontece! Veja bem, eu mesmo já desmaiei em uma casa de banho uma vez, quando era criança…

— Grande coisa para um fracote como você! – Wolfram replicou, escondendo-se ainda mais. Não era do desmaio que ele tinha vergonha, mas das coisas que sentira quando Yuri o abraçou de repente, quando seus corpos se tocaram daquela forma… Não, não, ele não devia pensar nessas coisas! Absolutamente não! Só a mera lembrança daquela sensação era o bastante para fazer Wolfram desejar sumir para sempre da face da Terra.

— Ei, Wolf… Você está bem? – Yuri voltou a chamar, tentando puxar o lado do cobertor que Wolfram segurava com firmeza. – Vamos, não se esconda…

— V-você viu? – A pergunta incoerente escapou em forma de sussurro dos lábios de Wolfram, antes que ele se contivesse.

— Vi o que?

— Você sabe!! Você me viu… s-sem roupa… quando eu desmaiei? – A curiosidade ingênua de Wolfram fez Yuri ter vontade de rir, embora isso não parecesse a melhor das ideias na presente situação. Wolfram baixou o cobertor apenas o suficiente para espiar com um olho a reação do garoto. Ele se esforçou para parecer sério.

— Não vi nada. Eu juro! – Ele respondeu solenemente. Era mentira, ele tinha visto tudo! Bem de perto! E mais de uma vez! Mas se dissesse isso, Wolfram iria afogá-lo naquela banheira de água fervendo sem nenhuma piedade, com toda certeza.

— Fracote estúpido, imbecil! – Wolfram chutou Yuri com força para fora da sua cama. Aquele idiota, sem cérebro, Wolfram apostava que se fosse uma garota, ele teria olhado tudo sem nenhuma dúvida naquela cara de pau! Mas a irritação de Wolfram não se justificava, já que ele também não queria que Yuri visse nada. E estava tão constrangido com a possibilidade que só restava a ele descontar tudo no pobre Yuri que nada entendia.

— E-ei, espera aí! Você deve estar com fome… — Ele levantou do chão onde havia caído depois do chute de Wolfram, e sorriu sem graça para ele, tentando mudar de assunto. – Uma das empregadas trouxe comida para nós mais cedo, aqui. Eu já comi a minha parte, mas a sua ainda está aqui… – Ele mostrou a bandeja colocada em uma mesa redonda de madeira perto da janela, ao lado de uma poltrona de tecido listrado em tons de azul.

— Ah… — Wolfram sentiu seu estômago protestar, e só por agora, decidiu deixar de lado aquele assunto irritante para tratar dessa necessidade imediata. Jogou os cobertores para o lado com força, preparando-se para sair da cama. Como se ergueu rápido demais, é claro que perdeu o equilíbrio, e Yuri correu para ajudá-lo, segurando-o pelo lado. – Não precisa me ajudar, eu me viro sozinho! Não me toque! – Ele empurrou Yuri para longe, temendo as coisas que poderia sentir caso ele chegasse de novo perto demais. Andou até a poltrona, acomodando-se nela enquanto se preparava para comer. O prato era um requintado ensopado, com vários temperos e especiarias que Wolfram conhecia bem, pois eram nativos da sua terra natal. Ele deixou escapar um sorriso ao sentir o cheiro familiar.

— A comida do seu país é realmente muito boa! – Yuri elogiou, sentando-se no sofá que ficava do outro lado da poltrona. – Sua mãe havia mandado fazer vários pratos típicos, porque são os seus favoritos, mas você nem pôde aproveitar o jantar…

— Você… ficou aqui o tempo todo…? – Wolfram tirou a conclusão ao lembrar que Yuri dissera antes, que a empregada trouxera o jantar.

— Sim. – Yuri bagunçou os cabelos, constrangido. – É a primeira vez que eu via alguém desmaiar, sabe? Fiquei preocupado com você! E então, mesmo depois de sair da água, você não acordava nunca, eu pensei que podia ter tido alguma coisa séria…

— Idiota, não precisava ter feito isso… — Wolfram girou os olhos, mirando o chão. Estava muito embaraçado, mas se recusava a deixar seu coração bater tão rapidamente por algo trivial como aquilo. Para disfarçar, começou a comer de qualquer jeito. A comida estava fria, mas ainda muito boa.

— Algum dia, eu gostaria de visitar de novo o seu país, com você… — Yuri divagou, parecendo alegre com a perspectiva. – Se a comida é assim tão boa, eu imagino que deva ser um lindo país… Já que eu não me lembro de quase nada daquela vez em que nós nos conhecemos…

— Você tem que ir para lá no verão, quando o clima é mais ameno, e se pode fazer cavalgadas até o fim da tarde! O pôr do sol é lindo também, e você diz que essa comida é boa, mas ainda não provou a torta de carne que… Q-que cara de idiota é essa… — Wolfram interrompeu a sua fala quase empolgada ao reparar no sorriso tolo que Yuri tinha no rosto, observando-o. Aquilo o fazia sentir-se desconfortável.

— Nada, é que… Bem, você parece realmente feliz quando fala do seu país… Nunca vi seus olhos brilharem tanto. – Yuri sorriu, e Wolfram sentiu suas orelhas queimarem, apertando com força a colher, tentando não se deixar abalar por somente um sorriso. – Pode falar mais…

— Imbecil. Como se eu pudesse… — Ele desviou o olhar, irritado, e de repente muito consciente de si mesmo. Yuri riu baixinho, observando Wolfram comer até esvaziar o conteúdo do prato. – Já é noite… — Ele comentou, ao olhar pela porta da sacada. Quanto tempo exatamente havia dormido?

— Ah, sim! Nós já podemos fazer nosso trabalho! – Exclamou Yuri, lembrando enfim do principal motivo pelo qual havia vindo até ali.

— Espere eu terminar de comer ao menos! – Wolfram reclamou, enchendo a boca de ensopado.

Depois que ele terminou, e Cecilie fez uma pequena intromissão, querendo ver se ele já estava bem, os dois garotos foram para a sacada do quarto, onde Conrad os ajudou a montar o telescópio para que eles pudessem completar seus mapas estelares.

A noite estava absolutamente fria, o que era plausível para o início do inverno afinal. Yuri teve que colocar o casaco de moleton preto que havia trazido consigo, e Wolfram também vestiu-se com um suéter azul-claro. No céu, as estrelas brilhavam com força, sem nenhuma nuvem para atrapalhar. Parecia ter sido especialmente ajeitada para a ocasião. E a lua também, reluzia com força, e o jardim nem precisaria estar todo iluminado para parecer maravilhoso visto dali de cima.

— Waa, é bonito visto daqui! Mesmo sendo Tókio, nós conseguimos ver as estrelas bem essa noite… Que sorte! – Yuri comentou alegremente, sorrindo enquanto observava Wolfram ajustar a lente do telescópio, concentradamente. – Você já sabe que constelação nós temos que encontrar?

— … Só um minuto… — Wolfram girou o aparelho de uma lado para o outro, até que finalmente soltou uma interjeição ao encontrar o que procurava. – Aqui. A Constelação de Lira… — Ele marcou alguma coisa no seu caderno, já pronto para ir para a próxima.

— Espera! Eu quero ver também… — Yuri se arrastou até o lado dele, passando a sua frente para enxergar pelo visor. Wolfram apenas se colocou mais para trás, perturbado por todas aquelas aproximações descabidas e inesperadas. – Ei… Isso não é Hikoboshi e Orihime? – Ele virou-se para trás, pegando Wolfram de surpresa mais uma vez.

— As estrelas que aparecem aqui são chamadas de Altair, Deneb e Vega… Mas eu acho que aqui no Japão elas possuem esse nome mesmo… Vega é da constelação de Lira, e Altair é da constelação da Águia. — Ele voltou a anotar alguma coisa qualquer no caderno, fingindo estar ocupado para não ter que ficar olhando para aquela cara alegre que Yuri fazia para ele agora. – Eles fazem parte do triângulo do verão…

— Sim, sim, nós podemos ver eles muito melhor no Tanabata, em julho! – Yuri se afastou apenas um pouco, e Wolfram voltou a olhar para o telescópio, embora nem lembrasse mais o que raios deveria procurar ali. – Você sabe sobre a lenda do Tanabata, Wolf?

— Acho que já devo ter ouvido alguma vez por aí… — Ele ainda se mantinha sem olhar para Yuri. A verdade é que, perto de Yuri, que se divertia tanto, ele não conseguia dizer uma única palavra. Ouvindo a voz dele tão perto, sentindo o calor do corpo dele emanando na noite fria, sabendo que ele estava tão próximo agora, que bastaria esticar a mão para tocá-lo… Tudo isso era muito para ele aguentar de uma só vez. E o fato de ser incapaz de reagir apropriadamente sobre isso o fazia sentir-se irritado consigo mesmo.

— Bem, eu adoro essa história, a minha mãe sempre contava para mim! – Yuri se empolgou e, erguendo os olhos para onde via as estrelas brilhando, continuou. – É sobre uma princesa, chamada Orihime, que era uma ótima tecelã. O pai dela, Tentei, ficava muito orgulhoso da sua filha talentosa, mas a Orihime não estava feliz, porque tinha que passar seus dias sem descanso, e não conhecia ninguém…

— Hm… — Wolfram resmungou, apenas para indicar que estava ouvindo o que ele dizia. Na verdade, aquela história parecia a ele um tanto familiar, e ele não queria esboçar nenhuma reação. Sabia muito bem como era ter pessoas ao seu redor, que se orgulhavam das suas habilidades, mas na verdade não estar nem um pouco feliz com nenhuma dessas realizações. Completamente sozinho.

Tentei então disse que ela deveria ter algum tempo livre, e ir passear nas margens do Rio Celeste. Você está vendo? É aquela faixa brilhante que fica bem no meio! – Ele apontou para o céu, forçando Wolfram a erguer os olhos para o céu também.

— Aquilo é a Via Láctea. – Wolfram respondeu simplesmente, mas Yuri não perdeu o entusiasmo.

— Então! Em um desses passeios ela viu um pastor do outro lado, e era o Hikoboshi! Ela se apaixonou por ele imediatamente…

— Que idiota… Não tem como alguém se apaixonar somente ao ver alguém dessa forma! – Wolfram cruzou os braços, escorando-se na parede atrás de si.

Orihime foi tomada por uma grande tristeza por causa desse amor impossível. – Yuri continuou, sem se dar conta do comentário ácido de Wolfram. – Vendo o quanto a sua filha estava triste, Tentei permitiu que os dois se casassem… Mas Orihime e Hikoboshi ficaram tão felizes juntos, queriam passar todo o tempo um com o outro, e acabaram deixando de lado seus trabalhos…

— Isso é ainda mais idiota! Imagine, deixar tudo de lado porque só consegue pensar em uma única pessoa! Isso é uma doença. É claro que nunca daria certo… Se apaixonar só causa problemas para as pessoas… — Wolfram continuou resmungando, irritado.

— Se você ficar falando coisas tão insensíveis, nunca vai conseguir uma namorada! – Yuri riu, quando Wolfram perdeu a compostura por um momento.

— Não aceito um comentário desses do Senhor Encontro-Fracassado. – Wolfram bufou, revirando os olhos.

— Pelo menos eu consegui um beijo no final do encontro… — A tentativa de se gabar e fazer graça de Yuri não pareceu dar muito certo pois, ao invés de ficar irritado e bater nele, como esperava que Wolfram fizesse, ele apenas abraçou as próprias pernas e virou o rosto para o lado oposto, resmungando qualquer coisa e se recusando a olhar para ele. – C-como eu ia dizendo, sobre a história… O pai dela, Tentei, os separou definitivamente, depois de perceber que eles não conseguiam fazer nada quando estavam juntos, e cada um ficou em uma margem do rio! Mas depois de um tempo, ele percebeu que isso só fazia sua filha ficar mais e mais triste… Então ele permitiu que eles se encontrassem uma única vez por ano se o tempo estiver bom. Se chover, então o rio enche demais, e eles não encontram a passagem… Na sétima noite do sétimo mês, é quando acontece o Festival do Tanabata. As pessoas amarram pedidos em árvores de bambu, porque Hikoboshi e Orihime estão tão felizes por se reencontrarem que realizam todos os desejos… — Yuri suspirou, de repente cansado de falar tanto. – Ano passado, eu pedi para ganhar o campeonato de baseball!

— Que ótimo… — Wolfram virou o rosto para o lado de Yuri, ainda se sentindo um tanto desconfortável.

— Ainda falta bastante tempo até lá, mas no próximo Tanabata, nós podemos ir juntos! O que você acha? – Yuri sorriu abertamente, e Wolfram sentiu seu coração dar um solavanco. Aquela seria uma longa noite, pelo visto.

— Suponho que tenho que me adequar à cultura do país onde estou exilado, não é? – Ele recitou, soltando os braços para voltar a olhar pelo telescópio. As duas estrelas cintilavam lindamente, pelo que ele podia ver, uma de cada lado da Via Láctea. Ele não ia conseguir enxergá-las da mesma forma depois dessa história…

— Você sente assim tanta falta do seu país? – Yuri indagou. – Ainda pensa em voltar para lá?

— Evidente que penso! Mas… não precisa ser tão logo assim… — Ele respondeu evasivamente, torcendo para que Yuri parasse de falar nesse assunto agora, e voltou a olhar no telescópio.

Afastando-se novamente para anotar mais alguma coisa que observou, Wolfram viu que Yuri ainda olhava para o céu, com os olhos negros brilhantes, tentando enxergar algo que ele não podia sequer imaginar o que podia ser. Enquanto via a face dele erguida, refletindo a luz azulada da lua, Wolfram sentiu algo como um aperto em seu peito, e seu coração acelerando dolorosamente. Aquilo de novo, não…

Na verdade, ele já tinha há algum tempo se dado conta do que aqueles sentimentos significavam. Mas também percebera que isso não adiantava nada, pois esses sentimentos estúpidos jamais chegariam até ele de qualquer forma. Tentando ser forte, ele covardemente fingiu que não tinha nenhum interesse, mas fingia tão mal que nem podia acreditar em si mesmo em nenhuma das vezes. Mas aquela dor em seu peito continuava crescendo, e crescendo… Até o ponto que ele não conseguia mais contê-la, nem aguentá-la. Agora ele percebia… Gostar de alguém é algo como isso.

“Por favor, Yuri, diga alguma coisa.” Era o que ele pensava com todas as suas forças, querendo que de alguma forma ele ouvisse a voz do seu pensamento, e se virasse para ele, olhasse somente para ele e para mais ninguém. Era bom estar ao lado dele… Claro que era. Mas a realidade era cruel, e sempre se lançava nos momentos mais inesperados. Wolfram sabia que não podia ser para sempre assim. E se ele não ia fazer nada, o melhor era desistir de uma vez. Porém, Wolfram era uma criança mimada e obstinada… Não admitiria a sua derrota tão facilmente… Por mais que doesse depois.

— O que houve? – Yuri voltou a olhar para baixo, percebendo a insistente observação do loiro. Ele voltou a olhar para baixo, desviando o olhar mais do que imediatamente.

— Nada! Você devia… se apressar e fazer alguma coisa para me ajudar! – Bradou, em tom de comando.

— O que você quer que eu faça? – Ele indagou de volta, aproximando-se novamente de Wolfram para ler o que ele escrevia no caderno. Estava escuro, e ele teve que se inclinar um pouco mais para ler. Wolfram ofegou. – Nee... Wolfram… — Yuri ergueu os olhos, sem se afastar nem um centímetro. – Você está mesmo bem? Quero dizer, você sempre está reclamando de mim, ou de qualquer coisa, mas hoje… Está tão quieto. Você parece triste, na verdade. Não quer conversar?

— D-do que está falando? Eu estou perfeitamente bem! Não vê? — Ele tentou se afastar, mas como já estava escorado entre a parede e o lado da sacada, não tinha para onde ir. Yuri continuou a fitá-lo intensamente, com ar de preocupação.

— Não. Você não está. Até eu posso perceber isso… — Yuri insistiu, muito mais sério do que o seu eu habitual. – Por favor, Wolf… Me diz o que está te preocupando! Talvez eu possa te ajudar…

— Não, você não pode me ajudar. – Wolfram replicou, com as sobrancelhas se juntando. – Eu não sei nem mesmo por que você se importa!

— Não é óbvio? É porque você é meu melhor amigo… — Yuri respondeu de forma simples, como se Wolfram já devesse ter notado isso sozinho muito antes. O loiro tentou afastar-se ainda mais, embora Yuri já estivesse perto o bastante, sentindo algo quebrar-se dentro de si. Eles eram amigos. Claro que eram! O que mais ele estava esperando? Odiava-se por manter a mais reles esperança do que quer que fosse. Por que ele gostava tanto de se iludir dessa forma? Ele nunca havia sido assim. Desde quando se transformou no tipo de pessoa tola que cai em truques forjados pela própria mente. Desde quando ele se tornou alguém tão… Irracional? A resposta era bem evidente dessa vez. Fora desde que conheceu Yuri. – Fale comigo, Wolfram…

— Aah, você é tão irritante! – Wolfram o empurrou para trás exasperado. Exatamente como quando eram crianças, Yuri era insistente, e ficava sempre querendo saber o que estava acontecendo. Foi assim que eles se conheceram, afinal… Se ao menos ele não fosse tão intrometido, tão indiscreto, tão atrevido… Então eles nunca teriam conversado, durante aquele outono em Shin Makoku, e nunca teriam se conhecido, e Wolfram não teria que se sentir dessa forma sobre ele. Por mais que pensasse nisso, Wolfram não conseguia acreditar em seus próprios pensamentos. Não era verdade. Ele jamais se arrependeria de ter Yuri em sua vida. – Quando Orihime conheceu Hikoboshi, mas foi obrigada a se afastar dele… Ela deve ter se sentido muito mal…

— Você está mudando de assunto para evitar me contar o que está acontecendo, Wolfram? – Yuri murmurou, desconfiado. Wolfram baixou o rosto, encolhendo-se contra a parede. Suspirou. Havia desistido de segurar todos aqueles sentimentos pesados no seu coração, e eles começavam a aflorar sem o seu consentimento.

— Eu sei como ela se sentiu… Na época em que nos conhecemos, e você foi embora tão rápido… Eu fiquei… — Wolfram se surpreendeu ao ouvir o próprio soluço, a sua voz embargando. Seus olhos arderam, e sua visão desfocou pelas lágrimas que se juntavam nas bordas. – E-eu pensei que nunca mais ia ver você de novo! Eu pensei… que ia ficar sozinho para sempre… — Ele continuou a falar, mordendo os lábios com força.

— Mas nós nos encontramos novamente, não é? Eu não entendo… É isso o que está te preocupando tanto? Eu estou aqui, do seu lado, agora! Eu estou aqui, Wolfram! – Yuri se aproximou, inclinando o rosto para ver a face de Wolfram melhor, mas ele continuava a olhar para baixo, permanecendo escondido pela sombra da sua franja.

— Até quando? – Wolfram soluçou mais uma vez, e as lágrimas escorreram livremente pelo seu rosto quando ele o levantou. – Até quando você vai aguentar ficar perto de mim? Você vai querer ir embora, cedo ou tarde, vai querer me abandonar, como todos os outros! S-se você soubesse… — Se Yuri soubesse as coisas que sentia por ele, certamente iria querer fugir. Era nisso o que ele pensava nesse momento, mas jamais falaria em voz alta.

— Eu não vou embora! Wolfram, me escuta! – Yuri o segurou pelos ombros, forçando-o a olhar nos seus olhos. As lágrimas faziam seus orbes brilharem como duas jóias, e seus lábios tremiam sem parar, assim como todo o seu corpo. – Eu não vou a lugar nenhum! Eu estou aqui, com você…

— Mas você não vai querer ficar comigo para sempre! Uma hora, você vai simplesmente se cansar e ir embora. E eu vou ter que aprender a viver sem você… — As lágrimas continuavam a escorrer sem interrupção, e erguendo o rosto corado e lavado por elas, Wolfram soluçava audivelmente, tentando contê-las com as costas das mãos. – Eu não quero ter que ficar sozinho de novo! Não me deixe mais, Yuri… Não me abandone… E-eu não quero, não quero…

Yuri não sabia o que fazer. Wolfram chorava na sua frente, completamente frágil, parecendo que poderia se quebrar a qualquer instante. Havia mais uma vez deixado de lado seu orgulho, mostrando seu lado vulnerável para Yuri. Ele nunca havia sido muito bom para consolar as pessoas, ver alguém daquela forma o fazia sentir um nó na garganta, e ainda ter a certeza de que era o idiota mais incapaz do mundo, por fazer alguém chorar e não saber como reagir. Ele queria cessar o choro de Wolfram, queria abrandar todo esse sofrimento que ele estava mostrando para ele agora. Lembrou-se remotamente da sua infância, quando Wolfram também chorou na sua frente, dizendo aquelas mesmas coisas…

Com a mente girando entre as lembranças e a vontade de fazer Wolfram parar de chorar, Yuri estava completamente perdido. Não sabia o que fazer, não sabia o que pensar… Não que isso fosse alguma novidade para ele, de qualquer forma. Então, ele fez aquilo que fazia sempre que se sentia encurralado daquela forma. Agiu por impulso.

Sem que Wolfram esperasse, ele deslizou as mãos dos ombros dele para seu rosto, erguendo-o. Fechou os olhos com força, esquecendo-se de tudo o que havia pensado segundos antes, com a mente completamente, inteiramente em branco. Ou no escuro, como o vasto céu acima deles… Ele impeliu-se para frente, trazendo o rosto de Wolfram na direção do seu. Seus lábios se tocaram, e Yuri não fazia ideia do que estava fazendo. Mas deu certo, pois Wolfram parara de chorar.

Notas finais
OOOMMMGG~ O queeee achara do capítulo?? Heeein?? Heeeinn!!!! aaahhh eu estava tão ansiosa pra postar logo isso!!! E vocês tbm, deviam estar impacientes para que algo acontecesse... mas é~ tudo tem seu tempo! Eu fiz... eu fiz um fanart, dessa última cena... vou colocar o link aqui, oneeegai, deem uma olhadinha e me digam o que acharam nyahaa~ http://many-things-to-do.tumblr.com/post/54024414349/fanart-fanfic-sono-te-hanasanaide-kkm Eu fiz ele ontem de madrugada, então se estiver meio coisado, é porque eu tava caindo de sono XDDD~ foi feito à mão, mas com uma pequena ediçãozinha de imagem no photoshop pra ficar mais nítido... e pra apagar a sujeira da borracha que a baka aqui não tinha notado quanto tirou a foto -.-''' Enfiimmm..... Lorea-chan, espero que esteja viva, e que tenha aproveitado bem o seu presente!!! O fanart pode entrar na conta kkkkkkkkkkkk E todos os meus amados leitores tbm, espero que tenham gostado do post surpresa, e do capítulo!!! Estou ansiosíssima para saber o que vocês acharam! É hora dos leitores fantasmas se pronunciarem também, não ée? Certo, até a próxima, que eu realmente não tenho previsão de quando será... bye bye~ o/ [Revisado]